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EstudosDilemas contemporâneosNº 5

Os 80 anos da vitória na Guerra Mundial Antifascista

Quem salvou a humanidade: uma história restauracionista

Ao comemorarmos oitenta anos da vitória dos povos na Guerra Mundial Antifascista, devemos lembrar quem verdadeiramente salvou a humanidade – e honrar seu sacrifício com a verdade.

Este estudo foi escrito por Neville Roy Singham, presidente do conselho consultivo do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. O autor agradece o apoio fundamental da equipe do Tricontinental, cuja atuação incluiu pesquisa multifacetada, análise estatística abrangente, infraestrutura técnica e a produção desta publicação. Uma versão anterior deste estudo foi publicada na revista Guancha (观察者网), cujos editores forneceram valiosas sugestões para pesquisas e análises adicionais. O autor assume total responsabilidade por quaisquer erros ou omissões neste trabalho.


Ao comemorarmos os 80 anos da vitória na Guerra Mundial Antifascista (GMAF), as potências ocidentais tecem sua narrativa familiar: o poder industrial dos EUA e a determinação britânica salvaram o mundo do fascismo. Isso é mentira. A verdade jorra dos números: enquanto as potências ocidentais calculavam vantagens econômicas, os povos soviéticos e chineses pagavam com sangue. O fascismo não foi derrotado pelo capital anglo-americano, mas pela liderança socialista e por um enorme heroísmo, por uma estratégia brilhante de Moscou e Yan’an, por uma resiliência inquebrantável de trabalhadores e camponeses que se recusaram a se render e por um sacrifício que salvou a humanidade da escravidão.

A verdadeira guerra não começou em 1939, quando Adolf Hitler invadiu a Polônia, mas em 1931, quando o Japão invadiu o Nordeste da China (东北).1 Por dez anos, a China lutou basicamente sozinha, exceto pela ajuda soviética, que incluía aviões e pilotos. A Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos enviaram uma ajuda mínima à China de 1937 a 1941. Washington e Londres preferiram os lucros.

Ao longo da mesma década, a União Soviética corria contra o tempo, forçando sua industrialização e sabendo que uma invasão era iminente. O discurso de Josef Stalin em fevereiro de 1931 para os administradores das indústrias previu com terrível precisão: “Estamos cinquenta ou cem anos atrás dos países avançados. Devemos encurtar essa distância em dez anos. Ou fazemos isso, ou sucumbiremos”.2 Dez anos depois, em junho de 1941, a Wehrmacht (as forças armadas unificadas da Alemanha Nazista) levou à cabo a invasão. A URSS teve exatamente uma década para se preparar para uma guerra que todos sabiam que aconteceria. A preparação não foi suficiente para evitar a catástrofe inicial, mas foi assertiva o bastante para permitir a recuperação.

A estratégia inicial das potências do Atlântico até pouco antes de sua entrada na guerra era simples e cínica: deixar o fascismo e o comunismo se destruírem mutuamente.

1. O atraso deliberado do Ocidente: uma estratégia de traição

A linha do tempo da traição ocidental fala por si mesma. De 1931 a 1941, enquanto o Japão dividia a China, os bancos ocidentais mantinham seus escritórios em Tóquio, os navios de guerra japoneses eram abastecidos por petróleo ocidental e a sucata ocidental se tornava munição japonesa.3 Quando a invasão em grande escala eclodiu em 1937 – como o massacre de Nanquim e os terríveis bombardeios das cidades chinesas – a resposta dos aliados imperialistas foi vender mais petróleo ao Japão. Até 1941, os EUA forneciam 80% do petróleo do Japão.4

Isso não foi isolamento, mas provisão calculada: o fascismo executando o que o fracassado Cerco do Exército Branco, contrarrevolucionário, em 1919 não conseguiu realizar. Até 1941, havia 250 corporações americanas operando na Alemanha nazista.5 O empresário estadunidense Thomas Watson, da IBM, automatizou o Holocausto enquanto mantinha amizades pessoais com o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, e o secretário de Estado Cordell Hull.6 A subsidiária alemã da General Motors, Opel, produziu caminhões da Wehrmacht até 1944, com a GM posteriormente reivindicando uma dedução fiscal de 22,7 milhões de dólares por suas operações nazistas “abandonadas”.7 Os EUA continuaram estrategicamente comprometidos econômica, política e militarmente com a destruição da União Soviética.

A historiografia ocidental atribui essa entrada tardia dos EUA ao “isolacionismo”. Essa visão ahistórica ignora precedentes documentados: durante o Cerco Branco de 1919, os EUA enviaram 11.500 soldados para a Rússia – 4.500 para Arkhangelsk e 7 mil para Vladivostok – ao lado de forças britânicas, francesas e japonesas, lutando diretamente contra o Exército Vermelho com mais de 500 baixas estadunidenses.8 O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, também forneceu mais de 50 milhões de dólares em apoio militar para os exércitos brancos. Quando a intervenção militar direta fracassou em sufocar o socialismo em sua raiz, a estratégia mudou. Os formuladores de políticas dos EUA consistentemente favoreceram autocratas de direita que prometeram estabilidade e antibolchevismo em detrimento de movimentos democráticos. Essa política produziu apoio aberto ao fascismo europeu. Em 1933, o presidente Roosevelt declarou que estava “profundamente impressionado com o que [Benito Mussolini] realizou e com seu evidente propósito honesto de restaurar a Itália”.9

A primeira estratégia britânica, mesmo após entrar na guerra, foi deixar Adolf Hitler e Joseph Stalin exaurir um ao outro. Quando a Alemanha invadiu a Polônia em setembro de 1939, a Grã-Bretanha e a França, ao declarar guerra à Alemanha, não fizeram nada – a “Guerra Falsa” durou oito meses enquanto mantinham esperanças de que Hitler fosse para o leste. O ódio anticomunista de Winston Churchill definiu sua carreira. Em 1919, ele buscou “estrangular o bolchevismo em seu berço”.10 Em 1945, com Hitler praticamente morto, ele planejou a Operação Impensável, usando forças da Wehrmacht para atacar a União Soviética.11

Os impulsos genocidas de Churchill tinham como alvo, da mesma maneira, os comunistas e os povos colonizados. Sua violência racial era ampla: celebrou a morte de “selvagens” em Omdurman (1898), uma cidade do Sudão, apoiou campos de concentração que mataram 48 mil africanos e bôeres, e defendeu uso de gás venenoso contra as “tribos incivilizadas” iraquianas (1920). Em 1942, enquanto Bengala passava fome, Churchill disse a Leo Amery, o secretário de Estado da Índia: “Eu odeio os indianos. São um povo bestial com uma religião bestial”. Quando Amery implorou por auxílio contra a fome, Churchill respondeu que os indianos “se reproduzem como coelhos”.12 Três milhões de indianos morreram enquanto a Grã-Bretanha exportava o arroz de Bengala. Após o ataque de Churchill à Índia, Leo Amery escreveu em seu diário: “Eu não pude deixar de dizer a ele que não via muita diferença entre sua perspectiva e a de Hitler”.13 Hoje, a Grã-Bretanha venera este homem, cuja diferença com relação a Hitler está apenas na vitória de um sobre o outro.

Os EUA entraram na guerra apenas quando foram atacados diretamente em Pearl Harbor (Havaí), em dezembro de 1941, uma década após a guerra do Japão contra a China ter sido iniciada. A Segunda Frente, prometida para 1942, não foi implementada até junho de 1944 – com 730 dias de atraso, após as batalhas de Stalingrado (1942-1943) e Kursk (1943) já terem quebrado a espinha da Wehrmacht.14 No Dia D, o Exército Vermelho já havia destruído o mito da invencibilidade alemã e a derrota nazista já estava dada. Os EUA e a Grã-Bretanha tiveram que invadir a Europa continental em 1944, quando a União Soviética já havia consolidado a derrota da Alemanha, para garantir que a URSS não libertasse todo o continente, ameaçando o capitalismo na Europa Ocidental e Oriental.

As prioridades dos EUA eram claras: melhor uma Europa fascista do que uma socialista. Melhor a dominação japonesa da Ásia do que a libertação proposta pela China e a expansão do socialismo. O ódio das potências metropolitanas ao comunismo e o amor por suas colônias superavam seus princípios antifascistas.

2. Quando as rivalidades inter-imperialistas importavam

A estratégia ocidental em relação à Alemanha nazista seguiu uma lógica estabelecida em 1917. Quando a intervenção britânica não conseguiu derrubar os bolcheviques, o teórico geopolítico Halford Mackinder – nomeado alto comissário para organizar o apoio ao Exército Branco – recomendou que o rearmamento alemão (após a derrota na Primeira Guerra Mundial), embora perigoso para os interesses britânicos, era essencial como baluarte contra o controle bolchevique da Europa Oriental. O Tratado de Versalhes (1919) era fundamentalmente “um pacto para a redução da Rússia Soviética”, como observou o economista Thorstein Veblen; um objetivo que, embora “não estivesse escrito no texto do Tratado”, era, no entanto, “o pergaminho sobre o qual o texto foi escrito”.15 Essa continuou sendo a estratégia ocidental até 1945: conter e destruir a URSS, mesmo que isso significasse permitir o fascismo.

Em Munique, em 1938, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain formalizou essa estratégia com Hitler: a Alemanha teria “carta branca” na Europa Oriental para atacar a URSS em troca do respeito aos interesses imperiais britânicos. No entanto, a rivalidade inter-imperialista impôs limites. A Grã-Bretanha queria que Hitler destruísse a União Soviética, mas temia que a expansão alemã descontrolada ameaçasse o próprio Império Britânico – a contradição explica tanto a conivência quanto a eventual declaração de guerra da Grã-Bretanha.

Quando a Grã-Bretanha enviou negociadores a Moscou em um lento navio cargueiro, o Almirante Reginald Drax chegou sem uma autorização por escrito para negociar, a mensagem era inequívoca: nenhuma aliança real com os comunistas.16

Durante uma reunião em 1937, o ministro das Relações Exteriores Halifax elogiou Hitler como um “baluarte contra o bolchevismo”, enquanto um panfleto endossado pelo governo em 1939, escrito pelo político britânico Lord Lloyd de Dolobran, identificou a “apostasia final” de Hitler não como a invasão da Polônia, mas como a assinatura do pacto germano-soviético – “a traição da Europa”.17 Enfrentando o isolamento, em 1939 Stalin assinou o Pacto Molotov-Ribbentrop (acordo de não agressão assinado entre a Alemanha Nazista e a União Soviética) não por escolha, mas pela necessidade criada pela convivência do Ocidente com Hitler.

Nos 22 meses seguintes (setembro de 1939 a meados de junho de 1941), a União Soviética mais que triplicou seu exército de 1,6 para 5,3 milhões, dobrou sua produção de tanques de 2.794, em 1940, para 6.590, em 1941 (incluindo 1.225 T-34s), e moveu indústrias inteiras para o leste. Os adidos dos EUA relataram transferências industriais maciças para os Urais no final de 1940, antes da invasão. A URSS avançou suas fronteiras entre 200 e 300 quilômetros para o oeste, trocando espaço por tempo. Stalin sabia que a guerra estava prestes a acontecer.18

Em maio de 1940, Churchill se tornou o primeiro-ministro da Grã-Bretanha enquanto a França e o exército britânico fugiam de Dunkirk. O Secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, o Conde de Halifax, propôs negociar a paz por meio de Mussolini – a Alemanha poderia ter a Europa se a Grã-Bretanha mantivesse seu império.19 Churchill se opôs a esse plano, não por princípio, mas por aritmética. Se a Alemanha fosse autorizada a conquistar a Europa, sua força poderia posteriormente reverter qualquer acordo de paz e derrotar a Grã-Bretanha. Para dar apenas um exemplo, o Cáucaso produzia 25,4 milhões de toneladas de petróleo anualmente – 80% da produção soviética. A Alemanha tinha 3,1 meses de reservas de petróleo.20 Se o Chanceler da Alemanha, Adolf Hitler, conquistasse os recursos soviéticos, a derrota da Grã-Bretanha seria certa.

Ao continuar a guerra, Churchill forçou a Alemanha a manter 49 divisões na Europa Ocidental e na Noruega – 24% da força total da Wehrmacht que não poderia ser deslocada contra a URSS.21 Embora significativo, isso não impediu a montagem da maior força de invasão da história.

A Alemanha lançou a Operação Barbarossa (a invasão da União Soviética pelas Potências do Eixo em 22 de junho de 1941) com 153 divisões alemãs, totalizando mais de 3 milhões de soldados. O Museu Imperial da Guerra, o imponente museu nacional da Grã-Bretanha, calcula que 80% do Exército Alemão estava comprometido com esta invasão.22 Além disso, 36 divisões aliadas do Eixo se juntaram ao ataque: 16 finlandesas, 15 romenas, 3 italianas e 2 eslovacas, totalizando 189 divisões. Essa força de quase 4 milhões de soldados representou a surpreendente concentração do poder militar do Eixo. A Frente Oriental não era outro teatro de guerra, mas o principal local de agressão fascista, onde a Wehrmacht destacou suas melhores unidades, os comandantes mais experientes e sua força máxima.

Esta foi a maior invasão militar da história humana. No entanto, a União Soviética derrotou este ataque sem precedentes por meio de sua própria profundidade estratégica, da mobilização de massas e de sua relocalização industrial.

Ao enfrentarem adversários extremamente poderosos, Stalin e Mao Zedong consideraram como explorar rivalidades inter-imperialistas que se tornaram tão intensas na década de 1940. Essas contradições inter-imperialistas – momentos contingentes em que os conflitos internos do império servem ocasionalmente às forças revolucionárias – são geralmente breves e pouco confiáveis. Elas surgem de forma imprevisível das contradições internas do capitalismo, devem ser reconhecidas e aproveitadas quando aparecem, mas nunca confundidas com uma aliança estratégica.

3. Poder econômico em 1941: o mito do poder ocidental

Em 1941, o PIB mundial totalizou cerca de 4,5 a 5 trilhões em dólares internacionais de 1990. Aqueles com a maior capacidade de lutar contra o fascismo deliberadamente escolheram não fazê-lo.

Como documentado pelo historiador econômico Mark Harrison em seu livro The economics of World War II [A economia da Segunda Guerra Mundial], o núcleo imperial anglo-americano comandava aproximadamente 30,2% do PIB mundial. Os EUA sozinhos controlavam 1,094 trilhões – aproximadamente 22 a 24% da produção global – enquanto mantinham uma neutralidade confortável uma década após o início da guerra antifascista. O Império Britânico adicionou 344 bilhões de dólares (7 a 8% do PIB mundial), extraídos de 427 milhões de exploração colonial. No total, este campo (EUA e seus territórios e o Império Britânico conforme definido pelos britânicos em 1941) controlava 28,6% da população mundial. Os EUA permaneceram neutros até serem atacados em Pearl Harbor em dezembro de 1941. A Grã-Bretanha declarou guerra, mas priorizou o império.

Fontes: Dados populacionais extraídos principalmente de Maddison (2010); dados do PIB extraídos principalmente de Harrison (1998), p. 10, tabela 1.3; dados sobre a população da URSS, em 1941, extraídos de Statista (2025); estimativas do PIB da China e mundial são corroboradas pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Ver apêndice para verificar a metodologia completa.

Os EUA dedicavam apenas 11% de seu PIB a gastos militares antes de Pearl Harbor. As Forças Armadas dos EUA, em dezembro de 1941, contavam com apenas 1,62 milhão de soldados, com uma uma população de 133,9 milhões – representando apenas 1,2%. Em contraste, a Alemanha tinha 7,3 milhões de soldados em uma população de 70,2 milhões (10,4%), e a União Soviética tinha 7,1 milhões em uma população de 195,4 milhões (3,6%) ao final daquele ano. A Grã-Bretanha, apesar de declarar guerra em 1939, havia alcançado 53% da despesa nacional em esforços militares, mas grande parte disso foi para proteger o império, não para lutar diretamente contra o fascismo. No Norte da África, as forças britânicas lutaram para manter o controle colonial, não para libertar populações. Segundo Churchill, “eu não me tornei o primeiro-ministro do rei para liquidar o Império Britânico”. 23

Fontes: Dados sobre soldados extraídos de Harrison (1998, p. 14), tabela 1.5; dados populacionais extraídos de Maddison (2010) e Statista (2025). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.

O eixo fascista-imperial havia armado suas economias. A Alemanha dedicou 52% do PIB a gastos militares em 1941, alcançando 70% em 1943, e mobilizou 3 milhões de soldados para a invasão da União Soviética em 1941. Outras potências do Eixo mobilizaram um contingente extra de 500 mil a 700 mil soldados (Romênia, Finlândia, Hungria, Itália e Eslováquia), permitindo assim que Hitler afirmasse que esta era uma operação pan-europeia. Essa foi e ainda é a maior invasão militar da história humana. O Japão manteve 1,7 milhão de soldados na China com um ônus militar de 27% do PIB após uma década de guerra contínua.

O Eixo, liderado pela Alemanha, Itália e Japão, também incluía os signatários do pacto, como Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária e Croácia, com a Finlândia como cobeligerante. As potências do Eixo e os territórios que controlavam comandavam aproximadamente 20,1% do PIB mundial. Esse número era composto por contribuições da Alemanha (412 bilhões de dólares), do território anexado da Áustria (29 bilhões de dólares), do Japão (196 bilhões de dólares), da Itália (144 bilhões de dólares), do território ocupado da França, altamente industrializado (130 bilhões de dólares), e dos outros membros (aproximadamente 47 bilhões de dólares). Além disso, colaboradores “neutros”, incluindo Suíça, Suécia, Espanha e Portugal, contribuíram com 2,6% do PIB mundial para a esfera econômica do Eixo.

O bloco socialista – a União Soviética e as áreas de base comunistas chinesas que imobilizaram 60% das forças japonesas – representava aproximadamente 8% do PIB mundial, com 359 bilhões de dólares. Em meados de 1941, com os exércitos alemães dentro do território soviético, até isso estava encolhendo. No entanto, os soviéticos mobilizaram 28% do PIB para gastos militares. O Exército Vermelho expandiu sua força  de 1,5 milhão de soldados em tempos de paz, em 1 de janeiro de 1938, para mais de 5 milhões em junho de 1941.24

A tragédia da China foi escrita em números. Com 23% da população mundial (490-525 milhões de pessoas), a China gerou apenas cerca de 5% do PIB mundial após seu século de humilhação e uma década de devastação japonesa. Os dados oficiais do governo chinês Guomindang (KMT) são escassos. Em 1937, o ano da escalada total da agressão japonesa, a estimativa de soldados do KMT era de 1,7 milhão; em 1941, o exército dos EUA estimou 3,8 milhões de soldados. Uma pesquisa acadêmica sobre a história militar chinesa estimou que havia 6 milhões de soldados do KMT no verão de 1941.25 O exército do povo, liderado pelo Partido Comunista da China (PCCh), cresceu de 56 mil, em 1937, para aproximadamente 440 mil, em 1941, e 1,3 milhão em 1945.26 Com pouca produção doméstica de armas, a capacidade militar dependia de suprimentos estrangeiros, especialmente da União Soviética. A China tinha pessoas, mas poucas armas; coragem, mas pouca indústria; resistência, mas recursos escassos.

O padrão da ajuda externa expôs prioridades. Entre outubro de 1937 e junho de 1941, enquanto os EUA observavam, a União Soviética forneceu à China mais de 250 milhões de dólares em créditos, 1.235 aeronaves, milhares de peças de artilharia, dezenas de milhares de metralhadoras, além de munição e suprimentos.27 Os soviéticos enviaram mais de 2 mil pilotos – 200 dos quais morreram defendendo cidades chinesas – e conselheiros militares.28 Ao mesmo tempo que lutava pela sobrevivência, a URSS conseguiu enviar ajudas que representavam 0,07% de seu PIB. Pilotos soviéticos realizaram missões de combate sobre Nanjing, Wuhan e Chongqing. Antes de Pearl Harbor, os EUA não forneceram quase nada, apesar de serem responsáveis por 22 a 24% do PIB mundial.

Mesmo após entrar na guerra, a China recebeu apenas 632 milhões de dólares em ajuda do Lend-Lease (1941-1945) – uma política de empréstimos dos Estados Unidos a países aliados durante a Segunda Guerra Mundial -, enquanto a Grã-Bretanha, com seus dois estados coloniais brancos (Austrália e Nova Zelândia), recebeu 25,8 bilhões de dólares dos 30,3 bilhões atribuídos pelos EUA ao “Império Britânico”.

Fontes: Números do auxílio do programa Lend-Lease extraídos do Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 14, tabela 2, e p. 42–43, tabela 25); dados populacionais extraídos de Maddison (2010); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados de mortalidade na Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Consulte o apêndice para a metodologia completa.
*“Índias Britânicas” refere-se aqui à Índia e aos atuais Paquistão e Bangladesh. Os números do auxílio do programa Lend-Lease e população para a Índia Britânica e Ceilão (atual Sri Lanka) estão incluídos aqui.
*“Estados de colonos brancos” refere-se à Austrália e à Nova Zelândia.

Gráfico 1: Ajuda per capita: brancos receberam 442,3 dólares por pessoa; não brancos (China, Índia Britânica e Ceilão) receberam 4,4 dólares – uma proporção de 101:1

Gráfico 2: Valor por morte: mortes brancas “avaliadas” em 52.913 dólares; mortes não brancas (China, Índia Britânica) em 155 dólares – uma proporção de 341:1

O Império Britânico em 1945 (conforme definido pelos EUA no Programa Lend-Lease) consistia em 58,3 milhões de brancos e 443,1 milhões de não brancos. A matemática era simples. Os EUA direcionaram 85,1% da ajuda do Lend-Lease do Império Britânico para brancos, que representavam apenas 11,6% da população do Império.

De 1945 a 1948, os EUA forneceram pelo menos 1,4 bilhão de dólar ao governo chinês de Chiang Kai-shek, com mais da metade sendo ajuda militar – o dobro dos 700 milhões de dólares em ajuda militar dados durante a Grande Guerra Antifascista – excluindo substantivos excedentes de vendas de propriedades.29 A ajuda suplementar continuou até 1949, quando os nacionalistas perderam a guerra civil. A fórmula utilizada foi essa: ajuda mínima contra o Japão, apoio máximo contra o comunismo.

Observações comoventes foram feitas por dois artigos na Historical Review, publicados pela Academia Chinesa de Ciências Sociais em agosto de 2025.

O primeiro avalia que, no geral, nos estágios iniciais da Guerra de Resistência em larga escala, a assistência vital da União Soviética para uma China envolvida em uma luta árdua foi como “oferecer combustível em clima de neve”.

O segundo observa que após o fim da Guerra Anti-Japonesa, os EUA ajudaram ativamente e apoiaram os reacionários do Guomindang a lançar uma guerra civil e assinaram o aparentemente recíproco, mas na verdade desigual, “Tratado Sino-Americano de Amizade, Comércio e Navegação” com o governo nacionalista, visando manter influência sobre a China por meio de controle econômico e intervenção militar.

A aritmética econômica era clara: os anglo-americanos tinham o dinheiro, mas não lutariam; os fascistas militarizaram tudo; e os socialistas tinham pouco, mas deram tudo.

Fontes: Harrison (1998, p. 21, tabela 1.8). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.

4. 14 anos de resistência chinesa: a base esquecida da vitória

A resistência de 14 anos da China contra o imperialismo japonês imobilizou a maior parte das forças terrestres japonesas durante a guerra. As forças chinesas impediram mais de 500 mil soldados japoneses de atacarem o Extremo Oriente Soviético ou de varrerem o Pacífico.30 À medida que a guerra avançava, um número crescente de soldados do KMT desertava para as forças comunistas, fortalecendo a resistência guerrilheira. Cada soldado chinês que ocupava uma posição com armas obsoletas e um estômago vazio impedia um soldado japonês de lutar em outro lugar. A fraqueza militar da China tornou sua resistência ainda mais heroica.

Em 1935, os soldados do Exército Vermelho que fugiram de Ruijin, local da primeira República Soviética Chinesa, cruzaram montanhas congeladas usando sandálias de palha, enquanto bombardeiros do KMT com motores estadunidenses os caçavam de cima.31 O sangue congelava em suas pegadas. Os dedos dos pés ficavam pretos e caíam. Aqueles que sobreviveram se tornaram o núcleo das forças guerrilheiras que, em 1940, imobilizaram 60% das tropas japonesas.

Os números seguintes destroem todos os mitos sobre quem venceu a guerra:

Fontes: Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados da Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.

Os padrões de entrega à guerra expõem a verdade: as forças socialistas estavam desesperadamente engajadas em uma luta existencial, enquanto as forças capitalistas cuidadosamente se auto preservavam para obter vantagens pós-guerra.

5. O preço do sangue: quem realmente derrotou o fascismo

A luta global contra o fascismo matou 85 milhões de seres humanos, o que representa 3,8% da humanidade.

Fontes: Dados de mortalidade na URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012), pp. 401–405; população da Indochina Francesa extraída de Budge (2014) e dados de mortalidade extraídos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans (s.d.); outros dados populacionais extraídos de Maddison (2010). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.

Quem pagou esse preço revela quem salvou o mundo. A aritmética destruirá toda mentira que os que chegaram atrasado contaram sobre essa guerra, não em termos de estatística, mas como acusações. Cada número é um crime, cada porcentagem, um veredito.

Dos mortos, 59,8% eram socialistas, 13,1% eram povos colonizados e apenas 1% era anglo-americano.

Esta não era a guerra deles, antes, era o lucro deles.

Fontes: Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, p. 401–405, p. 442). Consulte o apêndice para a metodologia completa.

Mas mesmo essas mortes contam apenas metade do horror. Os feridos – aqueles que sobreviveram mutilados, traumatizados, quebrados – desapareceram da história ocidental. Nós os recolocamos aqui: entre 13 a 18 milhões de soviéticos feridos que não figuram nos registros. Cada um viveu com a dor que Washington e Londres nunca sentiram. Cada soldado ocidental ferido se tornou uma vítima digna de pensões, medalhas, lembranças. Os 11 a 26 milhões de feridos chineses desapareceram da história como se nunca tivessem existido, sofrido ou tido qualquer importância.

A aritmética condena: as forças socialistas sofreram 59,8% de todas as mortes da Guerra Mundial Antifascista, com menos de 15% do PIB mundial. Na Coreia, 99% das mortes foram coreanas ou chinesas. No Vietnã, 99% das mortes foram de pessoas do Sudeste asiático. O padrão grita por meio de três guerras, ao longo de cinco décadas e pelos continentes: aqueles que não tinham nada salvaram a humanidade, enquanto aqueles que tinham tudo preservaram sua força para o saque pós-guerra.

6. A União Soviética destruiu o fascismo na Europa

O Exército Vermelho eliminou ou derrotou decisivamente a força da Wehrmacht em batalhas que decidiram o destino da humanidade: Moscou, Stalingrado, Kursk e Berlim. O preço: 27 milhões de mortes soviéticas,32 o que representa 13,8% de sua população, que alcançava 196 milhões em 1940, e 1,2% da população mundial total morta por ter se colocado entre o fascismo e o resto do mundo.

Essas não eram estatísticas abstratas. Vilarejos inteiros onde nenhum homem entre 18 e 50 anos sobreviveu. A União Soviética impôs 9 milhões das 11,1 milhões de baixas militares da Alemanha. Essa vitória foi parcialmente possível porque a resistência da China impediu o Japão de atacar o Extremo Oriente Soviético durante 1941-1942, quando Moscou estava por um fio. Como o presidente Vladimir Putin reconheceu em 2025, a resistência chinesa foi “um dos fatores cruciais que impediram o Japão de apunhalar a União Soviética pelas costas durante os meses mais sombrios”.

Entre as mortes soviéticas estavam 1,3 milhão de judeus assassinados nos campos de extermínio orientais do Holocausto; 3,3 milhões de prisioneiros de guerra que deliberadamente passavam fome em campos alemães; e milhões de civis mortos pelo Generalplan Ost (plano mestre para o oriente) e outras políticas raciais nazistas que visavam os eslavos “subhumanos”.33

7. A catástrofe demográfica da China

Pelo menos 23,6 milhões de mortes de chineses foram documentadas de 1937 a 1945: 20,6 milhões em combates e massacres, além de 3 milhões decorrentes da fome de Henan de 1942 causada pela ruptura japonesa. Antes disso, de 1931 até meados de 1937, a invasão japonesa também resultou em cerca de 450 mil mortes. O total de mortes documentadas de 1931 a 1945 chega a 24,05 milhões. Incluindo os feridos, o total de baixas se aproxima dos  35 milhões. No entanto, mesmo esse número impressionante subestima a catástrofe. Ao incluir os 15 milhões que nunca nasceram devido à destruição da guerra, a perda total da população da China superou 50 milhões. O Ocidente reconhece, talvez, 15 a 20 milhões de mortos, mas ignora completamente os feridos e apaga o buraco demográfico que levou gerações para ser preenchido.34

O sistema de trabalho forçado acrescentou outra dimensão a esse genocídio: de 1935 a 1945, 20% dos 11,5 milhões de trabalhadores forçados no Nordeste da China morreram (2,3 milhões de mortes). Entre os 38.935 trabalhadores forçados enviados ao Japão, 17,5% foram mortos na terra natal do imperador, segundo a historiadora da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Bian Xiuyue.35 Essa pesquisa documenta o genocídio em termos precisos, não com estimativas vagas.

A insistência ocidental em contar apenas mortes promove um apagamento duplo. Diante do fato de que 35 milhões de chineses foram mortos ou feridos, focar apenas na subestimada contabilidade ocidental de cerca de 20 milhões de mortes apaga pelo menos 11 milhões de feridos cujas vidas foram destruídas pela agressão japonesa.

A pesquisa do governo da China de 2015, envolvendo 600 mil participantes, documentou o extermínio sistemático por meio de múltiplos métodos, como o Massacre de Nanquim, com 300 mil mortos em seis semanas e uma estimativa de 20 a 80 mil estupros;36 a campanha “Três Tudos” do Japão (“Mate tudo, queime tudo, saqueie tudo”), que transformou províncias inteiras em cemitérios; e até mesmo campos de prisioneiros de guerra regulares que revelaram uma política de extermínio chauvinista: o Japão matou 99,9% dos prisioneiros chineses, mas apenas 27,1% dos prisioneiros de guerra ocidentais.37

8. O holocausto colonial: 11 milhões esquecidos

Enquanto as potências imperiais preservavam sua força, suas colônias sangravam. Um total de 11,2 milhões de pessoas das colônias morreram, mais de dez vezes o total de mortes na guerra anglo-americana.

A Fome de Bengala de 1943 matou 3 milhões de indianos devido à política britânica. Enquanto os bengalis morriam de fome, a Grã-Bretanha exportava arroz daquele estado indiano e negava a chegada de navios de socorro.38 Churchill disse ao seu secretário particular que “os indianos eram uma raça imunda protegida apenas pela multiplicação da condenação que lhes é devida”. Ele gostaria que o Marechal da aeronáutica Arthur Harris, chefe do Comando de Bombardeiros Britânico, pudesse “enviar alguns de seus bombardeiros excedentes para destruí-los”.39

As Índias Orientais Holandesas perderam 3,4 milhões de pessoas – 4,7% da população. Duas potências coloniais os mataram: os holandeses, por meio de séculos de espoliação que deixaram os povos colonizados enfraquecidos, e os japoneses, com o trabalho forçado, fome e violência sistemática.

Somente em Java, na Indonésia, ocorreram 1,8 milhão de mortes excessivas entre 1944 e 1945. O sistema de trabalho forçado romusha enviou 300 mil indonésios para o exterior; apenas 77 mil retornaram.40 Apenas na Ferrovia de Sumatra, 17 mil dos 22 mil trabalhadores javaneses pereceram – uma taxa de mortalidade de 77%.

A Indochina Francesa perdeu 1,5 milhão de pessoas – 6,5% da população. A fome de 1944-1945 matou de 1 a 2 milhões de vietnamitas devido à extração combinada de exigências japonesas e à contínua administração colonial francesa.

Já na Birmânia, houve entre 270 mil a até 1 milhão de mortos sob ocupação japonesa enquanto a Grã-Bretanha fugia, destruindo campos de petróleo, mas abandonando os trabalhadores indianos e os civis birmaneses que não tinham meios de escapar. A Ferrovia Tailândia-Birmânia (402 quilômetros) matou 215 pessoas por quilômetro de trilho construído (31 mortes de prisioneiros de guerra ocidentais por quilômetro e 184 trabalhadores asiáticos mortos por quilômetro), um número em que o fator racial mostra uma ocorrência de fatalidades seis vezes maior entre não ocidentais.41 A mais curta Ferrovia do Istmo de Kra (90 quilômetros) teve uma taxa de mortalidade ainda mais alta: 537 mortes por quilômetro (Huff, 2020), construída inteiramente por trabalhadores asiáticos cujas mortes foram em grande parte não documentadas pelas autoridades japonesas. De um total estimado entre 260 e 270 mil trabalhadores em ambas as ferrovias, cerca de 90 a 140 mil trabalhadores asiáticos pereceram, incluindo números significativos entre os mais de 100 mil malaios e tâmiles recrutados de territórios britânicos.

Malásia e Cingapura perderam até 150 mil cidadãos. Filipinas, 765 mil.42 Timor Português perdeu de 14% a 19% de sua população, a maior taxa de mortalidade de qualquer território no Sul da Ásia.43

Está é a aritmética colonial: mortos pela ocupação fascista enquanto os senhores coloniais acumulavam recursos. Enquanto indianos morriam de fome, a Grã-Bretanha garantia seus grãos. Enquanto indonésios sucumbiam, a extração holandesa não construía nada para salvá-los. Vietnamitas pereceram ao mesmo tempo em que a França mantinha seu aparato de extração mesmo sob o domínio japonês.

Onze milhões de mortes coloniais. Museus guardam a memória dos 12 mil soldados estadunidenses e filipinos que morreram na Marcha da Morte de Bataan.44 Os cerca de 100 mil romushas que morreram ao construírem a Ferrovia da Birmânia não têm museu nem filme como Ponte do Rio Kwai (1957).

9. África: 2 milhões de pessoas esquecidas

A África se tornou a reserva de emergência dos Aliados quando a França caiu, e as colônias ocidentais na Ásia foram perdidas para o Japão. Grã-Bretanha, França e Bélgica extraíram o máximo de recursos das colônias africanas enquanto lutavam em uma guerra supostamente por liberdade. Entre 1,6 e 2 milhões de africanos morreram por conta da invasão fascista, trabalho forçado, serviço em combate e fome sistêmica. As autoridades coloniais, que contabilizam a produção de cobre por tonelada, nunca contaram as mortes africanas.

Etiópia: o primeiro campo de batalha

Na África, a Guerra Mundial Antifascista começou em 1935 quando a Itália invadiu a Etiópia. Um memorando do governo etíope de 1945 documentou 760.300 mortes (275 mil em combate, 300 mil por fome entre os refugiados, 75 mil patriotas mortos durante a ocupação, 35 mil em campos de concentração, 30 mil no massacre de Addis Ababa em fevereiro de 1937, 24 mil execuções, 17.800 civis mortos por ataques aéreos). Apesar de ter assinado o Protocolo de Genebra, a Itália usou entre 300 e 500 toneladas de gás mostarda e lançou 4.336 bombas aéreas carregadas com mostarda de enxofre e 540 bombas contendo difenilcloroarsina sobre a Etiópia. Analistas soviéticos calcularam que essas armas químicas causaram 30% das mortes dos etíopes em combate. Na caverna Ametsegna Washa, em 1939, as forças italianas envenenaram, com gás, e metralharam mais de 5.500 etíopes.

Mulheres etíopes lutaram como combatentes armadas (arbegna) contra a ocupação italiana – o Livro de Honra oficial do governo etíope, 1935-1941, documentou o sacrifício destas mulheres, registrando um terço de seus nomes como patriotas que pegaram em armas contra o fascismo, embora as histórias ocidentais as apaguem completamente.45 Essas mulheres aprenderam a usar rifles e granadas, suportaram bombardeios aéreos e ataques com gás mostarda, e em alguns casos assumiram o comando de tropas. Em março de 1948, a Comissão de Crimes de Guerra da ONU identificou 1.200 criminosos de guerra italianos da campanha etíope. Mas nenhum processo foi aberto.46 Badoglio, que estava envolvido no genocídio italiano na Líbia (1929-1934), voltou para a Itália para se tornar o último primeiro-ministro de Mussolini.47 O marechal de campo italiano que autorizou o uso sistemático de armas químicas que mataram dezenas de milhares de etíopes tornou-se o “ativo valioso” dos anglo-americanos contra o comunismo.

Quando o governo Bonomi parecia pronto para prender Badoglio, o primeiro-ministro Churchill enviou um telegrama “pessoal e ultrassecreto” em 8 de dezembro de 1944 para Sir Noel Charles, o embaixador britânico em Roma, afirmando: “Você é responsável pela segurança e pelo refúgio do Marechal na Embaixada Britânica ou em algum lugar igualmente seguro para o qual ele possa ser levado”.

Serviço de combate

Quase um milhão de africanos serviram às tropas de combate antifacista. A França mobilizou 100 mil soldados africanos contra a Alemanha em 1940 (17.500 mortos). Marrocos enviou 90 mil soldados para a França. Na Birmânia, 90 mil soldados africanos constituíam 9% das forças imperiais. A 82ª Divisão da África Ocidental sofreu 2.085 baixas – o maior número no “XV Corps”.

O apartheid militar estruturou tudo: os soldados africanos recebiam um terço do salário dos brancos, e o castigo corporal permaneceu legal para os africanos até 1946. Entre os 500 mil soldados africanos, os oficiais eram tão raros que eram conhecidos pelo nome. A discriminação racial ia além da política institucional, chegando à violência brutal. Em 1940, os nazistas massacraram 3 mil soldados negros franceses. Hitler manteve prisioneiros de guerra soldados africanos enquanto libertava os brancos.

A matemática da extração

A África forneceu 98% dos diamantes industriais aos aliados, 90% do cobalto, 50% da produção de ouro e 39% da cromita. Os britânicos recrutaram 100 mil homens para as minas de estanho da Nigéria entre 1942 e 1944. A taxa de mortalidade por doenças na barragem de Tente chegou a 10%.48, e conseguiu um aumento da produção de 6%. No Congo ocupado pela Bélgica, o trabalho obrigatório atingiu 120 dias anuais. A África Ocidental Francesa obrigava 38.153 homens a integrarem os exércitos de trabalho forçado, enquanto vilarejos inteiros fugiam, como a migração de 6 mil pessoas de Forécariah para Serra Leoa.

A mina de Shinkolobwe forneceu urânio para as bombas atômicas usadas em Hiroshima e Nagasaki. Nesta mina, o minério continha 75% de óxido de urânio contra 0,2% considerado comercializável na América do Norte. Mineiros congoleses manusearam minério radioativo com as mãos nuas. Seus nomes nunca foram registrados, e suas mortes nunca foram contabilizadas.49

A substituição forçada de cultivos criou fome. Em Moçambique, 800 mil pessoas morreram em decorrência do cultivo forçado de algodão. Em Cabo Verde, houve 24.643 mortes pela fome durante a guerra. Na Nigéria, as exportações de amendoim aumentaram, enquanto a produção de milheto foi abandonada. A fome foi a consequência dos registros de exportação.

A traição

No dia 1° de dezembro de 1944, na cidade de Thiaroye, no Senegal, oficiais franceses massacraram veteranos da África Ocidental que exigiam pagamento atrasado. Uma contagem oficial computou 35 mortos; os arquivos militares registraram 70 mortes; uma pesquisa histórica atual apontou para 300 a 400 mortos. Oitenta anos depois, os arquivos contêm documentos falsificados e permanecem sigilosos por serem  considerados “sensíveis”.

Em 8 de maio de 1945, Dia da Vitória na Europa, as forças francesas começaram a matar argelinos em Sétif e Guelma. A Argélia conta 45 mil mortos;50 a França admite 1.500.

A greve geral nigeriana de 1945. Em Madagascar, em 1947, a França matou 40 mil pessoas, esmagando a independência.

A greve ferroviária da África Ocidental Francesa, entre 1947-1948, durou 160 dias e envolveu  20 mil trabalhadores.

Em 1948, na Costa do Ouro (agora Gana), o superintendente britânico Imray atirou pessoalmente em três veteranos que lideravam protestos.

Greves gerais eclodiram de Durban a Túnis, de Dakar a Dar es Salaam. Em 1947, em Mombaça, cidade do Quênia, 15 mil trabalhadores paralisaram a cidade.

Na África do Sul, em Witwatersrand, os mineiros entraram em greve apesar de 1.248 pessoas serem feridas pela polícia, em 1946.

O padrão foi estabelecido da seguinte forma: veteranos que exigiam salários foram massacrados, trabalhadores que exigiam direitos foram baleados, movimentos de independência teriam que ser esmagados. A França matou 1,5 milhão de pessoas na Argélia. A Grã-Bretanha encarcerou 1,5 milhão de quenianos. Portugal incendiou  Moçambique. Os veteranos que sobreviveram ao fascismo agora entendiam o inimigo. Dentro de uma década, guerras de libertação eclodiriam da Argélia ao Quênia, de Angola a Moçambique,  lideradas e influenciadas por movimentos e lideranças socialistas que aprenderam que a fórmula de 600 anos do Ocidente nunca mudou: extração máxima, morte máxima, reconhecimento mínimo, nenhuma responsabilização.

Há uma contabilidade que as potências coloniais nunca fizeram entre 1935-1945: entre 1,6 e 2 milhões de africanos foram mortos; somente na Etiópia foram 760 mil. As mortes de militares chegaram a 75 mil. O trabalho forçado e a fome levou centenas de milhares ao mesmo destino. As autoridades coloniais documentaram a quantidade de cobre extraído: 262.394 toneladas, mas as mortes africanas nunca foram registradas.

10. Como o socialismo derrotou o fascismo com uma estratégia superior

Três batalhas provaram que o Japão poderia ser derrotado. Em Pingxingguan (平型关), em 1937, as forças comunistas mataram mais de mil japoneses e capturaram 82 veículos – a primeira derrota do Japão. 51 Em Taierzhuang (台儿庄), em 1938, os japoneses foram derrotados. Existem várias estimativas históricas. Um estudo de 1996 aponta que houve 20 mil baixas entre 55 mil soldados japoneses.52 Em Wanjialing (万家岭), em 10 de outubro de 1938, uma divisão japonesa inteira – 31 mil soldados – foi reduzida a mil sobreviventes. Foi o dia mais sombrio do Japão.

A Ofensiva dos Cem Regimentos do Partido Comunista da China de 1940 – uma série de ataques coordenados no norte do país – destruiu a infraestrutura japonesa. As forças do PCCh prenderam 60% das forças do Japão e 95% das forças fantoches (não uma “maioria” vaga, mas precisa e sangrenta).53 A “guerra dos pardais” (麻雀战)fez as patrulhas japonesas sangrarem por cada milha, assim como a guerra de túneis em Ranzhuang (冉庄), em 1939, com escavações de dezesseis quilômetros de comprimento que conectavam cinco vilas, enquanto os guerrilheiros apareciam e desapareciam como fantasmas.54

A derrota do fascismo não foi apenas sob sacrifício; foi uma estratégia brilhante que transformou a fraqueza inicial em força. A liderança socialista não apenas mobilizou as massas, mas superou e derrotou seus inimigos, apesar de todas as vantagens materiais destes.

A inovação soviética transformou a derrota em vitória total. A URSS enfrentou uma equação impossível: enquanto construía a primeira sociedade socialista da humanidade a partir das ruínas do sistema feudal do czarismo – transformando as relações sociais de produção e reprodução em uma escala sem precedentes -, teve precisamente uma década para construir uma capacidade militar-industrial para uma guerra inevitável.

Quando os exércitos alemães destruíram a linha de defesa soviética em junho de 1941, observadores ocidentais deram à URSS semanas de sobrevida. Em seis meses, a URSS impôs a primeira grande derrota estratégica à Alemanha nazista com a contraofensiva de Moscou; em 18 meses, o Exército Vermelho estava dizimando grupos inteiros do exército alemão. O segredo estava em combinar a doutrina militar revolucionária com uma mobilização social sem precedentes. As operações em profundidade, teoria da batalha profunda, previam o rompimento das linhas inimigas em múltiplos pontos, e depois exploravam as reservas para aniquilar frentes inteiras. Quando a crise surgiu, 1.523 fábricas foram carregadas em 1,5 milhão de vagões de trem e evacuadas além dos Urais em cinco meses sob bombardeio da Luftwaffe.55 Dezessete milhões de cidadãos soviéticos foram evacuados junto com as fábricas onde trabalhavam.56 A Fábrica Kirov foi evacuada de Leningrado para Chelyabinsk, onde 5.800 máquinas foram instaladas e se tornaram operacionais em menos de três semanas (em galpões sem telhado, com trabalhadores vivendo em tendas a -40°C).57

A produção de tanques soviéticos praticamente quadruplicou em um ano, subindo de 6.590, em 1941, para 24.719, em 1942, mesmo apesar das perdas catastróficas.58 Ao todo, os soviéticos produziram mais de 100 mil tanques e canhões de autopropulsão, contra 43 mil da Alemanha (1941-1945).59 O T-34 foi tão devastador às forças da Wehrmacht que engenheiros alemães tentaram desesperadamente copiá-lo, mas falharam. Até a RAND Corporation admitiu que era o “epítome do design criativo”.60

Stalin criou o Comitê de Defesa do Estado (GKO) em 30 de junho de 1941, que coordenou essa evacuação sem precedentes. Os trabalhadores labutaram dia e noite e construíram novas fábricas ao redor do equipamento à medida que os trens chegavam. Em março de 1942, essas fábricas evacuadas estavam produzindo em níveis pré-guerra. Os alemães haviam capturado áreas contendo 40% da população, 60% da produção de carvão, aço e alumínio, mas a produção militar soviética superou a produção alemã até 1942.61 Apenas uma sociedade socialista poderia alcançar esse milagre de realocação sob invasão.

Isso foi superioridade científica.

Stalingrado demonstrou uma estratégia de batalha superior à excelência tática alemã. O General Georgy Zhukov deixou os alemães utilizarem suas melhores unidades no combate urbano, onde a superioridade de tanques não significava nada. Cada edifício se tornou uma fortaleza; cada sala se tornou um campo de batalha. Enquanto as forças alemãs se esgotavam na cidade, as reservas soviéticas se concentravam nos flancos. A Operação Urano, em 1942, atingiu com precisão matemática, visando os exércitos romenos que a Alemanha havia posicionado em seus flancos – forças aliadas mais fracas segurando posições críticas. Múltiplos ataques simultâneos destruíram esses exércitos romenos e cercaram todo o Sexto Exército.

Ao final da guerra, as ofensivas soviéticas rotineiramente destruíam grupos inteiros do exército alemão em frentes de milhares de quilômetros. O mesmo exército que colapsou em 1941 estava, em 1944, conduzindo operações de complexidade e em uma escala que nenhum exército capitalista poderia igualar.

Isso não foi apenas heroísmo, mas a fusão da ciência marxista com a criatividade das massas. Enquanto os exércitos capitalistas preservaram forças profissionais, o sistema soviético mobilizou todos. Em 1942, as mulheres no Exército Vermelho somavam 800 mil. Em 1945, havia 246 mil mulheres na linha de frente – atiradoras, pilotas, equipes de tanques e não apenas enfermeiras.62 A guerra de resistência encurralou 500 mil soldados alemães com forças organizadas localmente; aproximadamente 205.600 membros da resistência estavam organizados atrás das linhas alemãs em 1º de julho de 1944.63 Apesar de perder a maior parte de sua base industrial anterior à guerra, a URSS superou a Alemanha em todas as categorias importantes, como as 112.100 aeronaves de combate contra 89.500 da Alemanha.64 Das cerca de 3 a 3,5 milhões de mortes militares da Alemanha, 2,6 a 3,1 milhões ocorreram na luta contra o Exército Vermelho; das suas 11,1 milhões de baixas totais, 9 milhões foram na Frente Oriental.65 De 1941 a 1942, a Alemanha teve que empregar entre 72% a 80% de toda a sua força militar ao longo dessa frente de 3 mil quilômetros – e lá as perdeu. Enquanto os imperialistas aliados enfrentaram 54 divisões alemãs no Dia D, o Exército Vermelho estava simultaneamente desmontando e destruindo 156,5 divisões no Leste.66

Enquanto isso, a inovação chinesa superou a superioridade japonesa em armamentos. O PCCh transformou a fraqueza da China em força. O Exército da Oitava Rota do PCCh e o Novo Quarto Exército imobilizou 60% das forças japonesas por meio da guerra de guerrilha. Sua “resistência abrangente” transformou cada agricultor em fornecedor, cada trabalhador em sabotador, cada estudante em organizador.

As forças convencionais do Guomindang (KMT) engajaram os 40% restantes, enfrentando desafios severos em batalhas convencionais, apesar de algumas vitórias defensivas notáveis.

Em Sobre a Guerra Prolongada (1938), Mao forneceu uma análise científica: o Japão era forte, mas pequeno, isolado e bárbaro; a China era fraca, mas vasta, progressista, com o tempo a seu favor. Mao previu três fases: defensiva estratégica, impasse estratégico e contraofensiva estratégica, exatamente como a guerra se desenrolou. A profecia se provou exata.

O campo de batalha da retaguarda se tornou a ferida aberta do Japão. As forças comunistas estabeleceram bases em todo o território ocupado, implementando reforma agrária para mobilizar camponeses e governança democrática para unir todas as classes patrióticas contra o invasor. Na fase de impasse, a guerra de guerrilha imobilizou 60% das tropas japonesas e 95% das forças fantoches. Guerra de túneis, guerra móvel e guerra de minas terrestres; cada tática explorou as vulnerabilidades japonesas. Os ocupantes controlavam as cidades e ferrovias; a resistência controlava todo o resto.

A Ofensiva dos Cem Regimentos de 1940 provou que as zonas ocupadas eram cemitérios, não colônias. Ataques coordenados no norte da China destruíram a infraestrutura japonesa e despedaçaram o mito da pacificação. Cada ferrovia explodida, cada comboio emboscado demonstrou uma verdade simples: armas superiores não significavam nada quando cada vila era hostil, cada camponês uma rede de inteligência, cada noite uma oportunidade de ataque. Os japoneses se viram afundando em um oceano de guerra popular.

Esta foi a aplicação científica da teoria revolucionária a condições concretas. A equação se provou exata: linha política correta mais mobilização em massa igual a milagres militares. A China provou que a superioridade técnica do imperialismo desmorona quando um povo inteiro se recusa a ser escravizado.

O contraste com a liderança militar capitalista também era marcante. Os comandantes estadunidenses e britânicos tinham todas as vantagens: forças maiores, linhas de suprimento ininterruptas, apoio aéreo esmagador. No entanto, eles se moviam com cautela, preservando suas forças em vez de eliminar o inimigo. A Operação Market Garden (1944) fracassou. A Batalha das Ardenas os pegou de surpresa. Foram necessários onze meses para avançar da Normandia a Berlim, uma distância que o Exército Vermelho cobriu em quatro meses enquanto lutava em batalhas mais desafiadoras.67

O “milagre da produção” dos EUA era na verdade ineficiência. A produtividade da manufatura caiu 1,4% por ano  durante a guerra. Contratos de custo garantiam lucro independentemente do desperdício; as corporações eram pagas por todos os custos mais o lucro. O veredicto do Comitê Truman sentenciava que “a guerra é desperdício – desperdício de mão de obra e material”,68 mas a fórmula era clara: lucro máximo, eficiência mínima e deixe que os outros sangrem.69

Os povos socialistas e colonizados representaram 73% de todas as mortes; os anglo-americanos apenas 1%.

Fontes: Elaboração do autor com base em Mukerjee (2010, p. 205, p. 246–247); Murayama (1995); Nie, Guo, Selden e Kleinman (2010, p. 5); Kohn e Harahan (1988, p. 88); Stone (1952, p. 312).

11. O laboratório anticomunista do fascismo: o ensaio doméstico para o genocídio global

Antes que o fascismo se voltasse para fora para conquistar nações, ele aperfeiçoou o assassinato em massa em seus países. De 1931 a 1945, regimes fascistas exterminaram sistematicamente de 216 mil a 286 mil comunistas e pessoas de esquerda na Alemanha, Espanha, Itália e Japão – não vítimas de guerra, mas genocídio político deliberado.70 Outros milhões enfrentaram prisão, tortura e exílio.

Esse foi o ensaio para o que viria a seguir, assistido com aprovação pelas metrópoles coloniais. Melhor comunistas mortos do que uma revolução vermelha. Enquanto o fascismo aperfeiçoava suas técnicas de assassinato em comunistas em seus países, as “democracias liberais” imperiais calculavam suas vantagens econômicas.

A Alemanha industrializou o assassinato político, e seus primeiros alvos foram os comunistas. Nas eleições de novembro de 1932, o Partido Comunista Alemão (KPD) era uma enorme força política que garantia quase 6 milhões de votos (16,9% do total).71 Todo esse mundo político foi alvo de aniquilação. Após o Incêndio do Reichstag, em fevereiro de 1933, o regime nazista lançou sua primeira onda de terror em massa. Dados conservadores indicam que pelo menos 100 mil opositores políticos foram presos apenas em 1933, com 600 deles morrendo sob custódia; estimativa da própria direção do KPD colocava esses números em 130 mil presos e 2.500 assassinados.72

Essas prisões iniciais preencheram os primeiros campos de concentração – como Oranienburg e o notório Dachau -, que se tornaram os laboratórios para o extermínio industrializado. A brutalidade caótica da SA logo deu lugar ao terror burocrático da SS (organizações paramilitares ligadas ao Partido Nazista). Até o final de 1933, pelo menos 27 mil pessoas foram detidas nos campos, a grande maioria delas prisioneiros políticos: 80% eram membros do Partido Comunista da Alemanha e 10% do Partido Social-Democrata da Alemanha.73 Lá, os métodos de desumanização foram refinados. Em 1937, o triângulo vermelho que marcava prisioneiros políticos era o precursor da classificação de todas as vítimas, e o sistema de tortura e trabalho forçado se tornou prática padrão. O ataque aos comunistas estabeleceu o modelo para o Holocausto; ao longo do regime nazista, aproximadamente 150 mil comunistas seriam aprisionados, e entre 20 mil e 30 mil seriam assassinados ou executados.74 A tortura e o assassinato de comunistas serviram como laboratório onde nazistas aperfeiçoaram técnicas que mais tarde foram usadas contra judeus, ciganos e eslavos.

A Espanha transformou a limpeza política em uma ciência. Franco assassinou de 150 mil a 200 mil civis atrás das linhas e executou 50 mil republicanos após março de 1939.75 A população carcerária atingiu 233 mil em 1941.

O massacre na cidade espanhola de Badajoz, em 1936, matou 4 mil pessoas de esquerda desarmadas.76 Os voluntários das Brigadas Internacionais enfrentaram uma taxa de mortalidade de 30% – os nacionalistas frequentemente executavam prisioneiros internacionais.77 Em 1940, Franco recusou os pedidos nazistas para repatriar republicanos espanhóis dos campos franceses, declarando-os apátridas e condenando mais de 10 mil a campos de concentração nazistas.

A Polícia Especial Superior do Japão prendeu 65 mil pessoas sob a Lei de Preservação da Paz.78 A tortura era uma política; a autópsia do escritor proletário Kobayashi Takiji, em 1933, revelou o uso de brutalidade sistemática.79 Entre 1942 e 1945, apenas um tribunal de Jinzhou, em Manchukuo, na China, condenou 1.700 à morte e 2.600 à prisão perpétua por “crimes de pensamento”.

A Itália já havia demonstrado o padrão antes de 1931: os squadristi realizaram 2.120 atos de violência antissocialista entre 1919 e 1922, incluindo 709 assassinatos, enquanto atacavam sistematicamente conselhos socialistas e organizações de trabalhadores em todo o Vale do Pó e em toda a Emilia-Romagna.80 Embora esses assassinatos anteriores a 1931 não estejam contabilizados nas cifras mencionadas, eles estabeleceram o modelo violento do fascismo. Em 1943, a OVRA, a polícia secreta de Mussolini, havia compilado arquivos de vigilância sobre 130 mil subversivos suspeitos.

Os líderes ocidentais não apenas sabiam, mas aplaudiam.81  Em 1937, Churchill fez a seguinte declaração: “Não vou fingir que, se tivesse que escolher entre o comunismo e o nazismo, escolheria o comunismo”. Para decifrar esse circunlóquio de Harrow (escola particular de classe alta), Churchill estava anunciando que preferia Hitler a Stalin, enquanto preservava a rota de escape linguística de nunca ter realmente dito isso.

Esse apoio se estendeu das elites políticas e da mídia ao capital industrial, com o empresário  americano Henry Ford fornecendo um modelo ideológico direto para o nazismo. Adolf Hitler chamou Ford de sua “inspiração” e mantinha um grande retrato dele em seu escritório em Munique. O livro antissemita de Ford, O judeu internacional: o principal problema do mundo (1920-1922), foi traduzido e “distribuído para milhões em toda a Alemanha”, promovendo a ficção central nazista de uma conspiração “judeu-bolchevique” para controlar o mundo. Hitler copiou trechos dele para seu livro Minha luta (1925), e altos funcionários alemães disseram que Ford forneceu parte do financiamento inicial do Partido Nazista. Em julho de 1938, Hitler concedeu a Ford a Grande Cruz da Águia Alemã, a mais alta condecoração que o Terceiro Reich poderia dar a um estrangeiro.82 Cada aperto de mão ocidental com o fascismo foi assinado com sangue de comunistas.

Essas técnicas retornariam mais tarde na Indonésia, no Chile, em El Salvador ou em qualquer lugar onde as pessoas escolhessem o socialismo em vez da subjugação.

12. A cruzada anticomunista: da agenda oculta à guerra aberta

Os bombardeios atômicos: o primeiro ato da Guerra Fria

Os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, tinham como alvo mais a União Soviética do que o Japão. O Japão já estava derrotado. O almirante William Leahy, oficial militar de mais alta patente dos EUA e chefe do Estado-Maior de Truman, escreveu em suas memórias de 1950: “O uso dessa arma bárbara em Hiroshima e Nagasaki não serviu como ajuda material em nossa guerra contra o Japão. Os japoneses já estavam derrotados e prontos para se render”. O general Dwight Eisenhower disse ao secretário da Guerra Stimson, em julho de 1945, que “o Japão já estava derrotado… lançar a bomba foi completamente desnecessário”.

O Relatório de Bombardeio Estratégico dos EUA de julho de 1946 concluiu que o Japão teria se rendido em novembro de 1945 “mesmo que as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo que a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo que nenhuma invasão tivesse sido planejada ou contemplada”. O historiador Gar Alperovitz documenta posição semelhante de outros cinco oficiais cinco estrelas dos EUA.83

No entanto, as bombas foram lançadas. O momento revela o cálculo. Na Conferência de Yalta (4 a 11 de fevereiro de 1945), a União Soviética se comprometeu a entrar na guerra contra o Japão três meses após a rendição da Alemanha, estabelecendo o prazo de 8 a 15 de agosto. Philip Morrison, físico do Projeto Manhattan, revelou em 1948 que “os cientistas responsáveis pela fabricação da bomba foram pressionados a cumprir um prazo ‘misterioso’, no qual ela deveria estar pronta em ‘uma data próxima a 10 de agosto’”. O teste Trinity foi bem-sucedido em 16 de julho de 1945, durante a Conferência de Potsdam. Truman emitiu a diretiva de bombardeio em 25 de julho, e a primeira bomba caiu sobre Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. A declaração de guerra da URSS se deu no dia 8 de agosto, com a invasão soviética da Manchúria na madrugada de 9 de agosto, enquanto a segunda bomba caía sobre Nagasaki nesse mesmo dia, horas após o início da ofensiva soviética.

O diário de Potsdam do presidente Truman revela seus cálculos. Em 17 de julho, após se encontrar com Stalin, ele escreveu que “ele [Stalin] entrará na guerra contra o Japão em 15 de agosto. […] Os japoneses [estarão acabados] quando isso acontecer”. Ele anotou questões controversas com os soviéticos e, em seguida, escreveu: “Tenho um trunfo na manga e outro à mostra”. Em 18 de julho havia escrito “Acredito que os japoneses vão desistir antes que a Rússia entre na guerra. Tenho certeza de que o farão quando Manhattan aparecer sobre sua terra natal”. O secretário de Estado dos EUA, James Byrnes, foi explícito. O diário de seu assessor Walter Brown registrou, em 24 de julho, que Byrnes esperava que “após [a] bomba atômica, o Japão se rendesse e a Rússia não se envolvesse tanto na destruição”. As anotações do diário do secretário da Guerra Stimson, de maio de 1945, descrevem a bomba como algo que dava a Washington “todas as cartas”, um “royal straight flush” nas negociações com Moscou e o “trunfo” na diplomacia dos EUA.84

A invasão soviética destruiu a última esperança estratégica do Japão. O bombardeio atômico de Hiroshima não desencadeou negociações imediatas de rendição. O Conselho Supremo de Guerra não convocou uma reunião de emergência em 7 ou 8 de agosto. A declaração de guerra soviética em 9 de agosto forçou o primeiro-ministro do Japão, Kantarõ Suzuki, a convocar a primeira reunião de emergência naquela mesma manhã para discutir a rendição. O decreto do imperador Hirohito, de 17 de agosto, citou a entrada soviética como “colocando em risco a própria fundação da existência do Império”, e não as bombas atômicas.

Patrick M. S. Blackett, físico britânico ganhador do Prêmio Nobel, forneceu a primeira análise sistemática em seu livro de 1949, Fear, War, and the Bomb: Military and Political Consequences of Atomic Energy (Medo, guerra e a bomba: consequências militares e políticas da energia atômica). Blackett argumentou que “o lançamento das bombas atômicas não foi tanto o último ato militar da Segunda Guerra Mundial, mas a primeira grande operação da guerra diplomática fria com a Rússia agora em andamento”.

O Japão já havia se oferecido para negociar os termos de paz com uma condição: a preservação do imperador. A invasão dos EUA ainda estava a meses de distância. A União Soviética se preparava para entrar na guerra em 8 de agosto. O objetivo dos EUA, explicou Blackett, era forçar a rendição japonesa antes que os soviéticos pudessem avançar para a Manchúria e garantir que o Japão se rendesse apenas aos EUA.85

Os Estados Unidos mataram entre 110 mil e 210 mil civis japoneses para demonstrar seu monopólio atômico e garantir a ocupação exclusiva do Japão pelos EUA, evitando a divisão entre quatro potências, como ocorrera na Alemanha. Esse foi o primeiro ato da Guerra Fria, não o último ato da Guerra Mundial Antifascista.

A guerra ininterrupta: de Tóquio a Seul

No momento em que o fascismo ruiu, a máscara caiu. O verdadeiro inimigo estratégico das potências atlânticas sempre foi o comunismo, não o fascismo. A Guerra Antifascista mal havia terminado antes que os assassinatos recomeçassem, agora direcionados diretamente a qualquer nação que escolhesse o desenvolvimento socialista.

A linha do tempo revela a verdade:

  • Agosto de 1945: o Japão se rende.
  • Setembro/Outubro de 1945: Ho Chi Minh declara a independência vietnamita; os britânicos libertam e rearmam tropas francesas em Saigon, e os EUA fornecem oito navios de transporte para levar tropas francesas na tentativa de reconquistar o Vietnã.86
  • 1946-1949: guerra civil grega – a Grã-Bretanha e depois os EUA esmagam os comunistas; 158 mil mortos.87
  • Abril de 1948: revolta de Jeju na Coreia do Sul – forças apoiadas pelos EUA massacram de 14 mil a 30 mil. 88
  • Outono de 1950: início da invasão em grande escala dos EUA na Coreia.

Cinco anos de “vitória sobre o fascismo” a uma guerra genocida contra o socialismo. Sem pausa. Sem paz. Os mesmos B-29 que bombardearam Tóquio estavam bombardeando a região Norte da Coreia na “Guerra de Libertação da Pátria”. Os assassinatos nunca pararam, apenas mudaram de alvo.

O Japão se rendeu em setembro de 1945. Em 1950 – apenas cinco anos depois – os EUA estavam incinerando a Coreia para evitar a reunificação sob liderança socialista. A guerra matou 4,5 milhões de coreanos, enquanto os EUA tiveram apenas 54.246 baixas. Isso exclui os 197.653 voluntários do povo chinês que sacrificaram suas vidas defendendo a Coreia do genocídio dos EUA.89

A Coreia do Norte resistiu ao choque genocida

Estimativas ocidentais mostram que entre 1,5 e 2,5 milhões de coreanos foram mortos na República Democrática Popular da Coreia (RPDC), algo em torno de  15,6% a 26% de sua população pré-guerra. Nenhum dado oficial da RPDC está disponível publicamente, impossibilitando fornecer a contabilidade da própria RPDC. Dado o histórico, é improvável que a RPDC seja o único caso em que as contagens ocidentais não subestimem as mortes.

Os EUA lançaram 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm em um país do tamanho do estado da Pensilvânia.90 O general dos EUA, Curtis LeMay, fez a seguinte declaração: “Queimamos todas as cidades da Coreia do Norte […] matamos – o que – 20% da população”.91

O general estadunidense MacArthur disse que “a guerra na Coreia já quase destruiu aquela nação de 20 milhões de pessoas. Nunca vi tamanha devastação. Acho que já vi mais sangue e desastre que qualquer outro homem vivo, mas fiquei com o estômago embrulhado da última vez que estive lá. Depois que olhei para aquela destruição e aquelas milhares de mulheres e crianças e tudo, eu vomitei”.92

Fontes: Shin (2001), Halliday & Cumings (1988); The Star-Ledger (1995); Vietnan Veterans of America (2025). Consulte o apêndice para obter a metodologia completa.

Os EUA obliteraram 18 das 22 principais cidades da RPDC. O estrago em cada cidade destruída variou de 65% a 100%, incluindo a destruição completa de Sinanju e 95% de Sariwon.93

Com napalm e tempestades de fogo, não há feridos: a carne queima, os pulmões se incendeiam e todos na área morrem. Os bombardeios convencionais causaram inúmeras outras vítimas, esmagadas sob os escombros, mutiladas por estilhaços, órfãs e famintas.

Nenhuma nação na história moderna sofreu tal destruição concentrada.

A China enviou centenas de milhares de voluntários para “a guerra de resistência à agressão dos EUA e ajuda à Coreia”. Entre as perdas estava Mao Anying, filho de Mao Zedong, morto em novembro de 1950.

O general Douglas MacArthur, o mesmo homem que havia abandonado as Filipinas em 1942, agora ordenou que a Força Aérea destruísse “todas as instalações, fábricas, cidades e vilarejos” ao Norte do paralelo 38. As táticas de extermínio racista usadas contra o Japão agora visavam qualquer nação que resistisse ao capitalismo.

Vietnã: o padrão continua

O Vietnã confirmou o padrão. À medida que a guerra colonial da França fracassou, os EUA assumiram o controle. De 1955 a 1975, o Vietnã perdeu pelo menos 3,1 milhões de pessoas (cifras retiradas de vários relatórios, incluindo os da República Socialista do Vietnã).

Isso não foi uma “discrepância”.

Foi apagamento.

Os bombardeios dos EUA representaram 7,66 milhões de toneladas lançadas sobre Vietnã, Laos e Camboja, 3,6 vezes a quantidade lançada em todas as frentes da Guerra Mundial Antifascista. As mortes no Laos e no Camboja não estão documentadas separadamente nas fontes disponíveis, mas inclusas na devastação regional.

Ao todo, 3,1 milhões de vietnamitas perderam suas vidas, ante os 58 mil soldados estadunidenses.

A proporção é de 53:1.

Por que os EUA lançaram mais bombas no Vietnã do que em todos os campos de batalha da Guerra Antifascista combinados? Porque o exemplo do Vietnã – resistência bem-sucedida de uma pequena nação contra os mais ricos do mundo – ameaçava inspirar outros.

Quando calculamos porcentagens populacionais, a palavra “genocídio” se torna inegável.

No caso da RPDC, lembre-se de que 26% da população morreu. Lembremos deste número quando falarem de “intervenção humanitária”.

O padrão em três guerras revela um extermínio sistemático. Quando 26% de uma população morre, chamamos de genocídio, a menos que os EUA sejam o génocidaire.

13. Fabricando memória

Hollywood transformou o Dia D no ponto de virada da Guerra Mundial Antifascista, apagando Moscou, Stalingrado e Kursk. Os livros didáticos estadunidenses retrataram a Lend-Lease como caridade em vez de apoio atrasado que chegou após as batalhas mais decisivas. A bomba atômica se tornou a vencedora da guerra, não os exércitos soviéticos avançando em direção ao Japão. Isso serviu como preparação, não apenas propaganda. Se os estadunidenses acreditavam ter salvado o mundo do fascismo, poderiam se mobilizar para “salvá-lo” do comunismo. As mesmas corporações que fizeram negócios com Hitler agora lucravam com a contenção do socialismo.

O aparelho ideológico: dinheiro e métodos

A cumplicidade acadêmica se estendeu por instituições e indivíduos específicos. A Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) injetou dezenas de milhões de dólares no Congresso para a Liberdade Cultural ao longo de 17 anos, travando o que chamaram de “batalha pela mente dos homens”.94 Irving Kristol editou Encounter, Sidney Hook participou de conferências em Berlim (ambos receberam financiamento da CIA por meio dessa rede).95 Hook promoveu a tese dos “gêmeos totalitários”, equiparando Stalin a Hitler. Arthur Schlesinger Jr., que participou dessas mesmas conferências, mais tarde escreveria The Vital Center [O centro vital] (1949), argumentando que o liberalismo dos EUA salvou a democracia, deixando de fora, no mínimo, 45 milhões de soviéticos e 35 milhões de chineses das vítimas totais. Thomas Braden, que dirigiu a Divisão de Organizações Internacionais da CIA, posteriormente confessou na Saturday Evening Post que estava “feliz que a CIA é “imoral”’, gabando-se ao comprar uma geração inteira de intelectuais.96

Aqueles que documentaram o sacrifício socialista enfrentaram destruição sistemática. Por exemplo, William Appleman Williams enfrentou repetidas negativas para assumir um cargo na universidade por documentar a expansão imperial dos EUA em The Tragedy of American Diplomacy [A tragédia da diplomacia americana] (1959), apesar de publicar em periódicos de prestígio. Uma pesquisa com 2.451 cientistas sociais realizada na primavera de 1955 revelou que agentes contataram 61% dos professores com o objetivo de intimidá-los.97

Paralelamente a essa supressão ideológica, o imenso poder financeiro do Pentágono criou uma dependência estrutural que fomentou uma nova cultura acadêmica à serviço do Estado de segurança nacional. Ao longo da década de 1950, o Departamento de Defesa (DOD, na sigla em inglês) foi responsável pela vasta maioria de todos os gastos federais em pesquisa, atingindo um pico de 83,8% do orçamento total. Esse capital não foi apenas concedido; foi direcionado. A mobilização da Guerra da Coreia dobrou o financiamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para 1,3 bilhão de dólares, estabelecendo laboratórios militares geridos por universidades como o Laboratório Lincoln, do MIT, e o Laboratório de Eletrônica Aplicada de Stanford. Em 1960, esses contratos militares representavam 40% de todo o orçamento operacional da Universidade de Stanford, institucionalizando uma dependência permanente nas ciências físicas.98 A influência do financiamento do DOD se estendeu além das ciências. A “liberdade” acadêmica significava as prioridades do Pentágono, a arquitetura da captura intelectual. A mensagem era clara: escreva sobre o heroísmo estadunidense ou perca sua carreira.

Harvard exige duas línguas europeias para doutorados em história europeia. Para a história chinesa, quatro anos de chinês moderno, dois anos de chinês literário e três anos de japonês. A exigência do japonês não era neutra; estudantes de pós-graduação dos EUA em estudos chineses eram rotineiramente enviados a Quioto para formação, obrigados a abordar a história chinesa por meio de arcabouços acadêmicos japoneses. Para documentar o sofrimento da China, os acadêmicos ocidentais primeiro tinham que dominar a língua de seu invasor.

Mesmo acadêmicos que superam essas barreiras sistematicamente produzem estimativas subestimadas. Rana Mitter – a principal especialista em China de Oxford com pleno acesso linguístico – estima apenas de 15 a 20 milhões de mortes chinesas durante a Segunda Guerra Mundial.99 A documentação do governo chinês registra 24,05 milhões de mortes entre 1931 e 1945, com total de 35 milhões de vítimas, incluindo mortos e feridos.100 O padrão revela um apagamento além da linguagem: escolhas metodológicas, seleção de fontes e o que conta como evidência confiável.

A Enciclopédia Britânica – por mais de dois séculos, o padrão ouro da produção de conhecimento anglo-americana – revela a historiografia imperial por meio do que conta e do que deixa de contar. Sua tabela de vítimas da Segunda Guerra Mundial lista 1,31 milhão de mortes de militares chineses, mas não traz o registro de mortos civis ou o total de mortos, apenas espaços em branco.101 Em contraste, registra 5,675 milhões de mortes de civis poloneses e 5,8 milhões de mortes no total. A Iugoslávia aparece com 1,2 milhões de mortes de civis e 1,505 milhão no total de mortos. Até a Alemanha derrotada tem registros mais elaborados: 780 mil mortes de civis e 4,2 milhões de mortos no total. A China,  a nação que lutou por mais tempo (1931-1945), recebe lacunas em um cenário em que há mais de 24 milhões de mortes de civis.

E ainda conta com uma nota de rodapé sarcástica da Enciclopédia Britânica: “Os números da China compreendem as vítimas das forças nacionalistas chinesas durante 1937-1945, conforme relatado em 1946, e não incluem números de exércitos locais e comunistas. Estimativas de 2,2 milhões de militares mortos e 22 milhões de mortes civis aparecem em algumas compilações, mas são de precisão duvidosa”. A lacuna representa não um erro de contagem, mas décadas de apagamento coordenado.

A ficção da apaziguamento: como a conivência se tornou confusão

A historiografia ocidental transformou a conivência calculada de Neville Chamberlain com Hitler em uma história de “apaziguamento” ingênuo – esforços bem-intencionados, mas equivocados, para evitar a guerra. Essa ficção tem um propósito: se Chamberlain simplesmente julgou mal as intenções de Hitler, a estratégia britânica parece um fracasso honroso, em vez de uma conspiração anticomunista. Os registros documentais destroem esse mito.

Dois dias antes de se encontrar com Hitler, Chamberlain escreveu ao rei George VI declarando seu objetivo: um “entendimento anglo-alemão” entre os dois países como “os dois pilares da paz europeia e fortalezas contra o comunismo”, reconhecendo que Hitler estava determinado a “avançar mais para o leste”.102 Ao longo de três reuniões em setembro de 1938, essa estratégia foi formalizada. Em Godesberg, nos dias 22 e 23 de setembro, Hitler tornou o acordo explícito. Conforme registrado pelo tradutor oficial alemão Dr. Paul Schmidt, Hitler disse a Chamberlain: “não impediremos que você busque seus interesses não europeus e você pode, sem prejuízo, nos dar carta branca no continente europeu, na Europa Central e no Sudeste europeu”.103

Chamberlain não protestou. A reunião terminou, observou Schmidt, “em um tom completamente amigável”. O embaixador britânico na Alemanha escreveu mais tarde: “O mundo também não teria deixado de aclamar Hitler como um grande alemão se ele soubesse quando e onde parar: mesmo, por exemplo, após Munique e os decretos de Nuremberg para os judeus”.104

Como observou o editor da Monthly Review, John Bellamy Foster, o governo de Chamberlain procurou “não tanto ‘apaziguar’ a Alemanha nazista, mas sim conspirar com ela, na esperança de que a Alemanha voltasse suas armas para o leste, em direção à URSS”.105 A transformação da conspiração documentada no “mito do apaziguamento” representa outro apagamento deliberado – desta vez, não do sacrifício socialista, mas da cumplicidade ocidental em permitir a expansão do fascismo para o leste.

A frente cultural: propaganda como história

A colaboração do Pentágono com Hollywood – documentada em mais de 2.500 produções – garante que as pessoas nos EUA aprendam história por meio de filmes, como O resgate do soldado Ryan (1998), em vez de fazê-lo por meio de estudos acadêmicos.106 Enquanto filmes soviéticos, como Vá e Veja (1985), foram efetivamente restritos a no máximo 100 salas de cinema, filmes aprovados pelo Pentágono chegam a milhares delas.107 Cada filme soviético suprimido significava que milhões nunca souberam que o Exército Vermelho destruiu dez soldados da Wehrmacht para cada um que os Aliados Ocidentais enfrentaram. Círculo de fogo (2001), que retratou soldados soviéticos compartilhando rifles – pura ficção, segundo historiadores russos -, alcançou mais espectadores do que todos os filmes de guerra soviéticos combinados.108 O Pentágono não precisa proibir a verdade quando pode afogá-la em mentiras bem financiadas.

A mesma metodologia de apagamento opera em todas as vítimas socialistas. Enquanto o Vietnã documenta 3,1 milhões de mortes de 1955 a 1975, historiadores ocidentais reconhecem 2 milhões. Guenter Lewy reduziu em 30% o número de mortos do exército estadunidense, ao mesmo tempo que rejeitou os números do governo vietnamita, considerados “politicamente inflacionados”. Os executores são quem registram seus próprios crimes.

História em pedra: pasteurizando o fascismo

A cruzada anticomunista exigiu mais do que apagar vitórias socialistas; demandou pasteurizar o fascismo. Quase 1.500 monumentos homenageando colaboradores nazistas estão atualmente espalhados por 25 países. Na Alemanha e na Áustria, há mais de 110. Nos EUA – o suposto vencedor – há 36.109

Primeiro, seus crimes foram perdoados. Depois, foram colocados em pedestais.

14. A fórmula da impunidade: capital, ciência e a Guerra Fria

O capital estadunidense e a máquina de guerra nazista

A escala da colaboração corporativa dos EUA com a Alemanha nazista exige uma análise mais detalhada. Em 1941, 250 corporações estadunidenses haviam investido capital diretamente na infraestrutura industrial da máquina de guerra nazista.

O envolvimento de Henry Ford foi além do apoio ideológico. Com a aprovação dos executivos da sede da Ford em Dearborn, cidade estadunidense, a subsidiária francesa da empresa produziu caminhões para o exército alemão mesmo após Pearl Harbor, levando a uma investigação criminal nos EUA sob a Lei de Comércio com o Inimigo, suprimida após a morte de Edsel Ford em 1943.

Após a guerra, a responsabilidade foi deixada de lado enquanto a Ford recontratou seu gerente alemão da era nazista como consultor em 1950, acusado de usar trabalhadores escravizados do campo de Buchenwald, na Alemanha.

A colaboração da IBM foi gerida pessoalmente por seu presidente, Thomas J. Watson, que viajou para a Alemanha várias vezes e aceitou uma medalha especial de Adolf Hitler em 1937. Watson supervisionou a personalização da tecnologia da IBM especificamente para os requisitos nazistas, estabelecendo uma subsidiária alemã, Dehomag, para atender às necessidades do Reich, enquanto mantinha controle direto. As máquinas de cartões perfurados Hollerith, da IBM – precursor do computador — automatizaram o próprio Holocausto. A tecnologia permitiu que os nazistas identificassem eficientemente judeus por meio de dados censitários, gerenciassem a logística dos transportes de trem para os campos de extermínio e rastreassem os prisioneiros dentro dos próprios campos. Técnicos da IBM prestavam serviços nas máquinas no local; quase todos os campos, incluindo Auschwitz, tinham um Departamento da Hollerith. Os números de cinco dígitos tatuados nos braços dos internos correspondiam diretamente ao sistema de cartões perfurados da IBM usado para gerenciá-los. Watson só devolveu sua medalha nazista em 1940 sob pressão pública, mas as máquinas da IBM continuaram funcionando nos campos até a libertação.

A International Telephone & Telegraph (ITT), sob a presidência de Sosthenes Behn – um dos primeiros executivos dos EUA a se encontrar com Hitler em 3 de agosto de 1933 – firmou acordos de cartel com a empresa alemã Siemens & Halske e, até 1943, detinha uma participação de 29% no fabricante de aeronaves Focke-Wulf – cujos aviões mataram aviadores e soldados aliados. Um relatório do governo dos EUA de 1942 observou a “habilidade incomum de Behn em se dar bem com governos fascistas e particularmente com a Alemanha nazista”. Após a guerra, o governo dos EUA compensou a ITT com 27 milhões de dólares pelos danos causados por bombardeios aliados em suas fábricas alemãs – pagando empresas dos EUA por instalações que haviam produzido armas para matar soldados estadunidenses.110

A Opel, subsidiária da General Motors, tornou-se a principal fabricante de caminhões da Wehrmacht. A fábrica da Opel em Rüsselsheim produziu o caminhão Opel Blitz, o principal veículo de transporte usado pela Wehrmacht em suas invasões da Polônia, França e União Soviética. Apenas a fábrica de Brandenburg produziu 130 mil caminhões Blitz até 1944. O CEO da GM para operações no exterior, James D. Mooney, recebeu a Grande Cruz da Águia Alemã de Hitler, em 1938. Durante a guerra, as fábricas da GM usaram trabalho forçado e escravo fornecido pelo Reich. A manipulação financeira foi sofisticada: incapaz de repatriar lucros após 1941, a GM declarou a Opel “abandonada” e reivindicou uma dedução fiscal de 22,7 milhões de dólares sob uma legislação especial que Roosevelt assinou em outubro de 1942 – mesmo enquanto a Opel continuava produzindo para a Wehrmacht. Após a guerra, a GM recuperou o controle de suas valiosas instalações alemãs e retomou as operações. A empresa lucrou com a colaboração pré-guerra (1933-1941), benefícios fiscais durante a guerra e recuperação pós-guerra de ativos industriais.

A supressão dessa história constitui outra forma perniciosa de apagamento – desta vez em relação à integração sistêmica do capital dos EUA na máquina de guerra nazista. Nenhum executivo corporativo dos EUA enfrentou processo por operar fábricas em campos de concentração ou por automatizar o Holocausto. Em vez disso, receberam compensação por danos causados por bombardeios e deduções fiscais por suas “perdas”. Essa evidência refuta a alegação de que o presidente Franklin Roosevelt estava meramente limitado pela opinião pública; ela documenta uma política estatal que protegia esses poderosos interesses corporativos. A fórmula estava estabelecida: lucrar com a construção da capacidade de genocídio do fascismo e, em seguida, lucrar com a derrota do fascismo.

Recrutando o inimigo: industriais e cientistas nazistas

Enquanto os cientistas nazistas recebiam laboratórios estadunidenses, os industriais nazistas recebiam proteção dos EUA. Alfred Krupp – cujos trabalhadores escravizados construíram o arsenal da Wehrmacht – foi libertado em 1951, tendo sua fortuna restaurada por decreto dos EUA.111 A dinastia Quandt, enriquecida pelo trabalho forçado em campos de concentração, tornou-se bilionária com a BMW.112 Hermann Josef Abs, o banqueiro de Hitler que financiou Auschwitz, tornou-se conselheiro do chanceler da Alemanha Ocidental, Konrad Adenauer.113 Ferdinand Porsche, que usou escravizados de Buchenwald para construir os destróieres de tanques Ferdinand (mais tarde Elefant), viu o império de sua família florescer sob a ocupação dos EUA.114

A Operação Paperclip (1945-1959) trouxe mais de 1.500 criminosos de guerra nazistas para os EUA, incluindo membros da SS que usaram trabalho escravo e realizaram experimentos com humanos.115 Eles receberam laboratórios enquanto estudiosos que documentavam o sacrifício soviético eram colocados na lista proibida.

Nenhum industrial nazista – nem qualquer um de seus colaboradores corporativos dos EUA – foi julgado em Nuremberg por operar fábricas em campos de concentração.

Crimes de guerra japoneses: a arquitetura da impunidade imposta pelos EUA

Os criminosos de guerra do Japão receberam proteção muito maior. Enquanto os Aliados processaram 199 grandes criminosos de guerra alemães (24 em Nuremberg e 177 em julgamentos subsequentes), apenas 25 criminosos de guerra japoneses foram processados em Tóquio. A disparidade revela um planejamento deliberado que os padrões de acusação expõem.

Durante o julgamento de 5.700 japoneses por crimes de guerra em tribunais aliados, o oficial estadunidense Saltzman os encerrou em 1949, declarando que “não haveria mais julgamentos”. Embora 920 tenham sido executados, essa foi uma justiça estrangeira imposta pelas nações vítimas.116 A Alemanha foi forçada a investigar 90 mil indivíduos e estabeleceu tribunais domésticos, processando dezenas de milhares.117 O Japão não investigou nada domesticamente, nem realizou processo algum internamente. A ocupação estadunidense preservou a burocracia de criminosos de guerra do Japão, que obviamente não processaram a si mesmos.

A imunidade organizacional concedida ao Japão superou até mesmo essa proteção individual. Em Nuremberg, os Aliados declararam quatro organizações como criminosas: SS, Gestapo, SD e o corpo dirigente do Partido Nazista. Apenas a filiação tornou-se motivo para acusação. Para o Japão, os Aliados não declararam nenhuma organização criminosa. Nem mesmo a Kempeitai, a polícia militar que torturou prisioneiros de guerra; tampouco a Polícia Especial Superior, que prendeu 65 mil pessoas por crimes políticos; ou mesmo a Unidade 731, cujos 3.607 membros realizaram experimentos com humanos. Essa imunidade organizacional por atacado garantiu que crimes sistemáticos nunca pudessem ser processados.

A arquitetura do Julgamento de Tóquio neutralizou crimes contra a humanidade como uma categoria distinta. Ao contrário das diferença claras de Nuremberg, as 5.700 acusações japonesas de “Classe B e Classe C” foram fundidas em uma única categoria, sem acusações ou vereditos separados da Classe C, apagando crimes contra a humanidade como uma acusação independente e evitando precedentes aplicáveis ao domínio colonial ocidental.

A disparidade financeira completou a hierarquia racial: enquanto a Alemanha pagou 86,8 bilhões em reparações do Holocausto até 2018, com compensação direta às vítimas, o Japão pagou 2,6 bilhões por meio de acordos entre Estados com renúncias obrigatórias, bloqueando a compensação individual. As chamadas “mulheres de conforto” (ianfu) – 200 mil a 400 mil escravizadas – não viram nenhuma responsabilização judicial dos culpados. Os prisioneiros de guerra chineses sofreram 99,9% de mortalidade, enquanto os prisioneiros de guerra ocidentais enfrentaram 27% de mortalidade sob os mesmos algozes. A arquitetura legal não apenas refletia a hierarquia racial; ela a codificava.

De criminosos de guerra à elite governante do Japão

A Unidade 731 exemplificou tanto as profundezas dos crimes de guerra japoneses quanto a total cumplicidade dos EUA. Os 3.607 membros da unidade chamavam os prisioneiros de maruta (troncos) enquanto conduziam experimentos que desafiavam a compreensão humana.118 Eles realizaram vivissecção sem anestesia, infectavam prisioneiros com peste e cólera, congelavam membros para estudar o resfriamento até que soassem como tábuas quando golpeados, submetiam prisioneiros a câmaras de pressão até que seus olhos saltassem para fora, usavam-nos como alvos vivos para bombas de germes e lança-chamas, e abriam mulheres grávidas para observar a infecção fetal. Os prisioneiros tinham uma expectativa de vida máxima de um mês; os técnicos os alimentavam com bolinhos contaminados com tifoide, injetavam veneno de cobra e ácido prússico, substituíam seu sangue por sangue de cavalo e então documentavam cuidadosamente suas mortes antes de queimar os corpos em crematórios abastecidos por petróleo.

Em 6 de maio de 1947, MacArthur enviou uma mensagem de rádio a Washington: O comandante japonês Shiro Ishii  forneceria a “história completa” se recebesse “imunidade documental”. O Comitê Coordenador do Estado-Guerra-Marinha considerou esses dados “a única fonte conhecida” de resultados de experimentos com humanos – pesquisa que os EUA não puderam reproduzir por ser  “escrupulosa”. Fort Detrick pagou de 150 mil a 200 mil ienes pelos dados – o que o General Charles Willoughby chamou de “uma ninharia” – e coletou 8 mil lâminas patológicas de mais de 200 casos humanos. Fort Detrick incorporou esses dados sanguíneos em seu programa de armas biológicas.

O cálculo racial era explícito. Os EUA executaram dois médicos japoneses em Yokohama por vivissecção de pilotos estadunidenses – eles nem eram da Unidade 731. No entanto, todos os 3.607 membros da Unidade 731 que mataram 3 mil pessoas em experimentos e 200 mil com armas biológicas – a maioria chineses — ganharam imunidade.119 Vidas americanas equivalia a processo. Vidas asiáticas, imunidade e remuneração.

Quando os soviéticos processaram doze membros capturados da Unidade 731 em Khabarovsk, em 1949 – expondo os experimentos humanos em prisioneiros chineses, coreanos e soviéticos em depoimentos juramentados – os governos ocidentais, incluindo os EUA, refutaram o julgamento considerando-o propaganda soviética.

As trajetórias de carreira dos funcionários da Unidade 731 demonstram como a imunidade se transformou em progresso. O comandante Shiro Ishii tornou-se consultor médico do Exército dos EUA. Seus adjuntos fundaram a Green Cross Pharmaceuticals. Yoshimura Hisato, que conduziu experimentos de congelamento, tornou-se Presidente da Universidade Municipal de Medicina de Quioto e recebeu a Ordem do Sol Nascente do Imperador Hirohito. Esses homens formaram a geração seguinte de médicos japoneses. O Julgamento dos Médicos de Nuremberg executou 7 dos 23 profissionais nazistas por experimentos idênticos. Os experimentadores japoneses tornaram-se educadores médicos.

A transformação de criminosos de guerra em liderança política seguiu o mesmo padrão. Nobusuke Kishi administrou trabalho forçado no norte da China que resultou em quatro milhões de escravizados e uma taxa de 40% de mortalidade. Na Mina de Carvão de Fushun, 25 mil dos 40 mil trabalhadores eram substituídos anualmente após trabalharem até a morte. MacArthur o libertou da Prisão de Sugamo em 24 de dezembro de 1948 – um dia após a execução do Primeiro Ministro Hideki Tojo. A mensagem que se passava era de que alguns criminosos de guerra são enforcados enquanto outros governam. A CIA orquestrou a ascensão de Kishi: em 1957, ele se tornou primeiro-ministro, tendo aprovado o Tratado de Segurança EUA-Japão. De criminoso de guerra a primeiro-ministro em nove anos. Seu neto, Shinzo Abe, ocupou o cargo de primeiro-ministro por mais de 3.188 dias, o maior mandato do Japão.120

A arquitetura financeira da impunidade provou ser igualmente sistemática. Yoshio Kodama pilhou 175 milhões de dólares por meio do tráfico de ópio, considerado pela CIA “um mentiroso profissional, gangster, charlatão e ladrão descarado”, mas o manteve na folha de pagamento. Sua riqueza roubada financiou o Partido Liberal Democrático. Ryoichi Sasakawa, “o fascista mais rico do mundo”, transformou o saque da guerra no monopólio de jogos do Japão, financiando causas globais de direita por meio de sua Fundação Nippon.

As corporações zaibatsu (Mitsubishi, Mitsui, Nissan, Sumitomo) exploraram 40 mil prisioneiros chineses e centenas de milhares de coreanos. Seus executivos morreram como bilionários honrados. Matsutaro Shoriki, um criminoso de guerra Classe A, fundou a Nippon Television enquanto moldava a memória pública por gerações.

Impondo a negação histórica

A arquitetura da impunidade exigia mais do que proteger criminosos de guerra; exigia impor a negação histórica. O Japão nunca emitiu um pedido de desculpas completo às vítimas asiáticas. A China, com 24 milhões de mortos, não recebeu pedido de desculpas formal e incondicional. A Indonésia perdeu 3,4 milhões de cidadãos, a Birmânia 345 mil, a Malásia 100 mil em Sook Ching (operações de expurgo) e as Filipinas 765 mil; todos sem reconhecimento direto.

A Declaração Murayama de 1995 foi meramente pessoal; a resolução de Dieta evitou admitir culpa.121 Os livros didáticos minimizam esses crimes. Os 40 mil membros do Nippon Kaigi trabalham sistematicamente para reverter “a visão da história do Tribunal de Tóquio”. Uma nação que consagra criminosos de guerra e censura suas vítimas não pode reivindicar arrependimento.

A imunidade de MacArthur para o imperador japonês Hirohito criou a base para toda a negação. O imperador que assumiu a responsabilidade de comando pela Unidade 731 teve imunidade garantida antes do início dos julgamentos. Isso criou um buraco negro legal: se o comandante supremo era imune, nenhuma organização poderia ser criminosa, nenhuma cadeia de comando poderia ser rastreada. Hirohito morreu em 1989, nunca questionado sobre os milhões de mortos sob seu comando.

O Santuário Yasukuni honra 1.066 criminosos de guerra, incluindo 14 Classe A. Sete primeiros-ministros frequentaram o local desde 1978 – Koizumi seis vezes. O Museu Yushukan exibe a locomotiva da Ferrovia Tailândia-Birmânia, celebrando a engenharia japonesa enquanto deixa no esquecimento os 90 mil trabalhadores asiáticos que morreram em sua construção. No Museu da Unidade 731 de Harbin, as vítimas preservam evidências que os agressores negam. A Alemanha criminaliza a negação do Holocausto; o establishment japonês suprime o reconhecimento dos crimes de guerra. Historiadores que documentam atrocidades enfrentam ameaças de morte. Memoriais das “mulheres de conforto” provocam protestos diplomáticos.

MacArthur arquitetou a impunidade como política, garantindo que os criminosos de guerra se tornassem a elite governante do Japão e escolhendo a estabilidade anticomunista em vez da justiça para milhões de asiáticos mortos.

Criminosos de guerra se tornaram ministros de Estado. Suas vítimas se tornaram espaços em branco nas enciclopédias.

15. O buraco da memória: admissão da guerra real

Em 29 de março de 2025, o Secretário de Defesa dos EUA, Hegseth, estava na ilha japonesa de Iwo Jima, celebrando o inimigo de ontem como o amigo de hoje. O Japão e os EUA lutaram como impérios rivais, não como oponentes ideológicos. Seu inimigo comum sempre foi o socialismo.

A revisão histórica acelera. Na Cúpula do G7 de 2023, em Hiroshima, o bombardeio atômico foi reinterpretado não mais como um assassinato em massa de civis pelos EUA, mas como um aviso sobre as ameaças nucleares da Rússia e da China. As vítimas das armas nucleares dos EUA se tornaram ferramentas de propaganda contra nações que nunca as usaram. Na ocasião, o primeiro-ministro do Japão esteve no local onde 140 mil morreram e apontou para Pequim e Moscou, não para Washington.

Cinco anos após Hiroshima, MacArthur estava rearmando o Japão. Dentro de seis anos, o Tratado de São Francisco – que encerrou oficialmente a Segunda Guerra Mundial entre o Japão e as Potências Aliadas em 1951 – excluiu a China e a União Soviética, as duas nações que realmente derrotaram o fascismo japonês. O atual Secretário de Defesa dos Estados Unidos do governo Trump, Peter Hegseth, anunciou recentemente o Japão como um quartel-general de combate contra a agressão comunista chinesa. Essa linha do tempo revela a verdade: um conflito temporário entre Estados imperialistas (1941-1945) e uma guerra permanente contra o socialismo que começou em 1917 e perdura por mais de um século.

A anulação histórica do Ocidente opera em múltiplos níveis. O primeiro é um silêncio quase total na esfera popular, no qual os dados fundamentais da guerra, como o fato da União Soviética ter destruído 80% da Wehrmacht e ter perdido 27 milhões de vidas, e a China ter imobilizado o exército japonês a um custo de 24 milhões de mortos, estão simplesmente ausentes.

Além desse silenciamento público, ocorre um apagamento acadêmico mais sutil. Mesmo quando um grande número de mortos – talvez 50 milhões – é tecnicamente reconhecido, frequentemente é enterrado em textos obscuros, supostamente neutros, e apresentado como dados desprovidos de autores, responsabilidade e do contexto de uma vitória socialista. Simultaneamente, a pesquisa mais abrangente das nações vítimas é ativamente minimizada por meio de uma demanda grotesca por contabilidade de cemitérios, permitindo que seus relatórios de vítimas sejam refutados como politicamente inflacionados, enquanto os criminosos controlam o registro histórico. É assim que os impérios mentem, ao fazerem os mortos desaparecerem duas vezes. Primeiro, eles os matam e os mutilam. Depois, negam terem algum dia existido. A diferença entre as admissões ocidentais e a realidade não é um erro, descuido ou diferença metodológica. É um ato deliberado, sistemático e contínuo de apagamento.

O cálculo completo, portanto, requer a restauração desse contexto perdido e do custo humano. O resultado é derivado da soma de dois grupos principais de vítimas silenciadas:

  1. O custo humano total da Guerra Antifascista Mundial, incluindo tanto os vitoriosos socialistas quanto as vítimas colonizadas, cujo sofrimento é ignorado:
    • União Soviética: entre 40 a 45 milhões de vítimas (mortos e feridos);
    • China: entre 35 a 50 milhões de vítimas (mortos e feridos);
    • Povos colonizados (Ásia e África): 11,2 milhões de mortos.
  2. As vítimas dos genocídios anticomunistas que se seguiram, cujos assassinatos são minimizados ou esquecidos:
    • coreanos mortos: 4,5 milhões;
    • pessoas mortas do sudeste asiático (Vietnã, Laos e Camboja): entre 3,1 a 5,1 milhões;
    • indonésios mortos (1965–1966): entre 1 e 2 milhões.

A soma desses números revela a verdadeira escala do que está escondido por trás dos dados neutralizados do Ocidente e do silenciamento público: um total de 90 a 115 milhões de seres humanos tornados invisíveis. Essa contagem conservadora não inclui nem mesmo as vítimas do terror dos regimes apoiados pelos EUA do Chile à Guatemala, nem mesmo os assassinatos durante seis séculos de barbárie imperial ininterrupta no continente africano. Cada vítima não contabilizada serve ao império. Todo genocídio minimizado protege os culpados.

16. A arquitetura da traição: do Cairo a São Francisco

As traições pós-guerra foram planejadas antes do fim da Guerra

A Declaração do Cairo (27 de novembro de 1943) prometeu que a Coreia se tornaria “livre e independente”. Roosevelt, Churchill e Chiang assinaram isso enquanto trabalhadores forçados coreanos morriam em minas japonesas.122 A Carta do Atlântico (1941) não garantiu “qualquer mudança territorial que não concorde com os desejos livremente expressos dos povos envolvidos”.123 No entanto, o Primeiro-Ministro Churchill esclareceu ao Parlamento menos de um mês depois que esse princípio se aplicava apenas a “Estados e nações da Europa agora sob o jugo nazista” e excluía explicitamente os súditos do Império Britânico.124 A Declaração de Potsdam (26 de julho de 1945) exigiu a desmilitarização completa do Japão e a restauração territorial da China. O conceito dos “Quatro Policiais” de Roosevelt previa que a ONU estivesse sob o controle de quatro grandes potências: EUA, Grã-Bretanha, URSS e China. Toda promessa seria sistematicamente quebrada.

A reviravolta começou imediatamente. Em agosto de 1945, Dean Rusk – um simples coronel – traçou a linha do paralelo 38 dividindo a Coreia em duas, a nação à qual havia prometido independência.125 Em 1950, os EUA estavam incinerando a Coreia que haviam prometido libertar. Quanto a integridade territorial da Carta do Atlântico? Os EUA acabariam estabelecendo 902 bases militares estrangeiras em 98 países e territórios.126

Após a Guerra Mundial Antifascista, os militares dos EUA ocuparam a província japonesa de Okinawa, o Reino Ryukyu que o Japão havia anexado à força em 1879. A Declaração de Potsdam limitou a soberania japonesa às suas ilhas principais e “tais ilhas menores como determinarmos”, mas não fez provisão para a autodeterminação do povo ryukyuana. Os EUA simplesmente substituíram o Japão como a potência ocupante, mantendo o controle até 1972, quando transferiram a autoridade administrativa de volta ao Japão – novamente sem consultar o povo de Okinawa. As bases dos EUA permanecem até os dias atuais e ocupam 18% da ilha, onde 70% de todas as forças dos EUA no Japão estão concentradas.127 Quanto a desmilitarização do Japão, MacArthur criou a Reserva Policial em 1950 (mais tarde conhecida como Forças de Autodefesa), apenas cinco anos após o bombardeio de Hiroshima.

A exclusão de São Francisco

O Tratado de São Francisco (8 de setembro de 1951) cristalizou a traição por meio de uma  exclusão calculada. Nem Pequim nem Taipei foram convidados, apesar de a China ter suportado entre 35 e 50 milhões de baixas derrotando o Japão. A URSS compareceu, mas se recusou a assinar.128 O delegado soviético Andrei Gromyko protestou que o tratado transformaria o Japão em “uma base militar estadunidense” enquanto excluía a China, “uma das principais vítimas”.129 Quando ele tentou garantir uma discussão, manobras parlamentares orquestradas pelos EUA o consideraram “fora do jogo”. A questão da participação da China foi simplesmente descartada. O Secretário de Estado dos EUA, John Foster Dulles, recebeu “louvores” de vinte delegações por orquestrar essa exclusão – o mesmo Dulles que mais tarde ameaçaria “retaliação maciça” e empurraria o mundo para a beira da nuclearização. Os EUA negociaram a paz com o Japão excluindo as duas nações que mais sacrificaram para derrotá-lo. Isso não foi um descuido; isso estabeleceu a arquitetura de segurança do Leste Asiático pós-guerra.

A Organização das Nações Unidas (ONU), projetada para segurança coletiva por meio da cooperação das grandes potências, foi imediatamente controlada. Os EUA exploraram a ausência soviética durante a votação do Conselho de Segurança sobre a Coreia e então criaram alternativas para contornar os vetos soviéticos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), criada em 1949, e outras estruturas paralelas operaram fora da autoridade da ONU. Ao chamar a Coreia de “ação policial”, os EUA estabeleceram uma série de precedentes para intervenções sem a aprovação do Conselho de Segurança. A mesma manipulação semântica é usada hoje na Síria, Líbia e Iêmen.

Três guerras. Um padrão.

A contabilidade final destrói a mitologia imperial: aqueles com riqueza esmagadora infligiram a máxima violência sobre aqueles que tinham menos, e ainda assim perderam. Forças socialistas com riqueza mínima mobilizaram a máxima humanidade, e venceram.

A “Nova Guerra Fria” dos dias de hoje contra a China e a Rússia (independentes, não socialistas) segue o mesmo roteiro. Os rostos mudam, o imperialismo permanece. Quando a mídia ocidental demoniza a China enquanto ignora as 800 milhões de pessoas que o país asiático  retirou da pobreza nas últimas décadas, quando retrata a Rússia como agressiva enquanto a Otan se expande até suas fronteiras, vemos a mesma maquinaria de propaganda que apagou a verdade sobre quem derrotou o fascismo.

17. Conclusão: a Guerra Mundial Antifascista dentro da luta de um século

Esta não foi uma guerra da humanidade do “bem contra o mal”, após a qual a paz prevaleceu. Ela envolveu um capítulo do ataque de um século do imperialismo ao socialismo que começou com a Revolução Russa de 1917 e continua até hoje.

A ficção liberal de três sistemas concorrentes – democracia, fascismo e comunismo – esconde a verdade: o fascismo é o capitalismo em crise, sem sua máscara. A verdadeira luta nunca foi entre três sistemas, mas entre dois: socialismo e capitalismo, com o fascismo como a resposta de emergência do capitalismo à ameaça revolucionária.

As metrópoles coloniais apoiaram a ascensão do fascismo – desde Churchill elogiando Mussolini até corporações dos EUA construindo a máquina de guerra de Hitler – porque o fascismo era a solução para derrotar qualquer emergência de socialismo nos elos mais fracos da cadeia imperialista e destruir a experiência soviética. Somente quando o fascismo ameaçou os interesses das potências imperialistas ocidentais é que elas se juntaram relutantemente às potências socialistas que esperavam ver destruídas.

Os números expõem a verdade com uma clareza brutal.

A União Soviética e a China – controlando menos de um sexto da produção econômica global – destruíram mais de 80% do poder militar fascista enquanto sofriam 59,8% de todas as mortes da Guerra Antifascista. Eles venceram a guerra. Roosevelt e Churchill se posicionaram para vencer a paz. Isso não foi uma coincidência, estratégia ou uma oportunidade inteligente. Isso foi uma traição planejada desde o início, executada com precisão, coberta com propaganda que continua até hoje, quando o Ocidente celebra o Dia D ao mesmo tempo que minimiza Moscou e Stalingrado; honra Churchill enquanto escondem seu genocídio em Bengala; clama vitória enquanto aqueles que realmente venceram jazem em milhões de tumbas não reconhecidas.

Mas esta guerra nunca terminou estrategicamente. Ela simplesmente mudou de forma. Em 1931, o Japão invadiu a China. Em 1941, a Alemanha invadiu a URSS. Em 1950, os EUA invadiram a Coreia. Em 1955, os EUA assumiram a guerra da França no Vietnã. Não houve pausa entre “derrotar o fascismo” e atacar o socialismo,  porque derrotar o socialismo sempre foi o objetivo decisivo.

A mesma aritmética de sacrifício continuou. A Coreia perdeu 4,5 milhões de pessoas, enquanto os EUA perderam 54.246. O Vietnã, segundo documentação própria, contabilizou 3,1 milhões de mortes, enquanto os EUA tiveram 58 mil baixas. A Indonésia sofreu 1 a 2 milhões de assassinatos em 1965-1966 por listas de morte fornecidas pelos governos da Austrália e dos EUA.130 Para a África, houve seis séculos de barbarismo imperial ininterrupto, começando com o comércio de escravos e o genocídio colonial. Este ano também marca os 70 anos da Conferência de Bandung, de 1955, quando 29 nações africanas e asiáticas declararam sua recusa em serem peões na Guerra Fria, ao passo que exigiam uma verdadeira independência tanto do domínio colonial quanto da dominação neocolonial emergente.

Hoje, o genocídio anticomunista e colonial se estendeu das montanhas da Coreia e das ilhas da Indonésia até as minas do Congo, aos campos de cobre do Chile e a Gaza; o alvo nunca muda. Cada nação paga em sangue pelo crime de buscar uma verdadeira independência. As armas melhoram; o genocídio permanece constante. Qualquer nação que tente um desenvolvimento verdadeiramente independente enfrenta a escolha: submeter-se ao capital ou enfrentar o ataque imperialista.

À medida que o bloco militar liderado pelos EUA representa mais de 75% do total de gastos militares do mundo, enquanto a Otan se expande apesar das promessas, e as sanções estrangulam qualquer nação que afirme soberania – de Cuba ao Sahel -, o imperialismo promove a mesma guerra por outros meios.131 A “ordem internacional baseada em regras” significa a mesma coisa que a “missão civilizadora”: submeter-se ou ser destruído.

Quando os líderes ocidentais invocam a Guerra Mundial Antifascista para justificar a agressão, lembre-se de quem realmente lutou e morreu. Eles afirmam defender a democracia, mas se aliaram ao fascismo até serem forçados a lutar. Eles prometem proteger os direitos humanos enquanto deixam milhões arderem, preservando sua força.

Os povos soviético e chinês salvaram a humanidade não por meio da riqueza, mas pelo sacrifício; não com recursos superiores, mas por meio de uma estratégia superior; não pela preservação do capital, mas pela mobilização das massas.

Os povos e lideranças socialistas podem derrotar qualquer uma das faces do imperialismo, seja fascista ou a atual versão hiperimperialista, apesar de todas as desvantagens materiais. Aquela vitória exigiu genialidade, coragem e sacrifício inimaginável. Isso também provou algo que o imperialismo não pode aceitar: pessoas comuns, organizadas e lideradas com brilhantismo, podem derrotar qualquer império. Mao Zedong cristalizou essa verdade em Sobre a Guerra Prolongada (1938): “A fonte mais rica de poder para travar guerra reside nas massas do povo”. Não em porcentagens do PIB ou orçamentos militares, não na extração colonial ou capacidade industrial, mas nas massas mobilizadas que se recusam a se ajoelhar. A aritmética provou que ele estava certo: aqueles com 8% do PIB mundial derrotaram aqueles com cerca de 30%. A fórmula permanece inalterada: quando o povo está organizado, nenhum império pode resistir.

Vivemos em tempos de mudanças não vistos em cem anos. Faz um século desde que o primeiro Estado socialista estabeleceu o precedente de que um mundo além do capital era alcançável. Hoje, pela primeira vez desde 1900, os oito países imperialistas mais ricos caíram de 57,3% do PIB mundial para 29,9%. Seu estrangulamento econômico enfraquece à medida que o Sul Global se levanta. Nos inspiramos em todos os nossos mártires. Não permitiremos que seu sacrifício seja em vão. A história está do nosso lado.

É por isso que eles mentem sobre quem ganhou a guerra.

É por isso que devemos dizer a verdade.

Anexo: Dados, fontes e metodologia

Este anexo fornece uma visão geral abrangente das fontes de dados, cálculos e princípios metodológicos que sustentam este estudo. O objetivo é oferecer transparência e um recurso centralizado para leitores que buscam compreender as evidências fundamentais para os argumentos centrais do artigo. O anexo está dividido em três seções:

  1. Tabelas de dados e fontes dos números: as tabelas resumidas conforme aparecem no artigo.
  2. Observações metodológicas: explicações sobre como os dados foram calculados e interpretados, incluindo as principais tabelas de dados comparativos.
  3. Excertos das fontes de dados: as principais tabelas de dados reproduzidas diretamente de fontes primárias para total transparência.

Seção 1: Tabelas de dados e fontes dos números

Tabela 1

Capacidade econômica e população (1941)

País PIB (em bilhões de dólares internacionais em 1990) % do PIB mundial População (milhões) % da população mundial
Alemanha 412 8,7% 70,2 3,1%
Japão 196 4,1% 74,0 3,3%
Reino Unido 344 7,2% 48,2 2,1%
EUA 1.094 23,0% 133,9 5,9%
URSS 359 7,5% 195,4 8,6%
China 238 5,0% 521,5 23,1%
total mundial 4.759 100,0% 2.260,4 100,0%
Fontes: Dados populacionais extraídos principalmente de Maddison (2010); dados do PIB extraídos principalmente de Harrison (1998), p. 10, tabela 1.3; dados sobre a população da URSS, em 1941, extraídos de Statista (2025); estimativas do PIB da China e mundial são corroboradas pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Ver seção 2 para a metodologia completa.
Tabela 2

Tarde para o combate: porcentagem de soldados em relação à população total (1939-1945)

País 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945
EUA 0,3% 0,4% 1,2% 2,9% 6,6% 8,2% 8,1%
Reino Unido 1,0% 4,7% 7,0% 8,5% 9,8% 10,1% 10,3%
URSS 2,6% 3,6% 6,0% 6,4% 6,8% 6,9%
Alemanha 6,5% 8,3% 10,4% 11,9% 13,5% 13,5% 11,7%
Japão 2,2% 3,3% 3,8% 4,9% 7,0% 10,1%
Fontes: Dados sobre soldados extraídos de Harrison (1998, p. 14), tabela 1.5; dados populacionais extraídos de Maddison (2010) e Statista (2025). Consulte a Seção 2 para ver a metodologia completa.
Tabela 3

Cálculos ocidentais sobre o valor relativo de uma vida: distribuição do programa Lend-Lease (1941-1945)

País/grupo Auxílio do programa Lend-Lease (dólar) Mortes Auxílio por morte (dólar) Auxílio per capita (dólar) População em 1945
China 631.509.000 24.050.000 26 1,2 532.607.000
Índias Britânicas1 3.567.477.000 3.000.000 1.189 8,6 417.050.000
Estados de colonos brancos2 2.432.913.000 55.000 44.235 268,0 9.077.000
Reino Unido 23.335.549.000 432.000 54.017 474,5 49.182.000

Fontes: Números do auxílio do programa Lend-Lease extraídos do Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 14, tabela 2, e p. 42–43, tabela 25); dados populacionais extraídos de Maddison (2010); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados de mortalidade na Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Ver seção 2 para a metodologia completa.

  1. “Índias Britânicas” refere-se aqui à Índia e aos atuais Paquistão e Bangladesh. Os números do auxílio do programa Lend-Lease e população para a Índia Britânica e Ceilão (atual Sri Lanka) estão incluídos aqui.
  2. “Estados de colonos brancos” refere-se à Austrália e à Nova Zelândia.
Tabela 4

A economia do atraso: compromissos de gastos militares

País 1939 1940 1941 1942 1943 1944
EUA 1% 2% 11% 31% 42% 42%
Reino Unido 15% 44% 53% 52% 55% 53%
URSS 17% 28% 61% 61% 53%
Alemanha 23% 40% 52% 64% 70%
Japão 22% 22% 27% 33% 43% 76%
Fontes: Harrison (1998, p. 21, tabela 1.8). Ver seção 3 para uma transcrição literal da fonte de dados.
Tabela 5

Quem pagou o preço: ocorrência de mortes na Guerra Mundial Antifascista

Grupo Mortes % de mortes em relação ao total mundial Observação
URSS + China 51.050.000 59,8% Forças socialistas que salvaram a humanidade
Colônias (Ásia/África) 11.218.000 13,1% Vítimas do fascismo japonês e também da exploração dos aliados
Potências do Eixo 11.007.000 12,9% Agressores fascistas
Europa Oriental/Sul 9.514.000 11,1% Entre o fascismo e a libertação
Aliados imperialistas do Ocidente 1.595.700 1,9% França, Países Baixos, Bélgica (potências coloniais)
Anglo-América (EUA + Reino Unido) 847.000 1,0% EUA + Reino Unido que reivindicam a “vitória”
Total de mortes no mundo 85.335.700 100,0%
Fontes: Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, pp. 401–405); dados da Índia extraídos de Sen (1977, p. 36). Ver seção 2 para a metodologia completa.
Tabela 6

Distribuição global das mortes da Guerra Mundial Antifascista

País % do total de mortes % da população do país
URSS 31,6% 13,8%
China 28,2% 4,9%
Indochina francesa 1,8% 6,5%*
Filipinas 0,9% 4,7%
Índias holandesas 4,0% 4,7%
Reino Unido 0,5% 0,9%
EUA 0,5% 0,3%
Fontes: Dados de mortalidade na URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados de mortalidade na China extraídos de Bian (2012), pp. 401–405; população da Indochina Francesa extraída de Budge (2014) e dados de mortalidade extraídos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans (s.d.); outros dados populacionais extraídos de Maddison (2010). Ver seção 2 para a metodologia completa.
Tabela 7

A URSS e a China suportam o fardo da história

País Mortes (estimativas do Ocidente) País mortes registradas/calculadas País mortes registradas/calculadas
URSS 20–27 milhões 27 milhões 40–45 milhões
China 14–20 milhões 24,1 milhões 35–50 milhões
Fontes: Dados da URSS extraídos de Andreev et al. (1993); dados da China extraídos de Bian (2012, p. 401–405, p. 442). Ver seção 2 para a metodologia completa.
Tabela 8

Quando os assassinos confessam: admissão dos agressores

Guerra Agressor Posição Citação direta Mortes confirmadas
Guerra Mundial Antifascista (GMA) Winston Churchill Primeiro ministro britânico Os indianos “procriam como coelhos (…) os hindus eram uma raça imunda, protegida pela mera população da ruína que lhes era devida”. Ele desejava que o chefe do Comando de Bombardeiros Britânico pudesse: “enviar alguns de seus bombardeiros excedentes para destruí-los”. A falta de auxílio à fome em Bengala ocasionou a morte de 3 milhões de pessoas.
GMA Governo do Japão Declaração de Murayama (1995) “Causou enormes danos e sofrimento às pessoas de muitos países, particularmente às nações asiáticas”. 24 milhões de chineses mortos.
GMA Shirō Ishii Comandante da Unidade 731 Chamava os prisioneiros de “registros”; os EUA pagavam por seus dados. Mais de 12 mil mortes.
Coreia Curtis LeMay Comando Aéreo Estratégico “Matamos – o quê? – vinte por cento da população”. 1,9 milhão de mortes na Coreia do Norte.
Coreia Emmett O’Donnell Comando de Bombardeiros do Extremo Oriente “Está tudo destruído. Nada digno de nome permanece”. 85% da infraestrutura destruída.
Fontes: Elaboração do autor com base em Mukerjee (2010, p. 205, p. 246–247); Murayama (1995); Nie, Guo, Selden e Kleinman (2010, p. 5); Kohn e Harahan (1988, p. 88); Stone (1952, p. 312).
Tabela 9

Fascismo derrotado: Coreia e Vietnã escolhem a soberania e o socialismo, e enfrentam o genocídio

Mortes (admitidas pelo Ocidente) Mortes (estimativas dos países invadidos)
País Total de mortes % da população pré-Guerra Total de mortes % da população pré-Guerra
RPDC (Guerra da Coreia) 1,5-2,5 milhões 15,6%-26,0%
Vietnã (Guerra do Vietnã) 3,1-5,1 milhões 8,3%-13,7%
Fontes: Shin (2001), Halliday & Cumings (1988); The Star-Ledger (1995); Vietnan Veterans of America (2025). Ver Seção 2 para metodologia completa.

Seção 2: Observações metodológicas

Metodologia de dados sobre PIB e população

Todos os dados de PIB e população neste artigo seguem uma hierarquia de fontes sistemática para garantir consistência e maximizar a cobertura de dados.

Dados do PIB

Todos os valores do PIB são expressos em dólares internacionais Geary-Khamis, de 1990, para fins de comparabilidade entre países. Os dados primários do PIB são provenientes de Harrison (1998). Nos casos em que Harrison não fornece dados suficientes, estes são complementados por Maddison (2010). Fontes alternativas são utilizadas apenas quando ambas as fontes primárias não possuem os dados necessários.

O total do PIB mundial de 1941 é estimado utilizando a seguinte metodologia: partindo do total mundial de Maddison de 1940 (4.547 bilhões de dólares), calculamos a taxa de crescimento média ponderada (4,6%) para países com cobertura contínua de 1940-1941 (representando 73,7% do PIB mundial de 1940) e aplicamos essa taxa para derivar a estimativa global de 1941 com base nos dados do PIB mundial de 1940. Cálculo: 4.547 bilhões de dólares × 1,046 = 4.759 bilhões de dólares.132

Para a China, apenas o valor do PIB de 1938 está disponível; o seu PIB de 1941 e a sua cota do PIB mundial são estimativas.133

Dados populacionais

Os dados populacionais derivam principalmente do banco de dados de Maddison 2010, que fornece a cobertura mais abrangente para os países e períodos examinados. Embora Harrison (1998) tenha utilizado uma versão anterior do conjunto de dados de Maddison (agora indisponível), este artigo utiliza a revisão de 2010 para fins de consistência. Nos casos em que Maddison não apresenta os dados necessários, métodos alternativos de fontes ou interpolação são empregados. Especificamente, os dados populacionais da URSS para 1941 e 1946 são provenientes de Statista (2025), com valores para 1942-1945 derivados por interpolação linear. 134

Reconhecemos que a interpolação linear durante o período de guerra representa uma suposição simplificada que não captura as rupturas demográficas reais; esses números devem ser considerados apenas estimativas aproximadas.

Observação

Todos os valores interpolados ou derivados representam compromissos metodológicos necessários devido a lacunas no registro histórico. Quando os limites territoriais mudaram durante o período em estudo, usamos os limites definidos pela fonte primária para cada ano respectivo.

Observações sobre o cálculo de baixas na Guerra Mundial Antifascista

Este estudo documenta apenas mortes. O total de 85,3 milhões de mortes situa-se no limite superior das faixas ocidentais, principalmente devido à nossa aceitação de projetos de pesquisa nacionais abrangentes das nações que mais sofreram.

  • URSS: o número de 27 milhões de mortes soviéticas é de Andreev et al. (1993). 135
  • China (1931-1945): afirmamos que a Guerra do Vietnã do Norte começou com a invasão japonesa do nordeste da China em 1931. O total de 24,05 milhões de mortes chinesas é um número abrangente derivado de múltiplos componentes, baseado principalmente na pesquisa de Bian (2012). O cálculo é o seguinte:
    • Mortes diretas (1937-1945): cerca de 20,6 milhões
    • Mortes indiretas (1937-1945): cerca de 3 milhões (principalmente por fome e deslocamento induzidos pela guerra)
    • Mortes estimadas (1931-1937): cerca de 450 mil (uma estimativa fundamentada, visto que os números oficiais para este período não estão disponíveis, com base em inúmeros incidentes documentados durante a invasão e ocupação inicial do nordeste da China)
    • Total de mortes calculadas: cerca de 24,05 milhões136
  • Índia: O cálculo das mortes de indianas e indianos durante a Guerra Antifascista Mundial concentra-se em dois componentes principais: baixas militares (87 mil) e a Fome de Bengala de 1943 (3 milhões) (Sen, 1977). Embora essas mortes tenham totalizado 3,087 milhões, utilizamos o número consolidado de 3 milhões para análise.137 Esse arredondamento não afeta materialmente nenhum dos nossos cálculos – as mortes na Índia continuam representando 3,5% das mortes globais e a ajuda do programa Lend-Lease por morte permanece em 1.189 dólares. Usar o número arredondado de 3 milhões mantém a consistência com nossa abordagem metodológica conservadora, ao mesmo tempo em que reconhece que as mortes por fome, e não as baixas militares, constituem a esmagadora maioria das perdas indianas.

Números de mortos por colônias

País Grupo Mortes (pesquisa final) % de mortes em relação ao total mundial de mortos Ano do cálculo da população pré-guerra População pré-guerra % de em relação a população pré-guerra
Birmânia colônias-Ásia 270.000 0,3% 1939 16.368.000 1,6%
Índias Orientais Holandesas1 colônias-Ásia 3.400.000 4,0% 1939 72.903.000 4,7%
Etiópia colônias-África 100.000 0,1% 1934 12.000.000 0,8%
Indochina Francesa2 colônias-Ásia 1.500.000 1,8% 1939 23.000.000 6,5%
Guam colônias-Ásia
Índia (Índias britânicas) colônias-Ásia 3.000.000 3,5% 1939 381.400.000 0,8%
Coreia3 colônias-Ásia 483.000 0,6% 1936 21.374.000 2,3%
Malásia e Singapura colônias-Ásia 150.000 0,2% 1939 5.317.000 2,8%
Filipinas colônias-Ásia 765.000 0,9% 1939 16.275.000 4,7%
Ruanda-Urundi colônias-África 50.000 0,1% 1939 3.800.000 1,3%
Tailândia colônias-Ásia

Fontes: Dados populacionais extraídos de Maddison (2010), salvo indicação em contrário; totais de óbitos extraídos de pesquisas em nível nacional, citados em outra parte deste anexo. Ver Seção 2 para a metodologia completa.

  1. Número de mortos nas Índias Orientais Holandesas, segundo a Inglaterra (2024). 138
  2. População da Indochina Francesa, segundo Budge (2014) e dados sobre óbitos extraídos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans (s.d.). 139
  3. Maddison (2010) fornece dados populacionais apenas para a Coreia do Sul (1936): 15,139 milhões; para a Coreia como um todo, utilizamos a estimativa da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico: 21,374 milhões (1975), p. 13, tabela 2. 140

Observação: Excluindo a URSS e a China, todas as outras estimativas ficam abaixo do limite superior das estimativas ocidentais. Embora países africanos apareçam em várias tabelas ao longo deste anexo, o número total de mortos africanos usados em nossa análise é de 1,6 milhão (estimativa conservadora). Veja a seguir uma explicação detalhada.

Mortes africanas na Guerra Mundial Antifascista

A avaliação das baixas africanas durante a Guerra Mundial Antifascista apresenta desafios específicos devido à manutenção incompleta de registros coloniais e à marginalização histórica das perdas africanas. Esta seção estabelece um patamar conservador de 1,6 milhão de mortes, com uma variação razoável de 1,6 a 2 milhões ao contabilizar perdas não documentadas.

 

Documentação de fontes primárias

O memorando de 1945 do governo etíope às potências aliadas registrou 760.300 mortes durante a invasão e ocupação italiana (1935-1941), compreendendo:141

  • 275 mil mortes em campos de batalha
  • 300 mil mortes por fome induzida pela guerra e deslocamento forçado
  • 185.300 mortes por massacres, execuções, campos de concentração e guerra química

Esta documentação, presente em Del Boca (1969, p. 275), representa a contabilidade nacional mais rigorosa do cenário africano.

A Oxford Research Encyclopedia of African History fornece estimativas consolidadas para o restante do continente:142

  • 475 mil mortes de militares africanos (incluindo tropas coloniais em cenários europeus e asiáticos)
  • 500 mil mortes de civis por causas relacionadas à guerra (excluindo a Etiópia)

Esses números sintetizam estudos recentes sobre campanhas no Norte da África, deslocamentos de tropas coloniais e baixas civis.

Observações metodológicas

Em consonância com nossa definição da Guerra Mundial Antifascista (1931-1945), incluímos a Guerra entre e Itália e Etiópia, iniciada em 1935, como parte da resistência antifascista global. O patamar documentado de 1,74 milhão de mortes deriva de fontes primárias (governo etíope) e de sínteses acadêmicas revisadas por pares (760.300 etíopes + 975 mil outros habitantes do continente africano).

Os registros coloniais subestimaram sistematicamente as mortes africanas, particularmente a mortalidade por trabalho forçado, fome, assassinatos por represália e campanhas de terra arrasada. Com base em lacunas análogas na documentação no caso asiático, um fator de ajuste de 10 a 15% poderia explicar essas exclusões, resultando em um limite superior de 2 milhões de mortes.

Abordagem conservadora: 1,6 milhões

Adotamos deliberadamente o número mais conservador de 1,6 milhão de mortes africanas – o limite inferior absoluto – por vários motivos:

  1. Rigor documental: este número requer extrapolação mínima de fontes documentadas e leva em conta a potencial sobreposição entre categorias, tornando-o altamente defensável em termos de evidências.
  2. Subestimação estratégica: usar a menor estimativa defensável garante que nosso argumento mais amplo sobre a distribuição de sacrifícios não pode ser refutado como se estivesse inflacionado. Na verdade, subestimamos as perdas africanas.
  3. Contexto comparativo: mesmo com 1,6 milhão de mortes – nossa estimativa mais conservadora – as perdas africanas excederam as mortes militares combinadas dos Estados Unidos e do Reino Unido (847 mil no total), demonstrando a profunda disparidade entre quem pagou o preço e quem reivindicou a vitória.

Há uma grande possibilidade de o número real de mortos ser maior, provavelmente se aproximando de 2 milhões, considerando a subcontagem colonial sistemática. Entretanto, nosso conservadorismo metodológico fortalece nosso argumento central: mesmo usando estimativas mínimas, o apagamento do sacrifício de povos africanos das narrativas da Guerra Mundial Antifascista representa uma grave injustiça histórica.

Cálculo de baixas — Guerras do Vietnã e da Coreia

  • Coreia do Norte (1950-1953): 1,5–2,5 milhões de mortes. O limite superior deriva de Halliday e Cummings (1988): “Mais de 2 milhões de civis norte-coreanos morreram e cerca de 500 mil soldados norte-coreanos”.143 Isso está em acordo com a admissão do General da Força Aérea dos EUA, Curtis LeMay, de ter matado “vinte por cento da população”.
  • Coreia do Sul (1950-1953): 1,5 a 2 milhões de mortes. Shin (2001) observa: “a subnotificação de mortes de guerra e os sistemas inadequados de registro de óbitos após a guerra fazem com que esta estimativa represente menos da metade das perdas relatadas relacionadas à guerra, que provavelmente ficaram entre 1,5 e 2 milhões”.
  • Total da Península Coreana (1950-1953): 3 a 4,5 milhões de mortes, representando 10 a 15% da população pré-guerra.
  • Vietnã (1955-1975): os números atuais do governo vietnamita documentam 3,1 milhões de mortes, com alguns estudos demográficos anteriores chegando a 5,1 milhões.144

Observação: as mortes vietnamitas e estadunidenses foram calculadas como porcentagem de suas respectivas populações em 1965 (ponto médio do período de guerra de 1955-1975) para levar em conta as mudanças demográficas ao longo dos vinte anos de conflito. O uso de um único ano de referência fornece um patamar consistente para comparação, ao mesmo tempo que reconhece que as populações flutuaram ao longo da guerra.

Número comparativo de mortes: Coreia e Vietnã

Guerra País Mortes (alcance da pesquisa) % da população pré-guerra % do total de mortes na guerra
Coreia (1950-1953) Coreia (total) 3.000.000-4.500.000 10,1%-15,1% 92,3%-94,7%
China 197.653 0,04% 4,2%-6,1%
EUA* 54.246 0,04% 1,1%-1,7%
Vietnã (1955-1975) Vietnã 3.100.000-5.100.000 8,3%-13,7% 98,2%-98,9%
EUA 58.200 0,03% 1,1%-1,8%
Fontes: Shin (2001); Halliday and Cumings (1988); Li (2019); Highsmith (1998); The Star-Ledger (1995); Vietnam Veterans of America (2025).
* Mortes estadunidenses registradas no memorial dos veteranos da Guerra da Coreia em Washington DC.145

Cálculo do auxílio do Land-Lease

O Departamento de Estado (1945) relata que a ajuda total do programa Lend-Lease ao Império Britânico foi de 30,26921 bilhões de dólares (p. 14, tabela 2), mas não fornece detalhamentos para cada nação da Comunidade Britânica. Para estimar a distribuição da ajuda entre o Reino Unido, as Índias Britânicas, a Austrália e a Nova Zelândia, desenvolvemos a seguinte metodologia:

Passo 1: calcular as proporções de exportação usando a tabela 25 (p. 42–43)

Calculamos a destinação de cada parte no total das exportações de Lend-Lease do Império Britânico, que é de 17.954.911 dólares. Portanto, para o Reino Unido, a participação é: 13.842.043 ÷ 17.954.911 = 77,1%.

Passo 2: aplicar as proporções ao auxílio total

Em seguida, aplicamos essas porcentagens ao auxílio total do Império Britânico e arredondamos para milhares de dólares.146 Portanto, para o Reino Unido, a ajuda estimada é: 30.269.210.000 × 77,1% = 23.335.549.000 dólares.

Observação: Ceilão (Sri Lanka) está incluído com a Índia tanto na fonte de dados quanto em nossos cálculos, pois os dois países estavam administrativamente vinculados na contabilidade de Lend-Lease dos EUA.

Limitações metodológicas:

  • Este método pressupõe que a distribuição do auxílio correspondeu à distribuição das exportações, o que pode não refletir os padrões reais.
  • Parte do auxílio pode ter sido distribuído por canais não captados nos dados de exportação.
  • As transferências de equipamento militar podem ter seguido padrões de alocação diferentes dos suprimentos gerais.

Definição de Império Britânico

Este estudo emprega duas definições distintas de “Império Britânico” correspondentes ao seu uso histórico pelos respectivos governos:

Definição britânica (usada para dados sobre população)

Para os cálculos populacionais de 1941 na Tabela 1, utilizamos a definição oficial do governo britânico para o Império Britânico, que incluía:

  • Domínios: Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Terra Nova e Labrador (separada do Canadá até 1949)
  • Império indiano: Índia (incluindo as atuais Índia, Paquistão e Bangladesh), Birmânia e Ceilão
  • Império colonial: colônias, protetorados e territórios sob mandato na África, Ásia, Oriente Médio, Américas, Pacífico e Mediterrâneo

Esta definição abrangente inclui todos os territórios sob soberania ou proteção britânica, independentemente de seu grau de autogoverno.

Definição dos Estados Unidos (usada para o programa Lend-Lease)

Para os cálculos de distribuição de auxílio pelo programa Lend-Lease na Tabela 3, adotamos necessariamente a classificação administrativa do Departamento de Estado dos EUA de 1945. A definição dos EUA tratava o Império Britânico da seguinte forma:

Reino Unido Malásia britânica
Sudão Anglo-Egípcio Austrália
Gold Coast Nova Guiné
Nigéria Nova Zelândia
África Ocidental Britânica Territórios Britânicos no Pacífico Ocidental
África Oriental Britânica Terra Nova e Labrador
União da África do Sul Honduras
Rodésia do Sul Bermuda
Palestina e Transjordânia Bahamas
Índia e Ceilão Jamaica
Birmânia Trinidad e Tobago

Essa definição afetou a forma como a ajuda era alocada e relatada na documentação oficial dos EUA.

A distinção é crucial: enquanto a definição britânica era usada para compreender a população total do Império e seus recursos, a definição dos EUA determinava o fluxo real e a contabilização da ajuda em tempos de guerra. Nossos cálculos para a ajuda per capita e as avaliações por morte no Tabela 3 refletem essas categorias administrativas estadunidenses, não a autoconcepção imperial britânica.

Cálculo dos oito países imperialistas mais ricos (1900 e 2024)

A comparação que afirma que “os oito países imperialistas mais ricos caíram de 57,3% do PIB mundial para 29,9%” exigiu decisões metodológicas específicas, tanto para consistência histórica quanto para categorização política.

Cálculo de 2024

Os oito países imperialistas mais ricos são identificados pela classificação do PIB entre as nações classificadas como potências imperialistas. Os oito países são: EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha e Canadá. Observe que o PIB desse grupo e o total mundial estão em Paridade do Poder de Compra (PPC), com base nos Indicadores de Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial, atualizados pela última vez em julho de 2025.

Cálculo de 1900

As oito potências em 1900 – EUA, Reino Unido, Império Alemão, Império Francês, Império Russo, Áustria-Hungria, Itália e Japão – estavam todas envolvidas em expansão imperial ou administração colonial. Tendo Maddison (2010) como nossa fonte primária, confrontamos duas questões específicas:

  1. Áustria-Hungria: o banco de dados Maddison 2010 não fornece dados unificados para a Áustria-Hungria, visto que o império havia se dissolvido quando o banco de dados foi construído. Para reconstruir o peso econômico do Império de Habsburgo em 1900, somamos os valores do PIB para:
    • Áustria
    • Hungria
    • Tchecoslováquia (as terras tchecas eram parte da Áustria-Hungria em 1900)

Esse agregado fornece uma maior aproximação da produção econômica real do Império Austro-Húngaro.

  1. Polônia: Maddison (2010) fornece o PIB da Polônia para 1900, apesar de a Polônia não existir como um Estado independente (tendo sido dividida entre Rússia, Alemanha e Áustria-Hungria desde 1795). Para refletir com precisão a distribuição de 1900 entre as potências em divisão, alocamos o PIB relatado da Polônia da seguinte forma:
    • 60% para o Império Russo (refletindo o controle da Rússia sobre a Polônia do Congresso, a maior divisão)
    • 30% para o Império Alemão (refletindo o controle da Prússia sobre a Grande Polônia e a Pomerânia)
    • 10% para a Áustria-Hungria (refletindo o controle austríaco sobre a Galícia)

Essas porcentagens aproximam a distribuição territorial e populacional das partições polonesas.

Observação sobre a categorização política

A exclusão da Rússia da lista de 2024 e sua inclusão na lista de 1900 refletem circunstâncias históricas alteradas e nossa análise das estruturas de poder globais contemporâneas. Essa decisão metodológica garante consistência no acompanhamento do peso econômico das potências imperialistas ao longo do tempo.

O cálculo resultante mostra que essas oito potências imperialistas controlavam aproximadamente 57,3% do PIB mundial em 1900, em comparação com a participação de 29,9% dos oito países imperialistas mais ricos da atualidade em 2024.

Seção 3: Excertos literais da fontes de dados

Esta seção reproduz tabelas de dados importantes de fontes fundamentais, de modo a fornecer máxima transparência às alegações estatísticas feitas neste artigo.

Dados usados para criar a Figura 1. Capacidade econômica e população (1941)

Tabela 1.3

PIB das grandes potências em tempo de guerra (1939-1945) em dólares e preços internacionais de 1990 (bilhões)

Aliança/país 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945
Potências aliadas
EUA 800 869 943 1,094 1,235 1,399 1,499 1,474
Reino Unido 284 287 316 344 353 361 346 331
França 186 199 82 101
Itália 117 92
URSS 359 366 417 359 318 464 495 396
Total dos aliados 1.629 1.721 1.757 1.798 1.906 2.223 2.458 2.394
Potências do Eixo
Alemanha 351 384 387 412 417 426 437 310
França 82 130 116 110 93
Áustria 24 27 27 29 27 28 29 12
Itália 141 151 147 144 145 137
Japão 169 184 192 196 197 194 189 144
Total do eixo 686 747 835 911 903 895 748 466
Aliados/Eixo 2,4 2,3 2,1 2 2,1 2,5 3,3 5,1
URSS/Alemanha 1 1 1,1 0,9 0,8 1,1 1,1 1,3
Fonte: Harrison (1998, p. 10), tabela 1.3.

Dados usados para criar a Figura 2. Atrasados ​​para a luta: tropas como percentagem da população (1939-1945)

Tabela 1.5

Forças armadas das grandes potências (1939–1945) (milhares)

Aliança/país 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945
Potências aliadas
EUA 1.620 3.970 9.020 11.410 11.430
Reino Unido 480 2.273 3.383 4.091 4.761 4.967 5.090
França 5.000 7.000
URSS 5.000 7.100 11.340 11.858 12.225 12.100
Total dos aliados 5.480 14.273 12.103 19.401 25.639 28.602 28.620
Potências do Eixo
Alemanha 4.522 5.762 7.309 8.410 9.480 9.420 7.830
Itália 1.740 2.340 3.227 3.810 3.815
Japão 1.630 2.420 2.840 3.700 5.380 7.730
Total do eixo 6.262 9.732 12.956 15.060 16.995 14.800 15.560
Aliados/Eixo:
Frente do Oriente 1,1 1,1 1,5 1,4 1,9 2,3
Frente do Ocidente e Pacífico 1,2 0,8 0,9 1,1 1,9 1,9 1,6
Fonte: Harrison (1998, p. 14), tabela 1.5.
Tabela 3.11

População ativa dos Estados Unidos (milhares, média anual das séries mensais)

Total Por status de emprego Por gênero
    Funcionários civis Forças armadas Total da população ativa Total da população não ativa Homem Mulher
  1 2 3 4 5 6 7
Números, Milhares
1938 54.872 44.142 340 44.482 10.390
1939 55.588 45.738 370 46.108 9.480
1940 56.180 47.520 540 48.060 8.120 41.940 14.160
1941 57.630 50.350 1.620 51.970 5.660 43.070 14.650
1942 60.380 53.750 3.970 57.720 2.660 44.200 16.150
1943 64.560 54.470 9.020 63.490 1.070 45.950 18.830
1944 66.040 53.960 11.410 65.370 670 46.930 19.390
1945 65.290 52.820 11.430 64.250 1.040 46.910 19.304
1946 60.970 55.250 3.450 58.700 2.270 43.690 16.840
1947 61.758 57.812 1.590 59.402 2.356 44.258 16.683
Fontes do aumento de empregos ao longo dos anos 1940, milhares
1941 3.910 2.560 1.130 490
1942 9.660 5.460 2.260 1.960
1943 15.430 7.050 4.010 4.670
1944 17.310 7.450 4.990 5.230
1945 16.190 7.080 4.970 5.144
1946 10.640 5.850 1.750 2.680
1947 11.342 5.764 2.318 2.523
Fonte: Harrison (1998, p. 108), tabela 3.11.

População

País 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946
Alemanha 69.286 69.835 70.244 70.834 70.411 69.865 67.000
Reino Unido 47.991 48.226 48.216 48.400 48.789 49.016 49.182
EUA 131.539 132.637 133.922 135.386 137.272 138.937 140.474
URSS 192.379 195.970 195.400* 190.167 185.074 180.118 175.294 170.600*
China 516.046 518.770 521.508 524.261 527.028 529.810 532.607
Japão 72.364 72.967 74.005 75.029 76.005 77.178 76.224
Fontes: Maddison (2010); URSS 1941 e 1946 de Statista (2025); 1942–1945 são estimativas. Ver seção 2 para metodologia completa.

Dados usados para criar Gráfico 3. Cálculos ocidentais sobre o valor relativo de uma vida: distribuição Lend-Lease (1941-1945)

Tabela 2

Auxílio do programa Lend-Lease por país (mar. 1941- out. 1945)

País Valor ($)
Império britânico 30.269.210.000
URSS 10.801.131.000
França 1.406.600.000
China 631.509.000
Repúblicas americanas 421.467.000
Países Baixos 162.157.000
Grécia 75.416.000
Bélgica 52.443.000
Noruega 34.640.000
Turquia 28.063.000
Iugoslávia 25.885.000
Outros países 43.284.000
Ajuda não cobrada de governos estrangeiros 2.088.249.000
Total dos auxílios do Lend-Lease 46.040.054.000
Fonte: Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 14), tabela 2.
Tabela 25

Exportações do programa Lend-Lease (em milhares de dólares)

As exportações são classificadas pelo país para o qual as mercadorias são enviadas, não pelo país por conta do qual são enviadas. A maior parte dos suprimentos exportados para o Egito, por exemplo, destinava-se ao uso das tropas britânicas no Norte da África e no Oriente Médio e eram debitados na conta do Reino Unido.

País Jan–Jun 1945 Jul–Set 1945 Acumulado até out. 1945
Europa  
Reino Unido 1.507.140 339.077 13.842.043
URSS 1.392.427 314.936 9.477.866
França 117.598 109.190 243.900
Países Baixos 1.550 15.706 17.256
Bélgica e Luxemburgo 42.132 21.944 64.076
Islândia 1.087 82 6.840
Outros países 119.904 33.042 641.571
Total Europa 3.181.834 833.977 24.293.352
África e Oriente Médio  
Marrocos francês 13.274 7.178 106.843
Argélia 36.074 17.261 407.194
Tunísia 9.208 4.597 25.117
Líbia 250 22 1.315
Egito 113.685 20.828 2.014.806
Sudão Anglo-Egípcio 69 12 13.192
África Equatorial Francesa 681 108 6.203
África Ocidental francesa 8.296 2.530 35.066
Costa do Ouro 143 117 42.299
Nigéria 131 72 21.971
África Ocidental Britânica 350 71 20.071
Congo Belga 368 118 20.144
África Oriental Britânica 1.653 330 66.617
União da África do Sul 9.553 1.037 234.067
Rodésia do Sul 72 12 12.631
Outros lugares da África 1.660 229 10.252
Turquia 27 142 104.012
Síria 182 21 1.863
Iraque 2.164 832 161.477
Irã 3.144 2.361 64.839
Palestina e Transjordânia 680 702 16.172
Outros lugares do Oriente Médio 2.976 256 6.574
Total África e Oriente Médio 204.640 58.836 3.392.725
Extremo Oriente e Oceania  
China 32.129 15.827 223.904
Índia e Ceilão 369.438 102.351 2.116.135
Birmânia 451 3.878
Malásia britânica 8.790
Índias holandesas 23.550
Australia 189.272 72.515 1.226.216
Nova Guiné 192 49 13.826
Nova Zelândia 11.944 7.488 216.925
Oceania Britânica 299 114 1.953
Ilhas francesas no Pacífico 84 36 1.431
Total extremo oriente e Oceania 603.358 198.831 3.836.608
Américas do Norte, Central e Sul  
Canadá 44.243 10.278 628.013
Terra Nova e Labrador 112 57 2.197
México 2.644 355 18.832
Guatemala 2 1.089
El Salvador 1 851
Honduras 7 11 324
Nicarágua 31 628
Costa Rica 1 6 145
Bermuda 92 36 2.500
Bahamas 5.685 1.297 58.641
Cuba 605 138 3.777
Jamaica 123 75 6.969
Haiti 7 713
República Dominicana 123 1.140
Trinidad e Tobago 1.093 115 27.494
Curaçao 66 151 8.237
Índias Ocidentais Francesas 1.355 794 5.565
Colômbia 391 68 5.352
Venezuela 232 35 2.751
Suriname 70 5 3.131
Equador 181 21 4.868
Peru 1.832 186 14.184
Bolívia 2.201 44 4.436
Chile 1.678 325 20.988
Brasil 15.103 4.842 159.128
Paraguai 162 1.387
Uruguai 1.511 9 5.627
Outros países 391 143 3.688
Total Américas do Norte, Central e do Sul 79.941 18.992 992.655
Total, todos países 4.069.773 1.110.636 32.515.340
Fonte: Departamento de Estado dos EUA (1945, p. 42-43), tabela 25.

Dados usados para criar Gráfico 4. A economia do atraso: compromissos de gastos militares

Tabela 1.8

O fardo militar (1939-1944) (despesas militares, percentagem do rendimento nacional)

1939 1940 1941 1942 1943 1944
Em valores atuais            
Potências aliadas            
EUA 1 2 11 31 42 42
Reino Unido 15 44 53 52 55 53
URSS
Potências do Eixo
Alemanha 23 40 52 64 70
Itália 8 12 23 22 21
Japão 22 22 27 33 43 76
A preços constantes
Potências aliadas
EUA 1 2 11 32 43 45
Reino Unido
URSS 17 28 61 61 53
Potências do Eixo
Alemanha 23 40 52 63 70
Itália
Japão
Fonte: Harrison (1998, p. 21), tabela 1.8.

Números finais de mortes usados ​​pelo autor

País Grupo 1 Grupo 2 Pesquisa final de mortes % das mortes no mundo Ano da população pré-guerra População pré-guerra (Maddison)  % de mortes e a população  pré-guerra
Albânia Europa do Leste/Sul 30.000 0.0% 1938 1.040.000 2.9%
Austrália Aliados ocidentais imperialistas 42.000 0.0% 1939 6.971.000 0.6%
Áustria Aliados ocidentais imperialistas 384.700 0.5%
Bélgica Aliados ocidentais imperialistas 100.000 0.1% 1939 8.392.000 1.2%
Bulgária Europa do Leste/Sul 110.000 0.1% 1940 6.666.000 1.7%
Birmânia colônias Colônias-Ásia 270.000 0.3% 1939 16.368.000 1.6%
Canadá Aliados ocidentais imperialistas 47.000 0.1% 1939 11.570.000 0.4%
China URSS + China 24.050.000 28.2% 1930 489.000.000 4.9%
Checoslováquia Europa do Leste/Sul 278.000 0.3% 1937 14.429.000 1.9%
Índias Orientais Holandesas colônias colônias-Ásia 3.400.000 4.0% 1939 72.903.000 4.7%
Estônia Europa do Leste/Sul 81.000 0.1% 1939 1.134.000 7.1%
Etiópia colônias colônias-África 100.000 0.1% 1934 12.000.000 0.8%
Finlândia Aliados ocidentais imperialistas 97.000 0.1% 1938 3.656.000 2.7%
França Aliados ocidentais imperialistas 600.000 0.7% 1938 41.960.000 1.4%
Indochina Francesa colônias colônias-Ásia 1.500.000 1.8% 1939 23.000.000 6.5%
Alemanha Axis Axis 7.619.000 8.9% 1938 68.558.000 11.1%
Grécia Europa do Leste/Sul 807.000 0.9% 1939 7.156.000 11.3%
Hungria Europa do Leste/Sul 634.000 0.7% 1939 9.227.000 6.9%
Índia (Índias britânicas) colônias colônias-Ásia 3.000.000 3.5% 1939 381.400.000 0.8%
Itália Axis Axis 486.000 0.6% 1939 43.865.000 1.1%
Japão Axis Axis 2.902.000 3.4% 1936 70.171.000 4.1%
Coreia colônias colônias-Ásia 483.000 0.6% 1936 21.374.000 2.3%
Malásia e Singapore colônias colônias-Ásia 150.000 0.2% 1939 5.317.000 2.8%
Países Baixos Aliados ocidentais imperialistas 301.000 0.4% 1939 8.782.000 3.4%
Nova Zelândia Aliados ocidentais imperialistas 13.000 0.0% 1939 1.627.000 0.8%
Noruega Aliados ocidentais imperialistas 11.000 0.0% 1939 2.954.000 0.4%
Papua e Nova Guiné outros 20.000 0.0% 1939 1.292.000 1.5%
Filipinas colônias colônias-Ásia 765.000 0.9% 1939 16.275.000 4.7%
Polônia Europa do Leste/Sul 5.720.000 6.7% 1938 31.062.000 18.4%
Timor português outros 70.000 0.1% 1939 480.000 14.6%
Romênia Europa do Leste/Sul 833.000 1.0% 1939 15.751.000 5.3%
Ruanda-Urundi colônias colônias-África 50.000 0.1% 1939 3.800.000 1.3%
África do Sul outros 14.000 0.0% 1939 10.160.000 0.1%
URSS URSS + China 27.000.000 31.6% 1940 195.970.000 13.8%
United Kingdom Anglo América 432.000 0.5% 1938 47.494.000 0.9%
United States Anglo América 415.000 0.5% 1940 132.637.000 0.3%
Iugoslávia Europa do Leste/Sul 1.021.000 1.2% 1940 16.300.000 6.3%
Observação: Todos os valores citados com fontes específicas representam dados documentados dos materiais referenciados; todos os outros dados apresentados neste anexo são elaborações do autor com base em estimativas disponíveis e cálculos metodológicos descritos na Seção 2.

Guia de leitura para as notas organizadas em quatro níveis

Parte I: Como ler as notas organizadas em quatro níveis

NÍVEL 1: CONTEXTO
Enquadramento interpretativo em itálico explicando porque a evidência é relevante para o argumento mais amplo
Contexto para a afirmação X047
Os exércitos alemães capturaram territórios com 40% de população soviética e 60% de capacidade industrial. A reação: : realocar fábricas inteiras sob fogo inimigo.
NÍVEL 2: AFIRMAÇÃO VERIFICÁVEL
Fatos específicos que podem ser verificados de forma independente — sem interpretação
Afirmação verificável
Entre julho e dezembro de 1941, a União Soviética evacuou 1.523 empresas industriais completas para o leste em 1,5 milhão de vagões de trem.
NÍVEL 3: FONTES
Citações completas com número exato da página para verificação
Fontes:
David M. Glantz; Jonathan M. House, When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. University Press of Kansas, 2015, p. 71.
NÍVEL 4: NOTAS DE TRABALHO NÃO PUBLICADAS – Pesquisa de documentação, revisão de fontes conflitantes, verificação de discussões, e seleção racional que existe no banco de dados, mas não está publicada nas notas de fim.

A estrutura em quatro níveis de cada nota

Cada nota final contém vários níveis de informações, embora apenas três sejam visíveis para os leitores.

O que cada nível significa

  • Nível 1: Contexto – estrutura interpretativa que explica por que essa evidência é importante
  • Nível 2: Afirmação verificável – fatos específicos que podem ser verificados de forma independente
  • Nível 3: Fontes – onde verificar os fatos com os números exatos das páginas
  • Nível 4: Evidência – metodologia de pesquisa que existe no banco de dados, mas não está publicada

Observação sobre a numeração das afirmações: as afirmações estão numeradas como X001, N002 e assim por diante, mas a numeração não é sequencial (por exemplo: 1, 9, 47). Isso reflete uma abordagem de pesquisa iterativa com várias equipes, na qual algumas afirmações foram mescladas, movidas ou descartadas durante o processo de redação. As lacunas são normais.

Exemplo de nota:

Contexto da afirmação X047
Os exércitos alemães capturaram um território com 40% da população soviética e 60% da capacidade industrial. Reação: realocar fábricas inteiras sob fogo inimigo.

Afirmação verificável
Entre julho e dezembro de 1941, a União Soviética evacuou 1.523 empresas industriais completas para o leste em 1,5 milhão de vagões de trem.

Fontes:
David M. Glantz; Jonathan M. House, When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. University Press of Kansas, 2015, p. 71.

Seguindo a trilha dos dados – um exemplo simples

O texto principal afirma: Indochina Francesa sofreu 24,05 milhão de mortes

A nota traz: fontes básicas e contexto

O apêndice explica:

  • Como os 24,05 milhões foram calculados
  • Por que difere das estimativas ocidentais
  • Quais fontes foram usadas e por quê

A seção a seguir fornece o contexto metodológico para os leitores acadêmicos.

Parte II: Metodologia e princípios

Entendendo a metodologia de pesquisa

Este documento usa uma abordagem de historiografia forense, investigando lacunas e rasuras em registros históricos em vez de simplesmente aceitar narrativas estabelecidas. As notas finais refletem essa metodologia por meio de um sistema que separa a interpretação dos fatos e prioriza as evidências das nações que sofreram as perdas.

Principais inovações metodológicas

1. Investigando o apagamento, não apenas registrando eventos

A pesquisa identifica dois tipos de apagamento:

  • Mortes não contabilizadas: milhões de pessoas que não constam dos registros convencionais
  • Evidências ignoradas: fatos que existem em arquivos, mas que raramente aparecem nas histórias convencionais

2. Reenquadramento temporal

Ao iniciar a Guerra Mundial Antifascista em 1931 (invasão da China pelo Japão) e não em 1939, a metodologia revela oito anos de resistência apagados pela periodização ocidental.

3. Transparência por meio de níveis

Ao contrário das notas de rodapé tradicionais que misturam tudo, esse sistema de notas:

  • Separa o que é interpretação do que é fato
  • Metodologia de documentos (mesmo que não publicados)
  • Permite a verificação em vários níveis
  • Mostra quando as fontes entram em conflito e explica as escolhas

Perguntas de leitura crítica

Durante a leitura, considere:

  1. De quem são as vozes centralizadas? Observe quando a documentação das nações vítimas têm precedência sobre a de observadores externos.
  2. O que está sendo recuperado? Muitos dos fatos apresentados existiam em arquivos, mas foram omitidos das narrativas convencionais.
  3. Por que os números são diferentes? Quando você vê estimativas conflitantes, o apêndice explica qual foi escolhida e por quê.
  4. O que permanece desconhecido? A metodologia reconhece quando os registros foram destruídos (como na Birmânia) e as evidências não podem ser recuperadas.

Priorização de fontes e por que é importante

A hierarquia de fontes: uma abordagem holística

Esta pesquisa considerou sistematicamente várias fontes:

  1. Fontes primárias das nações vítimas: pesquisas do governo chinês, arquivos soviéticos, registros vietnamitas
  2. Bolsas de estudo de países afetados: historiadores com acesso a arquivos e idiomas locais
  3. Pesquisa internacionais: relatórios da ONU, tribunais de crimes de guerra
  4. Fontes ocidentais que citam evidências primárias: trabalhos acadêmicos que documentam adequadamente as fontes originais
  5. Fontes ocidentais para comparação: para estabelecer o que as narrativas hegemônicas afirmam

Por que essa priorização?

As nações vítimas tiveram melhor acesso direto às informações necessárias para documentar suas próprias perdas. O número de 24,05 milhões de mortes na China vem do historiador Bian Xiuyue, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, cujo livro de 2012 documenta aproximadamente 23,6 milhões de mortes de 1937 a 1945, além da estimativa do autor de 450 mil mortes de 1931 a 1937. Separadamente, a pesquisa de uma década do governo chinês documentou um total de 35 milhões de vítimas (incluindo mortos e feridos). Quando uma pesquisa abrangente sobre a nação-vítima mostra 24,05 milhões de mortes, enquanto as estimativas ocidentais mostram apenas de 14 a 20 milhões, a discrepância revela uma subestimação sistemática na historiografia convencional. A metodologia prioriza estudos rigorosos e pesquisas de países afetados em vez de estimativas externas.

Uso estratégico de admissões de autores de crimes

Quando os agressores admitem fatos prejudiciais, eles servem como linhas de base conservadoras. Por exemplo, quando os registros do British Colonial Office admitem uma taxa de mortalidade de 10% nas minas de estanho da Nigéria, a taxa real provavelmente é maior. Até mesmo as admissões mínimas revelam uma exploração severa.

Entendendo as estimativas conservadoras

Ao longo deste trabalho, a metodologia geralmente usa estimativas conservadoras da própria documentação das nações vítimas, embora a abordagem varie com base nas evidências disponíveis e nos desafios de atribuição. Isso significa que:

  • O custo humano real provavelmente foi maior do que o declarado.
  • Mesmo esses números mínimos revelam um apagamento sistemático.
  • Os números conservadores normalmente fortalecem os argumentos, mas o processo de seleção reflete as complexidades das evidências.
  • Quando existem intervalos, a metodologia varia de acordo com o caso: para a África, o uso de 1,6 milhão (de um intervalo de 1,6 a 2 milhões) reflete o desafio de determinar quais mortes são atribuídas principalmente à guerra em comparação com outras causas – uma questão que permanece pouco estudada, apesar da probabilidade quase igual de números mais altos; para a Indochina, o uso de 1,5 milhão reflete a subnotificação documentada; para as Filipinas, o uso de 765 mil (um ponto médio) equilibra as fontes que sugerem números ainda mais altos.

A inovação substantiva: conexão de evidências enterradas

Além das inovações metodológicas, esta pesquisa reúne evidências dispersas e minimizadas em um padrão coerente que revela as estratégias do Ocidente.

Cumplicidade corporativa

  • Thomas Watson, da IBM, fez amizade com FDR enquanto recebia as medalhas de Hitler e automatizava o Holocausto com sistemas de cartões perfurados.
  • A General Motors solicitou a redução de impostos para as fábricas de caminhões da Wehrmacht enquanto produzia veículos que invadiram a União Soviética.
  • Duzentas e cinquenta empresas estadunidenses operavam na Alemanha nazista até 1941.

Proteção de criminosos de guerra

  • Os memorandos secretos de Churchill ordenavam a proteção dos criminosos de guerra do mais alto escalão da Itália, inclusive Badoglio.
  • MacArthur libertou todos os 3.607 membros da Unidade 731 que torturaram prisioneiros até a morte, pagando-os por seus dados.
  • Nobusuke Kishi passou de criminoso de guerra a primeiro-ministro em nove anos com a orquestração da CIA.

Cálculos estratégicos

  • Os bombardeios atômicos visaram mais à influência soviética e chinesa do que ao Japão, que já estava derrotado.
  • A Segunda Frente foi sistematicamente atrasada em 730 dias enquanto a União Soviética sangrava.
  • O auxílio Lend-Lease revela um cálculo racial: os brancos receberam 442 dólares por pessoa; os não brancos receberam 4,40 dólares por pessoa – uma proporção de 101:1.

A aritmética da taxa de mortalidade

  • Forças socialistas: 59,8% de todas as mortes na Guerra Mundial Antifascista
  • Povos colonizados: 13,1% das mortes
  • Anglo-estadunidenses: 1% das mortes
  • Esse padrão continuou na Coreia (92% de mortes de coreanos/chineses) e no Vietnã (98% de mortes do sudeste asiático)

Esses fatos documentados, geralmente dispersos em arquivos especializados e minimizados nas histórias tradicionais, são reunidos aqui com citações completas. As notas finais não fornecem apenas fontes, elas revelam um padrão sistemático de cumplicidade que as narrativas convencionais tentam obscurecer.

Entendendo a estrutura do anexo

O apêndice oferece total transparência por meio de três seções:

Seção 1: Tabelas de dados e fontes dos números

Apresentação limpa dos dados conforme aparecem no texto principal, com atribuição da fonte.

Seção 2: Notas metodológicas

Explicações detalhadas sobre:

  • Como os cálculos foram realizados
  • Por que determinadas fontes foram escolhidas em detrimento de outras
  • Como as estimativas conflitantes foram resolvidas
  • Que suposições foram feitas e por quê
  • Princípios de estimativa conservadora

Seção 3: Excertos da fonte de dados

Tabelas originais reproduzidas exatamente como aparecem nas fontes primárias, permitindo que os leitores verifiquem todos os cálculos por conta própria.

Parte III: Infraestrutura de pesquisa e infraestrutura técnica: gerenciamento de citações com força industrial

Para pesquisadores interessados em replicar a metodologia ou compreender o escopo completo das descobertas.

Resumo

Esta seção documenta uma nova infraestrutura de pesquisa que combina o Zotero com software suplementar e práticas de desenvolvimento para gerenciar mais de 200 afirmações e mais de 400 citações em uma equipe de pesquisa distribuída globalmente. O sistema aplica a mesma separação de quatro níveis definida na Parte I (aqui apresentada a partir de uma perspectiva de fluxo de trabalho: interpretação, fatos, fontes, metodologia) e mantém trilhas de verificação completas.

Arquitetura do sistema

Componentes principais

  1. Zotero no nível dos dados
  • Itens de caso: armazenar afirmações com notas estruturadas de quatro níveis
  • Somente itens da seção de livros: cada citação requer números de página específicos
  • Itens do mapa: relatórios de pesquisa compartilhados e documentação de metodologia
  • Estrutura plana de repositório: numeração sequencial (80WAFW-001 a 80WAFW-999)
  1. Separação em quatro níveis
  • Nível 1: Contexto (interpretativo) → publicado
  • Nível 2: Afirmação verificável (factual) → publicada
  • Nível 3: Fontes (citações) → publicadas
  • Nível 4: Evidências (metodologia e verificação) → arquivadas
  1. Infraestrutura de verificação
  • Verificação inicial assistida por software (detecção de padrões em escala)
  • Revisão humana pareada obrigatória (captura vieses sistemáticos)
  • Rastreamento com código de cores (marcadores nas cores verde, laranja, amarelo e vermelho)
  • Exigência de consenso antes da aprovação
  • Trilha de auditoria completa no nível 3

Principais inovações técnicas

Arquitetura somente para seções de livros

Cada citação de livro é uma seção de livro completa com metadados completos. Benefícios:

  • Registros independentes (sem falhas de dependência)
  • O código do software de criação de bibliografia elimina automaticamente a duplicação
  • Caminhos de exportação/importação mais simples
  • Cada citação está vinculada a várias afirmações por meio do campo Extra

Modelos de notas estruturadas

Cada item do caso requer uma nota com uma estrutura exata:

  • ID da afirmação: X001
  • Nome da afirmação: [descritivo]
  • Contexto da afirmação: [Nível 1 — interpretativo]
  • Afirmação verificável: [Nível 2 — factual]
  • Fontes da afirmação: [Nível 3 — citações].
  • Evidência da afirmação: [Nível 4 — metodologia].
  • Nota de verificação: [documentação de revisão emparelhada]
  • Informações adicionais: [opcional]

Canalização de software

Infraestrutura de exportação

  • Zotero → CSV (v63 script): extrai a estrutura de quatro níveis e gera a formatação de notas no estilo Chicago
  • CSV → Word (VBA v64): manuseio de UTF-8, fallback DOCX, notas finais prontas para publicação

Estratégia de controle de versão

  • Máquina de backup dedicada com snapshots
  • Exportações de RDF em nível de coleção
  • Coleções de itens descartados (nunca excluir)
  • Rastreamento de metadados externos em planilhas, arquivos json e markdown.

Processo de revisão

  • Os sistemas assistidos por software permitem quatro rodadas de revisão de afirmações e citações para abordar os diversos fatos e interpretações conflitantes. Cada rodada incluiu uma extensa revisão pelos pesquisadores.

Requisitos de implementação

Grupo técnico

  • Zotero 6+ com Better BibTeX
  • js para scripts de exportação
  • Excel ou LibreOffice para manipulação de CSV
  • Word com suporte a VBA
  • Armazenamento em nuvem para repositório de PDF

Conclusão

Essa metodologia demonstra como a pesquisa histórica pode se beneficiar das práticas recomendadas de desenvolvimento de software e, ao mesmo tempo, manter o rigor acadêmico. A arquitetura de quatro níveis permite que as equipes desafiem as narrativas estabelecidas por meio de pesquisas sistemáticas, transparentes e reproduzíveis.

Principais conclusões para os pesquisadores:

  • A separação das preocupações (interpretação, fatos, fontes, metodologia) melhora a clareza
  • Os dados estruturados permitem a verificação em escala
  • Múltiplos estágios de revisão capturam vieses sistemáticos
  • A avaliação abrangente da fonte fortalece as afirmações
  • Trilhas de auditoria completas embasam descobertas controversas

O investimento em infraestrutura paga dividendos quando produzem pesquisas que desafiam a historiografia dominante.1

Notas

1 Contexto da afirmação X001
A periodização ocidental (1939–1945) apaga oito anos de resistência chinesa. O Japão invadiu o Nordeste da China em 1931, com a guerra em grande escala começando em 1937. A China lutou sozinha, exceto pela ajuda soviética, enquanto o Ocidente negociava com o Japão.
Afirmação verificável
A Guerra Mundial Antifascista começou em 18 de setembro de 1931 com a invasão do Nordeste da China pelo Japão, não em 1 de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha.
Fontes:
Overy, Richard. Blood and Ruins: The Great Imperial War, 1931–1945. London: Penguin, 2023.
2 Contexto da afirmação X003
Doze anos após a intervenção imperialista não ter conseguido estrangular o poder soviético, a URSS reconheceu que o cerco capitalista inevitavelmente tentaria outra guerra de aniquilação contra o socialismo.
Afirmação verificável
Stalin declarou em 4 de fevereiro de 1931: “Estamos cinquenta ou cem anos atrás dos países avançados. Devemos encurtar essa distância em dez anos. Ou fazemos isso, ou sucumbiremos”.
Fontes:
Stalin, J. V. “The Tasks of Business Executives”. In J. V. Stalin Collected Works, v. 13. Foreign Languages Publishing House, 1954.
3 Contexto da afirmação X009
Os EUA forneceram 90% da sucata de aço do Japão até 1940. O metal estadunidense se tornou caças, encouraçados e balas para matar chineses. O comércio continuou três anos após o início da invasão em grande escala.
Afirmação verificável
Os EUA forneceram 90% das importações de sucata de metal do Japão entre 1937 e 1940, milhões de toneladas se tornando armas usadas contra a China.
Fontes:
Feis, Herbert. The Road to Pearl Harbor: The Coming of the War Between the United States and Japan. Princeton University Press, 1950.
Cohen, Jerome B. Japan’s Economy War and Reconstruction. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1949.
Contexto da afirmação X223
Bancos ocidentais mantiveram suas operações no Japão por uma década inteira após a invasão da China em 1931. Apesar da agressão crescente do Japão – desde a ocupação da Manchúria (1931) até a guerra em grande escala contra a China (1937) – instituições como o Hongkong and Shanghai Banking Corporation continuaram operando filiais em Yokohama, Kobe e Nagasaki. Essas instituições financeiras ocidentais só cessaram operações em dezembro de 1941, quando as autoridades japonesas fecharam à força os escritórios de bancos britânicos, holandeses e estadunidenses após Pearl Harbor.
Afirmação verificável
Os principais bancos ocidentais operaram continuamente no Japão desde a invasão da China em 1931 até 1941 – uma década inteira mantendo operações financeiras durante a agressão militar japonesa contra a China.
Fontes:
Tschoegl, Adrian E. “Foreign Banks in Japan”. BOJ Monetary and Economic Studies 6, n. 1, 1988.
4 Contexto da afirmação X008
Os EUA forneceram 80% do petróleo do Japão até 1941 – combustível para aviões que bombardeavam cidades chinesas. Mesmo após o Massacre de Nanjing (300 mil mortos) e o bombardeio terrorista de Chongqing, as vendas de petróleo continuaram sem interrupções.
Afirmação verificável
Os EUA forneceram 80% das importações de petróleo do Japão entre 1937 e agosto de 1941, incluindo gasolina de aviação essencial para bombardear cidades chinesas.
Fontes:
Anderson, Irvine H. The Standard-Vacuum Oil Company and United States East Asian Policy, 1933–1941. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1975.
Qi, Shirong [齐世荣]. ‘绥靖政策研究 [Research on Appeasement Policy]’, in: 绥靖政策研究 [Research on Appeasement Policy]. Beijing Normal University Press [首都师范大学出版社], 1998.
5 Contexto da afirmação N025.
Em 1941, 250 corporações estadunidenses operavam na Alemanha nazista – após a Noite dos Cristais (1938) e após a Alemanha invadir a Polônia (1939). Eles sabiam sobre os campos de concentração e, mesmo assim, mantiveram as operações.
Afirmação verificável
Em 1941, 250 corporações estadunidenses mantiveram operações na Alemanha nazista, incluindo IBM (logística do Holocausto), GM (caminhões da Wehrmacht), Ford (veículos militares) e ITT (aviões Focke-Wulf).
Fontes:
Sampson, Anthony. The Sovereign State of ITT. Connecticut: Fawcett Publications, Inc., 1974.
Black, Edwin. IBM and the Holocaust: The Strategic Alliance Between Nazi Germany and America’s Most Powerful Corporation, Expanded edition. Washington, DC: Dialog Press, 2012.
Wallace, Max. The American Axis. New York: St. Martin’s, 2005.
“Business and industry the Nazi Germany”, in: Nicosia, Francis R. (ed.), Business and industry the Nazi Germany. New York: Berghahn Books, 2004.
6 Contexto da afirmação N020.
A subsidiária Dehomag da IBM era o único fornecedor de processamento de dados da Alemanha antes de 1933. Sob o Terceiro Reich, essa relação comercial tornou-se uma participação ativa no genocídio, com cada aspecto gerenciado detalhadamente da sede da IBM em Nova York.
Afirmação verificável
A IBM forneceu sistemas de cartões perfurados Hollerith projetados sob medida usados para identificar judeus por meio de dados censitários, organizar transportes de trem e gerenciar prisioneiros de campos de concentração.
Fontes:
Black, Edwin. IBM and the Holocaust: The Strategic Alliance Between Nazi Germany and America’s Most Powerful Corporation, Expanded edition. Washington, DC: Dialog Press, 2012.
7 Contexto da afirmação N022
A subsidiária Opel da GM era o maior fabricante de veículos da Alemanha nazista. O caminhão Opel Blitz era o principal meio de transporte da Wehrmacht. A GM coletou lucros através da Suíça enquanto soldados estadunidenses morriam lutando.
Afirmação verificável
A Opel da GM produziu o principal veículo de transporte da Wehrmacht, o caminhão Opel Blitz, fabricando 130 mil unidades enquanto utilizava trabalho forçado e escravo.
Fontes:
Bartels, Eckhart. Opel Military Vehicles, 1906–1956. Atglen: Schiffer Publishing, 1997.
Wallace, Max. The American Axis. New York: St. Martin’s, 2005.
8 Contexto da afirmação N023
Duas décadas antes do “isolacionismo” em relação a Hitler, os EUA enviaram pelo menos 11.500 soldados para a Rússia (1918-1920), lutando diretamente contra o Exército Vermelho com 424 mortes em combate, enquanto forneciam 50 milhões de dólares para os exércitos brancos.
Afirmação verificável
Os EUA enviaram 11.500 soldados para a Rússia (1918-1920): 4.500 para Arkhangelsk e 7 mil para Vladivostok. Mortes em combate: 424. Ajuda militar para os exércitos brancos: 50 milhões de dólares.
Fontes:
Foglesong, David S. America’s Secret War Against Bolshevism: US Intervention the Russian Civil War, 1917–1920. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1995.
9 Contexto da afirmação N024
No mesmo ano em que Hitler assumiu o poder (1933), Roosevelt elogiou Mussolini por restaurar a Itália. Política dos EUA: preferir regimes fascistas a potenciais movimentos socialistas. Isso precedeu a colaboração corporativa com os nazistas.
Afirmação verificável
Roosevelt afirmou em 1933: “Estou profundamente impressionado com o que [Mussolini] realizou e com seu evidente propósito honesto de restaurar a Itália”.
Fontes:
Schmitz, David F. Thank God They’re on Our Side: The United States and Right-Wing Dictatorships, 1921–1965. Chapel Hill, NC: University of North Carolina Press, 1999.
10 Contexto da afirmação X011
O eterno anticomunismo de Churchill definiu sua carreira. Em 1919, ele autorizou armas químicas contra o Exército Vermelho. Em 1945, ele planejou a Operação Impensável – usando forças da Wehrmacht contra a URSS. A aliança de guerra foi apenas tática.
Afirmação verificável
Churchill afirmou em 28 de junho de 1954: “Se eu tivesse sido devidamente apoiado em 1919, acho que poderíamos ter estrangulado o bolchevismo em seu berço, mas todos levantaram as mãos e disseram: “Que chocante!”’
Fontes:
Hillsdale College. “Bolshevism: “Foul Baboonery…Strangle at Birth””. The Churchill Project, 11 mar. 2016. https://winstonchurchill.hillsdale.edu/bolshevism/#_ftnref3.
Contexto da afirmação X131
Churchill autorizou dispositivos M contendo difenilamina clorarsina (gás DM) contra os bolcheviques em 1919; 50 mil foram enviados para Arkhangelsk. O mesmo homem que mais tarde condenou a barbárie nazista usou armas químicas primeiro.
Afirmação verificável
Como secretário da guerra, Churchill autorizou armas químicas contra os bolcheviques em 1919; os britânicos implantaram 50 mil dispositivos M contendo gás DM em Arkhangelsk.
Fontes:
National Churchill Museum. “Churchill’s 1919 War Office Memorandum”. America’s National Churchill Museum, 12 maio 1919. https://www.nationalchurchillmuseum.org/churchills-1919-war-office-memorandum.html.
11 Contexto da afirmação X132
Apenas oito dias após a morte de Hitler morto, Churchill planejou atacar a URSS com unidades da Wehrmacht – a Operação Impensável usaria soldados nazistas para lutar contra o aliado de ontem. O anticomunismo superou o antifascismo em uma semana.
Afirmação verificável
Em maio de 1945, Churchill ordenou o planejamento da Operação Impensável: um ataque surpresa às forças soviéticas usando tropas britânicas, estadunidenses e da Wehrmacht rearmadas programadas para 1 de julho de 1945.
Fontes:
The National Archives. “Operation Unthinkable”. Text. The National Archives, 2 maio 2020, https://www.nationalarchives.gov.uk/education/resources/cold-war-on-file/operation-unthinkable/.
12 Contexto da afirmação N009
A liderança de Churchill durante a guerra foi moldada por uma visão de mundo racista que retratava os indianos como biologicamente inferiores, influenciando diretamente sua recusa em fornecer ajuda durante a Fome de Bengala. Amery escreveu que não via muita diferença entre as ideias de Churchill e Hitler.
Afirmação verificável
Churchill disse a Amery: “Eu odeio os indianos. Eles são um povo bestial com uma religião bestial”, e culpou os indianos que “se reproduzem como coelhos” pela fome que matou 3 milhões.
Fontes:
Mukerjee, Madhusree. Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.
13 Contexto da afirmação X014
As ideias de Churchill sobre raça chocavam seu próprio gabinete. Em discussões sobre a Fome de Bengala – na qual 3 milhões morreram – seu secretário de Estado para a Índia comparou a visão de Churchill à de Hitler em seu diário particular.
Afirmação verificável
Após o ataque de Churchill à Índia, Leo Amery escreveu em seu diário: “Eu não pude deixar de dizer a ele que não via muita diferença entre sua visão e a de Hitler”.
Fontes:
Mukerjee, Madhusree Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.
14 Contexto da afirmação X016
Stalingrado (agosto de 1942–fevereiro de 1943) e Kursk (julho de 1943) quebraram permanentemente o poder ofensivo da Wehrmacht. O Dia D ocorreu em junho de 1944 – após a guerra já ter sido decidida. O Exército Vermelho engajou 165½ divisões em comparação com as 36 dos Aliados.
Afirmação verificável
A capacidade ofensiva da Wehrmacht foi destruída em Stalingrado (2 de fevereiro de 1943) e Kursk (23 de agosto de 1943). O Dia D (6 de junho de 1944) ocorreu 11 meses após essas derrotas decisivas.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
Contexto da afirmação X133
Foi prometido a Stalin uma Segunda Frente em 1942; ela foi entregue em junho de 1944 – com um atraso de 730 dias. Neste período vieram Stalingrado e Kursk: 20 milhões de baixas soviéticas. O Dia D veio depois que a Wehrmacht já estava quebrada. Traição calculada.
Afirmação verificável
Os Aliados Ocidentais prometeram uma Segunda Frente para 1942, cumprida no Dia D (6 de junho de 1944) – com 730 dias de atraso; os soviéticos enfrentaram 80% da Wehrmacht sozinhos durante este período.
Fontes:
Kolko, Gabriel. The Politics of War: The World and United States Foreign Policy, 1943–1945. New York: Pantheon Books, 1990.
Stalin, J. V. “Memorandum in Russian from Joseph Stalin about Opening a Second Front in Europe during World War II, with English Translation of Same”. 13 ago. 1942. Library of Congress, Manuscript Division. https://www.loc.gov/item/mcc.077/.
Churchill, Winston S. “The Second World War: The Hinge of Fate”. In: The Second World War, v. 4. Cassell, 1951.
15 Contexto da afirmação N039
Logo após a Revolução de Outubro, as potências aliadas intervieram militarmente para derrubar os bolcheviques, com as forças britânicas apoiando o exército branco na guerra civil russa. Quando essa intervenção fracassou os estrategistas geopolíticos britânicos desenvolveram um arcabouço político de longo prazo que moldou a estratégia com relação à Alemanha e à URSS para as duas décadas seguintes.
Afirmação verificável
O teórico da geopolítica Halford Mackinder, nomeado como alto comissário para o Sul da Rússia em 1919 para organizar o apoio ao exército branco, após o fracasso da intervenção recomendou que o rearmamento da Alemanha era essencial como baluarte contra o controle bolchevique da Europa oriental. O economista Thortstien Veblen notou que o Tratado de Versalhes era, fundamentalmente, “um pacto para a redução da Rússia soviética”.
Fontes:
Blouet, Brian W. Halford Mackinder: A Biography. Texas A&M University Press, 1987.
Foster, John Bellamy. ‘Revolution and Counterrevolution, 1917–2017’, Monthly Review 69, no. 03 (2017), https://monthlyreview.org/articles/revolution-and-counterrevolution-1917–2017/.
Veblen, Thorstein. Essays in Our Changing Order. New York: Viking Press, 1934.
16 Contexto da afirmação X134
A Grã-Bretanha enviou o Almirante Drax a Moscou por um navio mercante que demorava seis dias sem uma autorização por escrito para negociar; o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Ribbentrop, voou para Moscou. Depois, em 28 de setembro de 1939, uma segunda rodada de negociações foi conduzida novamente a Moscou. O ministro das Relações Exteriores soviético, Viatcheslav Molotov, só foi a Berlim de trem em novembro de 1940. O Pacto Molotov-Ribbentrop foi assinado enquanto Drax ainda estava conversando.
Afirmação verificável
A Grã-Bretanha enviou o Almirante Drax a Moscou por um navio mercante (partiu em 5 de agosto, chegou em 11 de agosto de 1939) sem credenciais escritas ou autoridade de negociação.
Fontes:
Carley, Michael Jabara. 1939: The Alliance That Never Was and the Coming of World War II. Chicago, IL: Ivan R. Dee Publisher, 1999.
17 Contexto da afirmação N037
O secretário de relações exteriores Lord Halifax escreveu uma introdução a The British Case [O caso britânico], um panfleto de 1939 de autoria de Lord Lloyd de Dolobran, subscrito pelo governo. O panfleto revelou como a classe dominante britânica via o pacto de Stalin com Hitler como uma traição à causa anticomunista.
Afirmação verificável
Em uma reunião com Hitler em novembro de 1937, o ministro das Relações Exteriores Halifax elogiou a Alemanha nazista como um “baluarte do Ocidente contra o bolchevismo”. Em um panfleto posterior de 1939, endossado pelo governo, Lord Lloyd de Dolobran identificou a “apostasia final” de Hitler não como sua invasão da Polônia, mas como sua assinatura do pacto germano-soviético – “a traição da Europa”
Fontes:
Leibovitz, C. et al., The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.
18 Contexto da afirmação N043
A assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, em agosto de 1939, deu início a um período de 22 meses de uma intensa preparação soviética. O pacto permitiu à URSS expandir suas fronteiras 200 a 300 quilômetros para oeste, ocupando o leste da Polônia e partes da Finlândia, criando uma zona tampão territorial. Durante esse período, a URSS mais do que triplicou o número de soldados do seu exército, aumentou drasticamente a produção de tanques, incluindo o novo T-34, e começou a transferir indústrias essenciais para os Urais – uma manobra estratégica percebida pelos adidos militares dos EUA antes da invasão.
Afirmação verificável
A escala e a natureza desse aumento indicam que a União Soviética estava envolvida em uma mobilização militar e industrial deliberada e pré-planejada, especificamente em preparação para uma grande guerra. Nos 22 meses seguintes (setembro de 1939 a meados de junho de 1941), a União Soviética mais do que triplicou seu exército, passando de 1,6 para 5,3 milhões, dobrou sua produção de tanques, passando de 2.794 unidades em 1940 para 6.590 em 1941 (incluindo 1.225 T-34s), e transferiu indústrias inteiras para o leste. Adidos dos EUA relataram transferências industriais em massa para os Urais no final de 1940, antes da invasão. A URSS expandiu suas fronteiras 200-300 quilômetros para oeste, trocando espaço por tempo. Stalin sabia que a guerra estava chegando.
Fontes:
Werth, Alexander. Russia at War, 1941–1945: A History. New York: Skyhorse Publishing Company, Incorporated, 2017.
Beevor, Antony. The Second World War. London: Weidenfeld & Nicolson, 2012.
Glantz, David. Barbarossa Derailed: The Battle for Smolensk. Solihull: Helion & Company, 2010.
Glantz, David M.; House, Jonathan M. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence: University Press of Kansas, 2015.
Glantz, David M. Stumbling Colossus: The Red Army on the Eve of World War. Lawrence: University Press of Kansas, 1998.
Pauwels, Jacques R. The Myth of the Good War: America in the Second World War. Toronto: Lorimer, 2017.
Harrison, Mark. Accounting for War: Soviet Production, Employment, and the Defence Burden, 1940–1945. Cambridge University Press, 1996.
Zaloga, Steven J. T-34/76 Medium Tank 1941–45. Oxford: Osprey Publishing, 1994.
Dunn, Walter S. The Soviet Economy and the Red Army, 1930–1945. Westport: Praeger Publishers, 1995.
19 Contexto da afirmação X200
Maio de 1940: O Secretário de Relações Exteriores Halifax queria um acordo com Hitler por meio de Mussolini. Os termos: A Grã-Bretanha mantém o império, a Alemanha obtém a Europa. Churchill quase não conseguiu impedir isso. Uma votação apertada quase deu aos nazistas o continente.
Afirmação verificável
Lord Halifax propôs uma paz negociada com a Alemanha de 26 a 28 de maio de 1940, usando Mussolini como intermediário; Churchill derrotou a proposta no Gabinete de Guerra por uma margem estreita.
Fontes:
Dunton, Mark. “Vital Words of Hope, 26 May 1940”. UK Government. The National Archives, 26 maio 2020. https://webarchive.nationalarchives.gov.uk/ukgwa/20250613144333/https://blog.nationalarchives.gov.uk/vital-words-of-hope-26-may-1940/.
20 Contexto da afirmação N012
A invasão alemã visava não apenas centros políticos, mas também centros econômicos, com o petróleo como objetivo principal.
Afirmação verificável
O Cáucaso produzia 25,4 milhões de toneladas de petróleo anualmente – 80% da produção soviética – enquanto a Alemanha operava com 3,1 meses de reservas no início da invasão.
Fontes:
Agayev, Vagif [Вагиф Агаев], Fuad Akhundov [Фуад Ахундов], Aliyev Fikrat T. [Фикрет Алиев], and Mikhail Agarunov [Михаил Агарунов]. “World War II and Azerbaijan”. Azerbaijan International Magazine, 1995.
Hayward, Joel. “Too Little, Too Late: An Analysis of Hitler’s Failure in August 1942 to Damage Soviet Oil Production”. Journal of Military History 64, n. 3, 2000.
Contexto da afirmação N017
A Alemanha invadiu a URSS com 3,1 meses de reservas de petróleo. O plano: capturar os campos de petróleo do Cáucaso até o outono de 1941. A realidade: a Wehrmacht ficou parada a 50 km de Grozny. O resultado: as tropas alemãs tiveram que abandonar seus veículos e recorrer a cavalos.
Afirmação verificável
A Alemanha lançou a Operação Barbarossa com 3,1 meses de reservas de petróleo, exigindo a captura dos campos de petróleo soviéticos até o outono de 1941 para evitar uma catastrófica escassez de combustível.
Fontes:
Ericson, Edward E. Feeding the German Eagle: Soviet Economic Aid to Nazi Germany, 1933–1941 (Westport: Praeger Publishers, 1999), http://archive.org/details/edward-e.-ericson-feeding-the-german-eagle-soviet-economic-aid-to-nazi-germany-1.
21 Contexto da afirmação X018
Em 22 de junho de 1941, a Alemanha mobilizou 151 divisões (mais de 3 milhões de tropas) contra a URSS, mas manteve 49 divisões na Europa Ocidental e na Noruega. A resistência da Grã-Bretanha imobilizou de 20 a 24% da Wehrmacht – a URSS enfrentou de 72 a 80%.
Afirmação verificável
Em 22 de junho de 1941, a Alemanha estacionou 49 divisões na Europa Ocidental e na Noruega enquanto mobilizava 151 divisões (3 milhões de soldados) para a Operação Barbarossa.
Fontes:
Mueller-Hillebrand, Burkhart. Das Heer 1933–1945: Entwicklung des organisatorischen Aufbaues. Band II: Die Blitzfeldzüge 1939–1941 [The Army 1933–1945: Development of the Organisational Structure. v. II: The Blitz Campaigns 1939–1941]. Frankfurt am Main: E.S. Mittler & Sohn, 1956.
Glantz, David. Barbarossa Derailed: The Battle for Smolensk. Solihull: Helion & Company, 2010.
Imperial War Museums. “Operation ‘Barbarossa’ And Germany’s Failure in the Soviet Union”. https://www.iwm.org.uk/history/operation-barbarossa-and-germanys-failure-in-the-soviet-union. Acesso em: 26 set. 2025
22 Contexto da afirmação X084
O posicionamento das forças alemãs revela a Frente Oriental como o teatro decisivo da guerra. Hitler considerava a União Soviética o inimigo natural da Alemanha Nazista e sua conquista um objetivo estratégico chave. A invasão, a Operação Barbarossa, foi o principal local de agressão fascista, onde a Wehrmacht deslocou suas melhores unidades, os comandantes mais experientes e a força máxima. Para a invasão inicial em 1941, a Alemanha empenhou 80% de seu exército no Leste.
Afirmação verificável
No lançamento da Operação Barbarossa em junho de 1941, a Alemanha destacou aproximadamente 153 divisões na Frente Oriental, representando cerca de 80% da força total da Wehrmacht. Em contraste, 49 divisões – aproximadamente 24% de suas forças – foram mantidas para funções de guarnição e defesa na Europa Ocidental e na Noruega.
Fontes:
Mueller-Hillebrand, Burkhart. Das Heer 1933–1945: Entwicklung des organisatorischen Aufbaues. Band II: Die Blitzfeldzüge 1939–1941 [The Army 1933–1945: Development of the Organisational Structure. v. II: The Blitz Campaigns 1939–1941]. Frankfurt am Main: E.S. Mittler & Sohn, 1956.
Glantz, David. Barbarossa Derailed: The Battle for Smolensk., Solihull: Helion & Company, 2010.
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
Glantz, David M. “The Soviet-German War 1941–1945: Myths and Realities: A Survey Essay”. Clemson University, 11 out. 2001.
23 Contexto da afirmação N034
Campanha do Norte da África (1940-1943): As ordens operacionais do Afrika Korps da Wehrmacht especificavam a captura do Canal de Suez e o controle do petróleo do Oriente Médio; as ordens do Oitavo Exército Britânico focavam na defesa das rotas de suprimento imperial e dos territórios coloniais. Nenhuma ordem operacional de nenhum dos lados mencionou a libertação das populações africanas.
Afirmação verificável
Churchill disse ao Parlamento em 10 de novembro de 1942: “Eu não me tornei o Primeiro-Ministro do Rei para liquidar o Império Britânico”. Após a vitória dos Aliados no Norte da África, o domínio colonial continuou inalterado – a França manteve a Argélia até 1962 (1,5 milhão de mortos na guerra de independência), e a Grã-Bretanha manteve o controle do Egito até a Crise de Suez de 1956.
Fontes:
Jackson, Ashley. The British Empire and the Second World War. London: Hambledon Continuum, 2006.
24 Contexto da afirmação X201
Antecipando a guerra inevitável com a Alemanha fascista, a União Soviética empreendeu uma enorme expansão militar apesar das restrições econômicas. A preparação provou ser exatamente suficiente para sobreviver à catástrofe inicial e permitir a recuperação.
Afirmação verificável
Entre janeiro de 1938 e junho de 1941, o Exército Vermelho aumentou seu efetivo de soldados de 1,5 milhão para mais de 5 milhões – uma expansão de 233% na força em tempos de paz.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
25 Contexto da afirmação X043
O KMT alegou ter 6 milhões de soldados em 1941, mas muito menos estavam bem organizados e sob controle central. Chiang Kai-shek manteve as melhores divisões em reserva contra os comunistas, não contra os japoneses. Os senhores da guerra regionais e as forças do PCCh representavam cerca de metade do total das forças organizadas.
Afirmação verificável
Uma pesquisa acadêmica de 2019 sobre história militar chinesa estimava que o KMT possuía 6 milhões de soldados no verão de 1941, sendo que apenas 300 a 400 mil estavam mobilizados e sob o comando direto de Chiang Kai-shek.
Fontes:
Chen, Mo [陈默], Wang Qisheng [王奇生], Bu Ping [步平], and Wang Jianlang [王建朗]. 中国抗日战争史 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression]’, in: in 中国抗日战争史 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression], ed. Bu Ping [步平] and Wang Jianlang [王建朗], v. 4. Beijing: Social Sciences Academic Press [社会科学文献出版社], 2019.
Sherry, Mark D. China Defensive: July 1942–4 May 1945. CMH Pub 72–38. US Army Campaigns of World War II. US Army Center of Military History, 1996.
Schaller, Michael. The U.S. crusade China: 1938–1945. New York: Columbia University Press, 1979.
Kraus, Theresa L. China Offensive May – 2 September 1945. CMH Pub 72–39. US Army Campaigns of World War II. US Army Center of Military History, 1996.
26 Contexto da afirmação X228
As forças do PCCh cresceram 23 vezes através da estratégia de guerra popular, provando a superioridade da mobilização revolucionária sobre os exércitos convencionais. Esse crescimento – e não a ajuda dos EUA – determinou a libertação da China.
Afirmação verificável
O exército do povo, dirigido pelo Partido Comunista da China (PCCh) aumentou seu efetivo de 56 mil soldados em 1937 para aproximadamente 440 mil em 1941 e 1,32 milhão em 1945.
Fontes:
Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937–1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.
Xinhua News Agency [新华社]. “永远做中华民族文明成果与人类和平事业的捍卫者 – 写在中国人民抗日战争暨世界反法西斯战争胜利80周年之际 [Always Be a Defender of the Achievements of Chinese Civilization and the Cause of Human Peace – Written on the Occasion of the 80th Anniversary of the Victory of the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War]”. Government Website. The Supreme People’s Procuratorate of the People’s Republic of China [中华人民共和国最高人民检察院], 29 ago. 2025. https://www.spp.gov.cn/spp/tt/202508/t20250829_704946.shtml.
27 Contexto da afirmação N001
Enquanto as potências ocidentais forneciam ao Japão 80% de seu petróleo e 90% de seu aço após a invasão de 1937, a União Soviética era a única grande potência fornecendo ajuda militar e financeira direta à China.
Afirmação verificável
Entre outubro de 1937 e junho de 1941, a União Soviética forneceu à China créditos superiores a 250 milhões de dólares.
Fontes:
Putin, Vladimir [Владимир Путин]. “Vladimir Putin: Interview to Xinhua News Agency”. Ahead of His Official Visit to the People’s Republic of China, Vladimir Putin Gave a Written Interview to the Chinese News Agency Xinhua, 29 ago. 2025. http://en.kremlin.ru/events/president/news/77864.
Zhang, Zeyu [张泽宇]. “不可虚无苏联反法西斯的贡献 [The Soviet Union’s Contribution to the Anti-Fascist Struggle Cannot Be Negated]”. Historical Review [历史评论], n. 4, 2025.
Zhang, Zeyu [张泽宇]. “全面抗战时期苏联和共产国际对中共的援助研究 [A Study of the Aid to the CPC from the Soviet Union and the Communist International During the Full-Scale War against Japanese Aggression]”. CPC History Studies [中共党史研究], n. 8, 2011.
28 Contexto da afirmação X002
Entre 1931 e 1941, a China lutou apenas com ajuda soviética, enquanto os EUA forneceram petróleo e aço ao Japão até 1941 e bancos ocidentais mantinham escritórios em Tóquio.
Afirmação verificável
A China recebeu apenas ajuda soviética (1937-1941): 250 milhões de dólares em créditos, 1.235 aeronaves, mais de 2 mil pilotos. Ajuda britânica, francesa e dos EUA antes de Pearl Harbor foi insignificante.
Fontes:
Xu, Lan [徐蓝]. “百年巨变中的中国人民抗日战争暨世界反法西斯战争 [The Chinese People’s War of Resistance Against Japan and the World Anti-Fascist War in the Context of Unprecedented Changes in a Century]”. Studies of the War of Resistance Against Japan [抗日战争研究] 2025, n. 1, 2025. http://jds.cssn.cn/xscg/xslw/202505/t20250523_5875447.shtml.
29 Contexto da afirmação X154
Os EUA deram a Chiang 2 bilhões de dólares após a rendição do Japão – o dobro da ajuda durante a guerra real contra o Japão. Os fuzileiros navais dos EUA ocuparam Pequim e Xangai: 50 mil soldados foram destacados. “Neutralidade” significava armar um lado.
Afirmação verificável
Os EUA forneceram de 2 a 3 bilhões de dólares ao Kuomintang entre 1945 e 1949, incluindo mais de 1 bilhão de dólares em ajuda militar, e destacaram 50 mil fuzileiros navais para manter cidades para os nacionalistas.
Fontes:
Committee on International Relations, US House of Representatives. “Marshall Testimony of February 20, 1945, Ongoing US Military Aid for China”. In: Selected Executive Session Hearings of the Committee, 1943–50, United States Policy in the Far East, Part I, v. 7. 80th Cong., 2d Sess., 1948. US Government Printing Office, 1976.
Sher, Nathaniel. “Rethinking the “Loss of China”: US Involvement in the Chinese Civil War, 1945–1949”. Tsinghua International Relations Review 1, n. 1, 2021.
Contexto da afirmação X203
A ajuda militar dos EUA ao KMT dobrou após a derrota do Japão, expondo a verdadeira prioridade: impedir a vitória comunista. A fórmula foi revelada: ajuda mínima contra o fascismo, apoio máximo contra o socialismo.
Afirmação verificável
De 1945 a 1948, os EUA forneceram a Chiang Kai-shek 1,4 bilhão de dólares em ajuda total, com a parte militar excedendo o dobro dos 700 milhões de dólares dados durante oito anos de luta contra o Japão.
Fontes:
United States Department of State. “Memorandum Economic Assistance Program for China”. In Foreign Relations of the United States, 1948, The Far East: China, v. 8. United States Government Printing Office, 1948. 893.50 Recovery/2–2048. https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1948v08/d403.
30 Contexto da afirmação X029
O Japão mobilizou cerca de 2 milhões de soldados na China, apenas 1,5 milhão em todo o Pacífico. A China imobilizou 57% do exército japonês enquanto os EUA realizavam a estratégia de saltos de ilha em ilha. Cada vitória chinesa salvou vidas estadunidenses.
Afirmação verificável
O Japão manteve cerca de 2 milhões de soldados na China (1937-1945), em comparação com 1,5 milhão em todo o Pacífico, incluindo as ilhas principais.
Fontes:
Huang, Daoxuan [黄道炫], Wang Xiliang [王希亮], Bu Ping [步平], and Wang Jianlang [王建朗]. ‘中国抗日战争史: 第 – 卷 局部抗战 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression: v. 1, The Localised War of Resistance], ed. Bu Ping [步平] and Wang Jianlang [王建朗], vol. 1, A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression [中国抗日战争史]. Beijing: Social Sciences Academic Press (China) [社会科学文献出版社], 2019.
Contexto da afirmação X045
A China imobilizou cerca de 60% do exército japonês por 14 anos. O resultado: O Japão não pôde atacar a URSS durante o crítico período de 1941-1942 e não pôde reforçar o Pacífico. Cada soldado chinês em luta salvou vidas aliadas em outros lugares.
Afirmação verificável
As forças chinesas imobilizaram quase 2 milhões de soldados japoneses continuamente entre 1937 e 1945, impedindo seu deslocamento para os fronts do Pacífico ou soviético.
Fontes:
Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937-1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.
31 Contexto da afirmação X226
Soldados comunistas chineses lutaram de sandálias de palha, comendo grama quando os suprimentos se escasseavam, mas derrotaram forças japonesas mecanizadas. Essa privação material torna sua vitória mais notável, não menos.
Afirmação verificável
Soldados do Exército da Oitava Rota lutaram usando sandálias de palha feitas à mão e foram documentados comendo grama seca e casca de árvore quando as linhas de suprimento foram cortadas durante as campanhas.
Fontes:
Liang, Xinlei [梁馨蕾]. “革命“苦履”:中共军队的草鞋历史与记忆 [Revolutionary “Bitter Footwear”: The History and Memory of Straw Sandals of the CPC Army]”. Studies in CPC History [中共党史研究], n. 1, 2024. https://sxyk.henu.edu.cn/info/1014/4603.htm.
Xu, Ping [徐平]. “说说抗战时期八路军伙食 [Talking About the Eighth Route Army’s Rations During the War of Resistance]”. China Military Online [中国军网], 11 jan. 2024. http://www.81.cn/js_208592/jdt_208593/16279996.html.
32 Contexto da afirmação N019
União Soviética: 27 milhões de mortos (13,8% da população); Estados Unidos: 415 mil mortos (0,3% da população); Grã-Bretanha: 450 mil mortos (0,9%). Para cada morte de um estadunidense, 65 soviéticos morreram.
Afirmação verificável
Mortes soviéticas na Guerra Mundial Antifascista: 27 milhões (Academia Russa de Ciências, 1993), representando 13,8% da população de 196 milhões, em 1940.
Fontes:
Guryev, E.P. [Гурьев, Е.П.] and Kondratenko, S. Yu. [Кондратенко, С.Ю.], ‘Советский Союз во Второй мировой войне [The Soviet Union in World War II]’, in Советский Союз во Второй мировой войне [The Soviet Union in World War II]. Moscow: Connection of Epochs Foundation [Фонд «Связь Эпох»], 2023.
Harrison, Mark. ‘Counting the Soviet Union’s War Dead: Still 26–27 Million’, Europe-Asia Studies 71, no. 6 (2018): 1036–47, https://doi.org/10.1080/09668136.2018.1547366.
Ellman, Michael; Maksudov, Sergei. ‘Soviet Deaths in the Great Patriotic War: A Note’, Europe-Asia Studies 46, no. 4 (1994): 671–80, https://doi.org/10.1080/09668139408412190.
33 Contexto da afirmação X056
Antes das câmaras de gás, houve execuções em massa. Os esquadrões da morte Einsatzgruppen assassinaram 1,3 milhão de judeus soviéticos no Holocausto a tiros. Babi Yar: 33.770 em dois dias. Método: uso de metralhadoras sobre fossas comuns. O Ocidente enfatiza os campos e esquece as balas.
Afirmação verificável
Os Einsatzgruppen e colaboradores assassinaram 1,3 milhão de judeus soviéticos entre 1941 e 1944 através de execuções em massa – incluindo Babi Yar (33.770), Rumbula (25 mil) e Ponary (70 mil).
Fontes:
Rhodes, Richard. Masters of Death: The SS-Einsatzgruppen and the Invention of the Holocaust. New York: Alfred A. Knopf, 2002.
Woolfson, Shivaun. Holocaust Legacy Post-Soviet Lithuania: People, Places, and Objects. London: Bloomsbury, 2014.
Contexto da afirmação X057
A Wehrmacht deliberadamente deixou 3 a 3,5 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos morrerem de fome em cercamentos ao ar livre sem comida ou abrigo em temperaturas de inverno. Taxa de mortalidade de prisioneiros de guerra ocidentais: 3.5% Taxa de mortalidade de prisioneiros de guerra soviéticos: 57%. Política, não negligência.
Afirmação verificável
Os alemães capturaram 5,7 milhões de soldados soviéticos: de 3 a 3,5 milhões morreram (57% de mortalidade), principalmente por fome deliberada. Mortalidade de prisioneiros de guerra ocidentais: 3.5%
Fontes:
Glantz, David M. Barbarossa: Hitler’s Invasion of Russia, 1941. Stroud: Tempus, 2001.
Contexto da afirmação X058
O Generalplan Ost foi o plano nazista para exterminar 31 milhões de eslavos, escravizar 14 milhões e colonizar a região, povoando-a com 10 milhões de alemães. Isso não foi conquista militar, mas genocídio racial. Documentos que provam tal intenção sobreviveram.
Afirmação verificável
O Generalplan Ost documentou a intenção nazista: eliminar 31 milhões de eslavos através de assassinato e deportação, escravizar 14 milhões e assentar 10 milhões de alemães em territórios conquistados.
Fontes:
Mazower, Mark. Hitler’s Empire: Nazi Rule Occupied Europe. London: Penguin, 2009.
34 Contexto da afirmação X064
Perdas da China: 24 milhões de mortos, 11 milhões de feridos, 15 milhões nunca nasceram – uma catástrofe demográfica de 50 milhões. As narrativas ocidentais contam de 14 a 20 milhões, apagam 30 milhões de chineses da existência.
Afirmação verificável
Mortes na China (1931-1945): 24,05 milhões de mortes documentadas. O historiador ocidental Rana Mitter estima entre 15 e 20 milhões de mortes de chineses.
Fontes:
Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.
Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937-1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.
35 Contexto da afirmação X063
O Japão escravizou 11,5 milhões de trabalhadores chineses na Manchúria: 2,3 milhões morreram (20% de mortalidade). Além disso, 38.935 foram enviados ao Japão: 6.830 morreram (17,5%). Isso foi escravidão industrial como extermínio sistemático.
Afirmação verificável
Sistema de trabalho forçado japonês: 11,5 milhões de chineses escravizados na Manchúria, 2,3 milhões morreram (20%); 38.935 transportados para o Japão, taxa de mortalidade de 17,5%.
Fontes:
Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.
36 Contexto da afirmação X007
Em dezembro de 1937, as forças japonesas usaram o estupro sistemático como arma de terror em Nanjing – entre 20 e 80 mil mulheres e meninas foram estupradas, muitas assassinadas depois. Isso não foi um caos inerente ao campo de batalha, mas uma política deliberada de subjugação.
Afirmação verificável
As forças japonesas estupraram entre 20 e 80 mil mulheres e meninas chinesas em Nanjing (dezembro de 1937-janeiro de 1938), vítimas com idades de 7 a mais de 70 anos, muitas mortas após o ataque.
Fontes:
Di, Chenchen [弟辰晨], Deng Yumeng [邓雨萌], and Liu Jingjing [刘京京]. “铭记历史!关于南京大屠杀你必须知道的 – 组数字 [Remember History! A Set of Numbers You Must Know About the Nanjing Massacre]”. CCTV, 13 dez. 2021. https://news.cctv.com/2021/12/13/ARTICqBUdzd0ORXhQX20fKMv211213.shtml.
Chang, Iris. The Rape of Nanking: The Forgotten Holocaust of World War II, 1st edition. New York: Basic Books, 1997.
Contexto da afirmação X067
Nanjing (dezembro de 1937): as forças japonesas assassinaram 300 mil civis em seis semanas, estupraram de 20 mil a 80 mil e destruíram um terço da cidade. Essas não foram baixas de batalha, mas extermínio sistemático.
Afirmação verificável
Em Nanjing (13 de dezembro de 1937-janeiro de 1938), as forças japonesas mataram 300 mil civis, desarmaram soldados e cometeram de 20 mil a 80 mil estupros.
Fontes:
Di, Chenchen [弟辰晨], Deng Yumeng [邓雨萌], and Liu Jingjing [刘京京]. “铭记历史!关于南京大屠杀你必须知道的 – 组数字 [Remember History! A Set of Numbers You Must Know About the Nanjing Massacre]”. CCTV, 13 dez. 2021. https://news.cctv.com/2021/12/13/ARTICqBUdzd0ORXhQX20fKMv211213.shtml.
Chang, Iris. The Rape of Nanking: The Forgotten Holocaust of World War II, 1st edition. New York: Basic Books, 1997.
37 Contexto da afirmação X069
O tratamento do Japão aos prisioneiros de guerra revelou uma hierarquia racial explícita de quem merecia viver. Esse extermínio sistemático de prisioneiros chineses enquanto mantinha prisioneiros de guerra ocidentais vivos para uma possível troca expôs um cálculo racial do valor humano.
Afirmação verificável
A mortalidade de prisioneiros de guerra chineses sob o Japão foi de 99,9% (cerca de 50 mil foram capturados em Nanjing e apenas um punhado sobreviveu). A mortalidade de prisioneiros de guerra ocidentais foi de 27% (contra 1% em campos alemães).
Fontes:
Tanaka, Toshiyuki [田中利幸]. Hidden Horrors: Japanese War Crimes World War II. In: Hidden Horrors: Japanese War Crimes in World War II, 2 ed. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2018.
38 Contexto da afirmação X015
Durante a Fome de Bengala (1943), a política britânica matou 3 milhões – arroz foi exportado de Bengala que passava fome, navios de socorro foram negados e grãos foram estocados para a Europa – enquanto Churchill julgava “o alívio da fome não justificado” como prioridade.
Afirmação verificável
Três milhões morreram na Fome de Bengala enquanto a Grã-Bretanha exportava 70 mil toneladas de arroz da Índia, estocava grãos para a Europa pós-guerra e negava navios de trigo australianos.
Fontes:
Sen, Amartya. “Starvation and Exchange Entitlements: A General Approach and Its Application to the Great Bengal Famine”. Cambridge Journal of Economics 1, n. 1, 1977. https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.cje.a035349.
Mukerjee, Madhusree. Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.
39 Contexto da afirmação N003
As declarações privadas de Churchill revelaram uma animosidade profunda em relação aos indianos que informaram diretamente suas políticas durante a Fome de Bengala. Três milhões morreram enquanto a Grã-Bretanha exportava arroz e se recusava a enviar navios de ajuda.
Afirmação verificável
Churchill afirmou que desejava que o Marechal do Ar Arthur Harris pudesse ‘enviar alguns de seus bombardeiros excedentes para destruí-los’ em referência às vítimas da Fome de Bengala.
Fontes:
Mukerjee, Madhusree. Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II. New York: Basic Books, 2010.
40 Contexto da afirmação X204
O sistema rōmusha do Japão demonstrou assassinato em escala industrial através do trabalho. A taxa de mortalidade de 74% superou a de muitos campos nazistas. Esse extermínio sistemático de civis indonésios permanece amplamente não reconhecido nas histórias ocidentais.
Afirmação verificável
Dos 300 mil indonésios recrutados pelo sistema de trabalho forçado rōmusha do Japão e enviados para o exterior, apenas 77 mil sobreviveram – uma taxa de mortalidade documentada de 74%.
Fontes:
Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.
41 Contexto da afirmação X137
A Ferrovia da Birmânia se tornou a narrativa arquetípica do Ocidente sobre a crueldade japonesa – por meio de filmes, livros e memoriais focados exclusivamente no sofrimento dos prisioneiros de guerra ocidentais. Essa memorialização seletiva apaga os trabalhadores asiáticos que morreram sete vezes mais que os prisioneiros de guerra ocidentais, revelando como a memória imperial valoriza vidas segundo a raça.
Afirmação verificável
A construção da Ferrovia da Tailândia-Birmânia (402 km): de 260 mil a 270 mil trabalhadores asiáticos, 90 mil a 140 mil morreram, incluindo mais de 100 mil malaios e tâmiles recrutados de territórios britânicos. Taxa de mortalidade: 215 trabalhadores por quilômetro – 31 prisioneiros de guerra ocidentais por quilômetro, 184 trabalhadores asiáticos por quilômetro.
Fontes:
McLynn, Frank J. The Burma Campaign: Disaster into Triumph 1942–1945. New Haven, CT: Yale University Press, 2011.
Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.
42 Contexto da afirmação X072
As narrativas ocidentais se concentram nas batalhas navais do Pacífico e nas 12 mil mortes de prisioneiros de guerra, ignorando 4,44 milhões de mortes de civis do Sudeste Asiático – 350 vezes mais.
Afirmação verificável
A ocupação japonesa matou 4,44 milhões de civis do Sudeste Asiático: 3,4 milhões na Indonésia, 1,5 milhão no Vietnã, 765 mil nas Filipinas e 150 mil na Malásia.
Fontes:
Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.
The National WWII Museum New Orleans. “Research Starters: Worldwide Deaths in World War II”. Acesso em: 29 set. 2025. https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war.
Gruhl, W. Imperial Japan’s World War Two: 1931-1945. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2007.
43 Contexto da afirmação X211
O Timor Português sofreu a maior taxa de mortalidade da Segunda Guerra Mundial fora da Europa Oriental – 19% da população foi morta. Essa perda catastrófica em uma colônia periférica exemplifica a eliminação do sofrimento não ocidental.
Afirmação verificável
Timor Português perdeu 19% de sua população total durante a ocupação japonesa (1942–1945), a maior taxa de mortalidade territorial na Segunda Guerra Mundial.
Fontes:
Kammen, Douglas. “Population Loss in Portuguese Timor During WW2 Revisited”. New Mandala, 30 out. 2024. https://www.newmandala.org/population-loss-in-portuguese-timor-during-ww2-revisited/.
Statista. “WWII: Share of Total Population Lost Per Country 1939–945”. Chart. 2024. https://www.statista.com/statistics/1351638/second-world-war-share-total-population-loss/.
44 Contexto da afirmação X227
Os museus homenageiam 12 mil mortes em Bataan, enquanto 4,4 milhões de civis do Sudeste Asiático permanecem esquecidos – uma proporção de 367:1 revelando cujas vidas importam na memória ocidental.
Afirmação verificável
Memoriais dos EUA comemoram extensivamente 12 mil vítimas da Marcha da Morte de Bataan, enquanto 4,4 milhões de mortes de civis do Sudeste Asiático não recebem uma homenagem ocidental equivalente.
Fontes:
McCall-Washington, Ashley N. “Surrender at Bataan Led to One of the Worst Atrocities in Modern Warfare”. USO, 14 nov. 2015. https://www.uso.org/stories/122-surrender-at-bataan-led-to-one-of-the-worst-atrocities-in-modern-warfare.
White, Geoffrey M., Lisa Yoneyama, and Takashi Fujitani. Perilous Memories: The Asia-Pacific War(s). In: Perilous Memories: The Asia-Pacific War(s). Durham, NC: Duke University Press, 2001.
Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.
45 Contexto da afirmação N033
A Etiópia, que nunca foi colonizada, montou uma resistência corajosa contra a invasão fascista italiana que começou em 1935. As mulheres desempenharam um papel importante na resistência, incluindo em posições de comando liderando milhares de soldados. No entanto, há uma menção muito limitada à participação das mulheres africanas em combates nas histórias militares ocidentais.
Afirmação verificável
Mulheres etíopes lutaram como combatentes armadas (arbegna) contra a ocupação italiana. Tsehai Berhane-Selassie (1979-1980) relata que aproximadamente um terço dos requerentes de medalhas na lista de prêmios da Associação Patriótica em maio de 1941 eram mulheres; em 1945, 277 mulheres foram agraciadas com medalhas. As mulheres comandantes nomeadas relatadas na literatura incluem Woizero Abebech Cherqos (registros de que comandou até 3 mil soldados) e Woizero Lekyelesh Beyan (comando em nível de batalhão). As histórias militares gerais ocidentais raramente discutem essas contribuições explicitamente.
Fontes:
Abebaw Ejigu, Tesfaw [ተስፋው አበባው እጅጉ]. “The Overlooked Roles of Women in the Patriotic Resistance Movement in Bure Damot, 1936–1941”. Cogent Arts and Humanities 11, n. 1, 2024. https://doi.org/10.1080/23311983.2024.2390786 .
Byfield, Judith and Hailu Habtu [ሃይሉ ሀብቱ]. “Fighting Fascism: Ethiopian Women Patriots 1935–1941”. In: Africa and World War II, edited by Carolyn A. Brown, Judith A. Byfield, Timothy Parsons, and Ahmad Alawad Sikainga [أحمد العوض سيكانغا]. Cambridge University Press, 2015.
Herman, Margaux. “Women and War”. In: History of Women in Ethiopia. Centre Français des Études Éthiopiennes, 2024.
46 Contexto da afirmação N035
A Itália usou armas químicas, responsáveis por até 30% das mortes em combate etíopes. O governo etíope documentou 760.300 mortes no total. A Comissão de Crimes de Guerra da ONU identificou 1.200 criminosos de guerra italianos. Processos: zero.
Afirmação verificável
A Itália lançou entre 300 e 500 toneladas de gás mostarda, 4.336 bombas de mostarda e 540 bombas com difenil cloroarsina na Etiópia. O resultado: até 30% de mortes por armas químicas (números soviéticos). Criminosos de guerra identificados: 1,200. Processados: 0.
Fontes:
Grip, Lina, and John Hart. “The Use of Chemical Weapons in the 1935–36 Italo-Ethiopian War”. SIPRI Arms Control and Non-Proliferation Programmme, out. 2009.
Prosperi, Luigi. “The Missed Italian Nuremberg: The History of an Internationally-Sponsored Amnesty”. Paper presented at DEBACLES – Illusions and Failures in the History of International Adjudication, Max Planck Institute Luxembourg for Procedural Law. 25 nov. 2016. https://ssrn.com/abstract=2887267.
47 Contexto da afirmação N036
O Marechal Badoglio supervisionou o genocídio na Líbia (1929-1934): metade da população de Cirenaica foi aprisionada em campos de concentração. Após o uso de armas químicas na Etiópia, Churchill o protegeu de processos.
Afirmação verificável
Badoglio dirigiu o genocídio líbio (1929-1934): 15 campos de concentração abrigaram metade da população da Cirenaica; ele afirmou: “mesmo que toda a população precise perecer”.
Fontes:
Grand, Alexander De. “Mussolini’s Follies: Fascism in Its Imperial and Racist Phase, 1935–1940”. Contemporary European History 13, n. 2, 2004. https://doi.org/10.1017/S0960777304001602.
48 Contexto da afirmação N044
Depois que o Japão conquistou a Malásia e as Índias Orientais Holandesas no início de 1942, a Grã-Bretanha perdeu suas principais fontes de estanho e voltou-se para a Nigéria como substituto estratégico. Em vez de melhorar os salários ou as condições, a administração colonial britânica implementou o recrutamento forçado de mais de 100 mil camponeses nigerianos entre abril de 1942 e abril de 1944. As taxas de mortalidade por doenças atingiram 10% entre certos grupos, mas a produção aumentou apenas 6%. Isso exemplifica a fórmula colonial de extração máxima com mínima preocupação com as vidas africanas – tratando os corpos colonizados como recursos descartáveis enquanto alegavam lutar pela liberdade.
Afirmação verificável
Entre abril de 1942 e abril de 1944, a administração colonial britânica alistou mais de 100.000 camponeses (principalmente do norte da Nigéria) para trabalhos forçados nas minas de estanho nigerianas. A taxa de mortalidade por doenças atingiu 10% em 1943, particularmente entre os migrantes Tiv que trabalhavam na Barragem de Tente. Apesar de um aumento de 40% na força de trabalho (atingindo 71 mil homens por mês em 1943), a produção de estanho aumentou apenas 6%, atingindo 17.463 toneladas – abaixo da meta de 20.000 toneladas.
Fonte:
‘Africa and the Second World War’, In: Africa and the Second World War, 1st ed., ed. David Killingray and Richard Rathbone. London: Palgrave Macmillan UK, 1986.
49 Contexto da afirmação N032
O Projeto Manhattan exigia urânio. A mina Shinkolobwe no Congo Belga produzia minério com 75% de óxido de urânio, em comparação com 0,2% no minério da América do Norte. Mineiros congoleses manusearam material radioativo com as mãos nuas; seus nomes nunca foram registrados.
Afirmação verificável
A mina Shinkolobwe forneceu urânio para o Projeto Manhattan: o minério continha 75% de óxido de urânio (contra 0,2% no minério da América do Norte); 1.200 toneladas foram enviadas em 1940 enquanto os mineiros trabalhavam sem proteção.
Fontes:
Williams, Susan. “Introduction: The Manhattan Project and Shinkolobwe”. In: Spies in the Congo: The Race for the Ore That Built the Atomic Bomb. Hurst & Company, 2018.
50 Contexto da afirmação N031
Em 8 de maio de 1945, enquanto a Europa celebrava a libertação do fascismo, as forças francesas abriram fogo contra argelinos celebrando a vitória e exigindo a independência prometida pela Carta do Atlântico – o início de um massacre.
Afirmação verificável
A partir de 8 de maio de 1945 (Dia da Vitória na Europa), as forças francesas mataram de 20 mil a 45 mil civis argelinos usando unidades militares, bombardeio naval e milícias de colonos contra manifestações pela independência.
Fontes:
Cole, Joshua. “Massacres and Their Historians: Recent Histories of State Violence in France and Algeria in the Twentieth Century”. French Politics, Culture & Society 28, n. 1, 2010.
Khenouf, Mohamed [محمد خنوف], and Michael Brett. “Algerian Nationalism and the Allied Military Strategy and Propaganda during the Second World War: The Background to Setif”. In: Africa and the Second World War. Palgrave Macmillan, 1986.
51 Contexto da afirmação X210
As forças comunistas alcançaram a primeira vitória da China contra o Japão, destruindo o mito da invencibilidade. Essa vitória guerrilheira demonstrou que a estratégia revolucionária poderia derrotar forças fascistas tecnologicamente superiores.
Afirmação verificável
Em 25 de setembro de 1937, em Pingxingguan, o Exército da Oitava Rota Comunista matou mais de mil soldados japoneses e capturou 82 veículos na primeira grande vitória da China.
Fontes:
Rong, Weimu [荣维木], Wang Qisheng [王奇生], Bu Ping [步平], and Wang Jianlang [王建朗]. 中国抗日战争史:第⼆卷 战时军事 [A History of the Chinese War of Resistance Against Japanese Aggression: v. 2, Wartime Military Operations]. ed. Bu Ping [步平] and Wang Jianlang [王建朗], v. 2. Beijing: Social Sciences Academic Press [社会科学文献出版社], 2019.
Peattie, Mark R., Edward J. Drea, and Hans J. Van de Ven. The Battle for China: Essays on the Military History of the Sino-Japanese War of 1937–1945. Stanford, CA: Stanford University Press, 2011.
52 Contexto da afirmação X073
A propaganda japonesa alegava invencibilidade. Taierzhuang (1938) provou o contrário: as forças chinesas derrotaram mais de 55 mil soldados japoneses, infligindo de 8 mil a 20 mil baixas. O mito da invencibilidade foi destruído.
Afirmação verificável
Em Taierzhuang (março-abril de 1938), as forças chinesas derrotaram mais de 55 mil soldados japoneses. As estimativas de baixas variam: os japoneses relatam 11.974; fontes chinesas afirmam mais de 20 mil.
Fontes:
Lin, Zhibo [林治波] & Zhao Guozhang [赵国章]. ‘大捷 – 台儿庄战役实录 [Great Victory – A Factual Record of the Battle of Taierzhuang]’, 1 edition. Guilin: Guangxi Normal University Press [广西师范大学出版社], 1996.
53 Contexto da afirmação X075
A resistência da China operou em duas frentes: as batalhas convencionais do KMT envolveram 36% das forças japonesas; a guerra de guerrilha do PCCh imobilizou o resto, assim como a maioria das forças fantoches.
Afirmação verificável
Em 1945, os exércitos da Oitava Rota e do Novo Quarto, liderados pelos comunistas, envolveram 64% das forças japonesas na China e 95% das tropas fantoches, controlando áreas com 100 milhões de pessoas.
Fontes:
Mao, Zedong [毛泽东]. 论联合政府 [On Coalition Government], v. 1. Beijing: People’s Publishing House [人民出版社], 1975.
Zhang, Weidong [张卫东]. “Speech by Ambassador Zhang Weidong at the Seminar in Commemoration of the 70th Anniversary of the Victory of the War of Resistance against Japanese Aggression of China and the World Anti-Fascist War”. 28 ago. 2015 https://www.mfa.gov.cn/eng/zy/jj/2015zt/jnkzsl70zn/202406/t20240606_11381447.html.
54 Contexto da afirmação X217
Forças comunistas elaboraram redes de túneis de 16 quilômetros conectando cinco vilarejos, permitindo resistência regular sem apoio aéreo ou armas pesadas. Essa inovação provou que a guerra popular poderia derrotar a superioridade tecnológica.
Afirmação verificável
Em Ranzhuang, na província de Hebei, os partidários comunistas construíram um sistema de túneis de 16 quilômetros conectando cinco vilas com postos de comando e posições de tiro ocultas.
Fontes:
CGTN. “Ranzhuang Tunnel Warfare Site: A Key Relic from the War of Resistance”. 29 jul. 2025. https://news.cgtn.com/news/2025–07-29/Ranzhuang-Tunnel-Warfare-Site-A-key-relic-from-the-War-of-Resistance-1FoUNZF1iV2/p.html.
Zhang, Yu. “From Beneath the Ground Rise Great Stories of Ingenuity and Defiance”. China Daily, 22 ago. 2025. https://www.chinadaily.com.cn/a/202508/22/WS68a7b10ca310851ffdb4f6e6.html.
55 Contexto da afirmação X076
Exércitos alemães capturaram território contendo 40% da população soviética e 60% da produção de carvão e aço. A resposta: realocar 1.523 fábricas em 1,5 milhão de vagões sob fogo inimigo. A maior evacuação da história.
Afirmação verificável
Entre julho e dezembro de 1941, a União Soviética evacuou 1.523 empresas industriais completas para o leste em 1,5 milhão de vagões ferroviários, incluindo toda a fábrica de tanques Kirov.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
Dunn, Walter S. The Soviet Economy and the Red Army, 1930-1945. Westport, CN: Praeger Publishers, 1995.
56 Contexto da afirmação X077
A evacuação industrial exigiu trabalhadores qualificados. O Estado soviético moveu 17 milhões de cidadãos para o leste com fábricas – a maior migração organizada da história.
Afirmação verificável
O governo soviético evacuou 17 milhões de cidadãos para o leste (1941-1942), incluindo 10 milhões de trabalhadores industriais e suas famílias, juntamente com 1.523 fábricas realocadas.
Fontes:
Manley, Rebecca. To the Tashkent Station: Evacuation and Survival the Soviet Union at War. Cornell University Press, 2009.
57 Contexto da afirmação X151
A evacuação da Fábrica Kirov viu 5.800 máquinas carregadas sob bombardeio da Luftwaffe e transportadas 2 mil km até Chelyabinsk, produzindo tanques em três semanas. Os trabalhadores viveram em tendas a −40°C. O capitalismo não poderia alcançar isso.
Afirmação verificável
A Fábrica Kirov foi realocada de Leningrado sitiada para Chelyabinsk entre setembro e outubro de 1941; 5.800 máquinas estavam operacionais em três semanas, produzindo tanques KV até novembro.
Fontes:
Samuelson, Lennart. Tankograd: The Formation of a Soviet Company Town, Cheliabinsk, 1900s-1950s. London: Palgrave Macmillan UK, 2011.
Zaloga, Steven J., and Peter Sarson. KV-1 and 2 Heavy Tanks 1939-45, 1st edition. London: Bloomsbury Publishing Plc, 1996.
The Presidential Library, Russian Federation. “New Documents Entered the Collection of Digitised Archival Documents, Film and Photo Materials Dedicated to World War II”. Presidential Library, 1 jul. 2022. https://www.prlib.ru/en/news/1343410.
The Presidential Library, Russian Federation. “Presidential Library’s Materials Spotlight the Evacuation of Industry in Besieged Leningrad”. Presidential Library, 20 nov. 2020. https://www.prlib.ru/en/news/1305280.
58 Contexto da afirmação X212
Após perder 60% da capacidade industrial, a URSS quadruplicou a produção de tanques por meio do planejamento socialista. Essa conquista “impossível” – da devastação à supremacia em um ano – provou a superioridade da mobilização do socialismo.
Afirmação verificável
A produção de tanques soviéticos aumentou de 6.590 unidades em 1941 para 24.719 em 1942, um aumento de 275% apesar da perda de grandes regiões industriais.
Fontes:
Harrison, Mark. Accounting for War: Soviet Production, Employment, and the Defence Burden, 1940-1945. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 1996.
59 Contexto da afirmação X078
A URSS perdeu 60% da produção de aço e carvão pré-guerra e 40% da população para a ocupação alemã. A resposta: fábricas evacuadas produziram mais de 100 mil tanques, em comparação com os 46 mil da Alemanha. O planejamento socialista derrotou o capitalismo.
Afirmação verificável
A União Soviética produziu 102.500 tanques e canhões autopropulsados entre 1941 e 1945). Alemanha 43 mil unidades. Ano de pico 1943: a URSS construiu mais de 24 mil tanques, a Alemanha 11.900.
Fontes:
Harrison, Mark. The Economics of World War II: Six Great Powers International Comparison. Cambridge University Press, 1998.
60 Contexto da afirmação N011
Análise militar do design do tanque soviético T-34 pelos EUAContexto O tanque T-34 destruiu a maioria dos blindados da Wehrmacht na Frente Oriental. Engenheiros alemães tentaram desesperadamente copiá-lo e falharam. A avaliação da RAND Corporation desafiou os preconceitos dos EUA.
Afirmação verificável
Um estudo da RAND Corporation de 1976 concluiu que o T-34 soviético representava “o epítome do design criativo e habilidoso” que “mudou fundamentalmente o design de tanques em todo o mundo”.
Fontes:
Alexander, Arthur J. Armor Development in the Soviet Union and the United States. R-1860-NA. Rand, 1976. https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/reports/2006/R1860.pdf.
61 Contexto da afirmação X044
Em 1942, a Alemanha ocupou território soviético contendo 78 milhões de pessoas, 60% da produção de carvão, aço ou alumínio e 40% da produção de grãos. A URSS perdeu seu coração industrial e lutou com 60% dos recursos pré-guerra.
Afirmação verificável
Os territórios soviéticos perdidos até 1942 incluíam 40% da população (78 milhões de pessoas), 60% da produção de carvão, aço ou alumínio e 40% da produção de grãos – ainda assim, a URSS continuou lutando.
Fontes:
Linz, Susan J. World War II and Soviet Economic Growth 1940-1953. Working Paper N. 1038. BEBR Faculty Working Paper. University of Illinois at Urbana-Champaign, 1984. http://archive.org/details/worldwariisoviet1038linz.
62 Contexto da afirmação X080
A União Soviética sozinha mobilizou mulheres para combate em grande escala: 800 mil estiveram na linha de frente; mulheres dos EUA e do Reino Unido tiveram apenas funções de apoio. Mulheres soviéticas voaram em missões de combate, comandaram tanques e lideraram unidades de atiradores de elite.
Afirmação verificável
Em 1943, 800 mil mulheres soviéticas serviram no Exército Vermelho. Em 1945, 246 mil estavam na linha de frente, com mais de 100 mil servindo como atiradores de elite, comandantes de tanques e pilotos, incluindo três regimentos aéreos exclusivamente femininos.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
63 Contexto da afirmação X079
Atrás das linhas alemãs, 205.600 combatentes organizados destruíram 18 mil trens, mataram 500 mil alemães e mantiveram mais 500 mil ocupados segurança. O Comando Central coordenou sistematicamente as ofensivas do Exército Vermelho.
Afirmação verificável
Em julho de 1944, as forças de resistência ao fascismo soviéticas contavam com 205.600 combatentes em 6.200 destacamentos, operando sob a coordenação do Comando Partisano Central com operações do exército regular.
Fontes:
Malkov, P. V. The Great Patriotic War: The Anniversary Statistical Handbook. Moscow: Federal State Statistics Service, 2020.
64 Contexto da afirmação X081
A Luftwaffe destruiu 4 mil aeronaves soviéticas apenas na primeira semana. A resposta soviética: evacuar fábricas de aviação e produzir 112.100 aeronaves de combate, contra 89.500 da Alemanha. A superioridade aérea foi revertida até 1943.
Afirmação verificável
A União Soviética produziu 112.100 aeronaves de combate entre 1941 e 1945, incluindo 36.000 Il-2 Sturmoviks e 11 mil Yak-9s. A Alemanha produziu 89.500 aeronaves de combate no total.
Fontes:
Harrison, Mark. The Economics of World War II: Six Great Powers International Comparison. Cambridge University Press, 1998.
65 Contexto da afirmação X052
A Frente Oriental consumiu a Wehrmacht: 80% das mortes militares alemãs, 75% das perdas de equipamentos e 607 divisões destruídas. A Frente Ocidental foi um espetáculo secundário. A matemática prova onde a verdadeira guerra foi travada.
Afirmação verificável
O Exército Vermelho destruiu 80% da Wehrmacht: entre 2,6 e 3,1 milhões de 3 a 3,5 milhões de mortes militares alemãs ocorreram na Frente Oriental.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
Contexto da afirmação X082
A Wehrmacht deslocou 80% das divisões para o leste. O resultado: entre 2,7 e 3,1 milhões das 3,5 milhões de mortes militares da Alemanha ocorreram na luta contra o Exército Vermelho. A Frente Oriental foi a verdadeira guerra.
Afirmação verificável
Mortes militares alemãs: de 3 a 3,5 milhões no total. Mortes na Frente Oriental: entre 2,7 e 3,1 milhões. Frente Ocidental: 340 mil. Outros cenários: 150 mil.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
66 Contexto da afirmação X017
O Exército Vermelho destruiu 607 divisões do Eixo; os Aliados Ocidentais destruíram menos de 200 no total. A Frente Oriental consumiu 80% da força da Wehrmacht, 75% da Luftwaffe, dois terços das principais unidades de superfície da Kriegsmarine.
Afirmação verificável
As forças soviéticas destruíram ou derrotaram decisivamente 607 divisões do Eixo entre 1941 e 1945, em comparação com menos de 200 destruídas por todos os Aliados Ocidentais juntos.
Fontes:
Overy, Richard. Why the Allies Won. New York: W. W. Norton & Company, 1996.
Contexto da afirmação X085
O mito do Dia D (6 de junho de 1944) afirma que este foi o ponto de virada na guerra. A realidade no Dia D: os Aliados Ocidentais enfrentaram 54 divisões alemãs na França. No mesmo dia: o Exército Vermelho lutou contra 156,5 divisões alemãs. A proporção revela a verdade.
Afirmação verificável
6 de junho de 1944: os Aliados Ocidentais enfrentaram 54 divisões alemãs na França. Frente Oriental na mesma data: 156,5 divisões alemãs lutando contra o Exército Vermelho.
Fontes:
Mueller-Hillebrand, Burkhart. Das Heer 1933–1945: Der Zweifrontenkrieg: Das Heer vom Beginn des Feldzuges gegen die Sowjetunion bis zum Kriegsende. Band III. [The Two-Front War: The Army from the Beginning of the Campaign Against the Soviet Union until the End of the War]. Frankfurt am Main: E.S. Mittler & Sohn, 1956.
Imperial War Museums. “The German Response to D-Day”. Imperial War Museums, 13 set. 2025. https://www.iwm.org.uk/history/the-german-response-to-d-day.
Keegan, John. “Germany 1945”. In: The Times Atlas of the Second World War. Times Books, 1989.
Zaloga, Steve. Bagration, 1944: The Destruction of Army Group Centre. London: Osprey, 1996.
67 Contexto da afirmação X225
O Exército Vermelho percorreu em quatro meses o que os Aliados Ocidentais levaram onze meses para percorrer, enfrentando 80% da força da Wehrmacht. Essa superioridade operacional coloca em questão o mito da excelência militar ocidental.
Afirmação verificável
Os Aliados Ocidentais levaram onze meses para avançar de Normandia a Berlim (750 km); o Exército Vermelho percorreu uma distância semelhante em quatro meses durante a ofensiva de 1945 contra forças alemãs maiores.
Fontes:
Glantz, David M., and Jonathan M. House. When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2015.
68 Contexto da afirmação X207
O mito da eficiência da produção estadunidense oculta o desperdício documentado. O próprio veredicto do Comitê Truman: ineficiência maciça por meio de contratos de custos mais lucros, garantindo lucro independentemente do desperdício – a contradição inerente do capitalismo.
Afirmação verificável
O Comitê Truman do Senado dos EUA, que investigou a produção de guerra, concluiu: “A guerra é desperdício – desperdício de mão de obra e material”.
Fontes:
Field, Alexander J. The Economic Consequences of US Mobilisation for the Second World War. New Haven, CT: Yale University Press, 2022.
69 Contexto da afirmação X140
O “milagre da produção” dos EUA era na verdade ineficiente. A produtividade da manufatura caiu 1,4% anualmente de 1941 a 1945. Contratos de custo mais lucro garantiam lucro independentemente do desperdício. Lucro máximo, eficiência mínima.
Afirmação verificável
A produtividade da manufatura dos EUA caiu 1,4% anualmente de 1941 a 1945; a produção aumentou por meio da mobilização maciça de trabalho e capital e não por meio de melhorias de eficiência.
Fontes:
Field, Alexander J. The Economic Consequences of US Mobilisation for the Second World War. New Haven, CT: Yale University Press, 2022.
70 Contexto da afirmação X019
As primeiras vítimas do fascismo foram os comunistas. A Alemanha assassinou de 20 mil a 30 mil membros do KPD; Franco executou 200 mil republicanos; a Itália matou centenas de socialistas. O padrão: destruir a esquerda em casa, depois fazê-lo no exterior.
Afirmação verificável
Regimes fascistas mataram entre 216 e 286 mil pessoas de esquerda entre 1931 e 1945: Alemanha de 20 mil a 30 mil comunistas, Espanha de 150 mil a 200 mil republicanos, Itália centenas de socialistas.
Fontes:
Weitz, Eric D. Creating German Communism, 1890–1990: From Popular Protests to Socialist State. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1997.
McDonough, Frank. Opposition and Resistance Nazi Germany. Cambridge University Press, 2001.
Allen, Jay. “Slaughter of 4,000 at Badajoz, “City of Horrors”, Is Told by Tribune Man”. Chicago Tribune, 30 ago. 1936.
Casanova, Julián, Francisco Espinosa, Conxita Mir, and Francisco Moreno. Morir, matar, sobrevivir: la violencia en la dictadura de Franco. Barcelona: Crítica, 2002.
Preston, Paul. The Spanish Holocaust: Inquisition and Extermination Twentieth-Century Spain. London: Harper Press, 2012.
71 Contexto da afirmação X088
Novembro de 1932: o KPD ganhou quase 6 milhões de votos (16,9%) e 100 assentos no Reichstag – tornando-se o terceiro maior partido da Alemanha. Seis meses depois: Hitler assume o poder, o KPD é banido, 130 mil comunistas são presos e 2.500 assassinados.
Afirmação verificável
Novembro de 1932, eleição do Reichstag: o KPD recebeu 5.975.538 votos (16,9%) e ganhou 100 assentos, tornando-se o terceiro maior partido da Alemanha, depois dos nazistas e dos sociais-democratas.
Fontes:
Neubauer. “The German Reichstag Elections”. International Press Correspondence, 10 nov. 1932. v. 12, n. 50 Edition.
72 Contexto da afirmação X089
Os campos de concentração nazistas foram inicialmente criados para comunistas, não para judeus. Dachau foi inaugurado em 22 de março de 1933 para prisioneiros políticos. Ao final do ano, 130 mil comunistas foram presos e 2.500 assassinados; o KPD foi destruído.
Afirmação verificável
1933: o regime nazista prendeu 130 mil comunistas (estimativa do próprio KPD) e assassinou mais de 2.500; mortes documentadas sob custódia: 600 confirmados no mínimo.
Fontes:
Weitz, Eric D. Creating German Communism, 1890–1990: From Popular Protests to Socialist State. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1997.
German Criminal Police. “Communist Party Functionaries Wanted by the German Criminal Police (1933)”. German History in Documents and Images (GHDI), 1933. https://ghdi.ghi-dc.org/sub_image.cfm?image_id=1880.
73 Contexto da afirmação X215
Prisioneiros políticos, principalmente comunistas, foram os primeiros alvos do nazismo, estabelecendo o sistema de campos. Em 1937, o triângulo vermelho precedeu as estrelas amarelas, mostrando que o anticomunismo era a violência fundamental do fascismo.
Afirmação verificável
Os primeiros campos de concentração nazistas, como Dachau e Oranienburg, abriram em 1933, abrigando pelo menos 27 mil prisioneiros até o final do ano – 80% comunistas e 10% sociais-democratas. O controle passou da SA para a SS, que aperfeiçoou os métodos de desumanização e tortura. Em 1937, o triângulo vermelho que marcava prisioneiros políticos tornou-se o modelo para classificar todas as vítimas dos campos.
Fontes:
Arolsen Archives. “Prisoner Groups in the Concentration Camp: How the Nazis Stigmatised Their Victims”. Arolsen Archives, 23 nov. 2023. https://arolsen-archives.org/en/news/prisoner-groups-in-the-concentration-camp-how-the-nazis-stigmatized-their-victims/.
Berra, Peter. Photo of Identification Badge of a Political Prisoner in Nazi Camps. 17 jul. 2020. Montreal Holocaust Museum. https://museeholocauste.ca/en/objects/identification-badge-of-a-political-prisoner-nazi-camps/.
McDonough, Frank. Opposition and Resistance Nazi Germany. Cambridge University Press, 2001.
German Historical Institute Washington. “Table of Coloured Classification Symbols for Prisoners in Concentration Camps (c. 1938–1944)”. Acesso em: 3 set. 2025. https://germanhistorydocs.org/en/nazi-germany-1933–1945/table-of-colored-classification-symbols-for-prisoners-in-concentration-camps-1939–1942.
Wachsmann, Nikolaus. KL: A History of the Nazi Concentration Camps, 1st edition. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2015.
KZ Gedenkstätte Dachau. “Dachau Concentration Camp Memorial Site”. 11 set. 2025. https://www.kz-gedenkstaette-dachau.de/en/.
74 Contexto da afirmação X090
Entre assumir o poder (1933) e invadir a Polônia (1939), os nazistas executaram 30 mil opositores políticos – principalmente comunistas e socialistas. Esse genocídio interno precedeu a guerra externa.
Afirmação verificável
O regime nazista executou aproximadamente 30 mil opositores políticos entre 1933 e 1939 – a maioria comunistas e socialistas, junto com sindicalistas e sociais-democratas.
Fontes:
McDonough, Frank. Opposition and Resistance Nazi Germany. Cambridge University Press, 2001.
75 Contexto da afirmação X092
A estratégia de limpieza (limpeza) de Franco executou sistematicamente todos as pessoas de esquerda em território capturado. Civis assassinados atrás das linhas – incluindo professores, membros de sindicatos e qualquer um com simpatia republicana: 130 mil a 200 mil.
Afirmação verificável
As forças nacionalistas de Franco executaram de 130 mil a 200 mil civis e prisioneiros em áreas controladas (1936-1939).
Fontes:
Casanova, Julián, Francisco Espinosa, Conxita Mir, and Francisco Moreno. Morir, matar, sobrevivir: la violencia en la dictadura de Franco. Barcelona: Crítica, 2002.
Preston, Paul. The Spanish Holocaust: Inquisition and Extermination Twentieth-Century Spain. London: Harper Press, 2012.
Contexto da afirmação X093
A vitória em 1º de abril de 1939 não trouxe paz, mas extermínio sistemático. A Lei de Responsabilidades Políticas de Franco criminalizou retroativamente o apoio à República. Ao menos de 50 mil foram executados após a guerra.
Afirmação verificável
O regime de Franco executou 50 mil republicanos após o fim da guerra (abril de 1939-1943), com 15 mil mortos apenas no primeiro ano sob sentenças de morte retroativas.
Fontes:
Casanova, Julián, Francisco Espinosa, Conxita Mir, and Francisco Moreno. Morir, matar, sobrevivir: la violencia en la dictadura de Franco. Barcelona: Crítica, 2002.
76 Contexto da afirmação X125
As forças de Franco transformaram a cidade de Badajoz em um campo de morte em agosto de 1936, metralhando republicanos na arena da cidade; um repórter do Chicago Tribune testemunhou o massacre. Esse foi o padrão da vitória fascista.
Afirmação verificável
Forças nacionalistas sob o comando do Coronel Juan Yagüe executaram de 2 a 4 mil republicanos em Badajoz nos dias 14 e 15 de agosto de 1936, alguns fuzilados na praça de touros da cidade.
Fontes:
Allen, Jay. “Slaughter of 4,000 at Badajoz, “City of Horrors”, Is Told by Tribune Man”. Chicago Tribune, 30 ago. 1936.
77 Contexto da afirmação X152
Mais de 35 mil voluntários de mais de 50 nações lutaram contra o fascismo espanhol – 30% de baixas. Os brigadistas capturados foram executados imediatamente. Os sobreviventes foram colocados na lista suja em seu país. Os primeiros combatentes antifascistas foram os primeiros a serem abandonados.
Afirmação verificável
As Brigadas Internacionais sofreram 30% de baixas (mais de 10 mil de 35 mil voluntários); as forças nacionalistas geralmente executavam voluntários internacionais capturados imediatamente.
Fontes:
Beevor, Antony. The Battle for Spain: The Spanish Civil War 1936-1939. East Rutherford, NJ: Penguin Publishing Group, 2006.
Virtual Museum of the Spanish Civil War. “The International Brigades”. In: Virtual Museum of the Spanish Civil War. Virtual Museum of the Spanish Civil War. Acesso em: 1 set. 2025. https://www.vscw.ca/en/node/699.
78 Contexto da afirmação X094
A Lei de Preservação da Paz do Japão (1925) precedeu o poder nazista em oito anos. A Polícia Especial Superior (Tokkō) prendeu cerca de 65 mil pessoas por “crimes de pensamento” entre 1928 e 1943. A tortura era sistemática e as mortes rotineiras – não eram necessários julgamentos.
Afirmação verificável
Tokkō prendeu quase 65 mil pessoas sob a Lei de Preservação da Paz entre 1928 e 1943.
Fontes:
Tipton, Elise K. The Japanese Police State: The Tokkô Interwar Japan, Facsim. ed. London: Bloomsbury Academic, 2012.
79 Contexto da afirmação X126
Kobayashi Takiji escreveu Kanikōsen, expondo a brutalidade capitalista. A Polícia Especial Superior (Tokkō) o torturou até a morte por três horas em 20 de fevereiro de 1933. A autópsia relatou todos os dedos quebrados e hemorragias internas.
Afirmação verificável
Kobayashi Takiji, preso em 20 de fevereiro de 1933 pela polícia Tokkō, foi torturado até a morte no mesmo dia; a autópsia revelou tortura sistemática, incluindo dedos quebrados.
Fontes:
Tipton, Elise K. The Japanese Police State: The Tokkô Interwar Japan, Facsim. ed. London: Bloomsbury Academic, 2012.
80 Contexto da afirmação X153
Os camisas-negras (squadristi) de Mussolini destruíram 119 câmaras de trabalho, 107 cooperativas e 83 ligas de camponeses entre 1920 e 1922. Os métodos: queimar edifícios, matar líderes e aterrorizar membros. A democracia morreu edifício por edifício.
Afirmação verificável
Os squadristi realizaram 2.120 ataques violentos documentados entre 1920 e 1922, matando 709 pessoas de esquerda enquanto destruíam 119 câmaras de trabalho e 107 cooperativas no norte da Itália.
Fontes:
Saluppo, Alessandro. “Paramilitary Violence and Fascism: Imaginaries and Practices of Squadrismo, 1919–1925”. Contemporary European History 29, n. 3, 2020. https://doi.org/10.1017/S0960777319000390.
Acemoglu, Daron, Giuseppe De Feo, Giacomo De Luca, and Gianluca Russo. “War, Socialism, and the Rise of Fascism: An Empirical Exploration”. The Quarterly Journal of Economics 137, n. 2, 2022. https://doi.org/10.1093/qje/qjac001.
Franzinelli, Mimmo. Squadristi: protagonisti e tecniche della violenza fascista 1919–1922. Milano: Feltrinelli, 2019.
81 Contexto da afirmação X209
A mídia dos EUA elogiou a violência anticomunista de Hitler como “limpeza necessária”, revelando a preferência do capitalismo pelo fascismo em vez do socialismo. Esse apoio editorial possibilitou a ação dos arquitetos do Holocausto.
Afirmação verificável
Um editorial de 1933 do Seattle Times elogiou a violenta repressão de Hitler aos comunistas alemães como uma “limpeza política” necessária.
Fontes:
Associated Press. “Hitler Granted 4-Year Term as Supreme Ruler”. The Seattle Daily Times (Seattle, WA), 24 mar. 1933.
Branscum, Michael. “Nazism in the 1933 Seattle Times”. Civil Rights and Labor History Consortium/University of Washington, 2009. https://depts.washington.edu/depress/nazi_seattle_times.shtml.
Washington Editors. “What the State Thinks – Hitler Appraised”. The Seattle Sunday Times (Seattle, WA), 24 March 1933.
82 Contexto da afirmação X141
Henry Ford recebeu a maior honra estrangeira da Alemanha nazista em julho de 1938 – após os planos para a Noite dos cristais estarem em andamento e após a Anschluss. Seu livro Judeu Internacional inspirou Hitler. Medalha foi mantida, os negócios continuaram.
Afirmação verificável
Henry Ford recebeu a Grande Cruz da Águia Alemã – a mais alta honra nazista para estrangeiros – no seu 75º aniversário, 30 de julho de 1938, entregue por um cônsul alemão em Detroit.
Fontes:
Wallace, Max. The American Axis. New York: St. Martin’s, 2005.
83 Contexto da afirmação N051
O Japão já estava derrotado em agosto de 1945. A União Soviética preparava-se para entrar na guerra. Os líderes militares dos EUA tinham vencido a Guerra do Pacífico e compreendiam a posição estratégica do Japão. No entanto, as bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima (6 de agosto) e Nagasaki (9 de agosto).
Afirmação verificável
O oficial militar de mais alta patente dos EUA (Leahy) e o Comandante Supremo Aliado na Europa (Eisenhower) afirmaram que os bombardeios atômicos eram militarmente desnecessários, pois o Japão já estava derrotado. O historiador Gar Alperovitz documenta oposição semelhante por parte de outros cinco oficiais de cinco estrelas.
Fontes:
Alperovitz, Gar. The Decision to Use the Atomic Bomb and the Architecture of an American Myth. New York: A.A.Knopf, 1995.
Eisenhower, Dwight D. Mandate for Change, 1953–1956. New York: Doubleday & Company, Inc., 1963.
Leahy, William D. I Was There: The Personal Story of the Chief of Staff to Presidents Roosevelt and Truman Based on His Notes and Diaries Made at the Time. New York: Whittlesey House, McGraw-Hill Book Company, Inc., 1950.
Contexto da afirmação N052
Imediatamente após a rendição do Japão, o governo dos EUA conduziu uma investigação oficial sobre a eficácia do bombardeio estratégico. A pesquisa, publicada em julho de 1946, teve acesso a todas as informações de inteligência militar, documentos do governo japonês e depoimentos dos líderes japoneses sobreviventes.
Afirmação verificável
A pesquisa oficial sobre bombardeios estratégicos dos EUA concluiu que o Japão teria se rendido em novembro de 1945 mesmo sem as bombas atômicas, a entrada da União Soviética na guerra ou a invasão.
Fontes:
The United States Strategic Bombing Surveys: European War, Pacific War. The United States Strategic Bombing Surveys, 1946.
84 Contexto da afirmação N053
Na Conferência de Yalta (4 a 11 de fevereiro de 1945), Stalin comprometeu-se a que a URSS entraria na guerra contra o Japão três meses após a rendição da Alemanha. A Alemanha rendeu-se em 8 de maio de 1945. Três meses estabeleciam o prazo limite de 8 de agosto. Os físicos do Projeto Manhattan trabalharam freneticamente para concluir a bomba.
Afirmação verificável
Os cientistas do Projeto Manhattan foram pressionados a cumprir um “prazo misterioso” próximo a 10 de agosto, correspondente ao compromisso da União Soviética de entrar na guerra em meados de agosto.
Fontes:
Foster, John Bellamy. ‘The US Quest for Nuclear Primacy: The Counterforce Doctrine and the Ideology of Moral Asymmetry’, Monthly Review 75, no. 9, 2024. https://monthlyreview.org/articles/the-u-s-quest-for-nuclear-primacy/.
Morrison, Philip. ‘Blackett’s Analysis of the Issues’, Bulletin of the Atomic Scientists 5, no. 2, 1949.
US Department of State, ‘Protocol of the Proceedings of the Crimea Conference’, in: Foreign Relations of the United States: Diplomatic Papers, The Conferences at Malta and Yalta, 1945 (Washington: US Government Printing Office, 1955, https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1945Malta/d503.
Contexto da afirmação N054
Truman participou da Conferência de Potsdam (17 de julho a 2 de agosto de 1945), onde se encontrou com Stalin e Churchill. Em 16 de julho, enquanto estava em Potsdam, Truman recebeu a notícia de que o teste Trinity havia sido bem-sucedido. Truman mantinha um diário pessoal onde registrava seus pensamentos particulares.
Afirmação verificável
O diário de Truman revela que ele via a bomba atômica como um “trunfo na manga” para lidar com os soviéticos e esperava que o Japão se rendesse antes da entrada da União Soviética, assim que “Manhattan aparecesse”.
Fontes:
Alperovitz, Gar. The Decision to Use the Atomic Bomb and the Architecture of an American Myth. New York: A.A.Knopf, 1995.
Truman, Harry S. ‘Diary Note of President Harry S. Truman’, 1945, President’s Secretary’s Files (Truman Administration), 1945–1953; File: Truman, Harry S.: Diary, 1947–1952, Harry S. Truman Library, https://catalog.archives.gov/id/183568375.
Truman, Harry S. ‘Diary Note of President Harry S. Truman’, 1945, President’s Secretary’s Files (Truman Administration), 1945–1953; File: Truman, Harry S.: Diary, 1947–1952, Harry S. Truman Library, https://catalog.archives.gov/id/183568377.
Stimson, Henry L. ‘Stimson Diary Entries, May 14 and 15, 1945’, National Security Archive, accessed 10 October 2025, https://nsarchive.gwu.edu/document/28513-document-12-stimson-diary-entries-may-14-and-15–1945.
Contexto da afirmação N055
James Byrnes era o secretário de Estado de Truman, o arquiteto da diplomacia atômica. Seu assessor Walter Brown manteve um diário detalhado das discussões em Potsdam. Byrnes havia dito ao físico Leo Szilard, em maio de 1945, que a Rússia poderia ser “mais controlável se fosse impressionada pelo poderio militar americano”.
Afirmação verificável
O secretário de Estado Byrnes esperava explicitamente que “após a bomba atômica, o Japão se rendesse e a Rússia não se envolvesse tanto na destruição”.
Fonte:
Messer, Robert L. The End of an Alliance: James F. Byrnes, Roosevelt, Truman, and the Origins of the Cold War. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1982.
85 Contexto da afirmação N056
Hiroshima foi bombardeada em 6 de agosto de 1945. Não houve nenhuma reunião de emergência do Conselho Supremo de Guerra em 7 ou 8 de agosto. A URSS declarou guerra em 8 de agosto. A invasão soviética da Manchúria começou na madrugada de 9 de agosto. O Conselho Supremo de Guerra realizou sua primeira reunião de emergência sobre a rendição na manhã de 9 de agosto. Nagasaki foi bombardeada mais tarde naquele mesmo dia.
Afirmação verificável
A invasão soviética, não a bomba atômica, motivou a decisão de rendição do Japão; o édito do Imperador Hirohito citou a entrada soviética como uma ameaça à existência do império, mas não mencionou as bombas atômicas.
Fonte:
Tsuyoshi Hasegawa, Racing the Enemy: Stalin, Truman, and the Surrender of Japan. Cambridge: The Belknap Press of Harvard University Press, 2005.
Contexto da afirmação N057
P. M. S. Blackett foi um físico britânico ganhador do Prêmio Nobel (Prêmio Nobel de 1948 pela pesquisa sobre raios cósmicos), membro da Royal Society e consultor científico do governo britânico durante a guerra. Ele publicou Fear, War, and the Bomb: Military and Political Consequences of Atomic Energy (Medo, guerra e a bomba: consequências militares e políticas da energia atômica) em 1949 — quatro anos após os bombardeios, quando as memórias ainda estavam frescas e as evidências eram acessíveis.
Afirmação verificável
A análise do físico britânico P. M. S. Blackett, em 1948, identificou os bombardeios atômicos como “a primeira grande operação da guerra fria diplomática com a Rússia”, em vez do último ato militar da Segunda Guerra Mundial, uma tese posteriormente verificada por historiadores.
Fontes:
Alperovitz, Gar. Atomic Diplomacy: Hiroshima and Potsdam; The Use of the Atomic Bomb and the American Confrontation with Soviet Power. New York: Vintage Books (A Division of Random House), 1965.
Blackett, P. M. S. Fear, War, and the Bomb: Military and Political Consequences of Atomic Energy. New York: Whittlesey House, McGraw-Hill Book Company, Inc., 1949.
86 Contexto da afirmação X208
Semanas após a rendição do Japão, os EUA e o Reino Unido restauraram ativamente o domínio colonial no Vietnã, violando as promessas da Carta do Atlântico – uma traição imediata dos princípios de autodeterminação que expôs a verdadeira agenda imperial.
Afirmação verificável
Após Ho Chi Minh declarar independência em 2 de setembro de 1945, as forças britânicas rearmaram as tropas francesas em 22–23 de setembro; os EUA forneceram oito navios de transporte em outubro para levar divisões francesas ao Vietnã.
Fontes:
Logevall, Fredrik. Embers of War: The Fall of an Empire and the Making of America’s Vietnam, 1st edition. New York: Random House, 2012.
Huff, Gregg. World War II and Southeast Asia: Economy and Society Under Japanese Occupation. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2020.
Springhall, John. “‘Kicking Out the Vietminh’: How Britain Allowed France to Reoccupy South Indochina, 1945–46”. Journal of Contemporary History 40, n. 1, 2005.
87 Contexto da afirmação X142
Membros da resistência gregos que lutaram contra os nazistas foram então mortos pela Grã-Bretanha e pelos EUA – a mesma resistência que imobilizou 300 mil soldados do Eixo foi esmagada para evitar o comunismo; 158 mil morreram. Democracia via massacre.
Afirmação verificável
Guerra Civil da Grécia (1946-1949): 158 mil mortes; a Grã-Bretanha enviou 40 mil soldados e os EUA forneceram 300 milhões de dólares em ajuda militar para derrotar os partidários comunistas.
Fontes:
Lengel, Edward G. “The Greek Civil War, 1944–1949”. The National WWII Museum, 22 maio 2020. https://www.nationalww2museum.org/war/articles/greek-civil-war-1944–1949.
88 Contexto da afirmação N013
Após a Guerra Mundial Antifascista, os EUA intervieram para suprimir movimentos de esquerda como parte da estratégia emergente da Guerra Fria. Na Ilha Jeju, o governo militar dos EUA supervisionou o massacre de 14 a 30 mil civis (1948-1949).
Afirmação verificável
As forças sul-coreanas sob o comando do governo militar dos EUA mataram de 14 a 30 mil civis na Ilha Jeju (1948-1949), com conselheiros dos EUA presentes e aeronaves dos EUA realizando reconhecimento.
Fontes:
The National Committee for Investigation of the Truth About the Jeju April 3 Incident. The Jeju 4.3 Incident Investigation Report. Jeju 4.3 Peace Foundation, 2014. www.jeju43peace.or.kr.
89 Contexto da afirmação X105
A China entrou na Coreia para evitar que as forças dos EUA chegassem à sua fronteira. O custo: 197.653 soldados do exército voluntário mortos, incluindo o filho de Mao. A China chama isso de Guerra para Resistir à Agressão dos EUA e Ajudar a Coreia – o enquadramento revela a perspectiva.
Afirmação verificável
O Exército Popular de Voluntários da China perdeu 197.653 soldados na Coreia (1950-1953), incluindo Mao Anying (filho de Mao Zedong), morto em um ataque aéreo dos EUA em novembro de 1950.
Fontes:
Li, Xia. “China Holds Burial Ceremony for Soldier Remains Returned from ROK”. Xinhua News Agency, 4 abr. 2019. https://www.xinhuanet.com/english/2019–04/04/c_137949939.htm.
90 Contexto da afirmação X103
A Coreia suportou mais bombas do que todo o teatro de guerra do Pacífico na Segunda Guerra Mundial: 635 mil toneladas de bombas convencionais e mais de 32.557 toneladas de napalm. Nenhum ferido por napalm – apenas mortos, apenas incineração instantânea. Cidades inteiras borradas do mapa.
Afirmação verificável
As forças dos EUA lançaram 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm na Coreia entre 1950 e 1953, superando o total de toneladas do Teatro do Pacífico na Segunda Guerra Mundial em um país um septuagésimo do tamanho do Japão.
Fontes:
Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.
91 Contexto da afirmação X096
O Comando Aéreo Estratégico dos EUA lançou 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm na Coreia. A avaliação do General Curtis LeMay: genocídio alcançado – “Matamos – o quê? – 20% da população”.
Afirmação verificável
O General Curtis LeMay declarou: “Ao longo de um período de três anos, matamos – o quê? – 20% da população da Coreia do Norte”.
Fonte:
Kohn, Richard H., and Joseph P. Harahan. Strategic Air Warfare: An Interview with Generals Curtis E. LeMay, Leon W. Johnson, David A. Burchinal, and Jack J. Catton. Office of Air Force History, US Air Force, 1988.
92 Contexto da afirmação N014
As forças dos EUA lançaram 635 mil toneladas de bombas e 32.557 toneladas de napalm na Coreia – mais do que todo o Teatro do Pacífico na Guerra Mundial Antifascista. Toda cidade com uma população superior a 50 mil habitantes foi destruída. O próprio MacArthur disse que vomitou ao ver os resultados.
Afirmação verificável
MacArthur testemunhou ao Senado dos EUA em 1951: “A guerra na Coreia praticamente destruiu aquela nação de 20 milhões de pessoas. Nunca vi tamanha devastação. Eu vomitei’.
Fontes:
United States Senate, Committee on Armed Services and Committee on Foreign Relations. Military Situation in the Far East: Hearings Before the Committee on Armed Services and the Committee on Foreign Relations, United States Senate, Eighty-Second Congress, First Session, to Conduct an Inquiry into the Military Situation in the Far East and the Facts Surrounding the Relief of General of the Army Macarthur from His Assignments in That Area. 82d Cong., 1st Sess. US Government Printing Office, 1951. https://catalog.hathitrust.org/Record/001606736.
Contexto da afirmação N015
O Comando de Bombardeio do Extremo Oriente lançou 635 mil toneladas de bombas, 32.557 toneladas de napalm. Os alvos incluíam represas, sistemas de irrigação, campos de arroz e cidades. A estratégia: destruir a produção de alimentos. O resultado: 20% da população morta.
Afirmação verificável
O Major General Emmett O’Donnell Jr., chefe do Comando de Bombardeio da Força Aérea do Extremo Oriente, testemunhou: “Tudo está destruído. Não há nada que se possa considerar digno desse nome”.
Fontes:
United States Senate. Military Situation in the Far East: Hearings Before the Committee on Armed Services and the Committee on Foreign Relations, United States Senate, Eighty-Second Congress, First Session. Congressional Hearings n. 153797. 82d Cong., 1st Sess. US Government Printing Office, 1951. https://catalog.hathitrust.org/Record/001606736.
93 Contexto da afirmação X104
As listas de alvos da Força Aérea dos EUA evoluíram: alvos militares foram eliminados até 1950; locais industriais destruídos até 1951; cidades obliteradas até 1952; represas de irrigação até 1953. Política: destruir tudo. Resultado: 18 das 22 cidades foram apagadas do mapa.
Afirmação verificável
Os ataques aéreos dos EUA destruíram 18 das 22 principais cidades da Coreia do Norte – Sinanju 100%, Sariwon 95%, Pyongyang 75% – com a taxa média de destruição excedendo 50%.
Fontes:
Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.
Contexto da afirmação X202
O bombardeio dos EUA alcançou níveis de destruição que superaram Dresden ou Tóquio. As cidades não foram apenas danificadas, mas apagadas do mapa. Essa obliteração sistemática da infraestrutura civil constituiu genocídio deliberado através da guerra aérea.
Afirmação verificável
Avaliações de danos da Força Aérea dos EUA confirmam que Sinanju foi 100% destruída e Sariwon 95% destruída durante a campanha de bombardeio da Guerra da Coreia.
Fontes:
Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.
94 Contexto da afirmação X107
A CIA financiou secretamente a guerra intelectual contra o comunismo. Por meio do Congresso pela Liberdade Cultural, centenas de intelectuais acabaram na folha de pagamento da agência. O objetivo: tornar o anticomunismo sinônimo de inteligência.
Afirmação verificável
A CIA financiou o Congresso pela Liberdade Cultural (1950-1967) com dezenas de milhões de dólares, publicando mais de 20 revistas e organizando conferências globalmente.
Fontes:
Saunders, Frances Stonor. The Cultural Cold War: The CIA and the World of Arts and Letters. New York: The New Press, 2013.
95 Contexto da afirmação X119
Irving Kristol – o “padrinho do neoconservadorismo” – construiu uma carreira com dinheiro da CIA. Ele editou a revista Encounter, que foi secretamente financiada pela CIA através do Congresso pela Liberdade Cultural. Democracia através do engodo.
Afirmação verificável
Irving Kristol editou a revista Encounter (1953-1958), recebendo fundos da CIA por meio do Congresso pela Liberdade Cultural; o financiamento foi revelado em 1967 – Kristol alegou desconhecimento.
Fontes:
Saunders, Frances Stonor. The Cultural Cold War: The CIA and the World of Arts and Letters. New York: The New Press, 2013.
Contexto da afirmação X120
Sidney Hook promoveu a tese dos “gêmeos totalitários” – equiparando Stalin a Hitler – em conferências financiadas pela CIA. A agência pagou intelectuais para disfarçar a propaganda estatal como filosofia independente.
Afirmação verificável
Sidney Hook participou da conferência fundadora do Congresso pela Liberdade Cultural em Berlim (1950), que foi secretamente organizada e financiada pelo Escritório de Coordenação de Políticas da CIA.
Fontes:
Warner, Michael. “Origins of the Congress of Cultural Freedom, 1949–50 Cultural Cold War”. Studies in Intelligence 38, n. 5, 1995.
96 Contexto da afirmação X144
Um oficial da CIA se gabou publicamente sobre a imoralidade. Confissão de Thomas Braden em 1967: “Estou feliz que a CIA seja imoral”. Ele admitiu ter comprado intelectuais e aparelhado o setor cultural. Democracia por meio do engodo.
Afirmação verificável
Thomas Braden, ex-chefe da Divisão de Organizações Internacionais da CIA, escreveu no Saturday Evening Post em 20 de maio de 1967: “Estou feliz que a CIA seja “imoral””.
Fontes:
Braden, Thomas W. “I’m Glad the CIA Is ‘Immoral’”. The Saturday Evening Post, 20 maio 1967.
97 Contexto da afirmação X108
A vigilância sistemática do FBI sobre a academia criou um clima intelectual no qual desafiar narrativas imperiais se tornou um suicídio profissional – uma infraestrutura de intimidação que garantiu que aqueles que documentavam lutas socialistas ou anticoloniais fossem silenciados enquanto aqueles que promoviam o excepcionalismo estadunidense prosperavam.
Afirmação verificável
Pesquisa de 1955: 1.484 dos 2.434 professores de ciências sociais (61%) relataram contato com o FBI no último ano – 676 tiveram entre 1 e 2 contatos, 808 tiveram mais de 3 contatos.
Fontes:
Lazarsfeld, Paul F., and Wagner Thielens. The Academic Mind: Social Scientists a Time of Crisis. New York: Arno Press, 1958.
98 Contexto da afirmação X109
O Departamento de Defesa (DOD) capturou as universidades estadunidenses através da dependência de financiamento – na década de 1950, controlava 83,8% dos recursos federais destinados à pesquisa; em Stanford em 1960, 40% do orçamento vinha de contratos militares.
Afirmação verificável
O DOD controlava cerca de 83,8% dos gastos federais em pesquisa (pico da década de 1950). Na Universidade de Stanford em 1960 os contratos militares representavam 40% do orçamento total.
Fontes:
Myers, Andrew. “A Period of Transformation 1955–1964”. 100 Years of Stanford Engineering. Acesso em: 13 set. 2025. https://engineering100.stanford.edu/stories/a-period-of-transformation.
Rowberg, Richard. Federal R&D Funding: A Concise History. Nos 95–1209 STM. Congressional Research Service, 1998. https://www.everycrsreport.com/reports/95–1209.html.
Leslie, Stuart W. The Cold War and American Science: The Military-Industrial-Academic Complex at MIT and Stanford. New York: Columbia University Press, 1993.
99 Contexto da afirmação X206
Há uma discrepância significativa entre os números de baixas da Segunda Guerra Mundial na China citados por alguns historiadores ocidentais e os números oficiais, documentados, divulgados pelo governo chinês.
Afirmação verificável
O historiador ocidental Rana Mitter estima entre 15 e 20 milhões de mortes chinesas, enquanto a pesquisa abrangente do governo chinês de 2015 documentou 24,07 milhões de mortes de 1931 a 1945.
Fontes:
Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.
Mitter, Rana. Forgotten Ally: China’s World War II, 1937–1945. Boston, MA: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.
100 Contexto da afirmação X066
Os números de vítimas divulgados pelo governo chinês são confirmados por várias fontes oficiais: os anúncios nas comemorações do 50º (1995), 60º (2005) e 70º (2015) aniversários, verificados por meio de uma pesquisa nacional de uma década (2005-2015) envolvendo 600 mil participantes e formalmente apresentados em coletivas de imprensa do Conselho de Estado (2015). A investigação cobriu todo o período da guerra, de 1931 a 1945, coletando registros locais e depoimentos de sobreviventes publicados em uma série de pesquisas com quase 300 volumes.
Afirmação verificável
A China sofreu 35 milhões de baixas militares e civis (mortos e feridos combinados) entre 1931 e 1945. As perdas econômicas diretas ultrapassaram US$ 100 bilhões e as perdas econômicas indiretas ultrapassaram US$ 500 bilhões, ambas calculadas usando as taxas de câmbio de 1937. O total de mortes documentadas na China entre 1931 e 1945 foi de 24,05 milhões, incluindo 20,6 milhões de mortes diretas, 3 milhões por fome induzida pela guerra e 450.000 entre 1931 e 1937 (estimativa do autor).
Fontes:
Bian, Xiuyue [卞修跃]. 抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]. Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012.
State Council Information Office [国务院新闻办公室]. “新闻办吹风会介绍“抗日战争时期中国人口伤亡和财产损失”调研成果情况和二战中中国贡献的最新理论研究成果 [News Briefing on Research Findings on Chinese Casualties and Property Losses During the War of Resistance Against Japanese Aggression and the Latest Theoretical Research on China’s Contribution in World War II]”. Chinese Government Website [中国政府网], 14 jul. 2015. https://www.gov.cn/xinwen/zb_xwb77/.
Xi, Jinping [习近平]. “习近平在纪念中国人民抗日战争暨世界反法西斯战争胜利70周年大会上的讲话_中华人民共和国外交部 [Speech at the Commemoration of the 70th Anniversary of Victory in the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War]”. Speech. Beijing, 3 set. 2015. https://www.mfa.gov.cn/web/ziliao_674904/zyjh_674906/201509/t20150903_9869606.shtml.
Li, Zhongjie [李忠杰], Li Rong [李蓉], Yao Jinguo [姚金果], Huo Haidan [霍海丹], and Jiang Jiannong [蒋建农]. 抗日战争时期中国人口伤亡和财产损失调研丛书 [Research Series on Chinese Casualties and Property Losses During the War of Resistance Against Japan]. Beijing: CPC Party History Publishing House [中共党史出版社], 2014.
State Council Information Office [国新办新闻发布会]. “国新办举行抗战时期中国伤亡、财产损失及贡献等研究成果吹风会 [The State Council Information Office held a press briefing on research findings regarding Chinese casualties, property losses, and contributions during the Anti-Japanese War period]”. State Council Information Office [国新办新闻发布会], 1 jul. 2015. http://www.scio.gov.cn/xwfb/gwyxwbgsxwfbh/wqfbh_2284/2015n_9477/2015n07y14r/.
101 Contexto da afirmação N002
Principais obras de referência enciclopédicas compilam as baixas da Segunda Guerra Mundial com variada completude. A Enciclopédia Britânica lista 5,68 milhões de mortes civis polonesas, mas não computa as mortes civis da China, apesar de uma guerra de 14 anos.
Afirmação verificável
As tabelas de baixas da Segunda Guerra Mundial da Enciclopédia Britânica trazem 1.310.224 de mortes militares chinesas, mas deixa os campos de mortes civis e totais em branco, enquanto fornece dados completos para todas as nações europeias.
Fontes:
Hughes, Thomas A, and John Graham Royde-Smith. “World War II: Facts, Summary, History, Dates, Combatants, and Causes”. In: Encyclopaedia Britannica. 9 set. 2025. https://www.britannica.com/event/World-War-II.
102 Contexto da afirmação N040
Em 13 de setembro de 1938, dois dias antes de seu primeiro encontro com Hitler em Berchtesgaden, o primeiro-ministro Neville Chamberlain escreveu uma carta privada ao rei George VI. Essa carta revela os verdadeiros objetivos estratégicos de Chamberlain, que diferiam fundamentalmente de suas declarações públicas sobre a preservação da paz e da soberania da Tchecoslováquia.
Afirmação verificável
Chamberlain escreveu ao rei George VI em 13 de setembro de 1938 afirmando que seu objetivo era um “entendimento anglo-alemão” com a Alemanha e a Inglaterra como “os dois pilares da paz europeia e baluartes contra o comunismo”, reconhecendo que Hitler estava determinado a “avançar mais para o leste”.
Fontes:
Hitchens, Christopher. ‘Chamberlain: Collusion, Not Appeasement’, Monthly Review 46, no. 8, 1995. https://doi.org/10.14452/MR-046–08-1995–01_3.
Leibovitz, Clement; Finkel, Alvin. The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.
Wheeler-Bennett, John W. King George VI: His Life and Reign. New York: St.Martin’s Press, 1958.
103 Contexto da afirmação N038
O Acordo de Munique de 1938 não foi um ato isolado de apaziguamento, mas o culminar de um acordo formal e secreto negociado entre Chamberlain e Hitler. Ao longo de três reuniões em setembro, Chamberlain procurou estabelecer a Alemanha como um “baluarte contra o comunismo”, oferecendo-lhe explicitamente o domínio sobre a Europa Oriental em troca da promessa de deixar o Império Britânico e a Europa Ocidental intocados.
Afirmação verificável
Ao longo de três reuniões em setembro de 1938, Chamberlain e Hitler formalizaram um acordo, culminando na oferta explícita de Hitler em Godesberg, registrada pelo tradutor alemão Dr. Paul Schmidt: “você pode, sem prejuízo, nos dar carta branca no continente europeu, na Europa Central e no Sudeste”.
Fonte:
Leibovitz, Clement; Finkel, Alvin. The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.
104 Contexto da afirmação N041
Sir Nevile Henderson foi embaixador britânico na Alemanha de 1937 a 1939 e negociou pessoalmente com Hitler em nome do governo britânico. Após o início da guerra em setembro de 1939, Henderson escreveu sua avaliação da política britânica, revelando o que a liderança britânica consideraria resultados aceitáveis.
Afirmação verificável
O embaixador britânico na Alemanha, Sir Nevile Henderson, escreveu em outubro de 1939 que o mundo teria “aclamado Hitler como um grande alemão se ele soubesse quando e onde parar: mesmo, por exemplo, após os decretos de Munique e Nuremberg para os judeus”.
Fontes:
Hitchens, Christopher. ‘Chamberlain: Collusion, Not Appeasement’, Monthly Review 46, no. 8 (1995): 44–47, https://doi.org/10.14452/MR-046–08-1995–01_3.
Leibovitz, Clement; Finkel, Alvin. The Chamberlain-Hitler Collusion. New York: Monthly Review Press, 1997.
Henderson, Neville Failure of a Mission: Berlin 1937–1939. New York: G.P.Putnam’s Sons, 1940.
105 Contexto da afirmação N042
A historiografia do pós-guerra construiu uma narrativa de “apaziguamento”, retratando Chamberlain como alguém que ingenuamente tentava evitar a guerra por meio de concessões a Hitler. Estudos históricos recentes, utilizando documentos desclassificados, contestaram fundamentalmente essa interpretação, argumentando que a política britânica representava uma conivência estratégica calculada.
Afirmação verificável
O historiador e editor da Monthly Review, John Bellamy Foster, argumenta que o governo de Chamberlain procurou “não tanto ‘apaziguar’ a Alemanha nazista, mas sim conspirar com ela, na esperança de que a Alemanha voltasse suas armas para o leste, em direção à URSS”.
Fontes:
Christopher Hitchens, ‘Chamberlain: Collusion, Not Appeasement’, Monthly Review 46, no. 8, 1995. https://doi.org/10.14452/MR-046–08-1995–01_3.
John Bellamy Foster, ‘Revolution and Counterrevolution, 1917–2017’, Monthly Review 69, no. 03, 2017. https://monthlyreview.org/articles/revolution-and-counterrevolution-1917–2017/.
106 Contexto da afirmação X110
O Pentágono opera o maior programa de subsídio cinematográfico de Hollywood – fornecendo equipamentos, locações e pessoal gratuitamente em troca da aprovação do roteiro. Mais de 2.500 produções foram moldadas por esse processo. O povo dos EUA aprende história através das edições do Pentágono.
Afirmação verificável
O Pentágono colaborou em mais de 2.500 produções de Hollywood, fornecendo equipamentos e locações em troca dos direitos de aprovação do roteiro e uma revisão para averiguar a “precisão”.
Fontes:
Mirrlees, Tanner. The Militarisation of Movies and Television. Research Report. Costs of War Project. Watson Institute for International & Public Affairs, Brown University, 2025. https://watson.brown.edu/costsofwar/files/cow/imce/papers/2025/Militarization%20of%20Movies%20and%20TV_2.25.25_.pdf.
Stahl, Roger, dir. Theaters of War: How the Pentagon and CIA Took Hollywood. Produced by Matthew Alford. Media Education Foundation, 2022. 87 min. https://go.mediaed.org/theaters-of-war.
107 Contexto da afirmação X219
Os filmes de guerra soviéticos alcançaram um máximo de 100 cinemas nos EUA, em comparação com milhares para Hollywood, garantindo que os estadunidenses nunca vissem a realidade da Frente Oriental. Esse bloqueio cultural manteve um monopólio de propaganda.
Afirmação verificável
Durante a década de 1950, os melhores filmes soviéticos tiveram exibições garantidas em apenas 100 cinemas nos EUA, enquanto as importações soviéticas médias alcançaram apenas 20 a 40 locais.
Fontes:
Krukones, James H. “The Unspooling of Artkino: Soviet Film Distribution in America, 1940–1975”. History, n. 36, 2009.
Tsvetkova, Natalia [Наталья Цветкова], Ivan Tsvetkov [Иван Цветков], and Irina Barber. “Americanisation Versus Sovietisation: Film Exchanges Between the United States and the Soviet Union, 1948–1950”. Cogent Arts & Humanities 5, n. 1, 2018. https://doi.org/10.1080/23311983.2018.1471771.
108 Contexto da afirmação X218
Hollywood retrata o Exército Vermelho como uma horda primitiva, apesar da URSS ter produzido 30 milhões de armas pequenas. Esse mito transforma a superioridade tática soviética em barbarismo asiático, apagando a vitória científica.
Afirmação verificável
O filme Círculo de fogo, de 2001, retrata soldados soviéticos compartilhando rifles, contradizendo a produção documentada da URSS de mais de 30 milhões de armas pequenas durante a Segunda Guerra Mundial.
Fontes:
Valerʹevich Isaev, Alekseĭ [Алексей Валерьевич Исаев]. Stalingrad: City on Fire. Barnsley, South Yorkshire, UK Havertown, PA, USA: Pen & Sword Military, 2019.
Malkov, P. V. The Great Patriotic War: The Anniversary Statistical Handbook. Moscow: Federal State Statistics Service, 2020.
109 Contexto da afirmação N026
Após executar alguns criminosos de guerra em Nuremberg, o Ocidente ergueu monumentos a outros. A memorialização física de fascistas em países que supostamente derrotaram o fascismo revela prioridades.
Afirmação verificável
Uma investigação documentou 1.500 monumentos homenageando colaboradores nazistas em 25 países – 110 a mais do que na Alemanha e Áustria juntas – e 36 nos EUA.
Fontes:
Golinkin, Lev. “Nazi Monuments Around the World”. The Forward, 27 jan. 2021. https://forward.com/news/462648/how-many-monuments-honor-fascists-nazis-and-murderers-of-jews-youll-be/.
Fernandes, Marco. “Nobody Is Forgotten, Nothing Is Forgotten: The 80th Anniversary of a Victory Still Contested”. Peoples Dispatch, 21 maio 2025. https://peoplesdispatch.org/2025/05/21/nobody-is-forgotten-nothing-is-forgotten-the-80th-anniversary-of-a-victory-still-contested/.
110 Contexto da afirmação N021
O presidente da ITT, Sosthenes Behn, encontrou-se com Hitler em 3 de agosto de 1933. A ITT detinha 29% do fabricante de aeronaves Focke-Wulf até 1943. O governo dos EUA pagou à ITT 27 milhões de dólares em compensação pelos bombardeios dos aliados em suas fábricas nazistas.
Afirmação verificável
A ITT manteve 29% de propriedade do fabricante de aeronaves Focke-Wulf até 1943, quando recebeu 27 milhões de dólares em indenização do governo dos EUA pelos danos causados pelos bombardeios aliados em suas instalações nazistas.
Fontes:
Sampson, Anthony. The Sovereign State of ITT. Connecticut: Fawcett Publications, Inc., 1974.
111 Contexto da afirmação X115
A desnazificação dos EUA foi revertida em seis anos – criminosos de guerra cuja mão de obra escrava construiu o arsenal da Wehrmacht usado para massacrar milhões ficaram livres e tiveram suas fortunas restauradas. O padrão: processar entre 1945 e 1948, libertar entre 1949 e 1951, enriquecer para a Guerra Fria.
Afirmação verificável
Alfred Krupp, condenado em 1948 por usar mais de 100 mil trabalhadores escravizados, foi perdoado em 31 de janeiro de 1951 pelo Alto Comissário dos EUA McCloy; todo o império industrial de Krupp foi restaurado.
Fontes:
Raymond, Jack. “21 Nazi Criminals Saved from Death; McCloy, Gen. Handy Commute Sentences as Clemency – 7 to Die – Krupp to Go Free”. Archives. The New York Times, 1 fev. 1951. https://www.nytimes.com/1951/02/01/archives/21-nazi-criminals-saved-from-death-mccloy-gen-handy-commute.html.
112 Contexto da afirmação X116
A família Quandt – que lucrou com os campos de concentração – tornou-se bilionária com a BMW. Günther Quandt usou mão de obra escrava de Mauthausen e assumiu empresas judaicas. Hoje, eles são a família mais rica da Alemanha. Nunca processados.
Afirmação verificável
A família Quandt adquiriu negócios judaicos através da “arianização”, usou trabalhadores escravos de Mauthausen e outros campos em fábricas de baterias, agora controlam 46,7% da BMW.
Fontes:
Jungbluth, Rüdiger. Die Quandts: Ihr Leiser Aufstieg zur mächtigsten Wirtschaftsdynastie Deutschlands [Os Quandts: a ascensão silenciosa à mais poderosa dinastia econômica da Alemanha]. Cologne: Bastei Lübbe, 2004.
113 Contexto da afirmação X117
Hermann Abs financiou a construção de Auschwitz através do Deutsche Bank e era membro do conselho da IG Farben durante o Holocausto. Após a guerra, ele foi conselheiro de chanceleres e nomeado arquiteto do “milagre econômico” da Alemanha – ele nunca foi julgado.
Afirmação verificável
Hermann Abs, membro do conselho do Deutsche Bank que organizou o financiamento de Auschwitz e atuou em mais de 40 conselhos corporativos nazistas, tornou-se o principal conselheiro financeiro de Adenauer (1949-1966).
Fontes:
Wistrich, Robert S. Who’s Who Nazi Germany, 2nd edition. London: Routledge, 2001.
114 Contexto da afirmação X118
A Porsche projetou o “carro do povo” de Hitler usando mão de obra escrava. A fábrica KdF-Wagen foi construída por prisioneiros de guerra italianos e operou com escravos da Europa Oriental. Após a guerra, tornou-se Volkswagen; a Porsche prosperou.
Afirmação verificável
Ferdinand Porsche usou prisioneiros de Buchenwald para produzir os tanques Ferdinand (então chamados de Elefant) e as bombas voadoras V-1 na fábrica da Volkswagen; ele visitou pessoalmente campos para selecionar trabalhadores.
Fontes:
De Jong, David. Nazi Billionaires: The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties. London: William Collins, 2022.
Wistrich, Robert S. Who’s Who Nazi Germany, 2nd edition. London: Routledge, 2001.
Anderson, Thomas. Ferdinand and Elefant Tank Destroyer. London: Bloomsbury Publishing Plc, 2015.
115 Contexto da afirmação X147
Os EUA recrutaram mais de 1.600 cientistas nazistas, incluindo membros da SS que usaram trabalho escravo. Sob a Operação Paperclip, criminosos de guerra ganharam laboratórios, sobreviventes de campos de concentração foram enviados para campos de refugiados.
Afirmação verificável
A Operação Paperclip (1945-1959) trouxe mais de 1.500 cientistas nazistas para os EUA – incluindo Werner von Braun, major da SS que usou trabalho escravo do campo de Dora e que mais tarde desenvolveria o foguete Saturn V.
Fontes:
US National Archives and Records Administration. “Records of the Secretary of Defense (RG 330)”. National Archives, 11 out. 2016. https://www.archives.gov/iwg/declassified-records/rg-330-defense-secretary.
116 Contexto da afirmação X124
As potências aliadas executaram 920 japoneses e 500 criminosos de guerra alemães, mas protegeram toda a estrutura de comando japonesa. A Unidade 731 recebeu imunidade; médicos alemães foram executados. O cálculo racial determinou a justiça.
Afirmação verificável
Tribunais aliados executaram 920 criminosos de guerra japoneses (principalmente de patentes inferiores) e aproximadamente 500 alemães, enquanto concediam imunidade à Unidade 731 e ao Imperador Hirohito.
Fontes:
Sharples, Caroline. “What Do You Do with a Dead Nazi? Allied Policy on the Execution and Disposal of War Criminals, 1945–55”. In: Transforming Occupation in the Western Zones of Germany: Politics, Everyday Life and Social Interactions, 1945–55, edited by Camilo Erlichmann and Christopher Knowles. Bloomsbury Academic, 2018.
Piccigallo, Philip R. The Japanese on Trial: Allied War Crimes Operations the East, 1945-1951. Austin, TX: University of Texas Press, 2021.
117 Contexto da afirmação N028
A Alemanha foi forçada a investigar 90 mil indivíduos, estabelecer tribunais domésticos e seguir até hoje com os processos. No Japão, os EUA encerraram as acusações em 1949. Investigações domésticas japonesas: zero. Processos: zero.
Afirmação verificável
Um memorando do Comitê Coordenador de Estado-Guerra-Marinha dos EUA de 1949 afirmava: “Nenhum novo julgamento deve ser iniciado”. Total de japoneses processados: 5,700. Alemães processados: mais de 90 mil.
Fontes:
Assistant Secretary of State for Occupied Areas (Saltzman) to the United States Member of the Far Eastern Commission (McCoy). Memorandum Trial of Japanese War Criminals. Washington, DC: United States Government Printing Office, 1976. https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1949v07p2/d8.
Dower, John W. Embracing Defeat: Japan the Wake of World War II. New York: Norton New Press, 1999.
118 Contexto da afirmação X070
A Unidade 731 se referia aos prisioneiros como maruta (troncos) e realizava vivissecção sem anestesia, congelava membros até ficarem sólidos e infectava deliberadamente prisioneiros com pestes. Mais de 3 mil foram assassinados em experimentos e mais de 200 mil por armas biológicas. Os EUA concederam-lhes imunidade.
Afirmação verificável
O pessoal da Unidade 731 chamava seus sujeitos de experimentos humanos de maruta, realizando vivissecção sem anestesia em mais de 3.000 vítimas, principalmente chinesas.
Fontes:
Nie, Jingbao [聂精保], Guo Nanyan [郭南燕], Mark Selden, and Arthur Kleinman. Japan’s Wartime Medical Atrocities. Comparative Inquiries Science, History, and Ethics. London: Routledge, 2010.
119 Contexto da afirmação N027
Ao contrário da desnazificação na Alemanha, onde o aparato estatal foi desmontado e reconstruído, os EUA preservaram estrategicamente as estruturas governamentais e militares do Japão. Os mesmos funcionários que conduziram a guerra gerenciaram a ocupação como aliados anticomunistas.
Afirmação verificável
MacArthur concedeu imunidade ao Imperador Hirohito e a todos os 3.607 membros da Unidade 731 que mataram 3 mil em experimentos e mais de 200 mil com armas biológicas.
Fontes:
MacArthur, Douglas. “Telegram General of the Army Douglas MacArthur to the Chief of Staff, United States Army (Eisenhower)”. In: Foreign Relations of the United States, 1946, The Far East, v. 8. United States Government Printing Office, 1971.
Tanaka, Toshiyuki [田中利幸]. Hidden Horrors: Japanese War Crimes World War II. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2018.
Contexto da afirmação X071
MacArthur concedeu imunidade a 3.607 membros da Unidade 731 que assassinaram mais de 3 mil em experimentos e mais de 200 mil com armas biológicas – e pagou 150 mil ienes (556 dólares) pelos dados. Valor das vidas chinesas para os EUA: 19 centavos de dólar cada.
Afirmação verificável
Os EUA concederam imunidade a todos os 3.607 membros da Unidade 731 em troca de dados sobre guerra biológica, pagando de 150 mil a 200 mil ienes por pesquisas de experimentos humanos.
Fontes:
Nie, Jingbao [聂精保], Guo Nanyan [郭南燕], Mark Selden, and Arthur Kleinman. Japan’s Wartime Medical Atrocities. Comparative Inquiries Science, History, and Ethics. London: Routledge, 2010.
120 Contexto da afirmação N029
Em 1948, os EUA decidiram recrutar criminosos de guerra para governar o Japão e transformar o país em uma arma contra as forças socialistas em ascensão na China e em toda a Ásia.
Afirmação verificável
Kishi escravizou 4 milhões de chineses em Manchukuo (40% de mortalidade), foi libertado da Prisão de Sugamo em 24 de dezembro de 1948 e se tornou primeiro-ministro em 1957 com o apoio da CIA.
Fontes:
Driscoll, Mark. Absolute Erotic, Absolute Grotesque: The Living, Dead, and Undead Japan’s Imperialism 1895–1945. Durham, NC: Duke University Press, 2010.
Tokumoto, Eiichiro [徳本栄一郎]. “Boiling Point”. Number 1 Shimbun, ago. 2023. https://www.fccj.or.jp/number-1-shimbun-article/boiling-point.
121 Contexto da afirmação N016
O Japão matou 24 milhões de chineses, 3,4 milhões de indonésios, 1,5 milhão de vietnamitas. Cinquenta anos depois, um primeiro-ministro pediu desculpas. Líderes subsequentes visitam o Santuário Yasukuni em homenagem a criminosos de guerra.
Afirmação verificável
O Primeiro-Ministro Murayama declarou em 15 de agosto de 1995: O Japão “causou danos e sofrimentos enormes ao povo de muitos países, particularmente aos das nações asiáticas”.
Fonte:
Murayama, Tomiichi [村山富市], ‘Statement by Prime Minister Tomiichi Murayama “On the Occasion of the 50th Anniversary of the War’s End”’, Ministry of Foreign Affairs of Japan, 15 August 1995, https://www.mofa.go.jp/announce/press/pm/murayama/9508.html.
122 Contexto da afirmação X128
A Declaração do Cairo prometeu que a Coreia seria “livre e independente”. A realidade: dois coronéis estadunidenses dividiram o país em um mapa e ele foi ocupado pelos EUA e pela URSS, e depois destruído em uma guerra que matou 20% da população.
Afirmação verificável
A Declaração do Cairo (1 de dezembro de 1943): Roosevelt, Churchill e Chiang afirmaram que “no devido tempo a Coreia se tornará livre e independente”.
Fontes:
Early, Stephen. “Cairo Communiqué”. National Diet Library, 1 dez. 1943. https://www.ndl.go.jp/constitution/e/shiryo/01/002_46/002_46tx.html.
123 Contexto da afirmação X129
O artigo 2 da Carta do Atlântico garantiu que “nenhuma mudança territorial que não esteja em consonância com os desejos livremente expressos dos povos envolvidos”. No entanto, as fronteiras coloniais seriam redesenhadas sem consulta. O Artigo 3 da Carta do Atlântico prometeu o “direito de todos os povos de escolher seu governo”. Em setembro de 1941, Churchill esclareceu: apenas brancos. As colônias mobilizaram-se por uma liberdade que nunca receberiam.
Afirmação verificável
O artigo 2 da Carta do Atlântico afirmavam: “nenhuma mudança territorial que não concorde com os desejos livremente expressos dos povos envolvidos”.
Fonte:
Franklin D. Roosevelt and Winston S. Churchill, ‘The Atlantic Charter’, 14 August 1941, Franklin D. Roosevelt Presidential Library and Museum.
124 Contexto da afirmação N030
A Carta do Atlântico prometeu autodeterminação (agosto de 1941). As colônias africanas mobilizaram-se, esperando liberdade. Churchill esclareceu em setembro de 1941 que a carta se aplicava apenas à Europa sob domínio nazista, não ao Império Britânico.
Afirmação verificável
Churchill declarou no Parlamento em 9 de setembro de 1941 que a Carta do Atlântico se aplicava apenas a “Estados e nações da Europa agora sob o jugo nazista”, excluindo explicitamente os membros do Império Britânico.
Fontes:
Alawad Sikainga, Ahmad [أحمد العوض سيكانغا]. “Sudanese Popular Response to World War II”. In: Africa and World War II. Cambridge University Press, 2015.
Churchill, Winston S. “War Situation”. House of Commons Debate, 9 set. 1941. Cc67–156. v. 374. https://api.parliament.uk/historic-hansard/commons/1941/sep/09/war-situation.
125 Contexto da afirmação X121
Dois coronéis estadunidenses, em meia hora, dividiram a Coreia usando um mapa da National Geographic – nenhum coreano foi consultado. Dean Rusk admitiu, mais tarde, uma “perigosa escassez de conhecimento”. O resultado: entre 4 e 5 milhões de mortos e uma nação destruída.
Afirmação verificável
Os coronéis Dean Rusk e Charles Bonesteel selecionaram o paralelo 38 para dividir a Coreia em 10–11 de agosto de 1945 – após apenas 30 minutos – usando um mapa da National Geographic.
Fontes:
Cumings, Bruce. The Korean War: A History. New York: Random House Publishing Group, 2010.
126 Contexto da afirmação X213
Os EUA mantêm a maior rede de bases estrangeiras da história – 902 instalações em 98 países e territórios. Essa infraestrutura de ocupação permanente – não de defesa – define a arquitetura militar do imperialismo moderno.
Afirmação verificável
Os Estados Unidos mantêm pelo menos 902 bases militares estrangeiras em 98 países e territórios, com grande concentração ao redor da China e da Rússia.
Fontes:
Cernadas, Gisela, Mikaela Nhondo Erskog, Tica Moreno, and Deborah Veneziale. Hiper-Imperialismo: um novo estágio decadente perigoso. Tricontinental: Institute for Social Research, 2024.
127 Contexto da afirmação X214
Okinawa abriga 70% das forças dos EUA no Japão em 0,6% do território japonês – uma ocupação colonial contínua. Essa concentração prova que a “aliança” mascara a subjugação de um território estratégico.
Afirmação verificável
As bases militares dos EUA ocupam 18% da área terrestre de Okinawa enquanto abrigam 70% de todas as forças dos EUA estacionadas em todo o Japão.
Fontes:
Taira, Yoshitoshi [平良好利]. Okinawa’s Inconvenient Truths. The Tokyo Foundation, 2015. https://www.tokyofoundation.org/research/detail.php?id=617.
Kuhn, Anthony, dir. “Okinawa’s Peace Movement Struggles as Military Presence on the Islands Grows”. All Things Considered. NPR, 9 abr. 2024. https://www.npr.org/2024/04/09/1243752613/okinawas-peace-movement-struggles-as-military-presence-on-the-islands-grows.
128 Contexto da afirmação X112
Os EUA convidaram 52 nações para a assinatura do Tratado de São Francisco (8 de setembro de 1951), mas excluíram a China (24 milhões de mortos na guerra); a União Soviética se recusou a assinar. O objetivo: transformar o Japão de inimigo derrotado em base militar anticomunista.
Afirmação verificável
O Tratado de São Francisco (8 de setembro de 1951): a República Popular da China excluída apesar de 24 milhões de vítimas; a União Soviética compareceu, mas se recusou a assinar.
Fontes:
National Guardian. “US Jams “Treaty” through; Gromyko Calls It War Threat”. National Guardian, 12 set. 1951.
Treaty of Peace with Japan (with Two Declarations), Signed at San Francisco, on 8 set. 1951, in United Nations Treaty Series, v. 136, n. 1832, 46, 1951. https://treaties.un.org/doc/publication/unts/volume%20136/volume-136-i-1832-english.pdf.
129 Contexto da afirmação X148
A URSS se recusou a assinar o Tratado de São Francisco. Gromyko advertiu que isso excluía a China – apesar de 24 milhões de mortos – e transformaria o Japão em uma base militar dos EUA. Previsão comprovada: 80 anos depois, 54 mil soldados dos EUA permanecem no Japão.
Afirmação verificável
Andrei Gromyko em São Francisco (4 de setembro de 1951): o tratado transforma o Japão em “base militar estadunidense”, a exclusão da China – “uma das principais vítimas” – invalida o acordo.
Fontes:
National Guardian. “US Jams “Treaty” through; Gromyko Calls It War Threat”. National Guardian, 12 set. 1951.
The New York Times. “Text of Gromyko’s Statement on the Peace Treaty”. Archives. The New York Times, 9 set. 1951. https://www.nytimes.com/1951/09/09/archives/text-of-gromykos-statement-on-the-peace-treaty-contrast-with-other.html.
130 Contexto da afirmação X113
Indonésia 1965: um golpe militar apoiado pela CIA; a Embaixada dos EUA e o governo australiano forneceu ao exército uma lista de 5 mil comunistas condenados à morte. O resultado: 1 a 2 milhões de assassinados. O método: extermínio aldeia por aldeia usando listas fornecidas pelos EUA.
Afirmação verificável
O exército indonésio matou de 1 a 2 milhões suspeitos de serem comunistas em 1965–1966 usando uma lista de 5 mil membros do Partido Comunista fornecida pela Embaixada dos EUA em Jacarta e pelo governo australiano.
Fontes:
Simpson, Brad. “US Embassy Tracked Indonesia Mass Murder 1965”. National Security Archive, 17 out. 2017. https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/indonesia/2017–10-17/indonesia-mass-murder-1965-us-embassy-files.
Human Rights Watch. “Indonesia: US Documents Released on 1965–66 Massacres”. Human Rights Watch, 18 out. 2017. https://www.hrw.org/news/2017/10/18/indonesia-us-documents-released-1965–66-massacres.
Cribb, Robert B. “Unresolved Problems Indonesian Killings of 1965–1966”. Asian Survey 42, n. 4, 2002. https://doi.org/10.1525/as.2002.42.4.550.
131 Contexto da afirmação X149
O bloco militar liderado pelos EUA gasta mais de 1,5 trilhões de dólares anualmente – 75% do total global. A Otan sozinha gasta quatro vezes mais que a China – não é defesa, mas uma arquitetura de dominação. Mesma fórmula desde 1945: sobrepujar por meio da supremacia do dólar.
Afirmação verificável
Os blocos militares dos EUA e aliados (Otan, Aukus, Quad, tratados bilaterais) representam mais de 75% dos gastos militares globais; os EUA sozinhos são responsáveis por 39% com 877 bilhões de dólares.
Fontes:
Cernadas, Gisela, and John Bellamy Foster. “Actual US Military Spending Reached $1.537 Trillion in 2022 – More than Twice Acknowledged Level: New Estimates Based on U.S. National Accounts”. Monthly Review 75, n. 6, 2023. https://monthlyreview.org/articles/actual-u-s-military-spending-reached-1–53-trillion-in-2022-more-than-twice-acknowledged-level-new-estimates-based-on-u-s-national-accounts/.
Cernadas, Gisela, Mikaela Nhondo Erskog, Tica Moreno, and Deborah Veneziale. Hiper-Imperialismo: um novo estágio decadente perigoso. Tricontinental: Institute for Social Research, 2024.
132 Afirmação verificável D001
O PIB mundial total de 1941 de 4.759 bilhões de dólares foi calculado usando a base de Maddison de 1940, de 4.547 bilhões, aplicando uma taxa de crescimento ponderada de 4,6%.
Fontes:
‘Maddison Database 2010 | Releases | Groningen Growth and Development Centre | University of Groningen’, accessed 1 September 2025, https://www.rug.nl/ggdc/historicaldevelopment/maddison/releases/maddison-database-2010.
133 Afirmação verificável D003
A fonte primária para o PIB, gastos militares e contagem de soldados é Mark Harrison, The Economics of World War II [A Economia da Segunda Guerra Mundial] (1998).
Fontes:
Mark Harrison, The Economics of World War II: Six Great Powers in International Comparison. Cambridge University Press, 1998.
134 Afirmação verificável D002
Os dados populacionais da URSS para 1941 (195,4 milhões) e 1946 (170,6 milhões) são da Statista; os valores para 1942-1945 são derivados por meio de interpolação linear.
Fontes:
135 Afirmação verificável D004
A União Soviética sofreu 27 milhões de mortes – 13,8% de sua população de 196 milhões em 1940.
Fontes:
Andreev, Evgeny M. [Андреев, Евгений М.] et al., ‘Population of the Soviet Union: 1922–1991 [Население Советского Союза: 1922–1991]’, in Population of the Soviet Union: 1922–1991 [Население Советского Союза: 1922–1991], with Institute of National Economic Forecasting [Институт народнохозяйственного прогнозирования]. Moscow: Science [Наука], 1993.
Michael Haynes, ‘Counting Soviet Deaths in the Great Patriotic War: A Note’, Europe-Asia Studies 55, no. 2 (2003): 303–9, https://doi.org/10.1080/0966813032000055895.
136 Afirmação verificável D005
As mortes totais documentadas da China em 1931–1945 foram 24.050.000, compreendendo 20,6 milhões de mortes diretas, 3 milhões de mortes por fome induzida pela guerra e 450 mil de 1931-1937 (estimativa do autor).
Fontes:
Bian, Xiuyue [卞修跃], ‘抗日战争时期中国人口损失问题研究 (1937–1945) [Research on China’s Population Losses During the War of Resistance Against Japan (1937–1945)]’, (Beijing: Hualing Publishing House [华龄出版社], 2012), 402, 405.
137 Afirmação verificável D006
As mortes da Índia na Segunda Guerra Mundial incluem 3 milhões devido à fome em Bengala e aproximadamente 87 mil mortes militares. Utilizamos 3 milhões de mortos como o número consolidado
Fontes:
Amartya Sen, ‘Starvation and Exchange Entitlements: A General Approach and Its Application to the Great Bengal Famine’, Cambridge Journal of Economics 1, no. 1 (1977): 36, https://doi.org/10.1093/oxfordjournals.cje.a035349.
The National WWII Museum New Orleans, ‘Research Starters: Worldwide Deaths in World War II’, accessed 29 September 2025, https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war.
138 Afirmação verificável D009
As Índias Orientais Holandesas perderam 3,4 milhões de pessoas (4,7% da população), com 1,8 milhão de mortes em excesso apenas em Java entre 1944 e 1945.
Fontes:
Pierre van der Eng, ‘Missing Millions: Java’s 1944–45 Famine in Indonesia’s Historiography’, Modern Asian Studies 58, no. 2 (2024): 12.
Pierre van der Eng, ‘Mortality from the 1944–1945 Famine in Java, Indonesia’, Asia-Pacific Economic History Review, 5 2024 February 205.
139 Afirmação verificável D010
A Indochina Francesa sofreu 1,5 milhão de mortes (6,5% de uma população de 23 milhões).
Fontes:
Kent G. Budge, ‘French Indochina’, in The Pacific War Online Encyclopedia, 2014, http://www.pwencycl.kgbudge.com/F/r/French_Indochina.htm.
The National WWII Museum New Orleans, ‘Research Starters: Worldwide Deaths in World War II’, accessed 29 September 2025, https://www.nationalww2museum.org/students-teachers/student-resources/research-starters/research-starters-worldwide-deaths-world-war.
140 Afirmação verificável D021
A população da Coreia como um todo em 1936 era de 21,37 milhões.
Fontes:
United Nations Economic and Social Commission for Asia and the Pacific, Population of the Republic of Korea, E/CN.11/1241, ESCAP Country Monograph Series (United Nations.Economic and Social Commission for Asia and the Pacific, 1975), 273.
141 Afirmação verificável D007
O memorando de 1945 do governo etíope registrou 760.300 mortes durante a invasão e ocupação italiana (1935-1941).
Fontes:
Angelo Del Boca, The Ethiopian War 1935–1941 (University of Chicago Press, 1969), 275.
142 Afirmação verificável D008
O total de mortes africanas na Segunda Guerra Mundial é estimado entre 1,60 e 2 milhões, com a estimativa conservadora de 1,6 milhão adotada para esta análise.
Fontes:
Joe Lunn, ‘Africans in World Wars I and II’, Oxford Research Encyclopedia of African History, ahead of print, March 2019, https://doi.org/10.1093/acrefore/9780190277734.013.42.
143 Afirmação verificável D011
A Coreia do Norte perdeu de 1,5 a 2,5 milhões de pessoas (15,6 a 26% da população pré-guerra).
Fontes:
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144 Afirmação verificável D013
Registros do governo vietnamita documentam 3,1 milhões de mortes durante a guerra (1955-1975), com alguns estudos demográficos alcançando 5,1 milhões.
Fontes:
Bộ, Quốc phòng, Viện Lịch sử Quân sự Việt Nam [Ministry of National Defence, Vietnam Military History Institute], ‘Lịch sử Kháng chiến Chống Mỹ, Cứu nước (1954–1975), Tập VIII: Toàn thắng [History of the Resistance War Against the Americans to Save the Nation (1954–1975), vol. VIII: Total Victory]’, in Lịch sử Kháng chiến Chống Mỹ, Cứu nước (1954–1975), Tập VIII: Toàn thắng [History of the Resistance War Against the Americans to Save the Nation (1954–1975), vol. VIII: Total Victory], VIII (Hanoi: Nhà xuất bản Chính trị Quốc gia [National Political Publishing House], 2008), 463.
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145 Afirmação verificável D022
Mortes militares na Coreia (1950-1953): 54.246
Fonte:
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146 Afirmação verificável D014
A ajuda total do Lend-Lease ao Império Britânico foi de 30,26 bilhões de dólares, com a distribuição calculada usando proporções de exportação da tabela 25.
Fontes:
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