Em setembro deste ano celebra-se o centenário de Paulo Freire, uma das maiores referências mundiais no debate sobre a educação. Nascido em Recife (PE) em 1921, Paulo Freire sempre enxergou o papel da comunidade e das organizações populares como fundamentais na formação de uma consciência crítica que superasse a dominação e a dependência dos oprimidos.

Assim, como parte das diversas atividades em torno do centenário de Paulo Freire, o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, em parceria com as Escolas Paulo Freire e Florestan Fernandes, a editora Expressão Popular e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), lançam a Exposição de Cartazes “Esperançar, 100 anos de Paulo Freire”, uma chamada para artistas, designers gráficos e militantes utilizar sua criatividade para ilustrar os inúmeros elementos por trás do pensamento do educador pernambucano.

A ideia é aproveitarmos este momento não apenas para homenagear um dos mais importantes pensadores do mundo, mas para reivindicar e difundir sua memória, legado e a radicalidade de suas reflexões, vinculadas às lutas pela libertação e dignidade humana.

O legado de Freire extrapola as fronteiras brasileiras, tendo influenciado, sobretudo, diversos países da América Latina, como o Chile (onde escreveu seu livro mais importante, Pedagogia do Oprimido, e desenvolveu programas de alfabetização de adultos), além de ter tido contatos com as lutas por libertação na África, tendo visitado Zâmbia, Tanzânia, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Cabo Verde. O educador chegou a desenvolver, inclusive, programas de alfabetização de adultos na Guiné-Bissau, na Tanzânia e em Angola.

Neste sentido, aproveitando o ensejo de um de seus principais pensamentos, sobre a necessidade de desenvolver a consciência crítica dos indivíduos para que ele possa aprender a ler o mundo, nada mais oportuno do que, por meio da arte, fortalecer a batalha intelectual e cultural em tempos tão obscuros.

A chamada para artistas “Esperançar, 100 anos de Paulo Freire”, vem na ideia trabalhada pelo autor sobre a necessidade de ter “esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…”

Por isso, convidamos todos os artistas que trazem consigo a sensibilidade de olhar o mundo criticamente, mas com esperança, para que, juntos, possamos inspirar outros tantos seres humanos a embarcarem em um profundo processo transformador.

Para ajudar no processo criativo, sugerimos três possibilidades de eixos temáticos para serem trabalhados nos cartazes:

1. Educação popular e consciência: a originalidade da pedagogia freireana 

Por que a pedagogia de Freire revolucionou a forma de se pensar e construir a educação? Por que suas ideias incomodam tanto os poderosos? A construção de uma educação com profundo vínculo com a classe trabalhadora e que almeja sua emancipação é um dos grandes legados que o pedagogo nos deixou. Refletir sobre a profundidade das suas ideias e, mais do que isso, colocá-las em prática, é uma das tarefas centrais de educadores(as) e lutadores(as) populares nos dias de hoje.

 

2. Esperançar em 2021: a atualidade das ideias de Paulo Freire

Como o pensamento de Paulo Freire nos ajuda a refletir sobre os desafios do mundo hoje? Em um contexto de pandemia e de crise econômica e política em várias nações, a pedagogia freireana nos recorda que só a construção de um trabalho concreto com o povo e o despertar de sua consciência nos possibilitam um horizonte possível para os trabalhadores e trabalhadoras. É preciso passar à ação!

 

3. Uma pedagogia que mudou o mundo: a prática internacionalista de Freire

De Angicos para a África, do Brasil para o mundo: a solidariedade internacional é um dos princípios que Freire carregou ao longo de toda sua vida. Sua pedagogia, fundamentada na valorização dos saberes de cada sujeito e no conhecimento da realidade de cada lugar, encontraram em muitos países um terreno fértil para germinar e se enraizar. Das lutas de libertação na África às universidades do mundo inteiro, as ideias de Freire foram e continuam atuais e necessárias nos quatro cantos do planeta.

 

Como participar?

Tamanho: A3 (Vertical/Retrato); .jpg (300dpi)
Data limite: 20/07
Formulário de inscrição:  https://forms.gle/pEtkvBokM97icGVr6

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