Pesquisa das Juventudes em Periferias Urbanas

11 de agosto foi o Dia Internacional da Juventude. Mas, no caso brasileiro, temos pouco o que comemorar. Veja as principais notícias que afetaram a juventude no último mês. Foto: Agência Brasil

 

 

Educação sob o CoronaChoque e o Ministro da Deseducação

. Neste ano, o Enem teve uma queda significativa no número de inscrições gratuitas e de jovens com renda de até três salários mínimos. É que o ministro da Educação retirou o direito à isenção de taxa de quem faltou na última edição da prova. Somando esses dois grupos, foram três milhões de inscritos a menos do que na edição anterior do exame. É o Enem com a menor proporção de inscritos pretos, pardos e indígenas dos últimos dez anos. Por outro lado, houve aumento no número de estudantes que puderam pagar a taxa de inscrição. Esses números nos revelam os impactos desiguais da pandemia entre quem pode pagar e quem dependia da gratuidade da inscrição.

. O ministro da Educação afirmou que “universidade deveria ser para poucos”. A visão de Milton Ribeiro reforça a separação entre trabalho técnico e trabalho intelectual, atribuindo o primeiro à classe trabalhadora e o segundo às elites. Essa visão tem sido a responsável pelo caráter elitista das universidades, que começou a ser questionado com políticas de democratização do acesso ao Ensino Superior no início dos anos 2000.

. Outra fala do ministro este mês foi de que alguns estudantes com deficiência atrapalham demais estudantes em sala de aula.

. De acordo com pesquisa, 84% dos estudantes de escola pública de São Paulo estudam mais na escola que durante as aulas remotas. Os motivos apresentados são a dificuldade em acessar a internet e tecnologias, sendo que 37,5% só tem um celular para acompanhar as atividades. Esses números, apesar de ser uma pesquisa no estado de SP, estão de acordo com o perfil do estudante do ensino médio público brasileiro, que tem dificuldade de acesso à internet e em concluir dentro dos três anos essa etapa dos estudos (apenas 53%).

. Com protocolos e recomendações definidos pelos Ministérios da Educação e da Saúde, assim como a vacinação de profissionais da educação básica avançando, as aulas presenciais foram retomadas.

. Foi sancionada, pelo presidente, lei que estipula a educação bilíngue de surdos como modalidade de ensino independente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Comemorada pela comunidade surda, a lei estabelece a Libras como a primeira língua, e o português escrito como segunda língua.

. Já no ensino superior, estudos apontam que 7 a cada 10 estudantes universitários estão sofrendo com transtornos mentais devido à pandemia, sendo que, destes, 87% apresentam problemas como ansiedade e estresse.

 

Desemprego segue crescendo entre jovens brasileiros

. O CoronaChoque deixa suas marcas e a desigualdade aumenta no Brasil.  Segundo o indicador “Índice de miséria”, estamos tendo uma piora na vida da população.

. Mais uma pesquisa reforçou o que os jovens já sabem há tempos: que a pandemia prejudicou os estudos e tem forçado jovens a buscar trabalho. Aumentou especialmente o número de estudantes que estão em busca do primeiro emprego devido ao impacto da CoronaChoque na renda familiar.

. Foi colocada em pauta pelo governo a votação da MP 1045, que propunha mais mudanças nas leis trabalhistas. A MP 1045 tinha como um dos principais objetivos a inserção de jovens no mercado de trabalho por meio da redução de direitos trabalhistas. A proposta foi aprovada pelos deputados, mas teve derrota no Senado, representando uma conquista perante a ofensiva do governo Bolsonaro contra os direitos da juventude no Brasil.

. Ainda seguimos com elevada taxa de desemprego no país, os últimos números registram 14,1% no segundo trimestre de 2021. Junto a isso, cresce o número de trabalhadores informais e subocupados. Segundo IBGE os jovens são os mais afetados pelo desemprego. Entre os que têm entre 18 e 24 anos a taxa de desemprego chega a 31%. Mas como já tem sido falado nos nosso boletins, o CoronaChoque não é puro reflexo da pandemia, mas se agravou neste período. Desta forma, continuam negativas as previsões para 2022, inclusive na criação de vagas de trabalho, que deve se manter muito inferior à demanda real dos jovens trabalhadores.

 

Saúde

. Outra pesquisa divulgada este mês, feita com mais de 80 mil crianças, adolescentes e jovens de 4 a 17 anos em todo o mundo, fortaleceu outra sensação também conhecida da juventude brasileira nesse período recente: a depressão e a ansiedade dobraram nessa população durante a pandemia. Nas crianças mais novas, a falta de rotina é muito prejudicial. Nas mais velhas, a perda de interação social causada pelo isolamento aparece como uma das principais causas de sofrimento psíquico.

. Para especialistas o retorno às aulas presenciais combinado com o descontrole da variante delta no país pode colocar as crianças em maior risco de morte.

 

Entregadores de aplicativo: jovens precarizados, alta do combustível e auto-organização

. A alta do combustível, combinada com a ausência de reajuste das tarifas dos aplicativos, tem feito os entregadores recusarem cada vez mais corridas. Alguns tiveram que abandonar o trabalho. Segundo a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp), cerca de 25% da frota paulistana de motoristas teve que deixar de trabalhar.

. O governo está preparando um “novo MEI” para entregadores e motoristas de aplicativos, que exigirá que, para trabalhar nessas ocupações, o trabalhador abra um CNPJ. Batizado de “microempreendedor digital”, essa regulamentação exigirá contribuição obrigatória e afasta os entregadores de direitos garantidos pela CLT.

. A auto-organização dos entregadores tem se fortalecido: um relatório da Organização Internacional do Trabalho indicou que as cooperativas têm aumentado. Na França, já são mais de trinta. Em São Paulo, três jovens lançaram um aplicativo de delivery que não cobra taxa de entrega e que atende apenas alguns bairros, com produtos específicos. Os entregadores trabalham só para a plataforma. Em Uberlândia, entregadores realizaram uma greve que durou cinco dias.

. A criação de pontos de apoio para entregadores, onde eles possam descansar, carregar o celular, esquentar marmitas, usar o wi-fi e o banheiro, também está em pauta. Este mês, em Fortaleza, a Prefeitura entregou o primeiro Ponto do Entregador. Em Goiânia, um PL que cria espaço de descanso para entregadores foi aprovado na Câmara Municipal. No Rio de Janeiro, um projeto muito parecido também foi apresentado à Câmara. Em Brasília, foi uma startup que criou pontos de apoio na Asa Sul.

. Paulo Galo, dos entregadores antifascistas, que havia sido detido por ter ateado fogo na estátua de Borba Gato, em São Paulo, foi solto por decisão do STJ. Enquanto isso, outros entregadores que participaram de manifestações em São Paulo têm sofrido multas acima de 5 mil reais por terem se manifestado politicamente.

 

Internacional

. A juventude tem sido a faixa etária que menos aderiu à vacinação nos Estados Unidos.


Nota de solidariedade

Nosso Observatório se solidariza com todas as pessoas que perderam familiares e amizades no mês de agosto para a covid-19.