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	<title>Alerta Vermelho | Tricontinental: Institute for Social Research</title>
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	<description>international, movement-driven institution focused on stimulating intellectual debate that serves people’s aspirations.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Jul 2026 00:48:34 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Alerta Vermelho n. 22: A verdade em meio aos escombros</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-22-venezuela/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amilcar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 08:00:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Narrativas falsas obscurecem a resposta da Venezuela ao terremoto. Este Alerta Vermelho testa mitos, documenta os esforços de socorro e apela para o levantamento das sanções e a liberação de bens públicos que permanecem inacessíveis no exterior.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone wp-image-149111 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2026/07/Red-Alert-22-Cards_PT_TT.jpg" alt="" width="1200" height="630" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2026/07/Red-Alert-22-Cards_PT_TT.jpg 1200w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2026/07/Red-Alert-22-Cards_PT_TT-300x158.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2026/07/Red-Alert-22-Cards_PT_TT-1024x538.jpg 1024w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2026/07/Red-Alert-22-Cards_PT_TT-768x403.jpg 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px"></div>
<p>Os desastres naturais revelam mais do que o movimento das placas tectônicas: a força das sociedades, a resiliência das comunidades e as fraturas políticas que moldam o sofrimento de quem é exposto e de quem é explorado. Poucas horas após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho de 2026, as redes sociais e setores da imprensa internacional circulavam narrativas já conhecidas. Antes mesmo que as operações de resgate pudessem começar de fato, o desastre já havia se transformado em mais um campo de batalha na longa campanha liderada pelos EUA para minar o processo bolivariano iniciado com a eleição de Hugo Chávez em 1998.</p>
<p>Nada disso deve diminuir a imensa tragédia que o povo venezuelano enfrenta. Bairros inteiros foram devastados. Centenas de prédios desabaram. Hospitais, estradas, pontes e outras infraestruturas públicas estão em ruínas. Famílias continuam buscando por seus entes queridos enquanto equipes de resgate lutam contra a chuva, os tremores secundários e o difícil acesso pelas estradas. Mas a solidariedade exige mais do que compaixão. Exige a verdade. É por isso que o alerta vermelho n. 22 foi emitido, com o título <em>A verdade em meio aos escombros</em>. O texto examina alguns dos mitos mais comuns que circulam sobre o terremoto e os confronta com as evidências disponíveis.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Mito 1: O governo da Venezuela não respondeu de forma eficaz ao terremoto</h3>
<p>A dimensão da catástrofe precisa ser compreendida antes que qualquer julgamento sério possa ser feito. O número de mortos aumenta a cada dia, enquanto equipes de resgate e voluntários vasculham os escombros, com dezenas de milhares de pessoas ainda desaparecidas. Quase <a href="https://vtv.com.ve/atenciones-medicas-sismos-doce-mil/">duzentos prédios</a> desabaram completamente, e centenas de outros foram parcialmente destruídos. Hospitais que normalmente receberiam os feridos também foram danificados. Uma importante ponte e diversas estradas foram danificadas no estado de La Guaira, onde o terremoto atingiu com mais força entre os seis estados afetados, tornando extremamente difícil o deslocamento de equipamentos e equipes de resgate para as áreas atingidas. As chuvas contínuas e quase 800 réplicas do terremoto complicaram ainda mais as operações de resgate, enquanto o colapso parcial do aeroporto de Caracas obrigou equipes de resgate internacionais a chegarem por aeroportos mais distantes e, em seguida, a viajarem por terra. Nenhum país possui capacidade ilimitada de resposta a emergências diante de uma destruição dessa magnitude.</p>
<p>No entanto, a Venezuela entrou nessa crise carregando um fardo adicional que poucos países já experimentaram nessa escala: anos de guerra econômica por meio de <a href="https://observatorio.gob.ve/#numeros-bloqueo-ingles-xpag-1/1/">medidas coercitivas unilaterais</a> impostas principalmente pelos Estados Unidos e seus aliados. Essas medidas congelaram mais de <a href="https://www.globovision.com/nacional/30875/viceministro-castillo-venezuela-tiene-unos-30-mil-millones-de-dolares-bloqueados-y-han-sido-usados">30 bilhões de dólares</a> em ativos públicos venezuelanos que poderiam ter fortalecido a preparação para desastres, modernizado a infraestrutura e financiado reservas de emergência. Elas restringiram severamente a capacidade do país de adquirir equipamentos de resgate especializados, maquinário pesado, medicamentos, peças de reposição e materiais de construção, além de provocarem migração em massa.</p>
<p>O endurecimento das sanções impostas pelos EUA em 2017 provocou a emigração e levou a uma profunda perda de trabalhadores em serviços públicos essenciais. A Relatora Especial das Nações Unidas, Alena Douhan, <a href="https://www.ohchr.org/en/statements-and-speeches/2021/02/preliminary-findings-visit-bolivarian-republic-venezuela-special">disse</a> que, até 2021, os serviços públicos haviam perdido entre 30% e 50% de seu pessoal, incluindo muitos médicos, enfermeiros, engenheiros, professores, juízes e outros profissionais qualificados, e muitos hospitais públicos relataram que entre 50% e 70% dos cargos de especialistas estavam vagos. Essa perda de pessoal enfraqueceu a capacidade de resposta a emergências do país: menos trabalhadores treinados, cargas de trabalho mais pesadas para os que permaneceram e serviços públicos menos capazes de responder quando ocorria um desastre.</p>
<p>Os efeitos dos desastres naturais não podem ser dissociados das condições políticas e econômicas em que ocorrem. Contudo, a Venezuela não é uma vítima indefesa. Apesar do impacto devastador sobre a vida humana, o país começou a se recuperar lentamente. Após uma <a href="https://www.imf.org/-/media/files/publications/dp/2022/english/rsvcea.pdf">contração</a> de 75% no PIB entre 2013 e 2021, o PIB venezuelano cresceu cerca de 9% em 2024 e <a href="https://www.reuters.com/world/americas/venezuelas-maduro-says-economy-grew-9-2025-will-grow-7-2026-2025-12-10/">novamente</a> em 2025. O país passou de <a href="https://mexico.embajada.gob.ve/2026/03/24/venezuela-consolida-produccion-alimentaria-y-fortalece-soberania-economica/">importar</a> mais de 70% de seu suprimento alimentar em 2017 para produzir 96% internamente em março de 2026. A receita do petróleo, que havia caído de 93 bilhões de dólares em 2012 para 4,2 bilhões em 2020, mostrou <a href="https://coha.org/venezuela-the-double-catastrophe/">recuperação</a> de cerca de <a href="https://www.reuters.com/business/energy/venezuela-oil-exports-brought-18-billion-2025-central-bank-says-2026-03-24/">18 bilhões</a> nos últimos anos. As condições permaneceram difíceis e bem abaixo dos níveis pré-crise, mas a infraestrutura e os padrões de vida começaram a melhorar. A vida não estava isenta de desafios significativos, nem havia retornado aos níveis pré-crise, mas o país, sua infraestrutura e a qualidade de vida de muitos de seus habitantes começaram a melhorar. A capacidade de avançar rumo à recuperação econômica, apesar de mais de mil medidas coercitivas unilaterais em vigor, reflete-se em melhorias graduais na qualidade de vida e nos serviços públicos – incluindo a resposta a desastres.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Mito 2: O governo venezuelano está bloqueando a ajuda humanitária</h3>
<p>Talvez a alegação mais difundida seja a de que as autoridades venezuelanas têm impedido deliberadamente que voluntários e ajuda cheguem às comunidades afetadas. No entanto, as operações modernas de busca e resgate dependem de uma coordenação cuidadosa. Cães de resgate precisam de silêncio para detectar sobreviventes sob os escombros. Máquinas pesadas precisam de vias de acesso desobstruídas. Ambulâncias precisam de estradas livres de congestionamento. A movimentação descoordenada de milhares de civis por zonas de desastre, por mais bem-intencionada que seja, pode obstruir as operações de resgate e custar vidas.</p>
<p>Relatórios no local indicam que veículos de resgate estavam ficando presos no trânsito civil. Trajetos que normalmente levam quarenta minutos demoraram mais de cinco horas. Ambulâncias transportando vítimas gravemente feridas foram atrasadas por estradas congestionadas e intransitáveis. Restringir o acesso a zonas de desastre, portanto, não é evidência de repressão, mas sim uma prática padrão de emergência empregada em todo o mundo.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a participação organizada de voluntários tem sido ampla desde o início, com milhares de pessoas se registrando formalmente após 26 de junho para esforços coordenados de socorro ao lado de serviços de emergência profissionais, garantindo que a solidariedade fortaleça, em vez de interromper, as operações de resgate. A questão nunca foi se os civis deveriam ajudar, mas sim se a assistência está sendo organizada de forma a salvar vidas.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Mito 3: As comunidades afetadas estão sendo negligenciadas pelo governo venezuelano</h3>
<p>No primeiro dia da tragédia, esforços conjuntos da Defesa Civil, das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), da polícia e das famílias e comunidades das vítimas responderam e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=TFgC2GVblOY&amp;t=4s">ajudaram</a> no resgate de 2.407 pessoas das áreas mais afetadas em La Guaira. Em 1º de julho, aproximadamente <a href="https://www.youtube.com/watch?v=efYakl-0si0">26 mil pessoas</a> de agências de defesa civil, serviços de emergência, polícia, forças armadas e outras instituições públicas haviam sido mobilizadas em toda a zona de desastre. Cerca de <a href="https://albaciudad.org/2026/06/jorge-rodriguez-balance-30-junio-terremotos-venezuela/">17 mil voluntários</a> se juntaram formalmente às operações de socorro. Nas áreas afetadas, 6.461 pessoas foram resgatadas. As autoridades coordenaram os esforços de resgate com mais de 4 mil profissionais de resgate estrangeiros e pelo menos 41 delegações internacionais participando dos esforços humanitários. A resposta humanitária já entregou diretamente quase 9 milhões de quilos de alimentos, cerca de 28 mil cestas básicas e 3,2 milhões de litros de água potável às áreas afetadas – números que aumentam significativamente a cada dia, com os esforços contínuos de socorro e os relatórios diários da Assembleia Nacional. Mais de 80 mil famílias receberam assistência, incluindo alimentos, transporte, atendimento médico, apoio psicológico e abrigo emergencial.</p>
<p>Equipes médicas atenderam mais de 17 mil pessoas em hospitais, clínicas de campanha e centros de triagem de emergência. O fornecimento de energia elétrica foi amplamente restabelecido nas áreas afetadas. As alegações de que as casas construídas pelo programa Gran Misión Vivienda Venezuela – o principal programa habitacional do governo, que já abrigou <a href="https://ultimasnoticias.com.ve/economia/gran-mision-vivienda-venezuela-entrego-mas-de-5-millones-de-hogares-en-2025/">5,2 milhões de famílias</a> – eram mal construídas não se sustentou quando se constatou que casas construídas por governos anteriores e por empreiteiras privadas sofreram danos semelhantes. Até 1º de julho, 13 grandes abrigos foram abertos em La Guaira, com outros 12 em funcionamento em Caracas, Miranda e outros estados afetados, e planos de expansão estão em andamento. Nenhuma dessas conquistas apaga o enorme sofrimento que ainda persiste. Mas demonstram que, longe de se omitirem, as instituições públicas da Venezuela e milhares de cidadãos organizados continuam os esforços de assistência em condições extremamente difíceis.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Mito 4: A preocupação dos EUA com a Venezuela pode ser separada da guerra híbrida dos EUA</h3>
<p>Toda contribuição humanitária genuína merece reconhecimento, independentemente de sua origem. Mas os gestos humanitários não podem ser separados da realidade política mais ampla nem do registro histórico. Os Estados Unidos continuam mantendo as sanções que enfraqueceram sistematicamente a economia da Venezuela, restringem seu acesso ao financiamento internacional, bloqueiam a importação de bens essenciais e congelam bilhões de dólares pertencentes ao povo venezuelano. Não se pode elogiar a assistência humanitária e, ao mesmo tempo, manter políticas que agravam as emergências humanitárias.</p>
<p>Sanções e outras medidas coercitivas unilaterais são frequentemente eficazes politicamente justamente por serem invisíveis. Ao contrário das bombas, raramente produzem imagens dramáticas. Em vez disso, corroem lentamente os sistemas de saúde pública, a infraestrutura, a capacidade produtiva e as instituições estatais ao longo de muitos anos. Quando o desastre finalmente ocorre, as instituições enfraquecidas são apresentadas como prova de incompetência governamental, em vez do efeito cumulativo de uma guerra econômica deliberada. O custo humano dessa guerra econômica tem sido devastador, com as sanções dos EUA causando mais de <a href="https://cepr.net/images/stories/reports/venezuela-sanctions-2019-04.pdf">40 mil mortes</a> entre 2017 e 2018 e colocando 300 mil pessoas em risco de sofrer o mesmo destino por falta de acesso a medicamentos ou tratamentos essenciais.</p>
<p>Aproximadamente 31 toneladas de ouro venezuelano – avaliadas em cerca de <a href="https://www.theguardian.com/business/2026/jan/06/bank-of-england-venezuelan-gold-nicolas-maduro-us-uk">1,95 bilhão de dólares</a> em 2020 – permanecem retidas no Banco da Inglaterra, após o Reino Unido ter se alinhado à campanha de pressão de Washington contra a Venezuela. O país também enfrenta uma dívida pública estimada em cerca de <a href="https://elpais.com/america/2026-05-13/venezuela-anuncia-la-reestructuracion-formal-de-su-deuda-externa-tras-casi-una-decada-en-default.html">240 bilhões de dólares</a>, incluindo títulos soberanos e da PDVSA inadimplentes, juros acumulados, faturas não pagas, indenizações arbitrais e empréstimos bilaterais. Embora as sanções financeiras impostas em 2017 não tenham criado toda essa dívida, elas isolaram a Venezuela dos mercados financeiros dos EUA e restringiram severamente sua capacidade de honrar e reestruturar suas obrigações. A retenção contínua de ativos e o excesso de dívida privam o país dos recursos necessários para reconstruir a infraestrutura, fornecer moradia e cuidar dos sobreviventes com dignidade.</p>
<p>O gesto humanitário mais significativo hoje não seria outra declaração de preocupação. Seria o levantamento imediato de todas as medidas coercitivas unilaterais e a liberação dos ativos soberanos congelados da Venezuela para a reconstrução.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Mito 5: O terremoto prova que o processo bolivariano fracassou</h3>
<p>O desastre revelou a capacidade de uma sociedade organizada de agir coletivamente sob pressão extraordinária. Comunas, organizações de bairro, redes de saúde pública, sistemas de distribuição de alimentos, brigadas de voluntários e instituições locais, construídas ao longo de décadas, tornaram-se indispensáveis ​​para a resposta à emergência. Em todo o país, comunidades organizadas mobilizaram alimentos, abrigo, transporte, assistência médica e voluntários por meio de estruturas que antecedem o terremoto.</p>
<p>Nenhuma sociedade pode eliminar o sofrimento causado por um desastre dessa magnitude. Mas sociedades com comunidades organizadas geralmente são mais capazes de resistir e responder a tais crises do que aquelas que dependem exclusivamente de mercados e iniciativa privada. Essa resiliência não surgiu espontaneamente. Ela se baseia em décadas de investimento em educação pública, alfabetização, saúde e organização comunitária. Desde o início do processo bolivariano, <a href="https://www.counterpunch.org/2026/05/18/communal-consults-and-venezuelas-fight-for-the-future/">milhões de venezuelanos</a> tiveram acesso à educação, o analfabetismo foi <a href="https://mppp.gob.ve/wp-content/uploads/2023/11/VEC_enero2023.pdf">erradicado</a>, novas universidades públicas expandiram o ensino superior e o investimento público em saúde aumentou drasticamente. Apesar dos danos causados ​​pela guerra híbrida liderada pelos EUA, <a href="https://peoplesdispatch.org/2026/01/12/washingtons-war-on-sovereignty-and-development-in-venezuela/">esses avanços</a> fortaleceram não apenas os indicadores sociais, mas também as formas de organização coletiva que se tornam indispensáveis ​​em momentos de emergência nacional.</p>
<p>Para o povo venezuelano, as seguintes medidas devem ser tomadas:</p>
<ol>
<li>Todas as medidas coercitivas unilaterais, incluindo as sanções econômicas, impostas à Venezuela devem ser suspensas imediatamente, e os ativos públicos venezuelanos que permanecem congelados, retidos ou inacessíveis no exterior devem ser liberados.</li>
<li>A intervenção estrangeira em todas as suas formas deve ser encerrada.</li>
<li>A dívida externa da Venezuela deve ser cancelada.</li>
<li>A assistência humanitária deve ser coordenada com as instituições públicas e as comunidades organizadas da Venezuela, em vez de ser usada como instrumento de intervenção política ou militar.</li>
<li>Os movimentos internacionais devem continuar a apoiar o povo venezuelano muito depois de a atenção da mídia internacional inevitavelmente se voltar para outros assuntos.</li>
</ol>
<p>Desastres naturais são inevitáveis. Mas a transformação deles em catástrofes humanitárias depende de escolhas políticas. O povo venezuelano enfrenta agora o imenso desafio de reconstruir casas, escolas, hospitais e comunidades, enquanto arca com as consequências de décadas de guerra econômica. A solidariedade internacional, portanto, deve significar mais do que simpatia: deve rejeitar os mitos propagados pelos inimigos da Venezuela, exigir o fim das sanções e restrições patrimoniais que enfraqueceram a capacidade de resposta do país e defender o direito da Venezuela de se recuperar, reconstruir e determinar seu próprio <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/dossie-o-futuro/">futuro</a>, livre de coerção externa.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Sudão precisa de uma paz imediata</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-21-sudao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Vaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 08:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alerta Vermelho]]></category>
		<category><![CDATA[sudão]]></category>
		<category><![CDATA[Recursos naturais]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[al-Fasher]]></category>
		<category><![CDATA[Forças de Apoio Rápido (RSF)]]></category>
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					<description><![CDATA[Narrativas falsas obscurecem a resposta da Venezuela ao terremoto. Este Alerta Vermelho testa mitos, documenta os esforços de socorro e apela para o levantamento das sanções e a liberação de bens públicos que permanecem inacessíveis no exterior.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img decoding="async" class="alignnone wp-image-131567 size-large img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/Red-Alert-21-Cards_EN_Web-Feature-1024x872.jpg" alt="" width="1024" height="872" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/Red-Alert-21-Cards_EN_Web-Feature-1024x872.jpg 1024w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/Red-Alert-21-Cards_EN_Web-Feature-300x255.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/Red-Alert-21-Cards_EN_Web-Feature-768x654.jpg 768w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/Red-Alert-21-Cards_EN_Web-Feature-1536x1307.jpg 1536w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/Red-Alert-21-Cards_EN_Web-Feature-2048x1743.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px"></div>
<h3 style="margin:2em 0;">Qual é a realidade local no Sudão?</h3>
<p>Em 15 de abril de 2023, uma guerra eclodiu entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF, na sigla em inglês) — lideradas pelo chefe do Conselho Militar de Transição, general Abdel Fattah al-Burhan — e as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) — lideradas pelo tenente-general Mohamed ‘Hemedti’ Hamdan Dagalo. Desde então, com o apoio de vários governos estrangeiros, os dois lados têm travado uma terrível guerra de desgaste, na qual os civis são as principais vítimas. É impossível dizer quantas pessoas morreram, mas claramente há um número de mortos significativo. Uma<a href="https://reliefweb.int/report/sudan/forgotten-and-neglected-war-torn-sudan-has-become-worlds-leading-displacement-crisis"> estimativa</a> constatou que, somente entre abril de 2023 e junho de 2024, o número de vítimas chegou a 150 mil, e vários crimes contra a humanidade foram cometidos por ambos os lados e documentados por várias organizações de direitos humanos. Pelo menos 14,5 milhões de sudaneses, de uma população de 51 milhões, foram<a href="https://www.who.int/publications/m/item/sudan-conflict-and-refugee-crisis--multi-country-external-situation-report--10--covering-the-reporting-period-march-april-2025"> deslocados</a>. As pessoas que vivem no cinturão entre El Fasher, em Darfur do Norte, e Kadugli, em Kordofan do Sul, estão lutando contra a fome aguda. Uma recente<a href="https://news.un.org/en/story/2025/11/1166253"> análise</a> da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar da ONU constatou que cerca de 21,2 milhões de sudaneses — 45% da população — enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda, com 375 mil pessoas em todo o país enfrentando níveis “catastróficos” de fome (ou seja, à beira da inanição).</p>
<p>Desde o início da guerra, centenas de milhares de pessoas deslocadas internamente buscaram refúgio em El Fasher, que na época era controlada em grande parte pela SAF. Cerca de 260 mil civis ainda estavam lá em outubro de 2025, quando a RSF rompeu a resistência, entrou na cidade e realizou uma série de massacres documentados. Entre os<a href="https://www.who.int/news/item/29-10-2025-who-condemns-killings-of-patients-and-civilians-amid-escalating-violence-in-el-fasher--sudan"> mortos</a> estavam 460 pacientes e seus acompanhantes no Saudi Maternity Hospital. Com a queda da cidade, a RSF passou a controlar em grande parte a vasta província de Darfur, enquanto a SAF detém grande parte do leste do Sudão — incluindo o Porto Sudão, o acesso do país ao mar e ao comércio internacional – bem como a capital Cartum.</p>
<p>Não há sinais de redução da escalada no momento.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Por que a SAF e a RSF estão lutando?</h3>
<p>Nenhuma guerra dessa escala tem uma causa simples. O motivo político é simples: trata-se de uma contrarrevolução contra a revolta popular de 2019 que conseguiu destituir o presidente Omar al-Bashir, que governou desde 1993 e cujos últimos anos no poder foram marcados pelo aumento da inflação e pela crise social.</p>
<p>As forças de esquerda e populares por trás do levante de 2019 — que incluíam o Partido Comunista Sudanês, as Forças de Consenso Nacional, a Associação Profissional Sudanesa, a Frente Revolucionária Sudanesa, as Mulheres dos Grupos Cívicos e Políticos Sudaneses e muitos comitês locais de resistência e associações de bairro — forçaram os militares a concordar em supervisionar a transição para um governo civil. Com a ajuda da União Africana, foi criado o Conselho de Soberania Transitória, composto por cinco membros militares e seis civis. Abdalla Hamdok foi nomeado primeiro-ministro e o juiz Nemat Abdullah Khair presidente do tribunal, com al-Burhan e Hemedti também no conselho. O governo civil-militar destruiu ainda mais a economia com a flutuação da moeda e a privatização do Estado, tornando o contrabando de ouro mais lucrativo e fortalecendo a RSF (esse governo também assinou os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações com Israel). As políticas do governo civil-militar exacerbaram as condições para o confronto sobre o poder (controle sobre a segurança pública) e a riqueza (controle sobre o comércio de ouro).</p>
<p>Apesar de seus papéis no conselho, al-Burhan e Hemedti tentaram diversos golpes de Estado até conseguirem em 2021. Depois de deixar de lado os civis, os dois líderes militares iniciaram uma guerra entre os dois lados. Os oficiais da SAF procuraram preservar seu comando sobre o aparato estatal, que em 2019 absorveu 82% do<a href="https://sudantransparency.org/how-saf-is-positioning-to-dominate-post-war-reconstruction-and-the-economy-and-what-to-do-about-it/"> orçamento</a> do Estado (conforme confirmado pelo primeiro-ministro Abdalla Hamdok em 2020). Eles também tentaram manter o controle de suas empresas, administrando mais de 200 delas por meio de entidades, como o Sistema de Indústrias de Defesa controlado pela SAF (<a href="https://home.treasury.gov/news/press-releases/jy1514">estimado</a> em 2 bilhões de dólares em receita anual) e<a href="https://carnegieendowment.org/research/2021/04/sudans-military-companies-go-civilian-how-the-recent-divestment-agreement-can-succeed?lang=en"> capturando</a> uma parcela significativa da economia formal do Sudão em mineração, telecomunicações e comércio de <i>commodities </i>de importação e exportação. A RSF – com raízes na milícia <i>Janja’wid</i> [demônios a cavalo] — tentou alavancar a economia de guerra autônoma centralizada em torno da Al Junaid Multi-Activities Corporation, que controla as principais áreas de produção de ouro em Darfur e cerca de<a href="https://sudantransparency.org/wp-content/uploads/2024/10/GoldSectorEN.pdf"> meia dúzia</a> de locais de mineração, incluindo Jebel Amer. Como 50 a 80% da produção total de ouro do Sudão é<a href="https://sudantransparency.org/wp-content/uploads/2024/10/GoldSectorEN.pdf"> contrabandeada</a> (dados de 2022) principalmente para os Emirados Árabes Unidos – em vez de ser exportada oficialmente -, e como a RSF domina a produção nas zonas de mineração artesanal do oeste do Sudão (que respondem por 80-85% da produção total), a RSF captura enormes somas da receita do ouro todos os anos (<a href="https://www.darfur24.com/en/2025/01/20/the-sungu-mines-gold-that-fuels-rsfs-war/">estimativa</a> de 860 milhões de dólares somente das minas de Darfur em 2024).</p>
<p>Por trás dessas disputas políticas e materiais estão as pressões ecológicas que agravam a crise. Parte do motivo do longo conflito em Darfur foi a desidratação do Sahel. Durante décadas, as chuvas irregulares e as ondas de calor decorrentes da catástrofe climática expandiram o deserto do Saara para o sul, tornando os recursos hídricos uma causa de conflito e provocando<a href="https://climate-diplomacy.org/case-studies/pastoralist-and-farmer-herder-conflicts-sahel"> confrontos</a> entre nômades e agricultores estabelecidos.<a href="https://www.wfp.org/emergencies/sudan"> Metade</a> da população do Sudão vive atualmente em insegurança alimentar aguda. A incapacidade de criar um plano econômico para uma população afetada por rápidas mudanças nos padrões climáticos, juntamente com o roubo de recursos por uma pequena elite, deixa o Sudão vulnerável a conflitos de longo prazo. Não se trata apenas de uma guerra entre duas personalidades fortes, mas de uma luta pela transformação de recursos e sua pilhagem por poderes externos. Um acordo de cessar-fogo está mais uma vez na mesa, mas a probabilidade de ser aceito ou mantido é muito baixa enquanto os recursos continuarem sendo o prêmio principal para os vários grupos armados.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Quais são as possibilidades de paz no Sudão?</h3>
<p>Um caminho para a paz no Sudão exigiria seis elementos:</p>
<ol>
<li aria-level="1">Um cessar-fogo imediato e monitorado que inclua a criação de corredores humanitários para o trânsito de alimentos e medicamentos. Esses corredores estariam sob a liderança dos Comitês de Resistência, que têm a credibilidade democrática e as redes para fornecer ajuda diretamente aos necessitados.</li>
<li aria-level="1">O fim da economia de guerra, especificamente o fechamento das rotas de ouro e armas. Isso incluiria a imposição de sanções rigorosas sobre a venda de armas e a compra de ouro por parte dos Emirados Árabes Unidos até que rompam todas as relações com a RSF. Os controles de exportação no Porto Sudão também devem ser implementados.</li>
<li aria-level="1">O retorno seguro dos exilados políticos e o início de um processo de reconstrução das instituições políticas sob um governo civil eleito ou apoiado pelas forças populares, principalmente os Comitês de Resistência. A SAF deve ser destituída de seu poder político e de seus ativos econômicos e subjugada ao governo. A RSF deve ser desarmada e desmobilizada.</li>
<li aria-level="1">A reconstrução imediata da corte suprema do Sudão para investigar e processar os responsáveis pelas atrocidades.</li>
<li aria-level="1">A criação imediata de um processo de responsabilização que inclua o julgamento dos senhores da guerra por meio de um tribunal devidamente constituído no Sudão.</li>
<li aria-level="1">A reconstrução imediata da comissão de planejamento do Sudão e de seu ministério das finanças para transferir o excedente dos enclaves de exportação para bens públicos e proteções sociais.</li>
</ol>
<p>Esses seis pontos elaboram os três pilares da União Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento<a href="https://www.peaceau.org/uploads/1156.comm-en.pdf"> Roteiro Conjunto UA-IGAD para a Resolução do Conflito no Sudão</a> (2023). A dificuldade desse roteiro — assim como de outras propostas semelhantes — é que ele depende de doadores, incluindo atores envolvidos na violência. Para que esses seis pontos se tornem realidade, as potências estrangeiras devem ser pressionadas a encerrar seu apoio à SAF e à RSF. Entre eles estão o Egito, a União Europeia, o Catar, a Rússia, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos. Nem esse roteiro nem o canal de Jeddah — uma via de mediação saudita-americana lançada em 2023 que se concentra em tréguas curtas e acesso humanitário — incluem grupos civis sudaneses, muito menos os Comitês de Resistência.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os cães do império latem para a Venezuela</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-20-venezuela/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Vaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 08:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alerta Vermelho]]></category>
		<category><![CDATA[War on Drugs]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra contra as Drogas]]></category>
		<category><![CDATA[imperialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Imperialism]]></category>
		<category><![CDATA[Trump]]></category>
		<category><![CDATA[venezuela]]></category>
		<category><![CDATA[Hugo Chávez]]></category>
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					<description><![CDATA[Com mais de um quarto da população deslocada, inúmeros crimes de guerra documentados e fome generalizada, o Sudão enfrenta uma violência e privações inimagináveis, enquanto grande parte do mundo permanece em silêncio.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img decoding="async" class="alignnone wp-image-130389 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/20251105_Red-Alert-Web-Feature.jpg" alt="" width="900" height="766" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/20251105_Red-Alert-Web-Feature.jpg 900w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/20251105_Red-Alert-Web-Feature-300x255.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/11/20251105_Red-Alert-Web-Feature-768x654.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px"></div>
<p>Em fevereiro de 2006, o presidente venezuelano Hugo Chávez viajou a Havana para receber o Prêmio José Martí da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entregue por Fidel Castro. Em seu discurso, comparou as ameaças de Washington contra a Venezuela ao latido de cães, <a href="https://www.jornada.com.mx/2006/02/04/index.php?section=mundo&amp;article=028n2mun">dizendo</a>: “deixem os cães latirem, porque é sinal de que estamos em movimento”. Chávez acrescentou: “deixem os cães do império latirem. Esse é o papel deles: latir. O nosso papel é lutar para alcançar neste século — agora, finalmente — a verdadeira libertação do nosso povo”. Quase duas décadas depois, os cães do império continuam latindo. Mas será que vão morder? Essa é a pergunta que este alerta vermelho busca responder.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">O som do latido</h3>
<p>Em fevereiro de 2025, o Departamento de Estado dos EUA <a href="https://www.state.gov/designation-of-international-cartels">classificou </a>uma rede criminosa chamada Tren de Aragua [Trem de Aragua] como uma “organização terrorista estrangeira”. Em julho, o Departamento do Tesouro dos EUA <a href="https://ofac.treasury.gov/recent-actions/20250725#:~:text=The%20following%20entity%20has%20been,Type%20Criminal%20Organization%20%5BSDGT%5D">adicionou</a> o chamado Cartel de los Soles à lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros como um “grupo terrorista transnacional”. Nenhum relatório anterior do governo dos EUA, seja da Administração de Repressão às Drogas (DEA, na sigla em inglês) ou do Departamento de Estado, havia identificado essas organizações como uma ameaça, e nenhuma evidência publicamente verificável foi apresentada para sustentar a alegada escala ou coordenação de qualquer um dos grupos. Não há evidências de que o Tren de Aragua seja uma operação internacional coesa. Quanto ao Cartel de los Soles, a primeira vez que o <a href="https://peoplesdispatch.org/2025/09/02/the-united-states-uses-a-fabricated-drug-charge-for-a-potential-strike-on-venezuela/">nome apareceu</a> foi em 1993, em reportagens venezuelanas sobre investigações de dois generais da Guarda Nacional — uma referência à insígnia do “sol” em seus uniformes – anos antes da vitória presidencial de Hugo Chávez em 1998. O governo Trump alegou que esses grupos, em conluio com o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro, são os principais traficantes de drogas para os EUA – sem, contudo, apresentar qualquer prova dessa ligação. Além disso, <a href="https://static01.nyt.com/newsgraphics/documenttools/32f71f10c36cc482/d90251d5-full.pdf">relatórios</a> do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e da própria DEA têm consistentemente constatado que os grupos venezuelanos desempenham um papel marginal no tráfico global de drogas. Mesmo assim, o Departamento de Estado dos EUA ofereceu uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levem à prisão de Maduro — a maior da história do programa.</p>
<p>Os EUA ressuscitaram a tática contundente da “Guerra às Drogas” para pressionar países que não cedem às suas ameaças ou que se recusam obstinadamente a eleger governos de direita. Recentemente, Trump mirou o México e a Colômbia, invocando suas dificuldades com o narcotráfico para atacar seus presidentes. Embora a Venezuela não tenha um problema significativo com drogas em seu território, isso não impediu Trump de atacar Maduro com muito mais virulência. Em outubro de 2025, a política venezuelana María Corina Machado, do movimento Vente Venezuela [Venha Venezuela], ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Machado estava inelegível por ter feito uma série de declarações consideradas traição — aceitando um cargo diplomático de outro país para pedir intervenção na Venezuela (em violação do Artigo 149 da Constituição) — e por seu apoio às <i>guarimbas</i>, atos violentos de rua nos quais pessoas eram espancadas, queimadas vivas e decapitadas. Ela também defendeu sanções unilaterais dos EUA que devastaram a economia de seu país. O Prêmio Nobel foi conquistado graças ao trabalho da Fundação Inspire America (com sede em Miami, Flórida, e liderada pelo advogado cubano-americano Marcell Felipe) e à intervenção de quatro políticos estadunidenses, três deles cubano-americanos (Marco Rubio, María Elvira Salazar e Mario Díaz-Balart). A ligação cubano-americana é fundamental, demonstrando como essa rede política, focada na derrubada da Revolução Cubana por quaisquer meios, agora enxerga uma intervenção militar estadunidense na Venezuela como uma forma de promover a mudança de regime em Cuba. Portanto, não se trata apenas de uma intervenção contra a Venezuela, mas contra todos os governos que os EUA desejam derrubar.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">A mordida</h3>
<p>Em agosto de 2025, as forças armadas dos EUA começaram a concentrar tropas navais no sul do Caribe, incluindo destróieres da classe Aegis e submarinos de ataque nucleares. Em setembro, iniciaram uma <a href="https://peoplesdispatch.org/2025/10/10/trump-chooses-war-over-diplomacy-in-the-caribbean/">campanha</a> de ataques extrajudiciais contra pequenas embarcações a motor em águas caribenhas, bombardeando pelo menos treze embarcações e matando ao menos 57 pessoas — sem apresentar provas de qualquer ligação com o narcotráfico. Em meados de outubro, os EUA haviam <a href="https://www.cnn.com/2025/10/19/world/us-military-build-up-caribbean-trump-pressures-venezuela">mobilizado</a> mais de 4 mil soldados na costa da Venezuela e 5 mil em prontidão em Porto Rico (incluindo caças F-35 e drones MQ-9 Reaper), <a href="https://www.reuters.com/world/americas/trump-confirms-cia-authorization-venezuela-2025-10-15/">autorizado</a> operações secretas dentro do país e realizado “missões de demonstração” com bombardeiros B-52 sobre Caracas. No final de outubro, o grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford foi enviado para a região. Enquanto isso, o governo da Venezuela mobilizou a população para defender o país.</p>
<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"></div>
<h3 style="margin:2em 0;">Cinco cenários para a intervenção dos EUA</h3>
<p><b>Cenário n. 1</b>: <b>a opção do Irmão Sam</b>. Em 1964, os EUA <a href="https://www.cia.gov/readingroom/docs/CIA-RDP91-00901R000700060125-0.pdf">posicionaram</a> vários navios de guerra na costa do Brasil. A presença deles encorajou o General Humberto de Alencar Castelo Branco, chefe do Estado-Maior do Exército, e seus aliados a orquestrarem um golpe de Estado que instaurou uma ditadura militar de 21 anos. Mas a Venezuela é um terreno diferente. Em seu primeiro mandato, Chávez fortaleceu a educação política nas academias militares e ancorou o treinamento de oficiais na defesa da Constituição de 1999. Portanto, é improvável que um Castelo Branco venezuelano se alinhe a Washington.</p>
<p><b>Cenário n. 2</b>: <b>a opção Panamá</b>. Em 1989, os EUA bombardearam a Cidade do Panamá e enviaram tropas de operações especiais para capturar Manuel Noriega, líder militar do Panamá, e levá-lo para uma prisão estadunidense enquanto políticos apoiados pelos EUA assumiam o poder no país. Uma operação semelhante seria mais difícil de replicar na Venezuela: suas forças armadas são muito mais fortes, treinadas para conflitos prolongados e assimétricos, e o país possui sofisticados sistemas de defesa aérea (notadamente os sistemas russos S-300VM e Buk-M2E de defesa antiaérea). Qualquer campanha aérea estadunidense enfrentaria defesa constante; a perspectiva de aeronaves abatidas — uma grande perda de prestígio — seria algo que Washington dificilmente arriscaria.</p>
<p><b>Cenário n. 3</b>: <b>a opção Iraque</b>. Uma terceira opção seria uma campanha de bombardeio de “choque e terror” contra Caracas e outras cidades para abalar a população e desmoralizar o Estado e as Forças Armadas, seguida de tentativas de assassinar a alta cúpula venezuelana e tomar o controle de infraestruturas chave. Após tal ataque, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Machado, provavelmente se declararia pronta para assumir o comando e alinhar a Venezuela estreitamente aos EUA. A inadequação dessa manobra reside no fato de que a liderança bolivariana é profunda: as raízes da defesa do projeto bolivariano se estendem pelos bairros operários, e as Forças Armadas não seriam imediatamente desmoralizadas — diferentemente do que ocorreu no Iraque. Como <a href="https://www.infobae.com/venezuela/2025/09/12/diosdado-cabello-amenazo-con-una-revolucion-armada-en-venezuela-frente-a-la-presencia-militar-de-eeuu-en-el-caribe/">observou</a> recentemente o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, “quem quiser pode se lembrar do Vietnã (…) quando um povo pequeno, mas unido, com uma vontade de ferro, foi capaz de dar uma lição ao imperialismo estadunidense”.</p>
<p><b>Cenário n. 4</b>: <b>a opção do Golfo de Tonkin.</b> Em 1964, os EUA intensificaram seu envolvimento militar na Guerra do Vietnã, após um incidente apresentado como um ataque não provocado a destróieres americanos na costa do país. Revelações posteriores mostraram que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) fabricou informações para criar um pretexto para a escalada. Os EUA alegam estar realizando “exercícios de treinamento” navais e aéreos perto das águas territoriais e do espaço aéreo venezuelano. Em 26 de outubro, o governo venezuelano afirmou ter recebido informações sobre um plano secreto da CIA para simular um ataque de falsa bandeira contra navios estadunidenses perto de Trinidad e Tobago, a fim de provocar uma resposta dos EUA. As autoridades venezuelanas alertaram sobre as manobras e afirmaram que não cederão a provocações ou intimidações.</p>
<p><b>Cenário n. 5: a opção Qasem Soleimani</b>. Em janeiro de 2020, um ataque com drone ordenado por Trump matou o major-general Qasem Soleimani, chefe da Força Quds do Irã. Soleimani era um dos mais altos funcionários do Irã e responsável pela estratégia de defesa regional do país no Iraque, Líbano, Gaza e Afeganistão. Em <a href="https://www.cbsnews.com/news/what-venezuelans-think-about-us-military-presence-regime-change-president-maduro-60-minutes/">entrevista</a> ao programa 60 Minutes, o ex-encarregado de negócios dos EUA para a Venezuela, James Story, afirmou: “Os recursos estão disponíveis para tudo, inclusive a decapitação do governo” — uma declaração clara de intenção de assassinar o presidente. Após a morte de Hugo Chávez em 2013, autoridades americanas previram o colapso do projeto. Doze anos se passaram e a Venezuela continua trilhando o caminho definido por Chávez, avançando com seu modelo comunitário cuja resiliência se baseia não apenas na liderança coletiva da revolução, mas também em uma forte organização popular. O projeto bolivariano nunca foi um projeto individual.</p>
<p>É improvável que a China e a Rússia permitam um ataque à Venezuela sem pressionar por resoluções imediatas do Conselho de Segurança da ONU, e ambas operam rotineiramente no Caribe, incluindo exercícios conjuntos com Cuba e missões globais como a Missão Harmonia 2025 da China.</p>
<p>Esperamos que nenhum desses cenários se concretize e que os Estados Unidos retirem essas opções militares da mesa. Mas a esperança por si só não basta: precisamos trabalhar para ampliar o campo da paz.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Os crimes de Israel na Cisjordânia</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/red-alert-19-west-bank/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Vaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 May 2025 08:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alerta Vermelho]]></category>
		<category><![CDATA[genocidio]]></category>
		<category><![CDATA[Occupied Palestinian Territory (OPT)]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Território Palestino Ocupado (TPO)]]></category>
		<category><![CDATA[Palestine]]></category>
		<category><![CDATA[West Bank]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[cisjordania]]></category>
		<category><![CDATA[ethnic cleansing]]></category>
		<category><![CDATA[limpeza étnica]]></category>
		<category><![CDATA[genocide]]></category>
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					<description><![CDATA[Washington está revivendo a “Guerra às Drogas” numa tentativa de derrubar a Revolução Bolivariana, e ameaça o uso da força militar e até mesmo o assassinato de líderes do governo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-122917 size-large img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/05/Red-Alert-19-Cards_PT_TT-1024x538.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/05/Red-Alert-19-Cards_PT_TT-1024x538.jpg 1024w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/05/Red-Alert-19-Cards_PT_TT-300x158.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/05/Red-Alert-19-Cards_PT_TT-768x403.jpg 768w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2025/05/Red-Alert-19-Cards_PT_TT.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px"></div>
<h3 style="margin:2em 0;">Oslo II e os Territórios Palestinos Ocupados</h3>
<p>Em setembro de 1995, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o governo israelense <a href="https://www.refworld.org/legal/agreements/par/1995/en/20547">assinaram</a> o Acordo Interino Israelense-Palestino sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza (Oslo II), que deu início a um processo visando a criação de um Estado palestino adjacente a Israel em partes do Território Palestino Ocupado (TPO). Os TPO <a href="https://digitalprojects.palestine-studies.org/ar/node/213161">representam</a> apenas 22% da Palestina histórica (definida como o território que estava sob o Mandato Britânico). Em outras palavras, os palestinos receberam menos de um quarto de suas terras históricas e, mesmo sobre essas terras, têm pouca ou nenhuma autoridade. Após o acordo interino, a Cisjordânia foi dividida em <a href="https://www.anera.org/what-are-area-a-area-b-and-area-c-in-the-west-bank/?utm_source=chatgpt.com">três áreas</a>:</p>
<ol>
<li aria-level="1">Área A, que está tecnicamente sob total controle civil e de segurança palestino por meio da Autoridade Palestina, constitui aproximadamente 18% da Cisjordânia, ou 3,96% da Palestina histórica.</li>
<li aria-level="1">Área B, sob controle civil palestino por meio da Autoridade Palestina, mas efetivamente com controle de segurança israelense, representa cerca de 22% da Cisjordânia, ou 4,62% ​​da Palestina histórica.</li>
<li aria-level="1">Área C, totalmente controlada por Israel, compreende mais de 60% da Cisjordânia, ou 13,42% da Palestina histórica.</li>
</ol>
<p>Assim, de acordo com a lógica de Oslo II — e após a anexação de Jerusalém Oriental e a ocupação de Gaza — Israel controla 97% da Palestina histórica.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Sufocando os palestinos na Cisjordânia</h3>
<p>As operações de Israel na Cisjordânia foram planejadas para tornar a vida insuportável para os palestinos. Os controles e restrições de <a href="https://www.amnesty.org/en/latest/campaigns/2022/02/israels-system-of-apartheid/">movimento</a> tornaram praticamente impossível para os palestinos educarem seus jovens e empregarem seus adultos. Antes de outubro de 2023, Israel operava <a href="https://english.wafa.ps/Pages/Details/131211">590 bloqueios</a> de estradas e postos de controle na Cisjordânia, número que <a href="https://www.middleeastmonitor.com/20250123-israel-sets-up-898-military-checkpoints-gates-across-west-bank/">aumentou</a> para quase 900 desde então, resultando na paralisação quase completa das atividades humanas básicas. Tornou-se impossível para os palestinos acessarem água e terra para a produção agrícola, bem como a água potável necessária para uma vida digna. A <a href="https://www.palestine-studies.org/en/node/1656408">criminalização</a> da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) por Israel interrompeu severamente suas operações, impedindo que refugiados palestinos (aproximadamente um <a href="https://badil.org/phocadownloadpap/Statistics/(PCBS)The-International-Day-of-Refugees-2019-eng.pdf">quarto</a> dos palestinos que vivem na Cisjordânia) tenham acesso a serviços básicos de educação, saúde e emprego.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Deslocamento e confisco</h3>
<p>Israel está realizando uma limpeza étnica na Cisjordânia, utilizando táticas como tiroteios, pogroms, violência sexual e destruição de casas e fazendas para expulsar pessoas de suas terras ainda mais rapidamente. Desde o início da Operação Muro de Ferro, em janeiro de 2025, o exército israelense deslocou à força 8.255 famílias palestinas de suas casas nos campos de refugiados de Jenin (3.840 famílias deslocadas), Nur Shams (1.910 famílias deslocadas) e Tulkarm (2.505 famílias deslocadas). Essas famílias são descendentes diretas dos refugiados palestinos que foram vítimas de limpeza étnica durante a Nakba de 1948, e tiveram seu direito de retorno negado desde então. Além desses campos de refugiados, as forças de ocupação de Israel — que incluem tanto o exército israelense formal quanto colonos israelenses armados — <a href="https://www.un.org/unispal/document/israeli-settlements-in-the-occupied-palestinian-territory-including-east-jerusalem-and-in-the-occupied-syrian-golan/">expulsaram</a> 28 comunidades palestinas de suas terras entre janeiro de 2022 e setembro de 2023 e destruíram mais de 3.500 estruturas, incluindo casas, estábulos e cisternas de água na Cisjordânia, entre outubro de 2023 e abril de 2025.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Death, Arrest, and Torture</h3>
<p>Desde outubro de 2023, as forças de ocupação israelenses <a href="https://www.ochaopt.org/data/casualties">mataram</a> aproximadamente 900 palestinos na Cisjordânia, incluindo pelo menos 190 crianças, e feriram outras 8.400. Esses números são provavelmente maiores devido à falta de organizações humanitárias para documentar adequadamente a violência perpetrada por Israel em uma área cujas instituições foram profundamente impactadas pelo genocídio e pela ocupação em curso. Desde o final de 2023, as forças de ocupação israelenses prenderam 15 mil palestinos, muitos sob a categoria de “detenção administrativa”, que não exige acusação formal (esses números provavelmente estão deflacionados devido às severas restrições à representação legal). Desde 7 de outubro de 2023, houve mais de 65 casos documentados de palestinos assassinados em prisões, centros de detenção e campos de concentração israelenses. A violência sexual é rotineira nesses locais.</p>
<p>O Centro Bisan para Pesquisa e Desenvolvimento, a Assembleia Internacional dos Povos e o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social apelam a intelectuais, grupos da sociedade civil e organizações políticas e sociais para que prestem especial atenção aos acontecimentos não apenas em Gaza, mas também em outras partes dos Territórios Palestinos Ocupados (TPO). O genocídio e os crimes contra a humanidade em curso não podem ser ignorados ou seguir impunes.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Eles estão tornando as águas do Pacífico perigosas</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-18-rimpac/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jul 2024 08:00:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desde outubro de 2023, as operações de Israel na Cisjordânia se intensificaram, embora não tenham recebido a atenção que merecem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="single-post--content--media-block single-post--content--image" style="text-align:center; margin:3em 0;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-107641 img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2024/07/20240717_Red-Alert-18-Cards_PT_IG-e1721334366213.jpg" alt="" width="950" height="950"></div>
<h2 style="margin:3em 0;">Eles estão tornando as águas do Pacífico perigosas</h2>
<h3 style="margin:2em 0;">O que é o Rimpac?</h3>
<p>Os EUA e seus aliados têm realizado o Rim of the Pacific (<a href="https://www.cpf.navy.mil/RIMPAC/">Rimpac</a>) desde 1971. Os parceiros iniciais desse projeto militar foram a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia, o Reino Unido e os Estados Unidos, que também são os membros originais do Five Eyes (atualmente <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-4-hiper-imperialismo/">Quatorze Olhos</a>), rede de inteligência criada para compartilhar informações e realizar exercícios conjuntos de vigilância. Eles também são os principais países anglófonos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, criada em 1949) e são membros do tratado de estratégia Anzus entre Austrália, Nova Zelândia e EUA, assinado em 1951. O Rimpac cresceu e se tornou um importante exercício militar bienal que atraiu diversos países com várias formas de fidelidade ao Norte Global (Bélgica, Brasil, Brunei, Chile, Colômbia, Equador, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Israel, Itália, Japão, Malásia, México, Holanda, Peru, Filipinas, República da Coreia, Cingapura, Sri Lanka, Tailândia e Tonga).</p>
<p>O Rimpac 2024<a href="https://www.mindef.gov.sg/news-and-events/latest-releases/14jul24_nr"> começou</a> em 28 de junho e vai até 2 de agosto. Está ocorrendo no Havaí, que legalmente é território ocupado pelos EUA. O movimento pela independência do Havaí tem um histórico de resistência ao Rimpac, que é entendido como parte da ocupação estadunidense. O exercício inclui mais de 150 aeronaves, 40 navios de superfície, três submarinos, 14 forças terrestres nacionais e outros equipamentos militares de 29 países, embora a maior parte da frota seja dos Estados Unidos. O objetivo do exercício é a “interoperabilidade”, o que efetivamente significa integrar as forças militares (principalmente navais) de outros países com as dos Estados Unidos. O principal comando e controle do exercício é gerenciado pelos EUA, que é o coração e a alma do Rimpac.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Por que o Rimpac é tão perigoso?</h3>
<p>Documentos e declarações oficiais relacionados ao Rimpac indicam que os exercícios permitem que essas marinhas<a href="https://www.aljazeera.com/news/2024/6/28/worlds-largest-maritime-drills-begin-in-an-increasingly-tense-asia-pacific"> treinem</a> “para uma ampla gama de operações potenciais em todo o mundo”. No entanto, os documentos estratégicos dos EUA e o comportamento das autoridades estadunidenses que dirigem o Rimpac deixam claro que o foco é a China. Os documentos estratégicos também deixam claro que os EUA veem a China como uma grande ameaça, até mesmo como a principal ameaça ao domínio dos EUA e acreditam que ela deve ser contida.</p>
<p>Essa contenção se deu por meio da guerra comercial contra a China, mas, mais especificamente, por meio de uma rede de manobras militares dos Estados Unidos. Isso inclui o estabelecimento de mais bases militares dos EUA em territórios e países vizinhos da China; o uso de embarcações militares dos EUA e de aliados para provocar a China por meio de exercícios de liberdade de navegação; a ameaça de posicionar mísseis nucleares de curto alcance dos EUA em países e territórios aliados dos EUA, incluindo Taiwan; a ampliação do campo de pouso em Darwin, na Austrália, para posicionar aeronaves dos EUA com mísseis nucleares; o aprimoramento da cooperação militar com aliados dos EUA no Leste Asiático com uma linguagem que mostra precisamente que o objetivo é intimidar a China; e a realização de exercícios do Rimpac, principalmente nos últimos anos. Embora a China tenha sido convidada a participar do Rimpac 2014 e do Rimpac 2016, quando os níveis de tensão não estavam tão altos, ela não tem sido convidada desde o Rimpac 2018.</p>
<p>Embora os documentos do Rimpac sugiram que o exercício militar está sendo realizado para fins humanitários, trata-se de um Cavalo de Troia. Isso foi exemplificado, por exemplo, no Rimpac 2000, quando as forças armadas realizaram o exercício de treinamento <a href="https://www.pacaf.af.mil/News/Article-Display/Article/1975329/pacific-angel-provides-aid-builds-partnerships-throughout-indo-pacific-communit/">de resposta humanitária internacional</a> Strong Angel. Em 2013, os Estados Unidos e as Filipinas cooperaram no fornecimento de assistência humanitária após o devastador <a href="https://ndupress.ndu.edu/JFQ/Joint-Force-Quarterly-82/Article/793262/the-us-pacific-command-response-to-super-typhoon-haiyan/">tufão Haiyan</a>. Pouco depois dessa cooperação, os dois países <a href="https://ph.usembassy.gov/enhanced-defense-cooperation-agreement-edca-fact-sheet/">assinaram</a> o Acordo de Cooperação de Defesa Aprimorada (2014), que permite que os EUA acessem as bases das forças armadas filipinas para manter seus depósitos de armas e tropas. Em outras palavras, as operações humanitárias abriram as portas para uma cooperação militar mais profunda.</p>
<p>O Rimpac é um exercício militar de fogo real. A parte mais espetacular do exercício é chamada de Exercício de Afundamento (Sinkex), um exercício que afunda navios de guerra desativados na costa do Havaí. O navio-alvo do Rimpac 2024 será o navio desativado <a href="https://www.history.navy.mil/content/history/museums/nmusn/explore/photography/ships-us/ships-usn-t/uss-tarawa-lha-1.html"><i>USS Tarawa</i></a>, um navio de assalto anfíbio de 40 mil toneladas que foi um dos maiores durante seu período de serviço. Não há nenhuma pesquisa de impacto ambiental sobre o afundamento regular desses navios em águas próximas a nações insulares, nem há nenhuma compreensão do impacto ambiental de sediar esses vastos exercícios militares não apenas no Pacífico, mas em outras partes do mundo.</p>
<p>O Rimpac faz parte da Nova Guerra Fria contra a China que os EUA impõem na região. Ele foi projetado para provocar conflitos. Isso torna o Rimpac um exercício muito perigoso.</p>
<h3 style="margin:2em 0;">Qual é o papel de Israel no Rimpac?</h3>
<p>Israel, que não é um país com litoral no Oceano Pacífico, participou pela primeira vez do Rimpac 2018 e depois novamente nas edições de 2022 e 2024. Embora não tenha aeronaves ou navios no exercício militar, está, no entanto, participando de seu componente de “interoperabilidade”, que inclui o estabelecimento de comando e controle integrados, bem como a colaboração na parte de inteligência e logística do exercício. Israel está participando do Rimpac 2024 ao mesmo tempo em que comete um genocídio contra os palestinos em Gaza. Embora vários dos Estados observadores no Rimpac 2024 (como Chile e Colômbia) tenham sido diretos em sua condenação do genocídio, eles continuam a participar <i>ao lado das forças armadas de Israel</i> no Rimpac 2024. Não houve nenhuma indicação pública de sua hesitação quanto ao envolvimento de Israel nesses perigosos exercícios militares conjuntos.</p>
<p>Israel é um país colonial que continua com seu apartheid assassino e seu genocídio contra o povo palestino. Em todo o Pacífico, as comunidades indígenas de Aotearoa (Nova Zelândia) ao Havaí lideraram os protestos contra o Rimpac ao longo dos últimos 50 anos, afirmando que esses exercícios são realizados em terras e águas roubadas, que eles desconsideram o impacto negativo sobre as comunidades nativas em cujas terras e águas são realizados os exercícios de fogo vivo (incluindo áreas onde testes nucleares atmosféricos foram realizados anteriormente) e que eles contribuem para o desastre climático que eleva o nível das águas e ameaça a existência das comunidades insulares. Embora a participação de Israel não seja surpreendente, o problema não é apenas seu envolvimento no Rimpac, mas a existência do próprio Rimpac. Israel é um Estado de apartheid que está realizando um genocídio, e o Rimpac é um projeto colonial que traz a ameaça de uma guerra aniquilacionista contra os povos do Pacífico e da China.</p>
<blockquote><p>Te Kuaka (Aotearoa)<br>
Red Ant (Austrália)<br>
Partidos dos Trabalhadores de Bangladesh (Bangladesh)<br>
Coordenação pela Palestina (Chile)<br>
Judíxs Antissionistas contra a Ocupação e o Apartheid (Chile)<br>
Partido Comuns (Colômbia)<br>
Congresso dos Povos (Colômbia)<br>
Coordenação Política e Social, Marcha Patriótica (Colômbia)<br>
Partido Socialista de Timor (Timor Leste)<br>
Hui Aloha ʻĀina (Havaí)<br>
Partido Comunista da Índia (Marxista–Leninista) Liberação (Índia)<br>
Federasi Serikat Buruh Demokratik Kerakyatan (Indonésia)<br>
Federasi Serikat Buruh Militan (Indonésia)<br>
Federasi Serikat Buruh Perkebunan Patriotik (Indonésia)<br>
Pusat Perjuangan Mahasiswa untuk Pembebasan Nasional (Indonésia)<br>
Solidaritas.net (Indonésia)<br>
Gegar Amerika (Malásia)<br>
Parti Sosialis Malaysia (Malásia)<br>
Basta de Guerra Fria<br>
Awami Workers Party (Paquistão)<br>
Haqooq-e-Khalq Party (Paquistão)<br>
Mazdoor Kissan Party (Paquistão)<br>
Partido Manggagawa (Filipinas)<br>
Partido Sosyalista ng Pilipinas (Filipinas)<br>
The International Strategy Center (República da Coreia)<br>
Janatha Vimukthi Peramuna (Sri Lanka)<br>
Instituto Tricontinental de Pesquisa Social<br>
Partido Comunista do Nepal (Socialista Unificado)<br>
CodePink: Women for Peace (EUA)<br>
Nodutdol (EUA)<br>
Party for Socialism and Liberation (EUA)</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alerta Vermelho n. 17: não à intervenção militar contra o Níger</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-17-niger-intervencao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Aug 2023 06:00:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A militarização do Pacífico liderada pelos EUA, e cujo alvo é a China, se intensifica. Os exercícios militares Rimpac em curso contam com 25 mil militares de 29 países.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-85182 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/08/20230723_Red-Alert-17-Cards_PT_TT-e1693512719460.jpg" alt="" width="950" height="499" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/08/20230723_Red-Alert-17-Cards_PT_TT-e1693512719460.jpg 950w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/08/20230723_Red-Alert-17-Cards_PT_TT-e1693512719460-300x158.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2023/08/20230723_Red-Alert-17-Cards_PT_TT-e1693512719460-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Por que cresce o sentimento antifrancês e antiocidental no Sahel?</strong></span></h3>
<p>Desde meados do século XIX, o colonialismo francês galopou pelo norte, oeste e centro da África. Em 1960, a França controlava quase cinco milhões de quilômetros quadrados (oito vezes o tamanho da própria França) somente na África Ocidental. Embora os movimentos de libertação nacional do Senegal ao Chade tenham conquistado a independência da França naquele ano, o governo francês manteve o controle financeiro e monetário por meio da Comunidade Financeira Africana ou CFA (antiga Comunidade Francesa da África), mantendo a moeda franco CFA nas antigas colônias da África Ocidental e forçando os países recém-independentes a manter pelo menos metade de suas reservas cambiais no Banque de France. A soberania não ficava restrita apenas por essas cadeias monetárias: quando novos projetos surgiam na região, eles encontravam a intervenção francesa (como no assassinato de Thomas Sankara, de Burkina Faso, em 1987). A França manteve as<a href="https://peoplesdispatch.org/2023/08/01/niger-is-the-fourth-country-in-the-sahel-to-experience-an-anti-western-coup/"> estruturas neocoloniais</a> que permitiram que as empresas francesas sugassem os recursos naturais da região (como o urânio do Níger, que alimenta um terço das lâmpadas francesas) e forçaram esses países a esmagar suas esperanças por meio de uma agenda de austeridade e endividamento impulsionada pelo<a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/dossie-63-crise-da-divida-africana/"> Fundo Monetário Internacional</a>.</p>
<p>O ressentimento latente contra a França aumentou depois que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) destruiu a Líbia em 2011 e exportou a instabilidade para a região do Sahel, na África. Uma combinação de grupos secessionistas, contrabandistas trans-saarianos e ramificações da Al-Qaeda se uniram e marcharam ao sul do Saara para capturar quase dois terços do Mali, grandes partes de Burkina Faso e porções do Níger. A intervenção militar francesa no Sahel por meio da Operação Barkhane (2013) e a criação do projeto neocolonial G-5 Sahel levou a um aumento da violência por parte das tropas francesas, inclusive contra civis. O projeto de dívida-austeridade do FMI, as guerras ocidentais na Ásia Ocidental e a destruição da Líbia fez crescer a migração em toda a região. Em vez de atacar as raízes da migração, a Europa tentou construir sua fronteira sul no Sahel por meio de medidas militares e de política externa, incluindo<a href="https://euromedrights.org/wp-content/uploads/2023/07/Euromed_AI-Migration-Report_EN-1.pdf"> exportação</a> de tecnologias de vigilância ilegal para os governos neocoloniais desse cinturão da África. O grito “La France, dégage!” [Fora França!] define a atitude de agitação em massa na região contra as estruturas neocoloniais que tentam estrangular o Sahel.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><strong>Por que há tantos golpes de Estado no Sahel?</strong></span></h3>
<p>Ao longo dos últimos 30 anos, a política nos países do Sahel tem sido seriamente dissecada. Muitos partidos com uma história que remonta aos movimentos de libertação nacional e até mesmo aos movimentos socialistas (como o <i>Parti Nigérien pour la Démocratie et le Socialisme-Tarayya</i>, do Níger) transformaram-se em representantes de suas elites, que, por sua vez, são condutores de uma agenda ocidental. A entrada das forças de contrabandistas da Al-Qaeda deu às elites locais e ao Ocidente a justificativa para oprimir ainda mais o ambiente político, reduzindo as já limitadas liberdades sindicais e eliminando a esquerda das fileiras dos partidos políticos estabelecidos. A questão central não é o fato dos líderes dos principais partidos políticos serem ardentemente de direita ou de centro-direita, mas que, independentemente de sua orientação, eles não possuem real independência em relação à vontade de Paris e Washington. Eles se tornaram – para usar uma palavra frequentemente pronunciada no local – “fantoches” do Ocidente.</p>
<p>Na ausência de quaisquer instrumentos políticos ou democráticos confiáveis, os setores rurais e pequeno-burgueses excluídos nos países do Sahel recorrem a seus cidadãos urbanos das forças armadas em busca de liderança. Pessoas como o capitão Ibrahim Traoré (nascido em 1988), de Burkina Faso, que foi criado na província rural de Mouhoun e estudou Geologia em Ouagadougou, e o coronel Assimi Goïta (nascido em 1983), de Mali, que vem da cidade de Kati, um mercado de gado e reduto militar, representam essas frações de classe mais amplas. Suas comunidades foram totalmente marginalizadas pelos duros programas de austeridade do FMI, pelo roubo de seus recursos pelas multinacionais ocidentais e pelo pagamento das guarnições militares ocidentais no país. Sem uma plataforma política real que fale por eles, grande parte do país se uniu às intenções patrióticas desses jovens militares,  impulsionados por movimentos de massa, como sindicatos e organizações de camponeses, em seus países. É por isso que o golpe no Níger está sendo defendido em manifestações de massa, da capital Niamey até as pequenas e remotas cidades que fazem fronteira com a Líbia. Esses jovens líderes não chegam ao poder com uma agenda bem elaborada. Entretanto, eles têm um nível de admiração por pessoas como Thomas Sankara: O capitão Ibrahim Traoré, de Burkina Faso, por exemplo, usa uma boina vermelha como Sankara, fala com mesma franqueza, com posições de esquerda, e até imita a dicção de Sankara.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">Haverá uma intervenção militar pró-Ocidente para remover o governo do Níger?</span></strong></h3>
<p>As condenações do golpe no Níger vieram rapidamente do Ocidente (especialmente da França). O novo governo do Níger, liderado por um civil (o ex-ministro das finanças Ali Mahaman Lamine Zeine), disse às tropas francesas que deixassem o país e decidiu cortar as exportações de urânio para a França. Nem a França nem os Estados Unidos – que construíram a maior base de drones do mundo em Agadez (Níger) – estão interessados em intervir diretamente com suas próprias forças militares. Em 2021, a França e os Estados Unidos<a href="https://peoplesdispatch.org/2021/09/09/rwandas-military-is-the-french-proxy-on-african-soil/"> protegeram</a> suas empresas privadas, TotalEnergies e ExxonMobil, em Moçambique, pedindo ao exército de Ruanda que interviesse militarmente. No Níger, o Ocidente primeiro queria que a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) invadisse em seu nome, mas a agitação em massa nos Estados membros da CEDEAO, incluindo condenações de sindicatos e organizações populares, impediu a ação das “forças de manutenção da paz” da organização regional. Em 19 de agosto deste ano, a CEDEAO enviou uma delegação para se reunir com o presidente deposto do Níger e com o novo governo. O país manteve suas tropas de prontidão, alertando que escolheu um “dia D” não revelado para uma intervenção militar.</p>
<p>A União Africana, que inicialmente<a href="https://au.int/en/pressreleases/20230726/chairperson-african-union-commission-condemns-coup-attempt-niger"> condenou</a> o golpe e suspendeu o Níger de todas as atividades sindicais, recentemente<a href="https://www.lemonde.fr/afrique/article/2023/08/16/l-union-africaine-rejette-une-intervention-militaire-au-niger_6185522_3212.html"> declarou</a> que uma intervenção militar não deveria ocorrer. Essa declaração não impediu o surgimento de rumores, como o de que Gana poderia enviar suas tropas para o Níger (apesar da<a href="https://www.graphic.com.gh/news/general-news/dont-send-troops-to-niger-presby-church.html"> advertência</a> da Igreja Presbiteriana de Gana para que não interviesse e da condenação dos sindicatos de uma possível invasão). Os países vizinhos fecharam suas fronteiras com o Níger.</p>
<p>Enquanto isso, os governos de Burkina Faso e Mali, que enviaram tropas para o Níger, disseram que qualquer intervenção militar contra o governo do Níger será considerada uma invasão de seus próprios países. Há uma conversa séria em andamento sobre a criação de uma nova federação no Sahel que inclui Burkina Faso, Guiné, Mali e Níger, que têm uma população combinada de mais de 85 milhões de pessoas. Os rumores entre as populações do Senegal ao Chade sugerem que esses podem não ser os últimos golpes nesse importante cinturão do continente africano. O crescimento de plataformas como a<a href="https://peoplesdispatch.org/2023/03/04/west-african-peoples-movements-call-for-greater-unity-as-france-announces-military-reorganization/"> Organização dos Povos da África Ocidental</a> é fundamental para o avanço político na região.[2] [3]</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Não à intervenção militar, sim à insurreição haitiana</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-16-insurreicao-haiti-militar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 07:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alerta Vermelho]]></category>
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					<description><![CDATA[Os golpes militares no Níger e em outros países do Sahel representam setores marginalizados da população. Agora, a França e outros países ocidentais pressionam por uma intervenção militar no Níger, mas o povo grita “La France, dégage!” (“Fora França!”).]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-68377 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/10/20220918_Red-Alert-16-Cards_PT_TT.jpg" alt="" width="1200" height="630" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/10/20220918_Red-Alert-16-Cards_PT_TT.jpg 1200w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/10/20220918_Red-Alert-16-Cards_PT_TT-300x158.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/10/20220918_Red-Alert-16-Cards_PT_TT-1024x538.jpg 1024w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/10/20220918_Red-Alert-16-Cards_PT_TT-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px"></p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>O que está acontecendo no Haiti?</b></span></h3>
<p>Uma insurreição popular se desenvolveu no Haiti ao longo de 2022. Esses protestos são a continuação de um ciclo de resistência que começou em 2016 em resposta a uma crise social desenvolvida pelos golpes de Estado de 1991 e 2004, o terremoto de 2010 e o furacão Mateus em 2016. Por mais de um século, qualquer tentativa do povo haitiano de sair do sistema neocolonial imposto pela ocupação militar estadunidense (1915-34) foi enfrentada com intervenções militares e econômicas para preservá-lo. As estruturas de dominação e exploração estabelecidas por esse sistema empobreceram o povo haitiano, onde a maioria da população não tem acesso à água potável, assistência médica, educação ou moradia decente. Das 11,4 milhões de pessoas do Haiti, 4,6 milhões sofrem com<a href="https://news.un.org/fr/story/2022/03/1116792"> insegurança alimentar</a> e 70% estão<a href="https://www.cath.ch/newsf/haiti-caritas-suisse-consolide-son-action-140492/"> desempregadas</a>.</p>
<p>A palavra crioula haitiana <i>dechoukaj</i> ou “desenraizamento” – que foi<a href="https://www.nytimes.com/2010/02/07/opinion/07wilentz.html"> usada pela primeira vez</a> nos movimentos pró-democracia de 1986, que lutaram contra a ditadura apoiada pelos EUA –<a href="https://www.youtube.com/watch?v=IhhrnjIU0Xo"> define</a> os protestos atuais. O governo do Haiti, liderado pelo Primeiro Ministro em exercício e Presidente Ariel Henry, aumentou os preços dos combustíveis durante essa crise, o que provocou um protesto dos sindicatos e aprofundou o movimento. Henry foi<a href="https://www.aljazeera.com/news/2021/7/17/core-group-urges-haiti-designated-pm-to-form-a-government"> instalado</a> em seu posto em 2021 pelo ‘<a href="https://socialism.com/statement/core-group-and-imperialism-out-of-haiti/">Grupo Central</a> (formado por seis países e liderado pelos EUA, União Europeia, ONU e Organização dos Estados Americanos) após o assassinato do impopular presidente Jovenel Moïse. Embora ainda não resolvido, está<a href="https://theintercept.com/2021/07/26/colombian-mercenaries-haiti-jovenel-moise-assassination/"> claro</a> que Moïse foi morto por uma conspiração que incluía o partido governante, quadrilhas de tráfico de drogas, mercenários colombianos e serviços de inteligência dos EUA. Helen La Lime, da ONU,<a href="https://binuh.unmissions.org/en/security-council-session-united-nations-integrated-office-haiti-binuh-18-february-2022"> disse</a> ao Conselho de Segurança em fevereiro que a investigação nacional sobre o assassinato de Moïse havia estagnado, uma situação que alimentou rumores e exacerbou tanto a suspeita quanto a desconfiança dentro do país.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>Como as forças do neocolonialismo têm reagido?</b></span></h3>
<p>Os Estados Unidos e o Canadá estão agora<a href="https://www.state.gov/joint-statement-united-states-and-canada-coordinate-delivery-of-haitian-national-police-hnp-equipment/"> armando</a> o governo ilegítimo de Henry e planejando uma intervenção militar no Haiti. Em 15 de outubro, os EUA apresentaram um<a href="https://www.stripes.com/theaters/americas/2022-10-15/us-support-sending-multinational-force-haiti-7699152.html"> esboço de resolução</a> ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, exigindo o “envio imediato de uma força multinacional de ação rápida” para o país. Seria o último capítulo em mais de dois séculos de intervenção destrutiva dos países ocidentais no Haiti. Desde a Revolução Haitiana de 1804, as forças do imperialismo (incluindo os proprietários de escravos) têm intervido militar e economicamente contra os movimentos populares que procuram acabar com o sistema neocolonial. Mais recentemente, estas forças entraram no país sob os auspícios das Nações Unidas através da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), que esteve ativa de 2004 a 2017. Uma outra intervenção desse tipo em nome dos “direitos humanos” apenas afirmaria o sistema neocolonial, agora administrado por Ariel Henry, e seria catastrófica para o povo haitiano, cujo progresso está sendo bloqueado por quadrilhas <a href="https://mronline.org/2021/07/20/haitian-ruling-families-create-and-kill-monsters/">criadas</a> e promovida nos bastidores pela oligarquia haitiana, apoiada pelo Grupo Central, e armada pelos<a href="https://www.bloomberg.com/news/articles/2022-08-17/us-sees-surge-in-haitian-gangs-smuggling-guns-from-florida"> EUA.</a></p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>Como o mundo pode ser solidário com o Haiti?</b></span></h3>
<p>A crise do Haiti só pode ser resolvida pelo povo haitiano, mas eles devem ser acompanhados pela imensa força da solidariedade internacional. O mundo pode olhar para os exemplos demonstrados pela<a href="https://www.haitilibre.com/en/news-35493-haiti-health-the-cuban-brigade-celebrates-23-years-of-care-in-haiti.html"> Brigada Médica Cubana</a>, que foi pela primeira vez ao Haiti em 1998; pela brigada da Via Campesina/Alba Movimientos, que trabalha com movimentos populares no reflorestamento e educação popular desde 2009; e pela<a href="https://mppre.gob.ve/2021/08/31/venezuela-haiti-strengthen-cooperation-solidarity-based-ties/"> assistência</a> fornecida pelo governo venezuelano, que inclui o petróleo com desconto. É imperativo que aqueles que são solidários ao Haiti exijam, no mínimo:</p>
<ol>
<li aria-level="1">que a França e os Estados Unidos forneçam reparações pelo roubo da riqueza haitiana desde 1804, incluindo o<a href="https://haitiliberte.com/how-the-u-s-came-to-dominate-haiti-seizing-the-gold/"> retorno do ouro</a> roubado pelos EUA em 1914. Somente a<a href="https://lenouvelliste.com/article/211316/au-minimum-la-france-devrait-rembourser-plus-de-28-milliards-de-dollars-americains-a-haiti-aujourdhui-soutient-le-celebre-economiste-francais-thomas-piketty">  França deve ao Haiti</a> pelo menos 28 bilhões de dólares.</li>
<li aria-level="1">que os Estados Unidos<a href="http://haitirectoverso.blogspot.com/2015/10/la-navase-lile-haitienne-occupee-par.html"> devolva</a> a Ilha de Navassa para o Haiti.</li>
<li aria-level="1">que as Nações Unidas<a href="https://www.humanrightspulse.com/mastercontentblog/haitian-court-delivers-landmark-petit-minustah-decision-new-light-shed-on-decades-of-un-peacekeeper-sexual-abuse"> pague</a> pelos crimes cometidos pela Minustah, cujas forças mataram dezenas de milhares de haitianos, violaram um número incalculável de mulheres e introduziram<a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9105971/"> cólera</a> para dentro do país.</li>
<li aria-level="1">que o povo haitiano tenha permissão para construir sua própria estrutura política e econômica de forma soberana, digna e justa, e para criar sistemas de educação e saúde que possam atender às necessidades reais do povo.</li>
<li aria-level="1">que todas as forças progressistas se oponham à invasão militar do Haiti.</li>
</ol>
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			</item>
		<item>
		<title>Paquistão sob água</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-15-paquistao-inundacoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Sep 2022 07:00:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os Estados Unidos avançam em uma invasão militar do Haiti para reprimir uma insurreição popular e manter o sistema neocolonial. O mundo deve se opor a essa intervenção.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-64297 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121.jpg" alt="" width="950" height="499" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121.jpg 950w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121-300x158.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/09/20220907_Red-Alert-15-Cards_PT_TT-e1662742340121-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Essas inundações no Paquistão são um “ato de Deus”?</strong></span></h2>
<p>Um terço do vasto território do Paquistão foi afetado por inundações na última semana de agosto. Imagens de satélite mostraram a rápida propagação das águas que romperam as margens do rio Indo, cobrindo enormes porções de duas grandes províncias: Baluchistão e Sindh. Em 30 de agosto de 2022, o secretário-geral das Nações Unidas, <a href="https://twitter.com/antonioguterres/status/1564556094680227841">António Guterres, chamou de “monção com esteróides”</a>, pois <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-02813-6">as águas da chuva mataram mais de mil</a> pessoas e deslocaram cerca de 33 milhões. A situação é terrível, com aqueles que fugiram de suas casas em perigo imediato e de longo prazo. As pessoas acampadas em terras mais altas, como nas principais estradas, estão atualmente sob o risco de passar fome e de contrair doenças transmitidas pela água, como diarréia, disenteria e hepatite. A longo prazo, as pessoas que perderam suas plantações (algodão e cana-de-açúcar) e o gado enfrentam o empobrecimento. O ministro do Planejamento do Paquistão, Ahsan Iqbal, estima que <a href="https://tribune.com.pk/story/2373770/floods-cost-at-least-10b-iqbal">os danos totalizarão </a>mais de 10 bilhões de dólares.</p>
<p>À primeira vista, a principal razão para as inundações parece ser a forte chuva adicional no final de uma monção ou estação chuvosa já recorde. Um verão muito quente com temperaturas acima de 40°C por longos períodos em abril e maio fez do Paquistão “o lugar mais quente da Terra”, <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-02813-6">segundo Malik Amin Aslam</a>, ex-ministro de mudanças climáticas. Esses meses escaldantes resultaram no derretimento anormal das geleiras do norte do país, cujas águas encontraram as chuvas torrenciais estimuladas por um “<a href="https://public.wmo.int/en/media/press-release/wmo-predicts-first-">triplo mergulho</a>” – três anos consecutivos de La Niña esfriando o Oceano Pacífico equatorial. Além disso, mudanças climáticas catastróficas – impulsionadas pelo capitalismo global movido a carbono – também causaram a chuva e o derretimento glacial.</p>
<p>Mas a natureza das inundações em si não se deve totalmente a padrões climáticos turbulentos. Significativamente, o impacto do aumento das águas sobre a população do Paquistão se deve ao desmatamento descontrolado e à infraestrutura deteriorada, como barragens, canais e outros meios para conter a água. Em 2019, o Banco Mundial disse que o Paquistão enfrenta uma <a href="https://blogs.worldbank.org/endpovertyinsouthasia/green-emergency-deforestation-pakistan">“</a><a href="https://blogs.worldbank.org/endpovertyinsouthasia/green-emergency-deforestation-pakistan">emergência verde”</a> porque a cada ano cerca de 27 mil hectares de floresta natural são derrubados, dificultando muito a absorção da água da chuva no solo.</p>
<p>Além disso, a falta de investimento estatal em barragens e canais (agora fortemente assoreados) tornou muito mais difícil controlar grandes quantidades de água. As mais importantes dessas barragens, canais e reservatórios são a <a href="https://tribune.com.pk/story/2337867/new-lease-on-life-for-sukkur-barrage">Barragem de Sukkur</a>, o maior sistema de irrigação do mundo do gênero, que atrai o Indo para o sul do rio Sindh, e os <a href="https://pecongress.org.pk/images/upload/books/Paper659.pdf">reservatórios de Mangla e Tarbela</a>, que desviam as águas da capital do Paquistão, Islamabad. A construção ilegal de imóveis em várzeas exacerba ainda mais o potencial de tragédia humana.</p>
<p>Deus tem pouco a ver com essas inundações. A natureza só agravou as crises subjacentes da catástrofe climática impulsionada pelo capitalismo e a negligência da gestão da água, da terra e das florestas no Paquistão.</p>
<h2 style="margin:3em 0;"></h2>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Quais são as múltiplas crises urgentes que afligem o Paquistão?</strong></span></h2>
<p>As inundações revelaram um conjunto de problemas duradouros que paralisam o Paquistão. <a href="https://asia.nikkei.com/Spotlight/Asia-Insight/Pakistan-s-punishing-inflation-changes-life-as-225m-people-know-it">Pesquisas</a> feitas em maio, antes das enchentes, mostraram que 54% da população considerava a inflação seu principal problema. Em agosto, o Escritório de Estatísticas do Paquistão <a href="https://www.pbs.gov.pk/sites/default/files/price_statistics/cpi/CPI_Monthly_Review_August_2022.pdf">informou</a> que o índice de preços no atacado, que mede a flutuação nos preços médios das mercadorias, aumentou 41,2%, enquanto a taxa de inflação anual foi de 27%. Apesar da inflação ter aumentado globalmente e do reconhecimento de que o custo das inundações seria superior a 10 bilhões de dólares, o Fundo Monetário Internacional (FMI) <a href="https://www.imf.org/en/News/Articles/2022/08/29/pr22293-imf-executive-board-completes-reviews-of-extended-fund-facility-pakistan">prometeu apenas 1,1 bilhão de dólares</a> com condições semelhantes à austeridade, como “política monetária prudente”. É criminoso que o FMI imponha austeridade estrita quando a infraestrutura agrícola do país está totalmente destruída (essa ação inadequada é uma reminiscência da política colonial britânica de continuar a exportação de trigo da Índia durante a fome de 1943 em Bengala). O Índice Global da Fome de 2021 já colocou o <a href="https://www.welthungerhilfe.org/news/publications/detail/global-hunger-index-2021">Paquistão em 92º entre 116 países com crise alimentar</a> – isso antes das enchentes – em um nível grave. No entanto, como nenhum dos partidos políticos burgueses do país levou a sério essas descobertas, sem dúvida, sua crise econômica se intensificará com pouca recuperação.</p>
<p>Isso nos leva à aguda crise política. Desde sua independência dos britânicos em 1947, há 75 anos, o Paquistão teve <a href="https://na.gov.pk/en/priminister_list.php">31 primeiros-ministros</a>. Em abril de 2022, o trigésimo, Imran Khan, foi removido para instalar o atual primeiro-ministro Shehbaz Sharif. Khan, que <a href="https://tribune.com.pk/story/2374195/court-extends-imrans-bail-in-terrorism-case">enfrenta acusações</a> de terrorismo e desacato ao tribunal, alegou que seu governo foi removido a pedido de Washington devido a seus laços estreitos com a Rússia. O partido paquistanês de Khan, Tehreek-e-Insaf (PTI ou “Partido da Justiça”), não conquistou a maioria nas eleições de 2018, o que deixou sua coalizão vulnerável à saída de um punhado de legisladores. Foi exatamente o que fez a oposição, que chegou ao poder por meio de manobras legislativas, sem um novo mandato da população. Desde sua remoção, a posição de Imran Khan e do PTI aumentou no Paquistão, tendo vencido 15 das 20 eleições de julho em <a href="https://www.dawn.com/news/1706160">Karachi</a> e <a href="https://www.dawn.com/news/1700283">Punjab</a>, antes das enchentes. Agora, à medida que <a href="https://www.dawn.com/news/1703850/anger-as-balochistans-remote-areas-await-help">a raiva aumenta</a> contra o governo de Sharif por conta do ritmo lento do socorro às vítimas das enchentes, a crise política só se aprofunda.</p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #403b99;"><strong>Quais são as tarefas possíveis?</strong></span></h2>
<p>O Paquistão está sofrendo com o “apartheid climático”. Esse país de mais de 230 milhões de pessoas <a href="https://www.unep.org/gan/news/press-release/pakistan-develop-national-adaptation-plan-climate-change">contribui</a> com apenas 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está <a href="https://www.germanwatch.org/en/cri">ameaçado</a> pelo oitavo maior risco climático do mundo. O fracasso dos países capitalistas ocidentais em reconhecer sua destruição do clima do planeta significa que países como o Paquistão, que têm baixos níveis de emissões, já estão sofrendo desproporcionalmente o impacto das rápidas mudanças climáticas. Os países capitalistas ocidentais devem pelo menos fornecer seu <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/cartasemanal-crise-climatica-new-green-deal/">total apoio</a> à Agenda Global de Ação Climática.</p>
<p>Forças de esquerda e progressistas – como o Partido Mazdoor Kisan – e outros grupos civis organizaram uma campanha de socorro às inundações nas quatro províncias do Paquistão. Eles estão estendendo a mão principalmente com ajuda alimentar para combater a fome em áreas de difícil acesso, em grande parte rurais. A esquerda paquistanesa está exigindo que o governo impeça a onda de austeridade e inflação que certamente exacerbará a crise humanitária.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Ministério das Colônias dos EUA e sua cúpula</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alerta-vermelho-14-cupula-americas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 May 2022 15:42:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alerta Vermelho n. 15 explica como as recentes inundações agravaram as crises subjacentes no Paquistão, que são produto da crise econômica e política impulsionada pelo capitalismo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-60302 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/05/20220524_Red-Alert-14-Cards_PT.jpg" alt="" width="950" height="499" srcset="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/05/20220524_Red-Alert-14-Cards_PT.jpg 950w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/05/20220524_Red-Alert-14-Cards_PT-300x158.jpg 300w, https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/05/20220524_Red-Alert-14-Cards_PT-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px"></p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><span style="color: #ba2025;"><b>O que é a Organização dos Estados Americanos?</b></span></h2>
<p>A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi formada em Bogotá, Colômbia, em 1948, pelos Estados Unidos e seus aliados. Embora a <a href="https://www.oas.org/en/sla/dil/inter_american_treaties_A-41_charter_OAS.asp">Carta da OEA</a> invoque a retórica do multilateralismo e da cooperação, a organização tem sido usada como ferramenta para lutar contra o comunismo no hemisfério e para impor uma agenda dos Estados Unidos aos países do continente. Aproximadamente metade dos fundos para a OEA e 80% dos fundos para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), um órgão autônomo da OEA, vêm dos EUA. Vale notar que – apesar de fornecer a maior parte de seu orçamento – os EUA não ratificaram nenhum dos tratados da CIDH.</p>
<p>A OEA mostrou suas verdadeiras cores após a Revolução Cubana (1959). Em 1962, em uma reunião em Punta del Este (Uruguai), Cuba – membro fundador da OEA – foi expulsa da organização. A declaração da reunião afirmou que “os princípios do comunismo são incompatíveis com os princípios do sistema interamericano”. Em resposta, Fidel Castro chamou a OEA de “Ministério das Colônias dos EUA”.</p>
<p>A OEA criou a Comissão Consultiva Especial sobre Segurança Contra a Ação Subversiva do Comunismo Internacional em 1962, com o propósito de permitir que as elites das Américas – lideradas pelos EUA – usem todos os meios possíveis contra os movimentos populares da classe trabalhadora e do campesinato. A OEA deu cobertura diplomática e política à Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, pois participou da derrubada de governos que tentaram exercer sua soberania legítima – soberania que a Carta da OEA supostamente garante. Esse exercício foi desde a expulsão de Cuba pela OEA em 1962, a orquestração de golpes em <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/dossie-39-honduras/">Honduras</a> (2009) e na <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/bolivia-entenda-o-cenario-atual-do-pais-e-as-perspectivas-para-as-proximas-eleicoes/">Bolívia</a> (2019), as repetidas tentativas de derrubar os governos da Nicarágua e <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/estudos-2-sancoes-e-coronachoque/">Venezuela</a> e a contínua interferência no <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/dossie-8-a-insurrecao-popular-haitiana-e-a-nova-fronteira-imperial/">Haiti</a>.</p>
<p>Desde 1962, a OEA atua abertamente ao lado do governo dos EUA para sancionar países sem uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que torna essas punições ilegais. Tem, portanto, violado regularmente o “princípio de não interferência” de sua própria carta, que proíbe “força armada, mas também qualquer outra forma de ingerência ou tentativa de ameaça contra a personalidade do Estado ou contra seus interesses políticos, econômicos e elementos culturais” (capítulo 1, artigo 2, seção b; e capítulo 4, artigo 19).</p>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">O que é a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)?</span></strong></h2>
<p>A Venezuela, liderada pelo presidente Hugo Chávez, iniciou um processo no início dos anos 2000 para construir novas instituições regionais fora do controle dos EUA. Três grandes plataformas foram construídas nesse período: 1) a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba); 2) a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), ambas em 2004; e 3) a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em 2010. Essas plataformas estabeleceram conexões intergovernamentais nas Américas, incluindo cúpulas sobre assuntos de importância regional e instituições técnicas para melhorar o comércio e as interações culturais além-fronteiras. Cada uma dessas plataformas enfrentou ameaças dos Estados Unidos. À medida que os governos da região oscilam politicamente, seu compromisso com essas plataformas ou aumentou (quanto mais à esquerda estão) ou diminuiu (quanto mais subordinados aos Estados Unidos se encontram).</p>
<p>Na 6ª Cúpula da Celac na Cidade do México, em 2021, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, sugeriu que a OEA seja dissolvida e que a Celac ajude a construir uma organização multilateral na escala da União Europeia para resolver conflitos regionais, construir parcerias comerciais e promover a unidade das Américas.</p>
<h2 style="margin:3em 0;"></h2>
<p> </p>
<h2 style="margin:3em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">O que é a Cúpula das Américas?</span></strong></h2>
<p>Com a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), os Estados Unidos tentaram dominar o mundo usando seu poder militar para disciplinar qualquer Estado que não aceitasse sua hegemonia (como no Panamá, em 1989, e no Iraque, em 1991) e institucionalizando seu poder econômico por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1994. Os Estados Unidos convocaram os Estados membros da OEA a Miami para a primeira Cúpula das Américas em 1994, que foi posteriormente entregue à OEA para administrar. Desde então, a cúpula se reúne a cada poucos anos para “discutir questões políticas comuns, afirmar valores compartilhados e comprometer-se com ações combinadas em nível nacional e regional”.</p>
<p>Apesar de seu domínio sobre a OEA, os EUA nunca conseguiram impor plenamente sua agenda nessas cúpulas. Na terceira cúpula na cidade de Quebec (2001) e na quarta em Mar del Plata (2005), os movimentos populares realizaram grandes protestos; em Mar del Plata, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, liderou uma manifestação massiva, que resultou no colapso do acordo das Áreas de Livre Comércio das Américas (Alca) imposto pelos EUA. A quinta e sexta cúpulas de Port of Spain (2009) e Cartagena (2012) tornaram-se um campo de batalha para o debate sobre o bloqueio dos EUA a Cuba e sua expulsão da OEA. Devido à imensa pressão dos Estados membros da OEA, Cuba foi convidada para a sétima e oitava cúpulas na Cidade do Panamá (2015) e Lima (2018), contra a vontade dos Estados Unidos.</p>
<p>No entanto, os Estados Unidos não convidaram Cuba, Nicarágua ou Venezuela para a próxima cúpula, a nona, a ser realizada em Los Angeles em junho de 2022. Vários países – incluindo Bolívia e México – disseram que não participarão da reunião a menos que todos os 35 países das Américas estejam presentes. De 8 a 10 de junho, várias organizações progressistas realizarão uma <a href="https://peoplessummit2022.org/">Cúpula dos Povos</a> para se opor à cúpula da OEA e amplificar as vozes de todos os povos das Américas.</p>
<p> </p>
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		<title>Liberdade para Julian Assange</title>
		<link>https://thetricontinental.org/pt-pt/alertavermelho-liberdade-para-julian-assange/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[ariana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2022 15:19:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alerta Vermelho]]></category>
		<category><![CDATA[Belmarsh Prison]]></category>
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					<description><![CDATA[Alerta vermelho n. 14 analisa dois instrumentos de poder dos EUA nas Américas, a Organização dos Estados Americanos e a Cúpula das Américas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-56508 size-full img-responsive" src="https://thetricontinental.org/wp-content/uploads/2022/02/20220222_Red-Alert-13-Cards_PT_TT-e1645714187383.jpg" alt="" width="950" height="499"></p>
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<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">Quem é Julian Assange e o que é o WikiLeaks?</span></strong></h3>
<p>Julian Assange é um jornalista e editor australiano que co-fundou o WikiLeaks em 2006. O WikiLeaks é um site projetado para publicar documentos vazados anonimamente por funcionários de governos e corporações. O projeto foi inspirado na divulgação feita por Daniel Ellsberg, em 1971, dos <i>Pentagon Papers</i>, um documento interno do governo dos EUA que mostrava a extensão de suas mentiras ao prosseguir com a guerra no Vietnã. Entre 2006 e 2009, o WikiLeaks publicou uma série de documentos importantes que continham revelações como a lista de membros do Partido Nacional Britânico fascista (2008), o escândalo do petróleo Petrogate no Peru (2009) e um relatório sobre o ataque cibernética dos EUA e Israel contra as instalações de energia nuclear no Irã (2009). Em 2013, a <a href="https://www.ifj.org/fileadmin/images/World_Congress_2013/World_Congress_Motions/IFJ_WC_13_-_Motions_Adopted.pdf">Federação Internacional de Jornalistas chamou o WikiLeaks</a> de “uma nova geração de organização de mídia baseada no direito do público de saber”.</p>
<p>Em 2010, enquanto estava no Iraque, a analista de inteligência do Exército dos EUA Chelsea Manning baixou centenas de milhares de documentos, incluindo vídeos, de servidores do governo dos EUA. Ela os enviou ao WikiLeaks com uma mensagem, que dizia: “Este é possivelmente um dos documentos mais significativos do nosso tempo, removendo a névoa da guerra e revelando a verdadeira natureza da guerra assimétrica do século XXI”. Em novembro de 2010, o WikiLeaks se associou a grandes jornais (<i>Der Spiegel</i>, <i>El Pais</i>, <i>The Guardian</i>, <i>Le Monde</i>, <i>The New York Times</i>) para publicar os telegramas diplomáticos (<a href="https://wikileaks.org/plusd/?qproject%5B%5D=cg&amp;q=">CableGate</a>) que vieram de documentos de Manning. O Wikileaks também publicou os <a href="https://wikileaks.org/irq/">Registros da Guerra do Iraque</a> e os <a href="https://wikileaks.org/afg/">Diários da Guerra do Afeganistão</a>, que continham materiais que sugeriam que as forças dos EUA haviam cometido crimes de guerra nos dois países. Entre esses documentos estava um vídeo classificado, de 2007, mostrando forças dos EUA matando civis, incluindo funcionários da organização de notícias Reuters. Esse <a href="https://collateralmurder.wikileaks.org/">vídeo</a>, divulgado pelo WikiLeaks como Assassinato Colateral, teve um enorme <a href="https://thetricontinental.org/pt-pt/newsletterissue/wikileaks-extradition/">impacto</a> na opinião pública sobre a natureza da guerra dos EUA.</p>
<p>Em novembro de 2010, o procurador-geral dos EUA, <a href="https://www.reuters.com/article/us-wikileaks-legal/analysis-hard-case-for-u-s-against-wikileakss-assange-idUSTRE6B00F020101201">Eric Holder, disse</a> que seu escritório havia aberto “uma investigação criminal ativa e em andamento” contra o WikiLeaks.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">Por que Julian Assange está na prisão de Belmarsh, em Londres?</span></strong></h3>
<p>No início de dezembro de 2010, políticos dos EUA <a href="https://www.intelligence.senate.gov/press/feinstein-bond-ask-attorney-general-prosecute-wikileaks-founder-julian-assange-espionage">pediram</a> ao governo estadunidense que processasse Assange sob a Lei de Espionagem (1917). Alegações de agressão sexual na Suécia colocaram Assange em uma armadilha legal. Embora disposto a retornar à Suécia para enfrentar as acusações, ele queria um compromisso de que a Suécia não o extraditaria para os EUA, onde enfrentaria prisão perpétua por possíveis acusações de espionagem. A Suécia, em estreita relação com os EUA, recusou-se a fazer esse compromisso. Em 2012, Assange recebeu asilo na embaixada do Equador em Londres. Em abril de 2019, o governo do Equador – em troca do que considerou um acordo favorável com o Fundo Monetário Internacional – entregou Assange às autoridades britânicas. Assange foi levado para a prisão de Belmarsh para aguardar audiências de <a href="https://homeofficemedia.blog.gov.uk/2019/04/11/extradition-factsheet/">extradição</a> não para a Suécia, que havia desistido de sua investigação, mas para os Estados Unidos.</p>
<p>O <a href="https://www.justice.gov/opa/pr/wikileaks-founder-julian-assange-charged-18-count-superseding-indictment">governo dos EUA indiciou Assange</a> por 18 acusações relacionadas à obtenção e publicação de documentos confidenciais, que podem resultar em uma sentença de até 175 anos de prisão. No entanto, 17 dessas acusações só foram incorporadas depois que Assange entrou sob custódia britânica. Inicialmente, <a href="https://www.justice.gov/usao-edva/pr/wikileaks-founder-charged-computer-hacking-conspiracy">Assange foi acusado apenas de conspirar com Manning</a> para decifrar uma senha e invadir o sistema de computadores do Pentágono, que por si só carrega uma pena de prisão curta de até 5 anos. O problema aqui, ao que parece, é que o governo dos EUA não tem evidências de que Assange conspirou com Manning para invadir servidores dos EUA; Manning diz que agiu sozinha na aquisição e entrega dos documentos ao WikiLeaks.</p>
<p>Assim, o governo dos EUA procura trazer Assange para os EUA para ser julgado sob a Lei de Espionagem por solicitar, obter e depois publicar informações classificadas – em outras palavras, precisamente o trabalho de um jornalista investigativo. É pelo jornalismo, portanto, que Assange está sendo processado.</p>
<p> </p>
<h3 style="margin:2em 0;"><strong><span style="color: #ba2025;">O que você pode fazer para libertar Julian Assange?</span></strong></h3>
<p><b>Mobilize-se</b>. Vá às ruas em 25 de fevereiro de 2022. Proteste em frente às embaixadas e consulados do Reino Unido e dos Estados Unidos. Exija que esses governos respeitem o direito internacional e os direitos fundamentais de Julian Assange.</p>
<p><b>Mande uma carta</b>. Assine <a href="https://server.ipa-aip.org/s/bFSiP2jGmTqDMBr">esta carta</a> redigida pela Assembleia Internacional dos Povos e <a href="https://server.ipa-aip.org/s/ArmS5X9n7NFiX7H">envie-a à sua embaixada ou consulado britânico local</a>, pedindo que respeitem suas responsabilidades legais.</p>
<p><b>Participe</b>. Siga a Assembleia Internacional dos Povos nas <a href="http://linktr.ee/IntlPeoplesAssembly">redes sociais</a> para saber mais sobre o caso de Assange e suas contribuições para a luta anti-imperialista. Compartilhe nossos materiais com suas comunidades e movimentos. Ajude-nos a divulgar por que devemos #FreeAssangeNOW! <a href="https://act.progressive.international/belmarsh-tribunal-nyc/#sign-up">Increva-se</a> online para participar do <a href="https://act.progressive.international/belmarsh-tribunal-nyc/#about">Tribunal de Belmarsh</a> para libertar Julian Assange.</p>
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